Mês: janeiro 2022
Diretor da Anvisa rebate Bolsonaro e cobra retratação do governo
O diretor-geral da Anvisa, contra-almirante Antonio Barra Torres, divulgou nesta noite uma dura nota contra as insinuações feitas por Jair Bolsonaro, que questionou qual seria o interesse dos diretores da agência em liberar a vacinação infantil no Brasil.

Sobre Soledad Viedma, a poetisa torturada até a morte pela ditadura militar
Hoje, 8 de janeiro, completam-se 49 anos de um dos mais brutais crimes políticos cometidos no Brasil. Trata-se do monstruoso assassinato da poetisa e intelectual paraguaia Soledad Barrett Viedma, ela foi cruelmente torturada e morta pela ditadura militar em Pernambuco. Estava grávida de quatro meses, e mesmo assim não foi poupada. Soledad foi encontrada nua, dentro de um barril numa poça de sangue, tendo aos pés o feto de quatro meses, expelido provavelmente durante as sessões de torturas.
Este foi um dos mais hediondos crimes cometidos nos anos de chumbo no Brasil. Soledad recebeu quatro tiros na cabeça e apresentava marcas de algemas nos pulsos e equimoses no olho direito.
Mércia de Albuquerque Ferreira, advogada de presos políticos na época, conseguiu ter acesso aos corpos removidos para o necrotério. Sobre Soledad, ela declarou, em depoimento formal:
“Ela estava com os olhos muito abertos, com expressão muito grande de terror. A boca estava entreaberta, e o que mais me impressionou foi o sangue coagulado em grande quantidade. Eu tenho a impressão de que ela foi morta, ficou algum tempo deitada e depois a trouxeram. O sangue, quando coagulou, ficou preso nas pernas, porque era uma quantidade grande. E o feto estava lá nos pés dela, não posso saber como foi parar ali ou se foi ali mesmo no necrotério que ele caiu, que ele nasceu, naquele horror.”
Soledad atuou na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), movimento que fazia oposição à ditadura numa luta pela redemocratização, e que denunciava internacionalmente as práticas da torturas e assassinatos cometidos pelo regime instaurado em 1964. A Vanguarda atuou em várias células, tendo em Olinda ponto estratégico, onde a partir de movimentos culturais expunha todo o terror ao qual o pais encontrava-se mergulhado.
Soledad e outros companheiros da Vanguarda, foram mortos, pegos numa emboscada feita a partir de delação de um agente duplo infiltrado na própria VPR, o Cabo Anselmo, que na ocasião militava usando o nome de “Daniel”, fato ocorrido numa chácara no munícipio de Paulista. É considerado um dos crimes de maior repercussão internacional, episódio que ganhou o nome de “Chacina da Chácara de São Bento”.
Na ocasião, encontravam-se junto a Soledad seus companheiros Pauline Reichstul, Eudaldo Gómez da Silva, Jarbas Pereira Márquez, José Manoel da Silva e Evaldo Luiz Ferreira. O filho que Soledad estava a esperar era de José Anselmo dos Santos ou “Cabo Anselmo”, como era conhecido nos meios militares.
O último poema de Soledad Barret Viedma foi composto e endereçado para sua mãe numa forma de despedida:
Mãe, me entristece te ver assim
o olhar quebrado dos teus olhos azul céu
em silêncio implorando que eu não parta.
Mãe, não sofras se não volto
me encontrarás em cada moça do povo
deste povo, daquele, daquele outro
do mais próximo, do mais longínquo
talvez cruze os mares, as montanhas
os cárceres, os céus
mas, Mãe, eu te asseguro,
que, sim, me encontrarás!
no olhar de uma criança feliz
de um jovem que estuda
de um camponês em sua terra
de um operário em sua fábrica
do traidor na forca
do guerrilheiro em seu posto
sempre, sempre me encontrarás!
Mãe, não fiques triste,
tua filha te quer.
(Soledad Barret Viedma)
Houve aqui, uma Soledad, e que sua História foi real. Que sua memória jamais seja esquecida!
Fonte de imagem: reprodução
Texto: Olinda de Antigamente
O passado é uma parada
Cartaz de lançamento de “Ao Mestre, com Carinho”, estrelado por Sidney Poitier, que nos deixou nesta sexta-feira aos 94 anos.
A sentença eterna
“Cuba é capaz de enviar médicos para qualquer país do mundo. Médicos. Não bombas”.
Fidel Castro
Feliz aniversário, Starman!
David Bowie nasceu num 8 de janeiro de 1947 (morreu em 10 de janeiro de 2016). Faria 75 anos hoje, portanto. Autor de canções belíssimas, referência fundamental no rock de atitude, ele faz muita falta.
Em nota, Sociedade Brasileira de Pediatria defende a vacinação de crianças
Nota de repúdio expedida pela Sociedade Brasileira de Pediatria reafirmando a importância da vacinação infantil e criticando o posicionamento negacionista de autoridades federais:

Diante de comentários de autoridades sobre possíveis riscos decorrentes da imunização de crianças de cinco a 11 anos contra a covid-19, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) vem a público reiterar aos pais e responsáveis os seguintes pontos:
- A população não deve temer a vacina, mas, sim, a doença que ela busca prevenir, bem como suas complicações, como a covid longa e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, manifestações que consolidam a necessidade da imunização do público infantil.
- O acesso das crianças à vacina contra a covid-19 é um direito que deve ser assegurado, o qual conta com o apoio da maioria dos brasileiros, conforme expresso em consulta pública realizada sobre o tema pelo Ministério da Saúde.
- A vacinação desse público é estratégia importante para reduzir o número de mortes por conta da covid-19 nessa faixa etária, no Brasil, cujos indicadores são mais expressivos do que em outras nações.
- Até o momento, os estudos realizados apontam a eficácia e a segurança da vacina aplicada na população pediátrica, a qual é fundamental no esforço para reduzir as formas graves da covid-19.
- A vacina previne a morte, a dor, sofrimento, emergências e internação em todas as faixas etárias. Negar este benefício às crianças sem evidências científicas sólidas, bem como desestimular a adesão dos pais e dos responsáveis à imunização dos seus filhos, é um ato lamentável e irresponsável, que, infelizmente, pode custar vidas.
Sociedade Brasileira de Pediatria
Gramática aplicada
O passado é uma parada
Tropicália em ebulição: Jorge Ben, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, Gal Costa, Sérgio Dias e Arnaldo Baptista pelas lentes de Paulo Salomão.
A arte de Mestre Jaguar

Apesar dos veteranos, elenco do Papão tem média de idade abaixo dos 27 anos
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Dos 14 reforços contratados pelo Paysandu para a temporada 2022, oito são atletas com mais de 30 anos, o que tem gerado algumas críticas. No geral, porém, o elenco conta com 31 atletas e a média de idade é inferior a 27 anos.
O mais jovem da equipe é o volante Thiago Felipe, 17 anos, que veio das categorias de base do clube. Em contrapartida, os mais velhos são o volante/meia Ricardinho e os atacantes Marcelo Toscano e Henan, todos com 36 anos.
Abaixo, a lista dos mais experientes do elenco alviceleste:
- Lateral João Paulo – 31 anos
- Zagueiro Genilson – 31 anos
- Zagueiro Heverton – 33 anos
- Volante Bileu – 32 anos
- Volante Denis Pedra – 33 anos
- Meia Ricardinho – 36 anos
- Meia Ruy – 32 anos
- Atacante Henan – 36 anos
Nesta quinta-feira, 6, o clube anunciou a contratação do atacante Alex (18), que foi um dos destaques da Segunda Divisão do Parazão defendendo o Caeté. A diretoria deve contratar mais quatro atletas antes da estreia no campeonato estadual. (Foto: John Wesley/Ascom PSC)
Sobre cafajestes, canalhas e mequetrefes
Por Paulo Brondi (*)
Bolsonaro é um cafajeste. Não há outro adjetivo que se lhe ajuste melhor.
Cafajestes são também seus filhos, decrépitos e ignorantes. Cafajeste é também a maioria que o rodeia.
Porém, não é só. E algo que se constata é pior. Fossem esses os únicos cafajestes, o problema seria menor.
Mas, quantos outros cafajestes não há neste país que veem em Bolsonaro sua imagem e semelhança?
Aquele tio idiota do churrasco, aquele vizinho pilantra, o amigo moralista e picareta, o companheiro de trabalho sem-vergonha…
Bolsonaro, e não era segredo pra ninguém, reflete à perfeição aquele lado mequetrefe da sociedade.
Sua eleição tirou do armário as criaturas mais escrotas, habitués do esgoto, que comumente rastejam às ocultas, longe dos olhos das gentes.
Bolsonaro não é o criador, é tão apenas a criatura dessa escrotidão, que hoje representa não pela força, não pelo golpe, mas, pasmem, pelo voto direto. Não é, portanto, um sátrapa, no sentido primeiro do termo.
Em 2018 o embate final não foi entre dois lados da mesma moeda. Foi, sim, entre civilização e barbárie. A barbárie venceu. 57 milhões de brasileiros a colocaram na banqueta do poder.
Elementar, pois, a lição de Marx, sempre atual: “não basta dizer que sua nação foi surpreendida. Não se perdoa a uma nação o momento de desatenção em que o primeiro aventureiro conseguiu violentá-la”.
Muitos se arrependeram, é verdade. No entanto, é mais verdadeiro que a grande maioria desse eleitorado ainda vibra a cada frase estúpida, cretina e vagabunda do imbecil-mor.
Bolsonaro não é “avis rara” da canalhice. Como ele, há toneladas Brasil afora.
A claque bolsonarista, à semelhança dos “dezembristas” de Luís Bonaparte, é aquela trupe de “lazzaroni”, muitos socialmente desajustados, aquela “coterie” que aplaude os vitupérios, as estultices do seu “mito”. Gente da elite, da classe média, do lumpemproletariado.
Autodenominam-se “politicamente incorretos”. Nada. É só engenharia gramatical para “gourmetizar” o cretino.
Jair Messias é um “macho” de meia tigela. É frágil, quebradiço, fugidio. Nada tem em si de masculino. É um afetado inseguro de si próprio.
E, como ele, há também outras toneladas por aí.
O bolsonarismo reuniu diante de si um apanhado de fracassados, de marginais, de seres vazios de espírito, uma patuléia cuja existência carecia até então de algum significado útil. Uma gentalha ressentida, apodrecida, sem voz, que encontrou, agora, seu representante perfeito.
O bolsonarismo ousou voar alto, mas o tombo poderá ser infinitamente mais doloroso, cedo ou tarde.
Nem todo bolsonarista é canalha, mas todo canalha é bolsonarista.
Jair Messias Bolsonaro é a parte podre de um país adoecido.
(*) Promotor de Justiça em Jataí, Goiás.
(Transcrito do Blog do Juca)