Um arranjo com aval da Justiça gaúcha

O Santo André está muito perto de reconquistar vaga na Série C do Campeonato Brasileiro. Ontem, em audiência pública no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, representantes do Brasil de Pelotas, CBF e Federação Gaúcha reuniram com o desembargador José Aquino Flôres de Camargo para resolver imbróglio judicial criado desde sexta-feira, quando o Brasil obteve liminar para conseguir vaga na Terceirona. 

Por sugestão do desembargador, “a CBF se comprometeria a incluir o Brasil na Série C, em 2013 ou 2014, mantida a atual situação para a presente competição”, ou seja, com o Santo André entre os 20 participantes. Camargo ainda sugeriu que “as partes ajustariam eventual compensação, a título de ajuda de custo à agravante (Brasil), para que pudesse custear suas despesas até que viesse a ser reinserida na Série C”. Solicitou ainda que a CBF desconsiderasse o ingresso do clube gaúcho na Justiça comum evitando represálias.

Para a proposta ter validade, porém, tanto a diretoria do Xavante como o departamento jurídico da CBF terão de homologar o acordo nas próximas 48 horas, ou seja, até as 12h desta quarta-feira, três dias antes do início da competição. A CBF ainda não se pronunciou oficialmente sobre o arranjo e mantém em seu site oficial o Santo André como participante da Série C e o Brasil de Pelotas na Série D.

Por que virou à direita? Marketing, ora

Por Marcelo Rubens Paiva

A direita é como 1 avestruz, por vezes esconde a cabeça debaixo da terra. Envergonhada talvez por alguns desvios históricos.  Mas quando o erro vira esquecimento, ela sai formosa e galopante. No final da Segunda Guerra, o Holocausto e os horrores nazistas deixaram a direita em hibernação. Saem do coma pouco a pouco, na Holanda, França e até Grécia, berço da civilização Ocidental, onde o Partido Nazista se tornou força política na última eleição.

A xenofobia continua a ser a tese que mais agrega, num discurso ainda confuso que, em tempos de crise, ressuscita. Lembra do bando skinhead que matou o adestrador de cães, Edson Neri da Silva, em 2000 na Praça da República, em São Paulo? Eram homofóbicos. No grupo, preso meses depois, que defendia a raça pura, havia nordestinos e negros.

O fim da ditadura também deixou a direita piano piano. Os horrores dos porões, os relatos de sobreviventes, os crimes contra a humanidade tornaram indefensáveis as teses da direita, que defendia o regime. Saiu de moda.

José Guilherise Merquior, que se considerava o homem mais culto do Brasil, sociólogo, crítico literário e assumidamente de direita, foi para o ostracismo. Nelson Rodrigues, que durante um período defendia o governo Médici e propagava que não havia tortura no Brasil, foi outro para quem a massa crítica torcia o nariz, que pagou um preço caro por suas contradições. Desprezado, machão, não ligava. Seu papel era provocar. Mas um dia tudo mudou, quando viu com os próprios olhos o filho torturado, um caco, na cela de uma prisão. E Nelson se calou.

Glauber Rocha, também acusado de pactuar com os milicos, foi outro caso. O nome mais importante do cinema brasileiro, no exílio desde o endurecimento da ditadura, apoiava a luta armada, arrecadava grana no exterior para a ALN, morou em Cuba [era o único na Ilha que tinha autorização para fumar baseado]. Até ser convocado por Jango em Paris, o presidente deposto, a voltar para o Brasil e preparar a sociedade civil para a Abertura de Geisel, que enfrentava o rompimento do seu regime, pressão dos americanos defensores dos direitos humanos da Era Carter, da Igreja de Dom Paulo, do Vaticano, e a ira da linha dura dos milicos da ativa.

Jango acreditava nos irmãos Geisel. Dizia que na fuga do Brasil em 1964, seu avião poderia ter sido abatido, mas o general Orlando negou a ordem – assim como descumpriu a ordem de bombardear o Palácio Piratini, onde Brizola se entrincheirava em 1961 na Campanha da Legalidade. Glauber voltou, alardeou os feitos dos milicos, comprou briga com a esquerda, radicalizou, provou que a Abertura era de verdade, deu sustentação civil ao projeto de Geisel, e morreu sozinho, sem conseguir filmar, sem amigos, duro e paranóico.

Glauber nunca foi de direita. Como Gil, Caetano e alguns tropicalistas. Compunham outra força cultural que não fazia o jogo das esquerdas. Ou melhor, da esquerda mais ortodoxa. Superada a dor da prisão e exílio, Gil cantava “realce, quanto mais purpurina melhor…”, enquanto a plateia cantava “quanto mais cocaína melhor…”, e Caetano cantava “deixa eu dançar, pro meu corpo ficar odara…”. Não denunciavam a perseguição política, a ditadura, a censura, os milicos. Mas jamais poderiam ser acusados de enveredar rumo à direita.

O tropicalismo é mais profundo do que a visão maniqueísta da vida: 2 lados, 2 ideais. Não é marxista, stalinista, maoísta, leninista. O tropicalismo gostaria de inventar seu próprio ismo. Porém, como Glauber, foram “patrulhados”. Hoje, existe uma categoria de intelectual que descobriu que, se reproduzir o discurso da direita, ganha moral, destaque, prestígio e espaço. Pois no debate sempre foi imprescindível ouvir o outro lado – poucos se dispunham a cumprir o papel de alvo fácil do meio acadêmico e jornalístico; papel de boi de piranha. Então figuras de segundo escalão do nosso pensamento e mercado editorial mudaram de lado, passaram a escrever contra leis das cotas, projetos de distribuição de renda por meio de bolsas etc. O escândalo do Mensalão, o fim da pureza petista – a prova de que é preciso colocar a mão na merda quando se quer o Poder – deu a munição que precisavam.

Perderam a vergonha, ganham leitores, fãs, são comentados e estão no foco. Filósofos, sociólogos, jornalistas secundários, desprezados por seus pares e academia, irrelevantes, tornam-se estrelas de uma guerra que já acabou. Mais uma vez a polêmica serve para ofuscar a falta de um projeto vertical, de um discurso complexo, amplo, que realmente confunda a alma e as relações.

O problema é quando eles mesmos se levam a sério. E passem a acreditar que o marketing pessoal é pensamento capaz de transformação; patológico quando se vangloriarem disso e não percebem que são apenas escada dos protagonistas do picadeiro.

Preparativos do Remo (by Mário Quadros)

Os jogadores do Remo se movimentaram hoje, em uma academia de ginástica de Belém, preparando-se para a estreia no Campeonato Brasileiro da Série D, prevista para domingo, em Vilhena. Nas fotos de Mário Quadros, o atacante Fábio Oliveira e os novos contratados, Paulinho e Ratinho.

Beatles na contramão em Abbey Road

A fotografia inédita dos Beatles atravessando a Abbey Road no sentido contrário foi leiloada por 16 mil libras esterlinas (cerca de R$ 49 mil) – quase o dobro do valor estimado – na Bloomsbury Auctions, em Londres, nesta terça (22). Segundo a revista “NME”, o leilão começou com uma oferta de 6.000 libras, mas o valor rapidamente subiu e o item foi arrematado em menos de um minuto. O retrato é uma versão “invertida” daquele que foi eternizado na capa do disco “Abbey Road”, de 1969: o quarteto de Liverpool cruza a faixa de pedestres da direita para a esquerda, sentido contrário da foto original. Ambas foram registradas pelo fotógrafo Iain Macmillan. Na imagem que pertencia a um colecionador, há algumas diferenças: Paul atravessa a rua de chinelos – na original, ele está descalço – e sem o cigarro que segurava em uma das mãos. Acima, a versão invertida. Abaixo, a clássica imagem original. (Da Folha SP) 

A imagem do dia

José Mourinho, The Special One, ampliou seu contrato com o Real Madri até 2016. O acordo anterior ia até 2014. O clube, satisfeito com o título espanhol conquistado pelo técnico português, apressou-se em segurá-lo por mais dois anos. Após firmar o acordo, Mourinho apareceu para entrevista coletiva ao lado de seus auxiliares, no estádio Santiago Bernabeu. Pela pose dá para imaginar a quantidade de zeros dessa renovação.

Remo pode ganhar reforços do São Francisco

Remo e São Francisco estão em negociações adiantadas para a cessão aos azulinos, por empréstimo, dos jogadores Jader, Perema e Ricardinho. Os três atletas se destacaram no último Parazão e despertaram o interesse de vários clubes, mas nenhum fechou acordo para deixar o Leão Azul santareno. Caso o negócio seja fechado, o trio se apresentará até quinta-feira no Baenão. Para os dirigentes santarenos, que sempre mantiveram bom relacionamento com os remistas, a exposição dos atletas na Série D pode facilitar futuras transações. (Com informação de Guilherme Guerreiro)

Paissandu x Luverdense será no Mangueirão

Depois de anunciar durante duas semanas que estrearia na Série C contra o Luverdense na Curuzu, o Paissandu descobriu há dois dias que o gramado do estádio está impraticável e pediu à CBF transferência de local. Desse modo, o Papão estreia no Brasileiro neste domingo jogando no estádio Edgar Proença. É provável que os três primeiros jogos sejam realizados no Mangueirão.

Remo apresenta mais dois contratados

O Remo anunciou mais dois reforços para a Série D: o lateral-esquerdo paraense Paulinho, de 23 anos, ex-Botafogo de Ribeirão Preto, Náutico (PE) e Tuna, e o lateral-direito Eduardo Gabriel, o Dida, de 33 anos, ex-jogador do Crac de Catalão (GO) e que passou pelo Flamengo (RJ), Atlético Goianiense e Botafogo (RJ). Ambos se apresentaram nesta manhã no Baenão, fizeram exames médicos e devem assinar contrato ainda hoje com o clube. Paulinho chegou com suspeita de contusão no joelho, mas na avaliação dos médicos está apto a jogar.

O zagueiro Edinho e o meia Ratinho (foto) se apresentaram ao técnico Flávio Lopes, mas Magnum e André não apareceram no Baenão. O Remo continua tentando um acordo com o centroavante Rafael Paty, ex-Cametá e que estaria apalavrado com o Santa Cruz de Cuiarana. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)