A melhor final possível

Por Gerson Nogueira

Raros são os times que sabem reter a bola e protegê-la com engenho e arte da ambição dos adversários. O estilo consagrado pelo Barcelona desde os anos 80, quando Johan Cruyff andou por lá disseminando essa obsessão pelo domínio absoluto, se traduz em índices de até 70% de posse da bola. Há mais de três anos o Barça não se deixa dominar. Mesmo nas poucas derrotas, consegue ficar mais tempo com a bola.   
A lógica das coisas dá ao Barcelona as maiores chances na decisão deste domingo no Japão. Tem os jogadores mais decisivos, além de ostentar aquela confiança própria dos times iluminados. Nada de empáfia, apenas a plena consciência de suas forças.
Característica essencial de todos os grandes esquadrões de futebol ao longo dos tempos, o esmero no passe garante a superioridade em campo. Manda no jogo quem conhece os segredos de prender a bola e sabe o que fazer com ela.
Cabe notar que a habilidade de envolver o oponente só vale a pena se as manobras ofensivas resultam em lances agudos de gol. Essa objetividade, que diferencia os times realmente poderosos, é marca do sistema implantado por Guardiola.
Ex-volante aplicado e técnico, que sempre admirou times de alta técnica, como aquele de Pelé-Coutinho-Pepe, Guardiola mantém antiga amizade com o grande Pepe, ponteiro do Santos bicampeão mundial e um dos maiores chutadores de todos os tempos.
Através de Pepe, o jovem técnico ficou sabendo do potencial de Neymar e Ganso quando ambos ainda eram apenas garotos promissores na Vila. Que ninguém pense, portanto, que a dupla santista terá vida fácil. O espetacular Barça não subestima ninguém e certamente vai policiar nossos jovens craques.
Será uma final mais nervosa do que o habitual, por envolver dois times que gostam do drible e dos passes curtos. Será mais difícil para o Santos, que é o franco-atirador e precisará vencer a ansiedade natural de quem enfrenta os catalães. Tem craques como Neymar e Ganso, mas precisará acertar a marcação contra um formidável sistema de meio-campo/ataque.
Mesmo que consiga conter Iniesta ou Xavi, Muricy não terá a garantia de travar por completo a criação do Barcelona. Os demais jogadores – Messi, Daniel Alves e Fábregas – também criam e fazem tabelinhas endiabradas em velocidade. E Messi é o melhor do mundo, afinal. Tostão o compara ao estilo de Pelé. Acho mais parecido com Maradona, pelo truque de colar a bola ao pé e a facilidade para disparar chutes inesperados. 
É certo que o mundo verá um jogaço, o melhor possível a essa altura do pagode. O Barcelona é superior, mas não invencível. E o grande desafio do Santos é conseguir fazer seu jogo normalmente agressivo sem se expor na defesa – e entendo que a hipótese de um trio de beques é meio assustadora. Muricy deve ter queimado as pestanas arquitetando um plano infalível para anular os trunfos do inimigo. Parada duríssima. 
 
 
Uma feira goiana se instalou no Baenão. Jamilton, Pedro Balu, Juan Sosa, Felipe Baiano, Juliano e Rodrigo Aires, além de três jogadores saídos da base: Betinho, Allan Peterson e Joãozinho. E tem ainda o técnico Sinomar Naves. Todos são representados pela empresa L2 Sports, de Goiás, que também agencia o lateral-esquerdo Rodrigo Cardoso, do Paissandu. (A dica é do repórter Sandro Galtran, do DOL).
 
 
Vandick Lima, ídolo da Fiel e herói da Copa dos Campeões 2002, é o convidado do Bola na Torre (RBATV, 21h) deste domingo. Vem falar dos planos de seu grupo para fazer o Paissandu retomar seus dias de glória.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 18)

8 comentários em “A melhor final possível

  1. Uma constelação X Uma Pseudo estrela (Neymar), e uma estrela apagada (Ganso)!!

    4 x 0 e um chocolate em 3D. Um Santos forte. Essa foi a tese criada pela Globo, será desfeita vergonhosamente diante do melhor time do mundo, o Barcelona.

    Vale tudo por um pingo de ibope.

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  2. Não só Murici amigo Columbia.Fora esse estilo de “força-marcação”.Hora de os programs esportivos , jornalsitas que são ouvidos , e incluo , o escriba nobre de Baião , clamarem por mudanças no estilod ejogo do futebol brasileiro.O barça somente copiou o estilo da SELEÇÃO Canarinho de 70.Eu não vi , mas sei.Hora de aplaudir o mérito do adversário e hora de mudanças.A coluna do sr.gerson foi bem ilustrativa e no alvo , sobre a forma como o time espanhol joga.Pergunto aos mais “velhos”( os que viram a Copa de 70.O Barça apenas joga como o Brasil de 70.inclusive sem centroavante ?Tostão não era centroavante.Voltava pra marcar e vir de trás com a bola.Pelé muito menos.Agora nobre escriba mais do que Pelé e Garrincha ninguém cola a bola não. Bem em resumo HORA DE REIMPLANTAR a filosofia de futebol-total de 70, com toques rápiods, precisos e arremates.O golaço contra a Itália de Carlso Alberto mostra que que era sso memso.O barça se espelhou no brasil de 70.Fora “professores” que só sabem jogar em 442.Hora de mudar tudo , bem que o Paissandu e Remo poderiam aproveitar essa deixa e se prepararem nesse estilo de jogo.É só querer.Começa com um centro de treinamento e na base.

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