As virtudes da polivalência

Por Gerson Nogueira

Nova deserção no elenco do Paissandu e, particularmente, entre jogadores indicados pelo técnico Roberval Davino. Depois de Sidrailson, que chegou contundido e saiu magoado, é a vez do lateral-esquerdo Régis. Não teria se adaptado ao clube, alegou questões particulares e pediu as contas antes mesmo de estrear. Em outros tempos, o povo iria dizer que é medo de Re-Pa, que acomete forasteiros pouco acostumados com a rivalidade existente no Pará. Régis vinha treinando normalmente e estava escalado para começar jogando no domingo.
A saída de Régis abre espaço para um jogador regional que há muito tempo se destaca sem merecer o devido reconhecimento. Davino terá que recorrer ao incansável Leandrinho, que já havia sido experimentado na posição pelo próprio treinador. Versátil, o jogador mostra-se incomodado com as seguidas improvisações. Prefere jogar no meio-de-campo, como meia de ligação, como atuava (bem) no Cametá em 2011 fazendo dupla com Robinho. No período em que Lecheva treinou o Paissandu, Leandrinho chegou a ser aproveitado até como volante.
O que parece ausência de confiança para efetivá-lo numa só posição talvez seja justamente o diferencial de Leandrinho. Técnicos costumam apreciar jogadores que se adaptam a qualquer papel. Gostam mais quando são atendidos sem fazer cara feia. Antigamente, os jogadores tidos como coringas eram ainda mais valorizados nos clubes. Um dos exemplos mais fortes era Rosemiro, lateral revelado no Remo e que alcançou o sucesso nacional defendendo o Palmeiras.
Uma das alavancas do êxito profissional de Rosemiro foi a versatilidade. Era tão polivalente que chegou a ser escalado com a camisa 9 do Remo num clássico contra o Paissandu no Evandro Almeida, substituindo ninguém menos que o gigante Alcino, então maior ídolo dos azulinos. Sob a batuta do rígido Paulo Amaral, Rosemiro não apenas acatou as ordens como se desincumbiu brilhantemente da missão, marcando um golaço em chute desferido da intermediária.
Outros grandes nomes do nosso futebol se destacavam justamente por saber jogar em diferentes setores do campo. No próprio Paissandu, craques como Quarenta e Beto cansaram de ser utilizados em situações de emergência para guarnecer posições distintas das suas. E jamais negaram fogo. Em tempos mais recentes, Charles Guerreiro despontou como lateral-direito e com o passar do tempo foi se estabelecendo no meio-de-campo, encerrando a carreira como um volante de qualidade, capaz de trocar passes e fazer lançamentos.
Leandrinho, cuja habilidade sempre foi evidente, pode se tornar uma peça indispensável no esquema de Davino caso passe a olhar sem medo para as oportunidades surgidas. Na crise existente na lateral-esquerda do Paissandu (e de quase todos os times brasileiros), um jogador rápido e que saiba marcar se transforma facilmente em jóia preciosa.  
 
 
A briga entre Flamengo e Ronaldinho Gaúcho tem tudo para estabelecer um novo patamar nas relações entre atletas e clubes. Alguns dos entreveros entre ambos se tornaram públicos e merecem atenção dos que lidam com futebol profissional. Dois detalhes, em particular, são bem ilustrativos dessa nova era. Aborrecido com as afirmações de um auxiliar técnico – filmadas por um aparelho celular e imediatamente divulgadas via internet -, o jogador encontrou motivo que lhe faltava para buscar na justiça a quebra do contrato. O próprio papel da internet e das redes sociais não pode ser esquecido no atual momento. Pode tanto ajudar a ferrar com a carreira de um boleiro mais chegado às baladas como pode criar sérios embaraços ao clube empregador.
Depois de obter autorização judicial para procurar outro clube, Ronaldinho ainda foi brindado com outro presentaço do Flamengo. O clube tornou públicas imagens do jogador entrando e saindo de um quarto de hotel, que servia de concentração ao time, tentando provar a falta de profissionalismo e a fama de baladeiro. Um tiro pela culatra. Com a atitude, o Flamengo pode vir a ser processado por Ronaldinho, pelo hotel e até por outros jogadores que eventualmente se sintam vigiados pelo clube.
 
 
O repórter Giuseppe Tommaso, da Rádio Clube do Pará, já está credenciado e será o correspondente dos veículos do grupo RBA na Olimpíada de Londres. Na verdade, como já é tradição nas grandes coberturas esportivas, Tommaso será o único repórter da região Norte do Brasil presente à capital londrina durante os Jogos Olímpicos, acompanhando de perto a Seleção Brasileira de futebol, sem perder de vista as outras modalidades. Vai fazer boletins diários para a programação da Rádio Clube, enviará reportagens para a RBATV e assinará uma coluna no caderno Bola. O velho slogan está mais do que justificado: já nem é Clube, é Seleção.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 08)

13 comentários em “As virtudes da polivalência

  1. Falando em virtude da polivalência, já citei aqui algumas vezes o nome de um atleta em que acredito que daria certo no futebol paraense, o zagueiro Everaldo que também atua como ala esquerdo e volante é oriundo do futebol pernambucano já atuou no SPORT de Recife no futebol Alemão e em vários clubes do Nordeste e atualmente está desempregado fica ai a sugestão

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  2. Prezado Gerson, acho que houve um pequeno equivoco (inversão) quanto ao Charles, pois lembro que ele saiu do PAPÃO como volante, mas teve mais sucesso como lateral-direito no Fla e até na seleção brasileira.

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  3. Quanto a esse problema Ronaldo Gaúcho vs Flamengo, digo que o rubro-negro virou refém de uma situação.
    Explico melhor:
    Como clube de massa, sua diretoria, depois da grande cartada corinthiana ao contratar Ronaldo Nazário, não ficou sossegada enquanto não fizesse igual. Aí apareceu o R. Gaúcho na história.
    Se desse certo, a direção do Flamengo ficaria muito bem com a torcida, e ainda, mercadologicamente, teria bamburrado.
    Como foi um negócio de alto risco, envolvendo cifras milionárias, a diretoria foi relevando os erros do jogador com a esperança de que, de um momento para outro, o mesmo desencantasse dentro de campo, o que não ocorreu, a não ser lampejos, vestígios de um ex-craque em atividade. O grande erro, daí o fato de a diretoria ter ficado refém dele, foi justamente esse, e também os atrasos salariais. Fosse outro jogador, é provável que ao primeiro deslize o mesmo fosse advertido, multado, e por fim negociado.
    Mas como foi investido muito dinheiro…

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  4. Cara num binca que o Regis saiu do papão.

    cara que péssima notícia. esse cara, pelo que vi domingo, joga muita bola.

    tomara que os dirigentes consigam fazer ele mudar de idéia.

    que merda, parece que enterraram uma cabeça de burro lá na curuzu.

    P¨%$¨ Q$% P#$%% C#$%#

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  5. Caro Carlos Junior, para mim, o Regis pediu as contas devido a indefinição da terceirona. O mesmo e jovem, bom de bola, é barco parado não ganha frete amigo! Agora a diretoria bicolor deveria tomar algumas medidas a respeito, afinal de contas o jogador rendeu custo ao clube, logo o mesmo deve fazer o ressarcimento do que já lhe foi empregado.

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  6. O Charles não começou como lateral nem volante e sim como “cabeça de área” hehe…atual primeiro volante. Não tenho a menor dúvida. Laterais virarem volante é mais comum: Edson Boaro, Junior, Felipe são exemplos.

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  7. Concordo André, e acho até que o clube deve cobrar a multa rescisória pra ele sair do papão.
    se não pagar não libera o passe do cara e ele fica no papão.
    se ele ficar chateado que se dane, o cara é profissional e tem contrato assinado. se ele começar a fazer corpo mole, pior pra ele pq quem vai ficar com o passe desvalorizado é ele mesmo.

    pq só o clube tem q pagar multa e respeitar o contrato? olha o caso do magrão: vai mandar ele embora na marra pra ver se ele vai.
    tem que ser o mesmo pro jogador.

    Mas antes disso acho que deveriam conversar com o jogador e tentar manter o jogador aqui numa boa.

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  8. Charles começou como lateral, até porque se não me engano o volante da época do Paysandu era o Duarte.
    E não sei qual o reporter lhe deu o apelido de principe Charles, só no Fla começaram a lhe chamar de Guerreiro.
    E quando jogou na Inglaterra pela seleção, foi convocando como lateral.

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  9. Do meu tempo quem se deu bem servindo em outras posições foi o Cesar, ou Cesar pernil.
    Veio da base bicolor e andou fazendo seus gollzinhos, mas como a concorrencia era grande e desleal pra ele, se meteu em outras posições.

    Depois foi pro vizinho, onde andou comendo cachorro quente e virando a banca dos outros.

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  10. Ilustre escriba Charles começou como volante, foi para S.Paulo (Ponte ,Guarany)e depois contratado pelo FLa virou lateral p/ justamente substituir um jogador lesionado,Se saiu tão bem que atuou assim sempre e pela seleção foi convocado como lateral.inclusive na partida contra a Inglaterra em Wembley quando falhou em uma jogada proporcionando o gol do English Team.

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