Meu querido Boney

Por Agamenon Mendes Pedreira

O Rio de Janeiro fez fila na porta do Copacabana Palace para puxar o saco do Patriarca da Televisão Brasileira, José Bonifácio de Andrada de Oliveira Sobrinho, o Bonão. Antes de ser pai do Boninho, Boni participou das maiores realizações da televisão brasileira. Ainda jovem, junto com Marconi e Boquette Pinto, começou trabalhando no rádio. Esperto e talentoso, foi logo promovido para a geladeira. Em seguida, Boni foi para o fogão, para a máquina de lavar roupa e para o ferro de passar. Depois de saber tudo sobre eletrodomésticos, Bonifício de Oliveira foi parar na televisão, de onde nunca mais saiu. Mudou-se para o Rio e junto com o índio Araribóia e Assis Chateaubriand expulsou os franceses para fundar a TV Tupi.
Boni também trabalhou na TV Excelsior, na TV Rio e na TV Paulista, emissoras jurássicas onde as câmeras eram à vapor e os atores também. Preocupado com os destinos da recém fundada TV Globo, meu companheiro, o Dr. Roberto Marinho, me perguntou na Leiteria Bols onde dividíamos um prato de mingau de maisena com canela.
– Agamenon, tu tens alguém para tomar conta da TV Globo e da Padaria Século XX, que fica em frente?
– Claro, Dr. Roberto, tem aquele menino paulista, o José Bonifácio de Oliveira, o Pônei.
Para a Padaria Século XX indiquei o carnavalesco Clovis Bornay, mas ele logo foi despedido porque vivia queimando a rosca. Como sempre, acertei na mosca e Boni acabou revolucionando a TV brasileira. Junto com Walter Clark Kent, Daniel Pai, Filho e Espírito Santo, os três formavam a Santíssima Trindade da Televisão Brasileira.
Perfeccionista obsessivo e hipocondríaco de carteirinha, o rigoroso Boni criou o Padrão Globo de Qualidade, o PGQ. Mais tarde criou o PGP e depois também o PQP que é para onde ele manda quem não segue à risca as suas determinações. Incansável na sua busca pela excelência, Boni trabalhava o dia inteiro e uma vez, quando chegou de madrugada na casa de uma de suas namoradas, me surpreendeu na cama com a criatura fazendo uma cena de amor tórrido que, aliás, só podia ser exibida naquele horário.
– Porrrrrrrrrrra, Agamenon! – disse o Boni – essa trepada está uma merrrrrrrrrrda! Não é assim que se corrrrrrneia! Faz tudo de novo!

Na semana passada, reencontrei o meu amigo Boni nos bastidores do Jô Soares onde ele estava fazendo jabá do seu livro, “Bôneys Malditos” e eu, fazendo jabá do meu filme, “As Aventuras de Agamenon, o Repórter”. Imediatamente, pedi ao grande homem de televisão um exemplar do livro de grátis, 0-800, com uma dedicatória. Abonado e generoso, o grande Boni me autografou um cheque para que eu fizesse uma crítica do seu livro. Para fazer uma crítica isenta e imparcial, nem abri o livro para não me deixar influenciar pela leitura da obra. Obra essa que, aliás, que considero uma obra–prima e recomendo a todos, sem restrições. Despedi-me do Boni, parei no primeiro sebo que eu vi em São Paulo e vendi o livro a bom preço já que livro autografado vale mais.

Agamenon Mendes Pedreira é testemunha ocular da História.

3 comentários em “Meu querido Boney

  1. Esse tal de Boni, se sente a ultima Coca do deserto.
    Para o delirio das bancadas O ” pensador” conseguiu enfiar em Boni uma meia duzias de pares dos mais brilhosos chifres, capaz de deixar qualquer Garantido enciumado.

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