O mistério de uma camisa

Por Gerson Nogueira

Batido o martelo no Remo. O esforço para preservar o nome do dono da camisa 33 será mantido até a hora do amistoso com o Londrina, domingo, no Mangueirão. Reforços continuam a chegar, confirmando as promessas da diretoria, mas o nome mais aguardado continua guardado a sete chaves, mais sigiloso que processo de figurão na justiça brasileira.

Parte da própria diretoria acredita que o escolhido seria mesmo Eduardo Ramos, como tantas vezes a coluna já noticiou desde abril, mas é certo que o clube ainda busca contratar uma atração de peso, com potencial para se tornar instantaneamente ídolo da torcida azulina.

Ramos, cujos direitos federativos foram negociados com o Remo (fala-se em R$ 300 mil pelo negócio), é uma das atrações do novo elenco, mas a diretoria quer um nome mais bombástico e surpreendente.

unnamed (16)Não há tanta fartura de opções e o prazo está se esgotando para sacramentar acordos, mas nomes continuam a ser sondados. Bruno Rangel, que já teria se decidido pelo futebol do Qatar, continuava nos planos até ontem à noite. O artilheiro da Série B deste ano, velho conhecido dos paraenses, ainda é o preferido para a camisa 33. Por ele, o clube se dispõe até a gastar um pouco mais do que havia previsto.

Leandrão, radicado no futebol de Israel, é a segunda alternativa. Ocorre que o ex-centroavante de Inter e Botafogo não tem hoje o mesmo apelo de Rangel junto à massa torcedora. De concreto há o fato de que o nome de Herrera foi definitivamente descartado, bem como já é letra morta a fuga de ideia de trazer Túlio Maravilha e sua assombrosa estatística de gols.

Nos últimos dias, circulou insistentemente a história de que Renato Abreu, dispensado pelo Flamengo durante o Brasileiro, seria o 33. Figuras próximas ao presidente do Remo desmentem qualquer acerto. Garantem, com razão, que a boataria sobre jogadores é estimulada maliciosamente por empresários interessados em arranjar emprego para seus contratados.

Os demais reforços – Rodrigo Fernandes, Max Lélis, Athos, Mael e Zé Soares – estão se apresentando, mas a força do marketing faz com que todas as atenções se voltem mesmo para a atração principal. Por telefone, ontem à noite, Zeca Pirão reafirmou que o torcedor se surpreenderá domingo, no Mangueirão. Com base nessa afirmação, fica claro que o Remo terá mesmo um atacante vestindo a camisa 33, mas o imenso ponto de interrogação continua no ar.

———————————————————–

Escaramuças em torno de uma vaga

Tantas versões já surgiram para o imbróglio do jogador irregular da Portuguesa que já há até quem desconfie que o próprio clube paulista possa ter facilitado as coisas, escalando aos 30 minutos do segundo tempo um jogador suspenso, só para permitir que o tapetão pudesse ser usado de novo como tábua de salvação do Fluminense.

A tese, mirabolante pela própria natureza, acaba se tornando palatável pela confusão reinante na engrenagem do futebol brasileiro. A única certeza a essa altura é que tudo é possível, a começar pela estranha falha de comunicação entre o advogado e a Portuguesa a respeito da suspensão do atleta.

Estranho também é o posicionamento dos que irão julgar o caso na segunda-feira, no STJD. O relator, mesmo admitindo não ter maiores informações, já tascou uma pré-sentença condenatória contra a Lusa. Ao mesmo tempo, fotografias do advogado (Osvaldo Sestário) e sua esposa ao lado do jogador Fred circulam na internet, buscando estabelecer uma conexão entre uma coisa e outra.

É evidente que a queda da Lusa e a permanência do Flu na Série A, se confirmadas, desgastam um sistema de disputa que parecia amadurecido e aceito por todos, sem artifícios de tribunal ou jogada de bastidores para mudar resultados obtidos em campo.

Perda de credibilidade não é bom negócio para ninguém, nem mesmo para o Tricolor carioca, por mais estranho que possa parecer.

———————————————————

Tudo está no seu lugar

Mensagem que amanheceu postada no site oficial da Copa Libertadores da América ontem: “Um gigante do continente voltou! Botafogo se classificou para a Libertadores 2014. Bem-vindos!”.

Em tempo, a Conmebol definiu ontem o Deportivo Quito como adversário do Glorioso na pré-Libertadores.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 13)

12 comentários em “O mistério de uma camisa

  1. Como azulino, minha maior preocupação é com o elenco. A camisa 33 já é sucesso independente de quem a vestirá. Me preocupo com o desvio do foco, pois teremos vários campeonatos e precisamos chegar a série C em 2015.

    Curtir

  2. Depois daquele inesquecível jogo, entre SportxPortuguesa, na Ilha do Retiro, em que a torcida pernambucana vaiou e atirou moedas em seus jogadores pela flagrante facilitação do resultado ao adversário, nada do que acontece com a Lusa pode parecer estranho. Se ela tivesse perdido pro Grêmio não seria rebaixada, mas achou por bem levar no banco um jogador irregular, pois só assim teria pontos conquistados no campo de jogo subtraídos e a situação sob controle da máfia fabricante dos resultados que lhes interessam.
    Para o ano o time do Canindé vai disputar a série B, seguramente sem os riscos corridos este ano, quando vários cheques sem fundo foram emitidos e evitaram a ameaça da perda de algumas partidas por W.O. Mas, infelizmente, não aparecerá ninguém para questionar que mágica foi feita para acabar com a penúria financeira e o clube continuará disputando duas competições em uma: nos campos e nos bastidores.
    Ah, aquele boato maluca do rebaixamento do Flamengo não passou de uso oportunista da estratégia da velhinha da moto da crônica do Stanislau Ponte Preta. Ou seja, o Vasco já estava rebaixado, porém o STJD precisava parecer sério, entende?

    Curtir

    1. Amigo Valentim, é incrível como um jogador reserva é posto pra jogar aos 30 minutos do segundo tempo – e justamente o cara que não podia entrar.. Estranho.

      Curtir

  3. Engraçado muito engraçado … o torcedor sem divisão ja estar preocupado com a SERIE C de 2015 … que dizer ja vão ser campeão da SERIE D de 2014 sem jogar sem mesmo estar oficializado numa serie … A SOBERBA e tanta que seja ser ridicula la vem mas um ano sem DIVISÃO …

    Curtir

  4. Se eu tô entendendo, está se formando uma maioria no sentido de que a Portuguesa, ou alguém de lá, recebeu um MENSALÃO?! Será que é a teoria do domínio do fato que agora tá valendo pro futebol? Será que no futebol vale acusar só pelas deduções, pelos indícios? Aguardo o desenrolar e a postagem de mais comentários…

    Curtir

  5. Não há “Teoria do Domínio do fato” aplicada ao futebol, e sim dois fatos concretíssimos: Um jogador da Portuguesa de Desportos foi suspenso por dois jogos pelo STJD e, quando havia cumprido apenas uma, foi relacionado para um outro jogo em que deveria ficar de fora.
    Pior: além de relacionado, foi colcado pra jogar aos 30′ do segundo tempo. Agora, se a direção da Lusa não se empenhar em provar que não foi notificada da punição, demonstrando que julgava o logador em condições legais de jogar, então, todas as suspeitas virarão certezas de que houve algo muito estranho, mais uma vez, com a famosa Lusa do Canindé, independente dos julgadores.

    Curtir

  6. Corretíssimo, Amorim. são dois fatos concretos: a suspensão por dois jogos (1º), e a iniciativa de colocar o jogador suspenso pra jogar quando ele havia cumprido apenas um jogo (2º). Mas, do que falei no meu comentário anterior, vai um pouco além dos fatos concretos. Diz respeito ao controle da produção ou não destes fatos concretos, especificamente do segundo fato.

    A questão é que a maioria que vem se formando parece querer sustentar que alguém na Portuguesa, praticou deliberadamente os atos tendentes a concretizar o segundo fato, de molde a beneficiar o fluminense. E este alguém, teria condições de não tomar esta decisão irregular que pode acabar beneficiando o fluminense, se assim o quisesse.

    Isso é o domínio do fato. O sujeito saber do potencial lesivo do fato e ter condições de escolher se pratica ou não os atos que venham a produzir o tal fato lesivo. Quer me parecer que é disso que os lusos estão sendo acusados. De sabendo da lesividade, ter escolhido produzir o fato. (colocar o sujeito pra jogar quando ainda havia 1 jogo a cumprir da suspensão).

    E mais, a partir do que você diz, agora, me parece ficar claro também que se está “impondo” aos lusos a inversão do ônus da prova. Sim, os acusam (ou lhes atribuem a suspeita), de ter prejudicado o próprio clube em prol do fluminense, e se “exige” que eles provem que não sabiam da condição irregular do jogador, para retirar de cima de si a suspeita.

    Ou seja, fica cada vez mais parecido com as questões muito debatidas (e combatidas) no MENSALÃO político.

    Bom, mas como disse no comentário anterior, por enquanto tudo não passa de impressões. Vamos ver o desenrolar dos comentários, se houver.

    Curtir

  7. Bom, então, de minha parte, concordamos em tudo… Afinal, eu também creio que, mordomos integram uma classe em extinção, pelo menos pra este fim de assumir sozinhos os feitos e (mal feitos) de outrem. Mas, como este caso só está no início, é bom mesmo que aguardemos pra ver.

    Curtir

Deixe uma resposta