Sucesso da “La U” vem da base

Por Rafael Reis

O time que se tornou sensação do futebol da América do Sul no segundo semestre do ano passado e que está a um 0 a 0 de ficar entre os quatro melhores da Libertadores honra o nome que carrega. A Universidad de Chile é um centro de formação e capacitação de novos talentos. A equipe que hoje recebe o Libertad e defende a vantagem obtida graças ao empate por 1 a 1 no Paraguai para ir às semifinais da competição sul-americana é a mais jovem das quartas de final. Os 15 jogadores utilizados como titulares pelo técnico argentino Jorge Sampaoli na fase final da Libertadores têm uma média de 25,1 anos. É bem menos do que os 26,8 anos do Santos, dos garotos Neymar e Ganso, clube que mais se aproxima da juventude dos chilenos.

Sem condições financeiras para bater de frente com times do Brasil, e até mesmo da Argentina, a Universidade de Chile adotou duas receitas para tentar brigar com os bambambãs do continente. A primeira foi valorizar a juventude no time adulto, tanto com a promoção de jogadores das categorias de base, quanto com a busca de talentos de clubes pequenos. O lateral Mena, um dos principais nomes da equipe, chegou aos 20 anos do Santiago Wanderers. O artilheiro Junior Fernandes, 23, foi contratado do Palestino para se desenvolver em Santiago.

O orçamento destinado às categorias de base subiu 33,3% nesta temporada, turbinado pela venda para o Napoli de Eduardo Vargas, destaque na conquista da Sul-Americana do ano passado. Dos 15 nomes mais utilizados pela Universidad de Chile na Libertadores, cinco saíram dos times inferiores. A aposta é Angelo Henríquez, 18, com impressionantes 12 gols em 18 jogos em menos de um ano como profissional –marcou quatro vezes na Libertadores.

O camisa 7 pode ser visto no Manchester United já a partir do segundo semestre. O clube possui a prioridade de compra do jogador e tem até 2014 para pagar € 4 milhões e levá-lo a Old Trafford. Além da valorização dos jovens, o clube importou os conceitos de controle da posse de bola, futebol ofensivo e trocas constantes de posição utilizados pelo Barcelona.

Sampaoli, admirador confesso do trabalho de Marcelo Bielsa, técnico do Athletic Bilbao e um dos mentores de Pep Guardiola, foi o responsável por fazer a adaptação. Com ele no banco de reservas, “La U” virou referência de futebol bonito, ganhou o primeiro título internacional da história e foi protagonista de placares surpreendentes. Nas oitavas de final da Libertadores, esteve à beira da eliminação depois de ser goleado por 4 a 1 pelo Deportivo Quito. Retribuiu o vexame com 6 a 0 no jogo de volta

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