Mês: dezembro 2013
Capa da TODA!, edição de domingo, 29
A arte de Atorres
Capa do Bola, edição de sábado, 28
Capa do DIÁRIO, edição de sábado, 28
Rock na madrugada – Eddie Vedder, Forever Young
Leão estreia no Parazão com a camisa do tetra
A grande atração do show de lançamento dos novos uniformes do Remo, marcado para 9 de janeiro, será o modelo na cor amarela, comemorativo aos 20 anos da conquista do tetracampeonato pela Seleção Brasileira, na Copa do Mundo de 1994. A Umbro, fornecedora do material esportivo do Remo, resolveu fazer uma campanha com todos os atuais parceiros, rememorando a vitoriosa trajetória brasileira em gramados norte-americanos usando camisetas que levavam a sua marca.
“Todos os clubes patrocinados pela empresa terão uma camisa alusiva àquela Copa. Ou seja, o Remo, como um dos patrocinados e uma das grandes forças do nosso futebol, terá a sua camisa comemorativa”, disse Thiago Passos, diretor de futebol do Remo. A estreia da camisa amarela está prevista para o dia 13 de janeiro, na primeira rodada do Parazão, frente ao Cametá, no Mangueirão.
Segundo Tiago Passos, a homenagem da Umbro poderá se prolongar. “Será inicialmente utilizada na estreia, mas, a depender do resultado, você sabe que existe muita superstição no futebol e poderemos continuar a usar”, admitiu. Será mais um presente para o torcedor, que terá nova opção de camisa. Agora, além das tradicionais azul-marinho e branca e da “Camisa 33″, há a amarela. O preço não foi definido, mas é provável que fique em R$ 150,00, como a 33. (Com informações do Bola)
Papão apresenta novos reforços
O Paissandu apresentou oficialmente o elenco, na tarde desta sexta-feira, no estádio da Curuzu, com a presença do técnico Mazola Júnior e comissão técnica. Três novatos foram as atrações: os zagueiros Leandro, João Paulo e Charles (foto acima), contratados recentemente. Ao mesmo tempo, notou-se a ausência dos jogadores como Marcelo Nicácio, Dênis, Zé Antonio e Héliton, além dos recém-contratados Lima e Bruninho, que chegarão na próxima semana.
O zagueiro João Paulo mostrou-se animado com a experiência de vir defender o Papão na temporada 2014, depois de ter sofrido lesões e uma cirurgia que atrapalharam seu desempenho na Série B. O mistério, não esclarecido pela diretoria, foi quanto ao atacante Héliton. Ele estaria acertando transferência para o ABC de Natal, mas o clube não confirma. Apesar de cobiçado por alguns clubes da Série A, o lateral Pikachu também se apresentou para o início dos treinamentos. (Fotos: Ascom/PSC)
Esse cara (não) sou eu
Por Elias Ribeiro Pinto, no DIÁRIO
1 Acho que o último elepê (quem não souber do que se trata, procure o significado num desses sites de nostalgia) do Roberto Carlos que comprei e (mais ou menos) curti foi aquele que tinha de tudo que eu gosto é ilegal imoral ou engorda aos botões da blusa que você usava e meio confusa desabotoava, concluindo com você foi a melhor coisa que eu tive… Devia ser ali por 1977, 78.
2 De lá para cá, passei a curtir bem menos do que mais, até quase nem tomar conhecimento do seu tradicional elepê – ou que nome se passou a dar ao formato – do ano. Claro, minha meninice e descoberta de amores de esquina e de festinhas se deram ao som de eu te darei o céu meu bem e o meu amor também, não me canso de falar que te amo, estou amando loucamente a namoradinha de um amigo meu. Do negro gato de arrepiar, de quem queriam a pele para tamborim, eu tinha arrepios felinos ao escutar.
3 Quem assistiu ao especial de fim de ano (e de supostos 40 anos) de Roberto Carlos na Globo deve ter encerrado a noite dopado de panetone. Alguém sempre lembrará que ele era o xodó da mãe (como a minha, que morreu há pouco mais de dois meses), sem lembrar, talvez, que nós mesmos já cultivamos uma espécie de devoção filial, de cumplicidade maternal com o rei: o ouvimos assim, enfadados – e quiçá enfartados de rotinas.
4 RC é uma espécie de aculturado, a quem concedemos anistias antecipadas, como quem dá a vantagem de um quarteirão na corrida de marchas e contramarchas, de dissabores e cobranças que fazem parte da via cotidiana, com suas imposições de quitanda. Algo semelhante se dá em nossas relações de mortais com semideuses, como Lula e Pelé. Ainda que alguns desses – na certeza de que nunca antes neste país – cheguem a dispensar essa escala, assumindo-se logo como deuses. Roberto leva certa vantagem por ainda subir ao palco para exercer sua arte, enquanto outros coroados relutam em descer do palanque, digo, do palco que já não lhes pertence.
5 Na conta dessa realeza, os vassalos admitidos anualmente ao palco prestam vassalagem ao soberano, dobrando o espinhaço como mesura. Alguns dão sangue novo ao monarca, injetando ânimo a antigas canções, como ocorreu, na quarta-feira passada, com a suingada interpretação de Negro Gato pelo neto do Silvio Santos, que também faz as vezes de Tim Maia. Outros, como Lulu Santos, revestem a própria decadência com atavios maneiristas. Outras, como Anitta, cumprem o não menos protocolar papel de periguetes do ano. Pena, no caso de Anitta, que, compungida diante da ensaiada ascese real, mal tenha rebolado seu atributo maior.
6 Este ano, no entanto, não pude deixar de enxergar no palco o cara que se manifestou veementemente a favor da censura prévia de obras biográficas. Diante de todo aquele cenário artificioso, avultava-me o censor real. Se lhe saísse uma biografia por qualquer motivo incômoda – e basta muito pouco para lhe incomodar a biografia entronada –, sentenciaria, como num édito real: esse cara (não) sou eu.
7 Como fã de Roberto Carlos, do cantor e compositor que me embalou o berço das emoções inaugurais (apesar das emoções anualmente repisadas a ponto de lhe retirar a emoção do que canta), eu só queria que renovasse o insosso repertório do show anual, malbaratando um vasto passado sonoro, o sal da vida, que permanece vivo em nossa memória melódica.
Fantasma de 64 ganha corpo
Por Hildegard Angel, em seu blog
O fascismo se expande hoje nas mídias sociais, forte e feioso como um espinheiro contorcido, que vai se estendendo, engrossando o tronco, ampliando os ramos, envolvendo incautos, os jovens principalmente, e sufocando os argumentos que surgem, com seu modo truculento de ser.
Para isso, utiliza-se de falsas informações, distorções de fatos, episódios, números e estatísticas, da História recente e da remota, sem o menor pudor ou comprometimento com a verdade, a não ser com seu compromisso de dar conta de um Projeto.
Sim, um Projeto moldado na mesma forma que produziu 1964, que, os minimamente informados sabem, foi fruto de um bem urdido plano, levando uma fatia da população brasileira, a crédula classe média, a um processo de coletiva histeria, de programado pânico, no receio de que o país fosse invadido por malvados de um fictício Exército Vermelho, que lhes tomaria os bens e as casas, mataria suas criancinhas, lhes tiraria a liberdade de ir, vir e até a de escolher.
Assim, a chamada elite, que na época formava opinião sobre a classe média mais baixa e mantinha um “cabresto de opinião” sobre seus assalariados, foi às ruas com as marchas católicas engrossadas pelos seus serviçais ao lado das bem intencionadas madames.
Elas mais tarde muito se arrependeram, ao constatar o quanto contribuíram para mergulhar o país nos horrores de maldades medievais.
Agora, os mesmos coroados, arquitetos de tudo aquilo, voltam a agir da mesma forma e reescrevem aquele conto de horror, fazendo do mocinho bandido e do bandido mocinho, de seu jeito, pois a História, meus amores, é contada pelos vencedores. E eles venceram. Eles sempre vencem.
Sim, leitores, compreendo quando me chamam de “esquerdista retardatária” ou coisa parecida. Esse meu impulso, certamente tardio, eu até diria sabiamente tardio, preservou-me a vida para hoje falar, quando tantos agora se calam; para agir e atuar pela campanha de Dilma, nos primórdios do primeiro turno, quando todos se escondiam, desviavam os olhos, eram reticentes, não declaravam votos, não atendiam aos telefonemas, não aceitavam convites.
Essa minha coragem, como alguns denominam, de apoiar José Dirceu, que de fato sequer meu amigo era, e de me aprofundar nos meandros da AP 470, a ponto de concluir que não se trata de “mensalão”, conforme a mídia a rotula, mas de “mentirão – royalties para mim, em pronunciamento na ABI – eu, a tímida, medrosa, reticente “Hildezinha”, ousando pronunciamentos na ABI! O que terá dado nela? O que terá se operado em mim?
Esse extemporâneo destemor teve uma irrefreável motivação: o medo maior do que o meu medo. Medo da Sombra de 64. Pânico superior àquele que me congelou durante uma década ou mais, que paralisou meu pensamento, bloqueou minha percepção, a inteligência até, cegou qualquer possibilidade de reação, em nome talvez de não deixar sequer uma fresta, passagem mínima de oxigênio que fosse à minha consciência, pois me custaria tal dor na alma, tal desespero, tamanha infelicidade, noção de impotência absoluta e desesperança, perceber a face verdadeira da Humanidade, o rosto real daqueles que aprendi a amar, a confiar…
Não, eu não suportaria respirar o mesmo ar, este ar não poderia invadir os meus pulmões, bombear o meu coração, chegar ao meu cérebro. Eu sucumbiria à dor de constatar que não era nada daquilo que sempre me foi dito pelos meus, minha família, que desde sempre me foi ensinado. O princípio e mandamento de que a gente pode neutralizar o mal com o bem. Eu acreditava tão intensamente e ingenuamente no encanto da bondade, que seguia como se flutuasse sobre a nojeira, sem percebê-la, sem pisar nela, como se pisasse em flores.
E aí, passadas as tragédias, vividas e sentidas todas elas em nossas carnes, histórias e mentes, porém não esquecidas, viradas as páginas, amenizado o tempo, quando testemunhei o início daquela operação midiática monumental, desproporcional, como se tanques de guerra, uma infantaria inteira, bateria de canhões, frotas aérea e marítima combatessem um único mortal, José Dirceu, tentando destrui-lo, eu percebi esgueirar-se sobre a nossa tão suada democracia a Sombra de 64!
Era o início do Projeto tramado para desqualificar a luta heroica daqueles jovens martirizados, trucidados e mortos por Eles, o establishment sem nomes e sem rostos, que lastreou a Ditadura, cuja conta os militares pagaram sozinhos. Mas eles não estiveram sozinhos.
Isso não podia ser, não fazia sentido assistir a esse massacre impassível. Decidi apoiar José Dirceu. Fiz um jantar de apoio a ele em casa, Chamei pessoas importantes, algumas que pouco conhecia. Cientistas políticos, jornalistas de Brasília, homens da esquerda, do centro, petistas, companheiros de Stuart do MR8, religiosos, artistas engajados. Muitos vieram, muitos declinaram. Foi uma reunião importante. A primeira em torno dele, uma das raras. Porém não a única. E disso muito me orgulho.
Um colunista amigo, muito importante, estupefato talvez com minha “audácia” (ou, quem sabe, penalizado), teve o cuidado de me telefonar na véspera, perguntando-me gentilmente se eu não me incomodava de ele publicar no jornal que eu faria o jantar. “Ao contrário – eu disse – faço questão”.
Ele sabia que, a partir daquele momento, eu estaria atravessando o meu Rubicão. Teria um preço a pagar por isso.
Lembrei-me de uma frase de minha mãe: “A gente nunca perde por ser legítima”. Ela se referia à moda que praticava. Adaptei-a à minha vida.
No início da campanha eleitoral Serra x Dilma, ao ler aqueles sórdidos emails baixaria que invadiam minha caixa, percebi com maior intensidade a Sombra de 64 se adensando sobre nosso país.
Rapidamente a Sombra ganhou corpo, se alastrou e, com eficiência, ampliou-se nestes anos, alcançando seu auge neste 2013, instaurando no país o clima inquisitorial daquela época passada, com jovens e velhos fundamentalistas assombrando o Facebook e o Twitter. Revivals da TFP, inspirando Ku Klux Klan, macartismo e todas as variações de fanatismo de direita.
É o Projeto do Mal de 64, de novo, ganhando corpo. O mesmo espinheiro das florestas de rainhas más, que enclausuram príncipes, princesas, duendes, robin hoods, elfos e anõezinhos.
Para alguns, imagens toscas de contos de fadas. Para mim, que vi meu pai americano sustentar orfanato de crianças brasileiras produzindo anõezinhos de Branca de Neve de jardim, e depois uma Bruxa Má, a Ditadura, vir e levar para sempre o nosso príncipe encantado, torturando-o em espinheiros e jamais devolvendo seu corpo esfolado, abandonado em paradeiro não sabido, trata-se de um conto trágico, eternamente real.
Como disse minha mãe, e escreveu a lápis em carta que entregou a Chico Buarque às vésperas de ser assassinada: “Estejam certos de que não estou vendo fantasmas”.
Feliz Ano Novo.
Inclusive para aqueles injustamente enclausurados e cujas penas não estão sendo cumpridas de acordo com as sentenças. É o que desejo do fundo de meu coração.
O passado é uma parada…
A frase do dia
“Um recorde foi inventado para ser quebrado. Não tenho a pretensão que o meu recorde fique a vida toda. Algum dia vai ser (superado). Mas isso não tira o meu mérito, os meus gols, a história da minha carreira. Aquele que superar vai ser merecedor também. O Klose é um atacante muito bom, fez gols muito importantes em Copa do Mundo. Está em aberto. Ele tem a vantagem de ainda estar jogando”.
De Ronaldo Fenômeno, falando sobre seu recorde de gols em Copas e admitindo que vai secar Klose.








