Jogos da África do Sul teriam sido manipulados

Da Agência Estado

Um relatório da Fifa sobre manipulação de resultados nas semanas que antecederam a Copa do Mundo 2010 encontrou “evidências convincentes” que um ou mais amistosos envolvendo a anfitriã seleção sul-africana foram manipulados. A Associação de Futebol da África do Sul (Safa, na sigla em inglês) admitiu neste sábado que foi “infiltrada” há dois anos por Wilson Pemural, posteriormente condenado por manipulação, e sua falsa empresa de futebol Football4U, que na verdade era uma fachada para empresas de apostas da Ásia.
Jogadores não foram envolvidos na manipulação. Em vez disso, os árbitros apontados pela Football4U parecem ter sido os responsáveis por forjarem os resultados. A Safa admite que Perumal pode ter sido auxiliado por alguns dirigentes sul-africanos. “A extensão total da rede de crime internacional está agora exposta”, disse o chefe executivo da Safa, Robin Petersen, após a África do Sul receber o relatório da Fifa.
A Safa não identificou imediatamente os jogos, mas a vitória da África do Sul por 5 a 0 sobre a Guatemala e 2 a 1 sobre a Colômbia no final de maio 2010, duas semanas antes da Copa do Mundo começar, estavam sob suspeita.
Três pênaltis por toques com a mão na bola foram marcados pelo árbitro Ibrahim Chaibou, de Níger, no jogo entre África do Sul e Guatemala em 31 de maio. Chaibou também será interrogado pela Fifa sobre possível manipulação de jogos suspeitos na África, Ásia e América do Sul, onde vários pênaltis foram marcados, em um indício de que podem ter sido alvo de golpe de apostas.
Todos os três gols da partida entre África do Sul e Colômbia em 27 de maio, que foi apitado por um queniano, foram marcados em cobranças de pênalti. Esse jogo marcou a abertura oficial do reconstruído Estádio Soccer City, que sediou a final da Copa do Mundo entre Espanha e Holanda pouco mais de um mês depois.
A África do Sul também venceu a Tailândia por 4 a 0 e empatou com a Bulgária por 1 a 1 nos jogos de preparação para a Copa do Mundo. Com a suspeita sobre Chaibou, a Safa o retirou de última hora do último jogo da seleção sul-africana antes do Mundial, em 5 de junho de 2010, quando a equipe venceu a Dinamarca por 1 a 0. “O relatório da Fifa resolve a questão sobre se um ou mais jogos amistosos antes da Copa do Mundo foram manipulados e encontra evidências de que esse foi de fato o caso”, disse a Safa em comunicado divulgado neste sábado.
A associação disse que seu comitê de emergência continuará a estudar o relatório compilado pelo ex-chefe de segurança da Fifa Chris Eaton, e tomará aconselhamento jurídico antes de definir o que vai fazer. A entidade também prometeu que vai investigar se algum dirigente foi conivente com Perumal.

O pensamento vivo de Tite

Por Gerson Nogueira

bol_sab_151212_11.psA diferença entre o execrado “lazaronês” da década de 90 e o tolerado “titês” da atualidade é basicamente o sucesso de um contra os azares do outro. O carioca Sebastião Lazaroni, cuja curta passagem pela Seleção Brasileira coincidiu desgraçadamente com o auge da dupla portenha Maradona-Caniggia em 1990, virou sinônimo de um momento infeliz do futebol nacional.

Lazaroni (ao lado de Dunga) foi a maior vítima daquele mau passo em campos italianos. Por conta disso, suas frases confusas se transformaram em piada e sobreviveram ao próprio autor, sobre quem pouco se ouviu falar depois daquela Copa. Não se sabe por onde o velho Laza anda, mas suas sentenças lapidares, como “galgando parâmetros”, estão irremediavelmente registradas para a posteridade.

No outro extremo, o verborrágico Tite, campeão brasileiro e da Libertadores pelo Corinthians, saboreia lua-de-mel tão intensa com a torcida (e mídia) que desfruta de surpreendente tolerância ao seu pensamento recheado de frases desconexas, adjetivos e hipérboles em profusão. É, por assim dizer, um Lazaroni repaginado e com concordância verbal mais caprichada.

Como o Timão tornou-se uma máquina vitoriosa nos últimos dois anos, todo e qualquer excesso é permitido e até o besteirol do treinador é aceito sem problemas. Em certas entrevistas, é até divertido observar o ar de suprema sapiência de Tite ao desfiar conceitos sem pé nem cabeça.

A sério, o técnico é capaz de disparar frases como “imposição de corpos na marcação”, “maleabilidade dos alas” e “previsibilidade do erro”. Ou, ainda, a incrível reflexão “olha para dentro de ti mesmo e procure fazer o melhor”, espécie de elo perdido entre a neurolinguística e mensagens catequistas.

Mais hilária, porém, é a postura devotada e quase aduladora de repórteres, narradores e analistas, muitos dos quais implacáveis com Sebastião Rolando-Lero Lazaroni há 20 anos. No fundo, a situação revela que não há nada como a vitória – ou a simples possibilidade de – para fazer com que a tolerância (ou sabujice) humana se revele em todo esplendor.

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A primeira grande contratação

O Paissandu apresentou, em entrevista coletiva, ontem à tarde, seu novo gerente executivo de Futebol. Trata-se de Oscar Yamato, de 54 anos, com ampla experiência na área. Depois de tentar (sem sucesso) trazer Gustavo Mendes, os novos dirigentes do Papão chegaram a Yamato a partir de boas referências obtidas junto a clubes do Sul e Sudeste. Na prática, o gerente é o primeiro grande reforço para 2013.

Um aspecto particular encantou a diretoria do Paissandu: Yamato tem como especialidade o gerenciamento do processo de integração de futebol profissional com formação de base. Trabalhou no Matsubara, Maringá, Coritiba, Atlético-PR e Vitória.

Yamato foi o primeiro executivo do futebol a pensar e executar um projeto de centro de treinamento no Brasil, justamente no Matsubara, nos anos 70. Por essa época, CT era uma sigla ainda desconhecida por aqui. Durante esse período, dedicou-se também a prospectar talentos em todo o país. Do futebol paraense, levou para o Sul atletas do nível de Oberdan Benedelack, Mirandinha e Guilherme.

Sem dúvida, um golaço da gestão Vandick, que deve se refletir em bons resultados mais à frente. Para que esse investimento na profissionalização gere frutos é importante que o torcedor tenha a devida compreensão do processo. O Paissandu – e o futebol do Pará – passará por uma mudança de cultura, o que muitas vezes leva algum tempo e gera desconfianças e rejeições. Ocorre que não há outro caminho para o sucesso.

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Falando a mesma língua

O episódio da segunda “fuga” do lateral Tiago Cametá – desta vez, a caminho da Ponte Preta – serviu pelo menos para mostrar que a nova administração do Remo pretende trilhar caminhos mais sensatos. O vice Zeca Pirão, em entrevista à Rádio Clube, foi peremptório (ave, Valdo Sousa!): toda e qualquer medida a ser tomada em relação ao jogador terá que ser avalizada pelo Departamento Jurídico. Simples.

É bom lembrar que, até recentemente, o responsável pelo setor jurídico do clube, Ronaldo Passarinho, queixava-se justamente desse menosprezo por parte dos dirigentes. Só o procuravam para apagar incêndios, quando já não havia muito a fazer. O caso Mendes é simbólico dessa inversão de valores.

Quanto a Tiago Cametá, que tem contrato até fevereiro de 2013 com o Remo, o mais provável é que seja acionado judicialmente por quebra de contrato. O clube que o contratar – no caso, a Ponte – irá arcar com as consequências do imbróglio.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 15) 

O manual do golpe de Estado

Por Mauro Santayana
Cúrzio Malaparte escreveu, em 1931, seu livro político mais importante, Técnica del colpo di Stato: envenenamento da opinião pública, organização de quadros, atos de provocação, terrorismo e intimidação, e, por fim, a conquista do poder. Malaparte escreveu sua obra quando os Estados Unidos ainda não haviam aprimorado os seus serviços especiais, como o FBI – fundado sete anos antes – nem criado a CIA, em 1947. De lá para cá, as coisas mudaram, e muito. Já há, no Brasil, elementos para a redação de um atualizado Manual do Golpe.
Quando o golpe parte de quem ocupa o governo, o rito é diferente de quando o golpe se desfecha contra o governo. Nos dois casos, a ação liberticida é sempre justificada como legítima defesa: contra um governo arbitrário (ou corrupto, como é mais freqüente), ou do governo contra os inimigos da pátria. Em nosso caso, e de nossos vizinhos, todos os golpes contra o governo associaram as denúncias de ligações externas (com os países comunistas) às de corrupção interna.
Desde a destituição de Getúlio, em 29 de outubro de 1945, todos os golpes, no Brasil, foram orientados pelos norte-americanos, e contaram com a participação ativa de grandes jornais e emissoras de rádio. A partir da renúncia de Jânio, em 1961, a televisão passou também a ser usada. Para desfechá-los, sempre se valeram das Forças Armadas.
Foi assim quando Vargas já havia convocado as eleições de 2 de dezembro de 1945 para uma assembléia nacional constituinte e a sua própria sucessão. Vargas, como se sabe, apoiou a candidatura do marechal Dutra, do PSD, contra Eduardo Gomes, da UDN. Mesmo deposto, Vargas foi o maior vitorioso daquele pleito.
Em 1954, eleito pelo povo Vargas venceu-os, ao matar-se. Não obstante isso, uma vez eleito Juscelino, eles voltaram à carga, a fim de lhe impedir a posse. A posição de uma parte ponderável das Forças Armadas, sob o comando do general Lott, liquidou-os com o contragolpe fulminante. Em 1964, contra Jango, foram vitoriosos.
A penetração das ONGs no Norte do Brasil, e a campanha de coleta de assinaturas entre a população dos 7 Grandes – orientada, também, pelo Departamento de Estado, que financiava muitas delas – para que a Amazônia fosse internacionalizada, reacenderam os brios nacionalistas das Forças Armadas. Assim, os norte-americanos decidiram não mais fomentar os golpes de estado cooptando os militares, porque eles passaram a ser inconfiáveis para eles, e não só no Brasil.
Washington optou hoje pelos golpes brancos, com apoio no Parlamento e no Poder Judiciário, como ocorreu em Honduras e no Paraguai. Articula-se a mesma técnica no Brasil. Nesse processo, a crise institucional que fomentam, entre o Supremo e o Congresso, poderá servir a seu objetivo – se os democratas dos Três Poderes se omitirem e os patriotas capitularem.

Paissandu apresenta diretor executivo de Futebol

Oscar Yamato, profissional experiente em gestão de futebol, foi anunciado no final da tarde desta sexta-feira como novo diretor executivo de Futebol do Paissandu. Yamato começou no Matsubara, do Paraná. Trabalhou também no Coritiba, Atlético-PR e Vitória-BA. 

Umbro lança novo uniforme do Remo

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O Remo voltou às origens, pelo menos no uniforme. A Umbro lançou nesta quinta-feira à noite, na sede social do clube, na avenida Nazaré, a nova linha de uniformes para a temporada 2013. Modelos profissionais e os jogadores Jonnathan, Fabiano e Tony desfilaram com as novas camisas desenhadas pelo fabricante. Convidados que participaram da festa aplaudiram a qualidade do fardamento, que custará nos pontos de venda R$ 139,90. Além dos uniformes (kits 1 e 2), a Umbro lançou uma linha casual, com camisetas, pólos, regatas e blusas femininas, cujos preços ficarão entre R$ 39,90 e R$ 119,90.

A frase do dia

Marcos Valério tenta manchar a vida de Lula, o presidente de maior aceitação desse país. Valério não tem moral. Quem é Marcos Valério para acusar Lula? Acho até que Lula deve se defender com mais veemência; gostei da resposta do governo… Valério fez o que fez e a mídia ainda dá moral pra um bandido desse?

De Datena, apresentador da Band.