Mês: maio 2012
Um arranjo com aval da Justiça gaúcha
O Santo André está muito perto de reconquistar vaga na Série C do Campeonato Brasileiro. Ontem, em audiência pública no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, representantes do Brasil de Pelotas, CBF e Federação Gaúcha reuniram com o desembargador José Aquino Flôres de Camargo para resolver imbróglio judicial criado desde sexta-feira, quando o Brasil obteve liminar para conseguir vaga na Terceirona.
Por sugestão do desembargador, “a CBF se comprometeria a incluir o Brasil na Série C, em 2013 ou 2014, mantida a atual situação para a presente competição”, ou seja, com o Santo André entre os 20 participantes. Camargo ainda sugeriu que “as partes ajustariam eventual compensação, a título de ajuda de custo à agravante (Brasil), para que pudesse custear suas despesas até que viesse a ser reinserida na Série C”. Solicitou ainda que a CBF desconsiderasse o ingresso do clube gaúcho na Justiça comum evitando represálias.
Para a proposta ter validade, porém, tanto a diretoria do Xavante como o departamento jurídico da CBF terão de homologar o acordo nas próximas 48 horas, ou seja, até as 12h desta quarta-feira, três dias antes do início da competição. A CBF ainda não se pronunciou oficialmente sobre o arranjo e mantém em seu site oficial o Santo André como participante da Série C e o Brasil de Pelotas na Série D.
Capa do Bola, edição de terça-feira, 23
Por que virou à direita? Marketing, ora
Por Marcelo Rubens Paiva
A direita é como 1 avestruz, por vezes esconde a cabeça debaixo da terra. Envergonhada talvez por alguns desvios históricos. Mas quando o erro vira esquecimento, ela sai formosa e galopante. No final da Segunda Guerra, o Holocausto e os horrores nazistas deixaram a direita em hibernação. Saem do coma pouco a pouco, na Holanda, França e até Grécia, berço da civilização Ocidental, onde o Partido Nazista se tornou força política na última eleição.
A xenofobia continua a ser a tese que mais agrega, num discurso ainda confuso que, em tempos de crise, ressuscita. Lembra do bando skinhead que matou o adestrador de cães, Edson Neri da Silva, em 2000 na Praça da República, em São Paulo? Eram homofóbicos. No grupo, preso meses depois, que defendia a raça pura, havia nordestinos e negros.
O fim da ditadura também deixou a direita piano piano. Os horrores dos porões, os relatos de sobreviventes, os crimes contra a humanidade tornaram indefensáveis as teses da direita, que defendia o regime. Saiu de moda.
José Guilherise Merquior, que se considerava o homem mais culto do Brasil, sociólogo, crítico literário e assumidamente de direita, foi para o ostracismo. Nelson Rodrigues, que durante um período defendia o governo Médici e propagava que não havia tortura no Brasil, foi outro para quem a massa crítica torcia o nariz, que pagou um preço caro por suas contradições. Desprezado, machão, não ligava. Seu papel era provocar. Mas um dia tudo mudou, quando viu com os próprios olhos o filho torturado, um caco, na cela de uma prisão. E Nelson se calou.
Glauber Rocha, também acusado de pactuar com os milicos, foi outro caso. O nome mais importante do cinema brasileiro, no exílio desde o endurecimento da ditadura, apoiava a luta armada, arrecadava grana no exterior para a ALN, morou em Cuba [era o único na Ilha que tinha autorização para fumar baseado]. Até ser convocado por Jango em Paris, o presidente deposto, a voltar para o Brasil e preparar a sociedade civil para a Abertura de Geisel, que enfrentava o rompimento do seu regime, pressão dos americanos defensores dos direitos humanos da Era Carter, da Igreja de Dom Paulo, do Vaticano, e a ira da linha dura dos milicos da ativa.
Jango acreditava nos irmãos Geisel. Dizia que na fuga do Brasil em 1964, seu avião poderia ter sido abatido, mas o general Orlando negou a ordem – assim como descumpriu a ordem de bombardear o Palácio Piratini, onde Brizola se entrincheirava em 1961 na Campanha da Legalidade. Glauber voltou, alardeou os feitos dos milicos, comprou briga com a esquerda, radicalizou, provou que a Abertura era de verdade, deu sustentação civil ao projeto de Geisel, e morreu sozinho, sem conseguir filmar, sem amigos, duro e paranóico.
Glauber nunca foi de direita. Como Gil, Caetano e alguns tropicalistas. Compunham outra força cultural que não fazia o jogo das esquerdas. Ou melhor, da esquerda mais ortodoxa. Superada a dor da prisão e exílio, Gil cantava “realce, quanto mais purpurina melhor…”, enquanto a plateia cantava “quanto mais cocaína melhor…”, e Caetano cantava “deixa eu dançar, pro meu corpo ficar odara…”. Não denunciavam a perseguição política, a ditadura, a censura, os milicos. Mas jamais poderiam ser acusados de enveredar rumo à direita.
O tropicalismo é mais profundo do que a visão maniqueísta da vida: 2 lados, 2 ideais. Não é marxista, stalinista, maoísta, leninista. O tropicalismo gostaria de inventar seu próprio ismo. Porém, como Glauber, foram “patrulhados”. Hoje, existe uma categoria de intelectual que descobriu que, se reproduzir o discurso da direita, ganha moral, destaque, prestígio e espaço. Pois no debate sempre foi imprescindível ouvir o outro lado – poucos se dispunham a cumprir o papel de alvo fácil do meio acadêmico e jornalístico; papel de boi de piranha. Então figuras de segundo escalão do nosso pensamento e mercado editorial mudaram de lado, passaram a escrever contra leis das cotas, projetos de distribuição de renda por meio de bolsas etc. O escândalo do Mensalão, o fim da pureza petista – a prova de que é preciso colocar a mão na merda quando se quer o Poder – deu a munição que precisavam.
Perderam a vergonha, ganham leitores, fãs, são comentados e estão no foco. Filósofos, sociólogos, jornalistas secundários, desprezados por seus pares e academia, irrelevantes, tornam-se estrelas de uma guerra que já acabou. Mais uma vez a polêmica serve para ofuscar a falta de um projeto vertical, de um discurso complexo, amplo, que realmente confunda a alma e as relações.
O problema é quando eles mesmos se levam a sério. E passem a acreditar que o marketing pessoal é pensamento capaz de transformação; patológico quando se vangloriarem disso e não percebem que são apenas escada dos protagonistas do picadeiro.
Som na madrugada – The Marmalade, Rainbow
Preparativos do Remo (by Mário Quadros)
Beatles na contramão em Abbey Road
A fotografia inédita dos Beatles atravessando a Abbey Road no sentido contrário foi leiloada por 16 mil libras esterlinas (cerca de R$ 49 mil) – quase o dobro do valor estimado – na Bloomsbury Auctions, em Londres, nesta terça (22). Segundo a revista “NME”, o leilão começou com uma oferta de 6.000 libras, mas o valor rapidamente subiu e o item foi arrematado em menos de um minuto. O retrato é uma versão “invertida” daquele que foi eternizado na capa do disco “Abbey Road”, de 1969: o quarteto de Liverpool cruza a faixa de pedestres da direita para a esquerda, sentido contrário da foto original. Ambas foram registradas pelo fotógrafo Iain Macmillan. Na imagem que pertencia a um colecionador, há algumas diferenças: Paul atravessa a rua de chinelos – na original, ele está descalço – e sem o cigarro que segurava em uma das mãos. Acima, a versão invertida. Abaixo, a clássica imagem original. (Da Folha SP)
A imagem do dia
José Mourinho, The Special One, ampliou seu contrato com o Real Madri até 2016. O acordo anterior ia até 2014. O clube, satisfeito com o título espanhol conquistado pelo técnico português, apressou-se em segurá-lo por mais dois anos. Após firmar o acordo, Mourinho apareceu para entrevista coletiva ao lado de seus auxiliares, no estádio Santiago Bernabeu. Pela pose dá para imaginar a quantidade de zeros dessa renovação.
Remo pode ganhar reforços do São Francisco
Remo e São Francisco estão em negociações adiantadas para a cessão aos azulinos, por empréstimo, dos jogadores Jader, Perema e Ricardinho. Os três atletas se destacaram no último Parazão e despertaram o interesse de vários clubes, mas nenhum fechou acordo para deixar o Leão Azul santareno. Caso o negócio seja fechado, o trio se apresentará até quinta-feira no Baenão. Para os dirigentes santarenos, que sempre mantiveram bom relacionamento com os remistas, a exposição dos atletas na Série D pode facilitar futuras transações. (Com informação de Guilherme Guerreiro)
Paissandu x Luverdense será no Mangueirão
Depois de anunciar durante duas semanas que estrearia na Série C contra o Luverdense na Curuzu, o Paissandu descobriu há dois dias que o gramado do estádio está impraticável e pediu à CBF transferência de local. Desse modo, o Papão estreia no Brasileiro neste domingo jogando no estádio Edgar Proença. É provável que os três primeiros jogos sejam realizados no Mangueirão.
Remo apresenta mais dois contratados
O Remo anunciou mais dois reforços para a Série D: o lateral-esquerdo paraense Paulinho, de 23 anos, ex-Botafogo de Ribeirão Preto, Náutico (PE) e Tuna, e o lateral-direito Eduardo Gabriel, o Dida, de 33 anos, ex-jogador do Crac de Catalão (GO) e que passou pelo Flamengo (RJ), Atlético Goianiense e Botafogo (RJ). Ambos se apresentaram nesta manhã no Baenão, fizeram exames médicos e devem assinar contrato ainda hoje com o clube. Paulinho chegou com suspeita de contusão no joelho, mas na avaliação dos médicos está apto a jogar.
O zagueiro Edinho e o meia Ratinho (foto) se apresentaram ao técnico Flávio Lopes, mas Magnum e André não apareceram no Baenão. O Remo continua tentando um acordo com o centroavante Rafael Paty, ex-Cametá e que estaria apalavrado com o Santa Cruz de Cuiarana. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)








