Uma estreia desastrosa

Por Gerson Nogueira

Depois de tão aguardada, a estréia remista no Brasileiro da Série D revelou-se um fiasco em grande escala. Perder fora de casa é parte da rotina do futebol, mas sofrer uma goleada para equipe sabidamente inferior é desastroso. Até porque o adversário enfrentava sérias turbulências internas, não treinava há mais de duas semanas e teve que usar jogadores das divisões de base para suprir as carências do elenco. 
O primeiro tempo, mesmo sem movimentação do placar, já deu uma idéia da condição técnica do Remo no jogo. Sem jogadas criativas no meio-de-campo e nenhuma força ofensiva, o sistema 3-5-2 mostrou-se problemático desde os primeiros minutos.
A maioria dos jogadores parecia estranhar a nova configuração tática, com especial dificuldade no trabalho dos alas. Como é rotineiro no Brasil, o 3-5-2 quase sempre é um disfarce para fortes retrancas. O problema é que nem retrancado o Remo conseguiu ser. 
Para o segundo tempo, quando se esperava que finalmente a equipe mais cascuda levasse a melhor sobre o mal-ajambrado Vilhena, aconteceu justamente o inverso. Surpreendido pelo gol de Marcelo Maciel logo a um minuto, mas o time da casa reagiu de forma fulminante. Empatou em cima do lance e virou quatro minutos depois, atestando toda a vulnerabilidade do sistema defensivo paraense.
A partir daí, atordoado pelo inesperado vigor do Vilhena, o Remo revelou a incapacidade de equilibrar a partida. Perdeu-se em tentativas de cruzamentos e, quando ensaiava a busca pelo empate, sofreu o terceiro gol, aos 25 minutos. Intranqüilo e sem alternativas para reverter a situação, só descontou aos 40 minutos, mas logo a seguir abriu espaços e cedeu o quarto gol.    
Na verdade, os problemas remistas – já expostos no Re-Pa – vão muito além da zaga. Incluem uma crônica falta de criatividade no meio-de-campo, agravada pelo desentrosamento de Ratinho com os demais companheiros e a distância em relação aos homens de ataque.
A inexplicável desarrumação imposta pelo técnico Flávio Lopes ao time vice-campeão estadual cobra um preço alto demais neste começo de Série D. O precário conjunto adquirido no returno do Parazão, com a utilização de um meio-campo marcador e técnico (André, Jhonnatan, Reis e Magnum), foi abandonado por uma nova formação, que prioriza jogadores mais rodados e indicados pelo treinador.
Como observei aqui, na semana passada, a opção por um time sub-40 poderia ter conseqüências danosas. É sabido que competições de baixo nível técnico como a Quarta Divisão exigem, acima de tudo, velocidade e preparo físico. O Remo, contrariando todas as recomendações, preferiu apostar em lentidão e experiência, daí a preferência por uma linha de zagueiros com idade acima dos 30 anos.
O Vilhena nem precisou ser brilhante para superar o caótico grupo remista. Foi, pelo relato do companheiro Geo Araújo (da Rádio Clube), apenas um time esforçado, que percebeu logo de cara que o visitante não estava com essa bola toda. Apostou, então, na correria e no contra-ataque. Deu certo.
Para o próximo compromisso, domingo, em Belém, com ou sem Flávio Lopes, o Remo precisará de mudanças radicais. De conceito, inclusive: o futebol é, cada vez mais, um esporte para jovens. Sem qualquer sentido discriminatório, jogadores com mais de 30 anos precisam ter talento acima da média e excepcional forma física para encarar o duelo com a garotada. Nesse aspecto, jogadores como Tiago Cametá, Igor João, Reis e Jaime fazem muita falta. Não são craques, mas jogam (e correm) mais do que os forasteiros que o técnico elegeu como titulares.  
 
 
Os números não mentem. Sete gols em dois jogos. O saldo negativo da defesa remista, que foi responsável direta pela perda do título estadual mais fácil dos últimos anos, evidencia a fragilidade desse setor remista. Ontem, o Remo reproduziu em versão ampliada as falhas primárias demonstradas no clássico contra o Paissandu, há duas semanas.
O técnico, que havia reclamado de falta de tempo para preparar o time para o Re-Pa, não foi capaz de observar que a defesa é lenta e sem reação. E isso se agrava quando, ao invés de usar dois zagueiros fracos, o time joga com três. Lopes, que antecipou a derrota para o Paissandu, não foi capaz de prever o desastre em Vilhena. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 25)

Vilhena tinha atletas sub-17 no banco

O Vilhena festejou muito a goleada aplicada no vice-campeão paraense, na abertura da Série D, neste domingo. O time foi formado às pressas, o técnico chamado em cima da hora e o elenco conta com apenas 16 atletas, sendo que três são da categoria sub-17. Na raça e jogando em velocidade, o representante rondoniense conseguiu levar a melhor sobre o Remo, aproveitando a desorganização do time de Flávio Lopes. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Leão dá vexame na estréia e leva de 4 a 2

Com atuação desastrosa, o Remo perdeu para o Vilhena (RO) por 4 a 2 em sua estreia na Série D. Rápido e mais organizado, o time rondoniense teve o domínio das ações durante a maior parte do jogo. O mais espantoso é que o Vilhena passou vários dias sem treinar e perdeu alguns titulares por falta de pagamento. O Remo, ao contrário, se manteve em atividade desde a final do Parazão, mas apresentou falhas gritantes na defesa e no meio-de-campo. O placar só foi movimentado no segudo tempo. Logo a 1 minuto, Marcelo Maciel abriu o placar. Na saída de bola, Diego empatou para o Vilhena, em chute que desviou na zaga e enganou o goleiro Adriano. Aos 6 minutos veio a virada, através de penalidade cobrada por Edilsinho. O mesmo Edilsinho ampliou, em cobrança perfeita de falta, aos 25. O atacante Fábio Oliveira descontou aos 40, também cobrando falta, e Cabixi decretou o escore final aos 46 minutos, aproveitando falha do goleiro Adriano. A próxima partida do Leão é contra o Penarol (AM) no próximo domingo (1), às 16h, no estádio Baenão. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Vilhena x Remo (comentários on-line)

Campeonato Brasileiro da Série D – primeira rodada.

Vilhena x Remo, 18h – estádio Portal da Amazônia, em Vilhena-RO.

Na Rádio Clube, narração de Geo Araújo e reportagens de Paulo Caxiado.

O isolamento do novo governo paraguaio

O novo governo paraguaio do presidente Federico Franco seguia sem receber neste sábado nenhum sinal de apoio na América Latina, ouvindo críticas pela forma como Fernando Lugo foi destituído e acusações abertas de golpe proferidas por Venezuela e Argentina. Ao mesmo tempo, Estados Unidos, União Europeia e Espanha limitaram-se a pedir calma ao povo paraguaio e a observar os acontecimentos.

Entre os sócios do Paraguai no Mercosul (Brasil, Argentina e Uruguai), que realiza sua cúpula na próxima quinta e sexta-feira, em Mendoza, Argentina, a declaração mais dura foi justamente a da presidente deste país, Cristina Kirchner. “Sem dúvidas houve um golpe de Estado” no Paraguai, disse Kirchner, que considerou que isto “reedita situações que acreditávamos que estavam absolutamente superadas na América do Sul e na região em geral”.

O presidente uruguaio, José Mujica, disse estar “profundamente entristecido” pela destituição de Lugo, mas prefere esperar o retorno de seu chanceler Luis Almagro, que se encontra em Assunção, para se posicionar, disse o vice-secretário da Presidência, Diego Cánepa, ao jornal El Observador. O Brasil, no entanto, não reagiu diretamente à destituição, embora a presidente Dilma Rousseff tenha afirmado antes que os protocolos da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) preveem sanções se houver “ruptura de ordem ou ruptura diplomática”, mas esclareceu que não foi discutida a possibilidade de aplicá-los ao Paraguai.

O processo de destituição de Lugo durou um dia: na quinta-feira, a Câmara de Deputados aprovou submetê-lo a um julgamento político e na sexta-feira o Senado votou por retirá-lo de suas funções, após uma audiência na qual os advogados de Lugo tiveram duas horas para apresentar sua defesa.

A Unasul, cuja presidência rotativa está em poder do Paraguai, é um órgão político também formado por Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Embora Lugo – substituído pelo vice-presidente Federico Franco 13 meses antes do fim de seu mandato por decisão do Congresso – tenha acatado a decisão de destituição, o presidente equatoriano, Rafael Correia, disse que a decisão de seu governo “é não reconhecer o novo presidente paraguaio”.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, advertiu que “não reconhece este irritante, ilegal e ilegítimo governo que se instalou em Assunção”. O presidente da Bolívia, Evo Morales, assegurou que “não reconhecerá um governo que não surja das urnas e do mandato do povo”.

O México considerou que embora o julgamento político de sexta-feira no Congresso “tenha se desenvolvido seguindo o procedimento estabelecido no texto constitucional paraguaio”, “não concedeu ao ex-presidente Lugo os espaços e tempos para a devida defesa”, expressou a chancelaria.

Já o presidente peruano, Ollanta Humala, classificou a destituição de Lugo como uma “derrota para o processo democrático na região”, informou a agência oficial Andina. A Costa Rica criticou a destituição de Lugo, “que mostra traços de golpe de Estado”, afirmou um comunicado, que cita o chanceler Enrique Castillo. O chanceler chileno, Alfredo Moreno, afirmou que a destituição “não cumpriu com os padrões mínimos do devido processo e da legítima defesa” e afirmou que a postura do Chile diante do novo presidente Federico Franco “será decidida nos próximos dias”.

Fora da região, os Estados Unidos convocaram “todos os paraguaios a agir pacificamente, com calma e responsabilidade, no espírito dos princípios democráticos paraguaios”, afirmou à AFP uma porta-voz do Departamento de Estado, Darla Jordan. A União Europeia, através de um comunicado da comissária de Relações Exteriores Catherine Ashton, disse estar “seguindo com preocupação os acontecimentos políticos no Paraguai” e convocou “todos os partidos a respeitar a vontade política” do povo paraguaio. (Da France Presse)

Todo cuidado com a Alemanha

Por Gerson Nogueira 

É um time jovem e, surpreendentemente, tarimbado. Com sua mais seleta geração de craques desde a turma de Franz Beckenbauer, Sepp Mayer e Paul Breitner, que triunfou em1974, aAlemanha segue fazendo estragos e a arrancar elogios por onde passa. Na sexta-feira, goleou implacavelmente o esforçado escrete grego, avançando à semifinal da Euro-2012.

Com mais de 10 chances claras de gol, os alemães marchou sobre a Grécia com determinação e método. Lahm fez um golaço no primeiro tempo, mas o ataque deixava passar boas oportunidades. Veio o empate num contra-ataque bobo, mas a reação alemã foi fulminante. Em vinte minutos, com tranqüilidade e disciplina, construiu a goleada de4 a2.

Observei o nascimento desta nova Alemanha quando cobria a Copa do Mundo de 2006. Na ocasião, Jürgen Klinsmann espantou o mundo executando uma transição de gerações dentro da seleção germânica. Poucos países permitiriam tamanha ousadia.

Naquele torneio surgiram Schweinsteiger, Lahm e Podolski. Não conseguiram conquistar o título, mas deixaram excelente impressão. Em 2010, na África do Sul, a renovação se consolidou com a chegada de Miller, Özil, Boateng e Khedira ao elenco titular.

O mundo passou a levar essa moçada a sério na tarde em que a Argentina de Maradona e Messi foi derrotada com requintes de perversidade, por4 a0, no elegante Green Point Stadium da Cidade do Cabo. 

É, sob todos os pontos de vista, um time alemão diferente de tudo o que se conhecia. O técnico Joachim Low, que sucedeu Klinsmann no comando, deu à seleção feições ofensivas e com amplo repertório de jogadas. As variações garantem segurança mesmo quando a casa ameaça cair, como no começo do segundo tempo diante dos gregos.

Por outro lado, o velho pragmatismo continua intacto, a partir de uma sólida linha de zagueiros, mas é inegável que a Alemanha de hoje joga em função do ataque. Os pulmões jovens permitem que brigue pela bola em todos os quadrantes do gramado. Quando retoma, parte em altíssima velocidade, fazendo triangulações e fugindo do miolo da área. A estratégia é chegar sempre pelos flancos, para cruzamentos rasantes ou entradasem diagonal. Sejaqual for o adversário, quase sempre dá certo.

Low dá-se ao luxo de testar formações diferentes entre um jogo e outro, comprovando que tem um elenco afiado e não apenas 11 titulares. Ver a Alemanha na Euro permitiu observar que ganhou maturidade, ficou cascuda e virá tinindo para a Copa do Brasil. Hoje, é o adversário a ser batido na Euro e desconfio que será assim também em 2014.

Vale dizer que, contra a Grécia, Low e seus comandados puseram por terra aquela velha potoca de técnico brasileiro, segundo a qual é difícil vencer times que se posicionam muito atrás e ficam na espera. A Alemanha partiu para cima da zaga grega e ocupou espaços no campo inimigo. Importante: ao contrário da Espanha, que leva uma eternidade para chutar, a Alemanha aproveita qualquer brecha para meter a bola no gol, com força e precisão. Os alemães podem não ser ainda os melhores do mundo, mas têm o melhor conjunto. Cuidado com eles.

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O Remo, que sob o comando de Flávio Lopes ainda não jogou no sistema 3-5-2, inaugura a experiência hoje à noite, em Vilhena, estreando na Série D. Costumo não dar maior importância a desenhos táticos, pois o que importa é a maneira como os jogadores são distribuindo em campo.

Ocorre que no Brasil a escalação de três zagueiros derivou para retrancas mal-disfarçadas. Pior ainda quando os alas não funcionam como apoiadores que deveriam ser e ficam presos lá atrás.

Com um trio de beques lentos (Edinho, Sosa e Ávalos), o Remo terá que sair para o jogo através de Dida e Paulinho, mas baseará toda a armação no entrosamento da dupla Jhonnatan e André, ponto de equilíbrio da equipe. Ratinho será o homem de ligação com os atacantes Marcelo Maciel e Fábio Oliveira na frente.

A única referência sobre a nova formação do Remo é a fraca atuação contra o Paissandu. Por isso mesmo, não entra como favorito contra o modesto Vilhena. Talvez seja até melhor assim.

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Ganhei um monte livros durante a semana e faço aqui o devido registro. O primeiro é “Parazão Centenário – A História do Campeonato Paraense de Futebol”, do companheiro Ferreira da Costa, jornalista e pesquisador, além de ex-presidente da Aclep. Fichas técnicas e fatos relacionados à competição estadual. O livro pode ser adquirido nos shoppings, Terminal Rodoviário, Yamada Plaza, Newstime, IT Center e Alvino. Recomendo.

Do escritor, desportista e atleta Rufino Almeida recebi os livros “Quaterno”, “A Menina que Soltava Passarinhos”, “Poemas Nus” e “Qu4tro Caminhos”, todos com carinhosas dedicatórias. 

Por fim, do advogado e ex-presidente do TCM Ronaldo Passarinho, desportista azulino e botafoguense, ganhei “Quem Derrubou João Saldanha”, de Carlos Ferreira Vilarinho. É a narrativa detalhada de todos os eventos que levaram à fritura e demissão de João Sem-Medo, um de meus heróis, da Seleção Brasileira que conquistaria o tri mundial no México.

Agradeço penhoradamente. 

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Zé Augusto, ex-volante do Paissandu e de diversos outros times paraenses, é o convidado do Bola na Torre (RBATV, às 23h45). Comando de Guilherme Guerreiro.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 24)

A frase do dia

“Lo sucedido es un ataque directo a las instituciones. Argentina no va a convalidar el golpe en Paraguay”.

De Cristina Fernandez Kirchner, presidenta da Argentina, sobre o golpe branco no Paraguai.