Fenaj divulga nova edição do Relatório da Violência Contra Jornalistas na próxima quinta (27)

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) lança, na próxima quinta-feira, dia 27 de janeiro, às 10h, a edição 2021 do Relatório da Violência Contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil. Em razão da pandemia de Covid-19, a diretoria da entidade apresentará os dados em plataforma virtual e realizará coletiva de imprensa via Zoom.

A atividade está incluída na programação do Fórum Social das Resistências e será conduzida pela presidenta da entidade, Maria José Braga. O lançamento será transmitido ao vivo pelo canal da Fenaj no YouTube e pelo Facebook, com retransmissão pelas páginas dos Sindicatos de Jornalistas filiados e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Jornalistas podem se inscrever para participar da apresentação dos dados do relatório e da coletiva de imprensa, por meio do formulário online, informando nome completo, veículo de comunicação/organização, função e contatos (e-mail e WhatsApp). O link de acesso à sala virtual será enviado pelo e-mail informado às 9h da quinta-feira (27/01).

A edição 2021 do Relatório da Violência Contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil conta com apoio do Fundo de Direitos Humanos da Embaixada do Reino dos Países Baixos.

Bolsonarismo, sertanejo & agroboys

Por Aquiles Marchel Argolo

63 ideias de Shows Sertanejos | musicas sertanejas, show, você me completa

Nos anos 90, o cantor Lulu Santos desabafou no programa do Faustão sobre como os sertanejos e a agromúsica ajudaram a eleger Fernando Collor. Como prêmio ele ficou anos na geladeira da emissora, só que ele estava certo e a coisa hoje é pior.
Acontece que esse estilo de música não domina as rádios, as paradas do Spotify à toa. Ele faz parte de um projeto do agronegócio para fazer sua boa imagem por meio da indústria cultural e sua maior arma é fazer acreditar que o agro é pop por meio do sertanejo universitário.
Nos anos 90 as duplas sertanejas dominaram as paradas e foram símbolo da era Collor, com os mais pobres perdendo suas poupanças, enquanto grandes latifundiários continuaram enriquecendo ao som de Leandro e Leonardo e Zezé Di Camargo e Luciano.
Nos anos 2000, novas duplas surgiram e com a saturação do estilo romântico pop, apareceram os universitários, que traziam roupagem mais pop, próxima ao rock e eletrônico e cooptava o visual vaqueiro mas jamais falando sobre as agruras do homem do campo.
Na verdade, o sertanejo pop romântico e o universitário sempre negaram pautas que seriam de interesse do homem comum do campo, como reforma agrária, grilagem de terra, morte de pequenos agricultores e focou a produção em falar de amores alcoólatras e sexo.
A pauta sempre foi não ter pauta e ser uma arma de alienação em massa.
Já repararam na quantidade de rádios sertanejas que existem? Não é como se houvesse escolha. Esses artistas são forçados goela abaixo, muitos ganhando prêmios sob critérios bem duvidosos.
Enquanto escrevia essa sequência de tweets, só três músicas entre as vinte mais tocadas do Spotify não eram de sertanejo universitário.
Enquanto esses artistas distantes politicamente da realidade do Brasil ganham dinheiro como clones um dos outros, artistas independentes são sufocados pela ausência de espaço e investimento.
A música “batom de cereja” da dupla Israel e Rodolfo concorreu a prêmios na Globo, enquanto trabalhos incríveis foram sumariamente ignorados.
E o público? Ah, o público…
O público jamais admite que seu gosto está sendo guiado. Que estamos em um mar de monocultura onde a variedade é tirada, consequentemente o poder de escolha.
A ilusão que o sertanejo universitário representa o Brasil serve aos interesses de homens por trás dessas duplas parecidas.
É coincidência que a classe sertaneja que apoiou Collor hoje apoia Bolsonaro, que por sua vez serve ao lobby dos grandes pecuaristas?
Pois é. A indústria cultural controla a gente como marionete e a gente engole bonitinho sem nem questionar.

Treino deixa boa impressão

POR GERSON NOGUEIRA

Dioguinho marcou um dos gols da vitória bicolor — Foto: John Wesley

O time considerado titular do PSC meteu 5 a 1 na seleção de Barcarena, sábado pela manhã, empolgando ainda mais a já esperançosa torcida alviceleste em relação ao Campeonato Paraense e à Série C. Foi o primeiro jogo-treino do time de Márcio Fernandes, no encerramento da pré-temporada. Os dias de treinamento resultaram num time ainda desorganizado, mas com postura bem agressiva, principalmente no primeiro tempo.

Apesar de alguns erros, normais desta fase de preparação, o Papão foi sempre ofensivo e conquistou a goleada sem maiores dificuldades. O volante Ricardinho, posicionado sempre pelo lado direito quase como um ala avançado, foi o destaque entre os estreantes.

Como segundo volante, movimentou-se bastante e, de certo modo, desfez as dúvidas que existiam sobre sua condição atlética após ter ficado ausente da maioria dos jogos do Botafogo na Série B 2021.

Com excelente visão de jogo, encaixou três cruzamentos perfeitos, sempre no segundo pau. Dois deles deram origem aos gols de Bileu e Dioguinho e ainda provocaram um terceiro, em cabeceio do zagueiro Marcão, que foi mal anulado pela arbitragem.

Dioguinho foi bastante acionado, ensaiou dribles e cruzamentos correndo mais pela esquerda. Marcelo Toscano também apareceu bem, entrando na área e fazendo um gol. Robinho foi mais discreto, mas também deu trabalho quando partiu com a bola para o interior da área.

Outro estreante, Tiago Coelho, falhou no gol de Barcarena ao espalmar para o centro da área um chute cruzado à meia altura. É bem verdade que o atacante estava adiantado, em provável impedimento, mas a decisão mais segura seria desviar a bola para os lados.

Remanescente do elenco de 2021, Danrlei roubou a cena. Foi o atacante que mais impressionou no jogo-treino pela desenvoltura e presença de área. Fez dois gols típicos de centroavante, aproveitando um rebote e fazendo um giro diante do goleiro. Se a fase é de observação dos atletas, Márcio Fernandes deve ter anotado o esforço do atacante baionense.

Sempre mantenho cautela em relação a jogos de preparação porque é difícil avaliar se os times estão realmente bem enfrentando times amadores e de baixa qualidade, mas o pouco que o Papão mostrou permite à torcida seguir acreditando que neste ano tudo será diferente. (Foto: John Wesley/Ascom PSC)

Leão levanta taça do Feminino após 38 anos

Quase quatro décadas depois, o Remo finalmente festejou o título paraense de futebol feminino ao vencer por W.O. o time do Gavião Kyikatejê, ontem pela manhã. O adversário não compareceu ao Evandro Almeida, alegando contaminação por covid-19 no elenco. Na primeira partida da final, o Leão goleou por 6 a 1, praticamente assegurando a conquista.

A final poderia ter sido mais festiva, merecia um grande jogo de encerramento, mas o Gavião preferiu não enfrentar as azulinas, mesmo com 28 atletas no elenco em condições de atuar. Apenas três atletas e um integrante da comissão técnica testaram positivo.

A diretoria do Gavião pediu à Federação Paraense de Futebol (FPF) o adiamento para que outras atletas fossem testadas. Ocorre que o Regulamento de Competições da CBF determina que um jogo só pode ser suspenso caso um dos times tenha pelo menos 13 atletas contaminados.

De qualquer forma, o desfecho inesperado da competição não diminui os méritos da equipe campeã. O título foi inquestionável e inteiramente justo, coroando uma campanha brilhante. A torcida compareceu ao Baenão e prestigiou a entrega do troféu às campeãs.  

O único título azulino na modalidade feminina foi obtido em 1983, na primeira edição do campeonato estadual. A lendária Cebola era destaque daquela equipe, que derrotou o PSC na decisão, por 1 a 0.

Com o título da temporada 2021, o Leão será o representante do Pará na recém-criada Série A3 do Campeonato Brasileiro Feminino 2022.

Não por coincidência, o Remo sai vencedor no mesmo ano em que o elenco feminino passou a treinar e se concentrar no Centro de Treinamento de Outeiro, com direito a infraestrutura e cuidados que não existiam antes.

Marcas driblam crise e garantem apoio aos clubes

O Ibope Repucom divulgou a versão 2021 do estudo que mapeia patrocínios dos clubes que disputam a Série A. Apesar dos terríveis efeitos da pandemia sobre a economia brasileira, desde o começo da temporada até o término do Campeonato Brasileiro, os 20 clubes da estamparam as marcas de 172 patrocinadores diferentes nos uniformes, 19% a mais que em 2020 (que teve 145 patrocinadores).

A média de marcas por clube também saltou de sete para nove. Além do acréscimo expressivo no volume de patrocinadores, o relatório aponta outro dado positivo: seis em cada dez marcas que patrocinaram algum clube em 2020 permaneceram como patrocinadoras em 2021.

O segmento “Imobiliário, construção e acabamento” foi dominante em volume de marcas diferentes nos clubes da Série A. O setor totalizou 30 marcas únicas em 2021, 15% a mais que na temporada anterior. Destaque para a categoria de tintas, que liderou pelo segundo ano e teve 6 marcas diferentes apoiando times no Brasileirão.

Já o setor financeiro, que até 2019 era o mais presente nos uniformes, nas últimas duas temporadas ficou na segunda posição, com 20 marcas diferentes investindo na elite do futebol nacional, através de 39 acordos de patrocínio, durante a temporada.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 24)