Sestário, o advogado de todas as torcidas

Por Pedro Henrique Torre, do Rio de Janeiro – ESPN

Quase dois dias depois de estourar o furacão jurídico envolvendo a Portuguesa e que pode modificar o resultado final do Campeonato Brasileiro, o advogado Osvaldo Sestário voltou ao batente. Nesta quinta-feira, ele durante todo o dia esteve no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, do Rio de Janeiro. Mais uma vez, Sestário representou vários clubes em uma sessão que contou com 22 processos. Chateado com o assunto, o advogado checava o telefone de cinco em cinco minutos. Observava informações sobre o ocorrido e as acusações da Portuguesa. Ao ser surpreendido com o fato de que o clube paulista vai pedir a quebra de seu sigilo telefônico para supostamente provar que não foi informado sobre a suspensão de Héverton, ele comentou.

“Primeiro diziam que eu informei um jogo. Agora dizem que não informei nada. É desespero”, completou Sestário. Nesta entrevista, concedida ainda no STJD, o advogado abordou os principais temas da polêmica do momento no futebol brasileiro, onde ele se viu como um dos protagonistas. Na data do julgamento, segunda-feira, ele estará longe: já nesta sexta, à noite, ele viaja para a Suíça, onde tem um julgamento na Corte Arbitral do Esporte (CAS). Mas, garante, vai acompanhar desenrolar dos fatos. “Não tenho como não ficar atento”, diz Sestário.

622_c0924847-7e1b-36de-88c1-7f1602bc69f4Qual reação o senhor teve ao saber do ocorrido?

A princípio fiquei muito chocado com tudo que aconteceu. Agora, passando o choque inicial, estou muito triste com tudo que aconteceu porque são nove anos defendendo um clube no tribunal, com êxito muitas vezes. De repente você vê jogado aí na mídia que eu teria dado uma informação de que o atleta teria sido suspenso por um jogo. Já expliquei várias vezes como foi julgamento e estou sendo acusado de ter passado a informação errada, o que vai denegrir a minha profissão e todos os anos que construí no tribunal. Aí você vê que de repente mudam a versão e dizem que não falei nada. Isso mostra claramente que é uma questão de desespero. Fico chateado com isso porque são nove anos de relacionamento, tenho dez anos de trabalhos prestados e muitos clientes. Fico feliz pela solidariedade, mas triste por outro lado.

É praxe informar pelo telefone?

É praxe. Primeiro porque são nove anos e existe uma intimidade muito grande entre as pessoas. Segundo porque em véspera de julgamento o clube vai jogar no dia seguinte e o que acontece: as sessões são no início da noite ou começo da tarde. Os clubes de futebol estão treinando à tarde e querem saber com quem eles podem contar. Então durante uma sessão de um clube muitas vezes eu recebo até cinco, seis ligações querendo o resultado para saber se podem colocar o jogador na relação. E a informação chega através de telefone. Mas naquelas equipes que eu tenho menos intimidade eu formalizo isso com um e-mail. Mas geralmente basta um telefonema, uma mensagem, um Whatsapp, alguma coisa nesse sentido para informar aos clubes. Nunca tive esse tipo de problema.

O senhor passou a informação para o Valdir Rocha, diretor jurídico da Portuguesa?

Exatamente, a pessoa com quem eu sempre falei. Ficou claro, muito claro que eram duas partidas. Me causa estranheza agora. Antes tinha passado um jogo, agora nem passei. Está nítido que estão perdidos. Primeiro eu disse que era um jogo, agora dizem que não falei, que tenho de provar.

O senhor defende quantos clubes no STJD?

Eu tenho contrato mensal com aproximadamente 16 clubes. Esporádicos, clubes que me pagam por trabalho, mais uns 20. Dá uma média de uns 30, 36 clubes.

O senhor recebe algum benefício da CBF pelo seu trabalho?

De maneira nenhuma. Pessoal faz muita confusão. Não sei o que gera a falarem isso. Eu fui um dos fundadores da FBA (Futebol Brasileiro Associados). Nessa época, em que dei início a esse trabalho aqui no tribunal, a FBA bancava para a gente fazer a defesa dos associados. A maioria é meus cliente até hoje. Eu tenho contrato com eles, ou mensal ou por julgamento. Não existe qualquer vínculo meu com a CBF. Tem da época da FBA uma amizade muito grande com vários diretores da CBF. Na época em que a Série D e a Série C ficaram paradas, eu era advogado. Eu representava os clubes em reunião na CBF. Mas não tenho qualquer vínculo ou contrato. Tenho amizade grande. Só isso. Até já brincaram que eu era o Robin Hood dos pequenos. Eu sei o quanto custa ter um representante no Rio de Janeiro.

Se o senhor pudesse defender a Portuguesa acharia ser uma missão impossível?

Já fiz muitos julgamentos complicados aqui. Tenho uma tese. Até ontem na hora do almoço a gente conversava nesse sentido, de poder ajudar a fazer o julgamento da Portuguesa. Mas a coisa foi tomando outra proporção e infelizmente começaram a me acusar de certas coisas que eu não poderia admitir. Então prefiro me reservar porque há até outro profissional de gabarito no caso (Michel Asseff Filho). Mas eu teria uma tese para ajudar e, baseado em alguns julgamentos que já tive aqui, poderia ajudar, sim.

O senhor participou de um julgamento na Copa do Brasil em que o Paysandu conseguiu voltar à Copa do Brasil após dois jogadores do Naviraiense não terem condições de jogo, certo?

Eu atuei pelo Paysandu e conseguimos recolocá-lo na Copa do Brasil pela irregularidade de dois jogadores do Naviraiense. Mas no caso eram contratos que não haviam sido renovados e os jogadores atuaram sem contrato.

Não causa estranheza se envolver em ação que envolva dois clubes que o senhor já defendeu ou ainda defende?

Não. Quando tem um conflito de interesses eu chamo os advogados do clube e digo que não posso fazer. Sempre agi assim. Não vejo problema nisso porque atuo exclusivamente com a justiça desportiva. Vou atuar uma hora com um, uma hora com outro. No caso do Paysandu, o Naviraiense me ligou e eu expliquei que não podia atuar, pois já estava contratado pelo outro lado.

Alguma vez já defendeu o Fluminense?

Nunca. Essa questão foi levantada e até brinquei que vou buscar meus honorários. Me disseram que houve uma confusão numa divulgação de um resultado de uma pauta e o primeiro processo era do Fluminense, que tem um advogado brilhante, o doutor Mário Bittencourt. Depois, na hora de publicar o resultado saiu o misturado com o resultado outro julgamento. E jogaram isso na mídia. Nunca fui advogado do Fluminense. Não que não pudesse acontecer. Semana passada, em cima da hora, eu fiz uma defesa do Corinthians porque o advogado estava adoentado. Não tem problema algum. No dia do julgamento da Portuguesa, o advogado do Atlético-PR teve o voo cancelado e me ligou. Fiz sem problema algum, foi um favor. Nem cobro nada para atender um colega. Isso é comum na Justiça Desportiva.

O senhor acha que pode ter havido algum deslize pensado para que esse jogador fosse escalado?

Não acredito nisso. É muita elucubração e parte para uma coisa…não consigo imaginar um clube profissional que sempre foi organizado, cumpridor das organizações deles comigo. Não considero isso em hipótese alguma.

O senhor tem receio de perder algum cliente por conta de toda a repercussão?

Num primeiro momento eu fiquei com medo. Mas tenho recebido tantas manifestações calorosas dos clubes que eu advogo. “Doutor Sestário, confiamos em você, sabemos da sua capacidade’. E até de muita gente que não é de futebol. Está me dando um ânimo até maior.

De zero a cem, qual a chance da Portuguesa escapar sem punição?

Sinceramente eu torço para que seja cem. Estou lá há nove anos, sei o que é ser advogado da Portuguesa. E ela no meu modo de ver sempre teve prejuízos e nunca vi nada que a beneficiasse. Torço muito para que a Portuguesa se mantenha na Primeira Divisão apesar de tudo que está acontecendo.

Os indícios parecem encaminhar uma derrota da Portuguesa, no entanto…

Acho que tecnicamente sim. Mas sou da posição de que o caráter pró-competição tem de prevalecer. Então torço muito por isso. Para que aquilo que foi conquistado dentro de campo permaneça. Mas é mais uma torcida. Não posso e nem quero opinar sobre o julgamento.

O caso pode terminar na Justiça Comum?

Existe uma onda muito grande desde o episódio do Treze da Paraíba e do Brasil de Pelotas nessa questão de Justiça Comum. Não afasto essa possibiliade. É possível, sim. Independentemente do resultado (no julgamento do STJD).

Poderia relembrar o dia do julgamento do Hevérton?

Eu estava fazendo a sessão e aguardando a questão do Gilberto, que já expliquei. Aí meu telefone tocou, era o doutor Valdir querendo saber do Gilberto. Eu tinha acabado de fazer o julgamento do Hevérton e falei para ele, que fez até um comentário…”Ah, o Héverton…”. Tipo assim, tudo bem. E aí depois nós falamos mais alguma vez naquele dia sobre o problema do Gilberto, que a Portuguesa tentava liberar. No sábado também nos falamos sobre a questão do Gilberto e não mais sobre Hevérton. Mas ficou muito claro que passei a posição do Héverton. Mas infelizmente isso aconteceu, não sei onde deu esse barulho na roda, como dizemos no interior, e colocaram o jogador para jogar num jogo que nem tinha mais tanta importância assim.

Há uma questão muito debatida sobre a necessidade de existir um documento para informar o clube sobre o resultado. O que acha?

Acho que não. Se falar com todo mundo aqui, todo mundo fala pelo telefone. Os caras geralmente estão malucos para saber como foi o resultado. Não foi esse o caso porque eles estavam mais preocupados com a questão do Gilberto. Mas não foi esse o caso e eu falei. Até a advogada que trabalha comigo estava do meu lado. Então estou tranquilo em relação a isso.

O senhor colocaria o seu sigilo telefônico à disposição?

Eu já até pedi as ligações que eu fiz à minha operadora e vou publicar isso. Mas ainda não as recebi.

E pretende tomar alguma medida judicial e processar a Portuguesa por dano de imagem?

Prefiro esperar. Até ontem estava com uma postura mais tranquila e tentando apaziguar a coisa. Mas a partir do momento que a Portuguesa tenta colocar que eu sou o vilão da história, isso vai ter consequências. Vou aguardar o término dos fatos, mas tenho de tomar alguma medida. Tenho de preservar a minha imagem.

10 comentários em “Sestário, o advogado de todas as torcidas

  1. Ainda ontem na primeira coluna do blog sobre esse assunto, comentei e alertei sobre a quebra do sigilo telefônico do Sextário, pela Portuguesa ao alguém interessado nessa polêmica. “Para quem não está muito informado sobre o assunto, sextário era advogado da Portuguesa na defesa do jogador luso acusado de estar irregular, com 2 jogos de punição, mas segundo a advogados lusos, sextário, por telefone, disse que o atleta tinha levado um jogo de suspensão, porém sextário afirma que informou os 2 jogos de punição para o atleta.” Diante disso eu comentei que vivemos num “big brother” diário, onde somos filamados e gravadas nossas conversas, e com isso poderia-se quebrar o sigilo telefônico do sextário para acabar com essa polêmica. No entanto sobre tudo isso, mesmo eu não sendo jurista de nenhuma área, ratifico que pelos meios legais a Portuguesa está virtualmente rebaixada por irregularidade de seu jogador, independentemente de qualquer resultado contra o Sextário na quebra do sigilo, se ele orientou correto ou não os lusos. A questão é muito simples: Se for comprovada a má fé do Sextário, Para o STJD isso não tem nenhuma importância para a nível de julgamento de irregularidade de jogador no STJD. Para os auditores é relevante saber se o jogador estava ou não irregular, e a julgar pelo esperneio da Portuguesa, estava. O fato de quebra de sigilo para provar que Sextário informou mal os lusos, após o julgamento do atleta servirá apenas para o início de briga particular entre diretoria e jurídico da lusa contra o sextário, mas nada que possa ajudar na absolvição da Portuguesa, porque caso contrário o STJD, abriria precedentes ruins no futuro, para clubes lançarem atletas irrgulares de proposito e quando fossem denunciados, dariam a desculpa que seus advogados de defesa lhes deram informação equivocada. Percebe-se -se que isso não cola.

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  2. Contudo, pela tranquilidade do Sextário e pela sua lucidez nas suas declarações e por ja ter ele mesmo pedido a quebra de seu sigilo telefônico e por não querer colocar em cheque, sua credencial de um dos grandes juristas esportivo no Brasil, acredito que a razão esteja com ele, e com todo o respeito aos nosso queridos irmãos e colonizadores portugueses, a Portugesada lusa acabou dando margem para aquela piadazinha de brasileiro contra português onde o povo brazuca diz que português é “burro”
    kakakakakakakakakakkakakakakakakakakakakakaakakak

    Quanto a isso já formei até uma piadinha para descontrair:

    DIRIGENTE PORTUGUÊS DA LUSA: – aLÔ Sextário, ja estais a defender meu atleta no STJD??
    SEXTÁRIO: alô Presidente, já estou sim e prometo reduzir o máximo a pena do seu jogador que pode pegar de 2 a 4 jogos de suspensão!!!
    DIRIGENTE DA LUSA: Alô SEXTÁRIO, terminastes de fazer nossa defesa e qual foi o resultado do julgamento? quanto nossoatleta levou de suspensão???
    SEXTÁRIO: presidente, foi díficil mas consegui que o jogador levasse so 2 jogos de suspensão que passa a valer desde hoje.
    PRESIDENTE DA LUSA: treinador ok, podeescalar o nosso atleta porque ele levou 2 jogos de suspensão que passa a valer hoje, como o jogo é so amanhã, ele está livre de suspensão!!!!!
    kakakakakakakakakakakak
    kakakakakakakakakakaka
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  3. O advogado dos esquemas, é contratado do time dos esquemas do norte e tambem o mais rebaixado…Dr. “Porta de STJD”, como é conhecido Osvaldo Sestario, o advogado que, deliberadamente ou não, pode ter mudado a história do Brasileirão 2013, tem histórico conhecido de favorecimentos a si e a seu grupo, patrocinados pela CBF.

    Ser pago pela entidade que rege o futebol nacional para advogar (?) – gratuitamente – para todos os times da séries B, C e D do Brasileirão, além dos mais necessitados da A, são apenas parte dos benefícios adquiridos pelo profissional.

    Sestario tem um sócio, Dr. Alan Belasioano (foto), com quem divide todo o dinheiro auferido nas mais diversas operações.Há quem diga que 10% do montante seria destinado ao “caixa 2″ da CBF.

    Fato é que, além do já conhecido “esquema” de advogar para os clubes, existe também uma espécie de “confraria” que comanda as Ações Judiciais de cobrança dos “mecanismos de solidariedade” dos clubes, ou seja, o dinheiro a que os formadores de atletas tem direito a receber, indefinidamente, enquanto o jogador for transacionado no futebol.

    Em média 5% do valor total do negócio.

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  4. Gerson e pessoal, caso nossos clubes ainda quiserem ter os serviços deste advogado, e bom os mesmos SEMPRE FICAREM DESCONFIADOS E COM A PULGA atrás da orelha com os resultados no STJD, pois como diz o ditado popular “cachorro mordido por cobra tem medo até de linguiça”…..

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