Baião entra em estado de emergência devido às cheias do rio Tocantins

Mais de 200 famílias residentes na sede do município foram atingidas.  — Foto: Defesa Civil de Baião

A Prefeitura de Baião, município da região do Baixo Tocantins, publicou decreto nesta sexta-feira, 21, declarando situação de emergência por conta das chuvas severas que têm atingido a região e provocado aumento no nível do rio Tocantins. Parecer técnico da Defesa Civil do município aponta que os mais afetados são moradores da zona rural de Baião. Cerca de 1.200 famílias ribeirinhas estão desalojadas e aproximadamente 780 quilômetros de estradas vicinais estão intrafegáveis por conta dos alagamentos.

As localidades atingidas são: zona urbana, mais de 40 comunidades ribeirinhas, vilas que ficam à beira de estradas, assentamentos, área rural da PA-15, área Magalhães Barata Colônia e Colônia da PA-151.

A prefeitura informou que a enchente está prejudicando o escoamento da produção agrícola e pecuária, bem como o acesso das comunidades a serviços essenciais, como saúde e segurança pública. A situação tem se agravado desde o dia 15 de janeiro desse ano.

Alagamentos no município são provocados por cheia do rio Tocantins. — Foto: Defesa Civil

Estruturas em espaços da cidade foram comprometidas pela devastação da água. Até o momento, foram danificadas mais de 31 pontes, 18 escadarias e a drenagem de várias ruas.

Um total de 19.650 pessoas foi afetada pelas enchentes no município. Desse total, 240 famílias residem na área urbana, 4.800 famílias estão isoladas na zona rural e 1.200 famílias ribeirinhas desalojadas.

Estradas também estão comprometidas. Aproximadamente 780 quilômetros de vicinais estão com trechos submersos ou com atoleiros e erosões. Algumas também apresentam deslizamentos de terra nas encostas do rio, próximo à áreas ocupadas por casas. (Com informações do G1 e do radialista Enilson Nonato)

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Elza Soares: a voz rouca e suingada de um Brasil que deu certo

Por Hugo Sukman – O Globo

E Elza Soares, que parecia eterna, se foi no mesmo 20 de janeiro de Mané, como ela chamava seu grande amor, que o mundo tratava de Garrincha. Como se fosse um drible (dele) no espaço-tempo. Ou como uma inventiva divisão rítmica (dela): uma síncope inesperada, o acento da voz rouca no tempo fraco, deixando a orquestra e o público como que suspensos, encantados num Brasil que deu certo.

Faz sentido que Garrincha e Elza tenham morrido no mesmo dia, e no dia do padroeiro da cidade que lhes serviu de palco. Se Mané foi as pernas (tortas) desse Brasil, Elza foi a voz. Igualmente torta. Ou melhor, rouca, a mais suingada das que já apareceram por aqui.

Em primeiro lugar, e sempre, foi a voz. Quando Elza chegou ao auditório da Rádio Tupi em 1953, mal-ajambrada no vestido da mãe gordíssima ajustado por alfinetes ao seu corpo magérrimo para concorrer nos “Calouros em Desfile”, o apresentador Ary Barroso não conseguiu segurar sua ironia: “De que planeta você vem minha filha?”. “Do planeta fome, seu Ary”, na primeira das infinitas respostas que precisou dar na vida até que a deixassem começar a cantar. E aí ela cantou e, a Ary e à plateia suspensos diante daquele Brasil improvável dando certo ali na frente deles, só restou dar a nota máxima e a primeira das muitas consagrações que Elza conquistaria pela voz.

Foi pela voz que, mesmo com uma música já velha de mais de 20 anos e marca registrada de outro cantor, Ciro Monteiro, Elza Soares surpreendeu a todos com sua versão quente e inventiva do samba “Se acaso você chegasse”, de Lupicínio Rodrigues, e tenha se tornado em 1959 estrela da música brasileira de uma hora para outra, logo na primeira gravação. Foi pela voz que em 14 insuperáveis discos gravados entre 1960 e 1970, Elza tenha estabelecido um estilo próprio, uma bossa negra que superava qualquer dicotomia, bossa como as mais modernas, negra como as mais telúricas. Ou vice-versa.

Foi sua voz que, anos 1970 adentro, foi ficando cada vez mais sambista, cantando macumbas e partido alto, lançando “Malandro”, de Jorge Aragão, mais uma vez revolucionária apresentando ao mundo a Geração Cacique de Ramos. Foi a voz que a salvou de sucumbir às dificuldades da vida cantando “Língua” de Caetano Veloso nos 80, até ser redescoberta por uma nova geração nos 90 e chegar no século XXI de novo como porta-voz das meninas e mulheres brasileiras, sobretudo as pobres e das periferias como ela, a dizer em samba diretamente aos homens que as violentam: “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim/Cadê meu celular/Eu vou ligar pro um oito zero/Vou entregar teu nome…”.

Como curador, fui instado a encerrar uma história do samba. E quem me salvou foi Elza. Num filme ainda inédito para o MIS de Copacabana sobre uma História Social do Samba, o dilema de como terminar uma história imensa como a do samba – e sobretudo “social”, ou seja, da gente do samba – foi resolvida com Elza cantando “A voz do morro”, de Zé Kéti, linda, moderna, em preto e branco, improvisando ao final, “samba, eu sou o samba, samba, eu sou o samba”. E é mesmo.

Hugo Sukman é jornalista e escritor, autor de “Nara – 1964” (ed. Cobogó) e “Martinho da Vila – Discobiografia”

Para Elza

Por Chico Buarque

Se acaso você chegasse a um bairro residencial de Roma e desse com uma pelada de meninos brasileiros no meio da rua, não teria dúvida: ali morava Elza Soares com Garrincha, mais uma penca de filhos e afilhados trazidos do Rio em 1969. Aplaudida de pé no Teatro Sistina, dias mais tarde Elza alugou um apartamento na cidade e foi ficando, ficando e ficando.

Se acaso você chegasse ao Teatro Record em 1968 e fosse apresentado a Elza Soares, ficaria mudo. E ficaria besta quando ela soltasse uma gargalhada e cantasse assim: “Elza desatinou, viu”.

Se acaso você chegasse a Londres em 1999 e visse Elza Soares entrar no Royal Albert Hall em cadeira de rodas, não acreditaria que ela pudesse subir ao palco. Subiu e sambou “de maillot apertadíssimo e semi-transparente”, nas palavras de um jornalista português.

Se acaso você chegasse ao Canecão em 2002 e visse Elza Soares cantar que a carne mais barata do mercado é a carne negra, ficaria arrepiado. Tanto quanto anos antes, ao ouvi-la em Língua com Caetano.
Se acaso você chegasse a uma estação de metrô em Paris e ouvisse alguém às suas costas cantar Elza desatinou, pensaria que estava sonhando. Mas era Elza Soares nos anos 80, apresentando seu jovem manager e os novos olhos cor de esmeralda.

Se acaso você chegasse a 1959 e ouvisse no rádio aquela voz cantando Se acaso você chegasse, saberia que nunca houve nem haverá no mundo uma mulher como Elza Soares.

A paixão que desbotou

POR GERSON NOGUEIRA

Instituto de saúde português utiliza 'cai-cai' de Neymar em ação contra  “falsas emergências” - MKT Esportivo

Faz algum tempo já que o futebol vem perdendo pontos junto à massa, derrapando aos poucos na escala de popularidade. É uma realidade palpável, que pode ser medida com uma pesquisa informal dentro de casa ou na vizinhança. Sinal inequívoco desse progressivo desencanto é a falta de interesse pela Seleção Brasileira.

Aliás, a Seleção talvez seja o maior motivo de afastamento do torcedor. Até mesmo quem sempre acompanhou o escrete demonstra cansaço ou tédio. Aqui mesmo neste espaço já desabafei várias vezes quando ao enfado com os jogos do Brasil nas Eliminatórias. Não é pinimba apenas com as quedas e tolices de Neymar. Vai muito além disso.

Começou lá atrás, quando o Brasil se agarrou ao anti-jogo, a partir da estratégia do medo defendida por treinadores acovardados. A trinca Zagallo, Parreira e Lazaroni estão na origem do problema a partir da Copa de 1974. Cautela passou a ser característica de um time que sempre encantou pela ousadia dos dribles e a alegria dos gols. 

Desde a Copa da Alemanha foram disputadas 12 Mundiais e o Brasil só ganhou duas. Mesmo quando saiu vitorioso, em 1994 e 2002, o jogo jamais foi tão brilhante como nas três primeiras conquistas. De maneira geral, a Seleção sempre reflete o futebol praticado no país e a escassez de novos craques.

Aliás, as recentes premiações da Fifa escancaram essa estiagem de talento. Há 14 anos que o Brasil só é coadjuvante ou plateia nas festas de entrega anual do Prêmio The Best. As causas do problema são, portanto, bem mais profundas e não é difícil entender as razões da decadência atual.

Pesquisa publicada ontem pelo Observatório Febraban-Ipespe retrata em números objetivos o grau de desinteresse da população brasileira pelo futebol, situação que se acentua ainda mais na Região Norte, por motivos ainda mais peculiares. O levantamento foi realizado entre 19 a 27 de novembro, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do país.

No Norte, quando perguntados sobre qual o melhor símbolo para traduzir o Brasil hoje, 65% dos entrevistados disseram que a natureza é a definição mais precisa do país. Em seguida, os símbolos escolhidos foram o povo (27%) e o futebol, citado por 20% dos entrevistados.

Quanto aos temas que mais irão mobilizar as pessoas em 2022, ano de Copa do Mundo, questões econômicas (desemprego e inflação) foram apontadas por 57% das pessoas, seguidas pelas eleições, com 40%. Os problemas sociais (fome, pobreza, desigualdade) vêm a seguir, com 26%. Curiosamente, apenas 16% da população considera que a Copa será o tema que mais vai movimentar 2022.

Houve tempo em que ano de Copa do Mundo era sagrado. A expectativa da torcida tinha início um ano antes. Esse ardor cívico-boleiro não resistiu às seguidas frustrações com o escrete, das quais a mais reluzente foi o vexame monstruoso diante da Alemanha (7 a 1 em Belo Horizonte) na Copa de 2014, realizada no país. Paciência, afinal, tem limites.

Mané & Elza: o casal estrelado que encantou o Brasil

Elza Soares, a voz mais intensamente marcante da música brasileira, partiu ontem, aos 91 anos. Quando alguém com carreira tão gloriosa deixa este mundo, não há motivo para lamentos ou tristezas. Por mais de 60 anos Elza fez a alegria de tantos. Todos ganhamos com sua arte, é hora de festejar tudo que ela deu ao mundo.

Quis o destino, com suas réguas próprias, que a morte de Elza fosse no mesmo dia e mês da morte de seu amado Mané Garrincha, a Alegria do Povo por outros motivos. O botafoguense Mané morreu há 39 anos. Em vida, como se sabe, o casal foi muito perseguido. Elza quase foi apedrejada nas ruas, xingada e achincalhada em pleno regime militar no Brasil. Teve gana e fibra para se manter de pé.

O tempo, senhor absoluto da razão, se encarregou de mostrar que ela e Mané eram muito maiores que seus detratores, imensamente maiores. Um clarão no céu se abre para que a cantora e o craque descansem em paz.

Carlitinho, um médio-volante que marcou época

Carlos Alberto era um habilidoso médio-volante, como se dizia até o final dos anos 60. Conhecido pela torcida remista como Carlitinho, fez dupla histórica com Sirotheau e foi titular ao longo de pelo menos quatro temporadas. Foi campeão estadual e também conquistou as Copas Norte de 1968, 1969 e 1971.

Carlitinho morreu ontem, aos 76 anos, em Castanhal. Além do Remo, defendeu a camisa aurinegra do Japiim, sempre naquela faixa de campo à época chamada de meia-cancha. Jogou muita bola.

Em busca de entrosamento, Leão vence 2º amistoso

O Remo fez o segundo jogo-treino da pré-temporada, ontem, derrotando a seleção de Parauapebas por 1 a 0. O gol foi do zagueiro Kevem desviando cruzamento de Felipe Gedoz. Pouco foi possível avaliar em cima do desempenho do time que iniciou a partida. Movimentação ainda contida, pouca participação dos laterais e ataque que ainda carece de entrosamento.

Tudo dentro da normalidade, apesar da rispidez de algumas jogadas. O Remo treina há 10 dias, e não houve tempo para um repertório mais variado de jogadas. A rigor, a tendência é de que tudo passe a funcionar melhor – para todos os times – a partir da 3ª rodada do Parazão.

Há, no caso azulino, a impressão de que um lugar no ataque está reservado para o recém-contratado Brenner, investimento mais vultoso do clube neste começo de temporada. Por óbvio, muita coisa tende a mudar no setor avançado da equipe a partir da entrada de um novo centroavante. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 21)