Por Gerson Nogueira
Depois da desastrosa campanha do Paissandu na Série B deste ano somente um jogador pode comemorar um final de temporada auspicioso. É Pikachu, lateral-direito/ala e artilheiro do time na competição. Figurinha carimbada praticamente toda semana na seleção da rodada do campeonato, o jovem revelado nas divisões de base da Curuzu colhe os frutos das boas atuações. Até agora, cinco clubes já se manifestaram interessados em seu futebol.
Desde o ano passado, Pikachu já frequentava listas de atletas cobiçados pelos grandes clubes do Sul e Sudeste. Devido ao desempenho na Copa do Brasil de 2012, quando brilhou diante do Sport-PE, teve parte de seus direitos federativos adquirida por um empresário e na ocasião quase deixou o Paissandu.
Foi fundamental na campanha que garantiu o acesso à Série B, permanecendo na Curuzu devido à mudança de diretoria. Depois de assumir a presidência e tomar pé da situação, Vandick Lima vetou a saída do jogador. Recentemente, o clube admitiu negociar Pikachu, mas estabeleceu em contrato multa rescisória superior a R$ 6 milhões.
Um dos complicadores para a negociação é o acerto com o empresário detentor de direitos sobre o jogador – até mesmo o percentual (30%) que cabia a Pikachu já foi comprado pelo investidor.
Ontem, surgiu a notícia de que o Goiás estaria mais perto de concretizar negócio. O presidente do clube, Marcelo Segurado, confirmou o interesse, mas admitiu à imprensa goiana dificuldades ante a concorrência de Palmeiras e Flamengo. Por fora, correm também Internacional (representado pelo ex-bicolor Iarley) e Atlético-PR.
O rubro-negro paranaense, porém, parece ter saído da disputa depois que encaminhou proposta de empréstimo (R$ 500 mil), prontamente recusada pela diretoria do Paissandu. No momento, o Palmeiras parece na dianteira da corrida por Pikachu. O clube paulista reformula o elenco depois da passagem pela Segunda Divisão e já acenou com a oferta de R$ 2,5 milhões, mais a cessão de dois jogadores à escolha do clube.
A proposta do Flamengo não foi divulgada, mas, mesmo que Pikachu não seja negociado com um dos clubes citados, é improvável que dispute o Parazão 2014. A transação é de interesse de todos, inclusive do Paissandu, que espera lucrar um pouco mais com o jogador, além dos R$ 700 mil pagos à diretoria anterior.
Da parte do jogador, a intenção é sair. Aconselhado por companheiros mais experientes, Pikachu sabe que precisa aproveitar a valorização e que não pode perder a chance de jogar em centros maiores, com melhor remuneração e mais visibilidade. A carreira, como se sabe, é curta e as boas oportunidades são raras.
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A nova aposta de Lecheva
A malsucedida experiência na Tuna parece não ter bastado a Lecheva, que decidiu assumir outro projeto claudicante, o do Independente Tucuruí. Técnico mais valorizado do nosso futebol no final de 2012, responsável direto pela volta do Paissandu à Série B, o ex-volante alviceleste teve ainda um bom começo de temporada em 2013, conquistando o certame estadual.
Mesmo demitido depois de três tropeços na competição nacional, não teve o prestígio abalado. A própria torcida do Papão reconheceu seu trabalho, considerando ter havido injustiça em seu afastamento. Quando se esperava que Lecheva fosse buscar preparação em grandes clubes nacionais, eis que ele assumiu a Tuna.
Sem jogadores, nem patrocinadores, a Lusa era uma barca furada sob todos os pontos de vista. Fiasco na primeira fase do Parazão, terminou eliminada. Aí, ao contrário do que havia ocorrido no Paissandu, Lecheva saiu chamuscado da experiência, embora tenha sido um dos menos culpados pelo vexame.
O novo projeto implica em sérios riscos para um técnico ainda iniciante e em busca de afirmação. O Independente dispensou Samuel Cândido depois da primeira fase do estadual e não definiu ainda se vai investir em contratações, visto que também deve perder algumas peças.
A situação lembra, mal comparando, as escolhas equivocadas que alguns atores fazem no cinema. Dependendo dos filmes que aceitam fazer, podem dar uma guinada na carreira ou simplesmente afundar. Até agora, depois que saiu da Curuzu, as apostas de Lecheva têm sido infelizes.
No Independente, em campeonato que se prenuncia dos mais difíceis, habilita-se a ser rotulado como “técnico de time emergente”, estigma que marca (e discrimina) o trabalho de Sinomar Naves, Fran Costa, Samuel Cândido, Cacaio e outros profissionais.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 27)