“Seja o primeiro dos vencidos a apoiar Lula”, disse Brizola a Ciro em 2002

Por Luís Costa Pinto, no Brasil247

Há 20 anos, na semana derradeira de uma campanha intensa que terminaria por sagrar o petista Luiz Inácio Lula da Silva enfim vitorioso depois de três derrotas consecutivas em eleições presidenciais, Leonel Brizola convocou o então candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, para um almoço reservado. Ciro fez questão de levar o jornalista que o assessorava: eu. 

O relato desse encontro só viria a público quando o 3º volume de “Trapaça – Saga Política no Universo Paralelo Brasileiro” estivesse, enfim, nas livrarias físicas e virtuais (o que só acontecerá em março deste ano, em razão de atraso na produção da Geração Editorial provocado, entre outros fatores, pelas intermitências da pandemia). 

Antecipo-o aqui por causa  do centenário de Leonel de Moura Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, ex-deputado, uma das personalidades políticas mais fortes e marcantes da cena nacional. O centenário de Brizola se dá no dia seguinte ao cometimento de mais um ato de insensatez por parte de Ciro Gomes (agora no PDT, sigla que foi fundada por Brizola ao voltar do exílio).

O relato que segue sempre esteve guardado em minha memória jornalística, além de dormir por duas décadas nas cadernetas de anotações que mantenho de passagens relevantes do dia a dia. Ele revela a dimensão do personagem Brizola e o diapasão que o separa de alguém como Ciro que, mesmo com 40 anos de vida pública, como ele se jacta de ter, não compreendeu o papel que a História lhe reserva:

Eis o trecho do livro:

Em quatro dias, depois das declarações estapafúrdias sobre o papel de Patrícia Pillar, Ciro Gomes havia perdido seis pontos percentuais de intenções de votos entre eleitoras mulheres em todo o Brasil – caindo de 25% para 19%. José Serra, por sua vez, ganhara os mesmos seis pontos e passara de 15% para 21%. A partir dali e por mais um mês, a campanha do candidato do PPS viveu pequenos momentos de grandes desencontros e, para mim, pelo menos um grande encontro.

No dia 2 de outubro, última quarta-feira antes do primeiro turno da eleição, tínhamos entregado os pontos. Não havia mais chance de qualquer virada de última hora contra José Serra, do PSDB, capaz de forçar um segundo turno entre Ciro e Lula do PT. O petista venceria quaisquer adversários nos ensaios de segundo turno. A meta de todos passou a ser, portanto, sair com honrosos 12% a 15% dos votos e ficar em terceiro lugar na disputa. 

No dia seguinte ocorreria o último debate entre os quatro candidatos melhor posicionados – pela ordem, Lula, Serra, Ciro e Garotinho – na TV Globo. Sem agenda eficaz de campanha, Ciro ficou no Rio. Estava um pouco deprimido. Tomei café no hotel, na Avenida Atlântica, e fui encontrá-lo na casa de Patrícia Pillar. Esperei bastante, cerca de uma hora e meia, até ser recebido. O candidato estava numa sessão de relaxamento. 

 – Tem compromisso para o almoço? – perguntou quando me viu. 

– Não – respondi. – Mas, agora que bate onze horas. Quer almoçar já? 

– Venha almoçar comigo e com o Brizola. 

Imaginei que seria um compromisso político. Fizemos o tempo passar ligando para alguns colunistas e editores de jornais, finalizando os tópicos centrais do debate do dia seguinte. Antes de uma da tarde saímos em direção a Copacabana, onde morava o ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Ao chegar ao prédio dele, numa esquina da Atlântica, estranhei a ausência de outras pessoas ou lideranças políticas. Tocamos a campainha. Pouco menos de um minuto depois, de calça jeans e calçando meias sem sapatos, camisa quadriculada em tons de azul, uma faca na mão e um pano de prato sobre o ombro, o engenheiro Leonel Brizola abriu a porta. 

– Entrem. Estou só, é folga da moça que me ajuda – convidou. – Seremos só nós três. Vamos comer na cozinha mesmo. Estou terminando de cozinhar… rabada com agrião. Gostam? 

Respondemos automaticamente que sim. E, mesmo que não gostássemos, as respostas não seriam diferentes. Ciro ficou conversando algo em torno de culinária e de cozinhas regionais. Eu aproveitei para observar ao redor. Não tinha dúvida do privilégio absoluto que era estar ali, na casa dele, no outono de um dos maiores políticos da História brasileira, salgando as feridas de uma campanha eleitoral em que amadurecia na derrota. 

Brizola pôs uma garrafa de vinho, rótulo uruguaio, sobre a mesa retangular da pequena copa e nos avisou que era um Tannat. Mas, se quiséssemos, mudaríamos a uva. Não ousamos fazê-lo, claro. O velho lobo de tantas crises e tantas eleições não admitiu ajuda. Enquanto provava o caldo da rabada para saber se deveria colocar mais pimenta, ou não, reservava os maços de agrião. Avisou que o acompanhamento seria apenas pão.  

– Meus amigos – começou a palestrar com o timbre gauchesco que se converteu em sua marca característica. – E não é que o sapo barbudo vai vencer? – disse aquilo e sorriu, referindo-se à piada que soltara em 1989, quando disputou palmo a palmo contra Lula a passagem ao segundo turno para enfrentar Collor. – Teremos um governo do PT, mas, não será um governo de esquerda exatamente como pensamos que podia ser, ousado; também não será um desastre como nossos adversários torcem, acusando-o de atrapalhado. Lula não tem nada de comunista, de extremista. Vai engolir a todos. Fique próximo dele, Ciro. Seja o primeiro a dar apoio incondicional a ele para o segundo turno – aconselhou. 

– Não sei se é o melhor para mim, governador. Estou muito machucado pelo tanto que apanhei – respondeu o cearense. 

– Esqueça isso. Vocês têm a mesma raiz, são do mesmo solo. Cresceram no mesmo terreno. Durante muito tempo insisti no erro de exigir posicionamentos do Jango que ele não podia assumir. Ficamos afastados por causa disso. Nossos adversários são as elites, o atraso, o Brasil conservador e arcaico defendido pela mídia, sobretudo pela Rede Globo. Se você tivesse chegado até aqui com chances de derrotar Lula, a Globo estaria com você como apóia Serra. Não fique atrás de Garotinho, e esse é o seu desafio. Cuidado com o Garotinho. Ele vai terminar inventando alguma história para dizer que você desistirá no último dia para apoiá-lo. 

– Sem chance! – protestou Ciro. 

– Sei disso. Mas ele dirá. O objetivo é desgastar você. Dou um conselho: seja o primeiro dos vencidos a apoiar Lula. Isso será muito importante na sua trajetória para o futuro. E você pode ser a voz ponderada alertando-o contra a Globo. 

Eu acompanhava a conversa enquanto destrinchava os ossinhos do rabo do boi, separando carne e gordura e reservando o resto. O agrião fora posto na panela no momento preciso – nem antes da hora, o que o deixaria amargo e excessivamente murcho, nem depois, evitando que ficasse excessivamente crocante e travoso. Havia xícaras com as quais podíamos beber apenas o caldo formado durante o lento cozimento do prato principal.  

– É para sentir o sabor exato do cozido. Os estancieiros uruguaios fazem assim. E no frio, ajuda a aquecer – explicou Brizola. Desde então, adotei como hábito pessoal beber caldos durante almoços ou jantares com carnes ensopadas ou mesmo com feijão. – Comida tem de reconfortar, não só alimentar – ainda ensinou.  

Servi-me de mais uma taça de vinho. Esvaziei a primeira garrafa. O ex-governador perguntou se Ciro mudaria a uva. Negativa aceita, ele me pediu para abrir uma segunda garrafa do ótimo Tannat do Uruguai. Apurei o ouvido.

– Cuide para não errar mais em declarações sobre a Patrícia Pillar. No dia seguinte, é ela quem estará com você. O resto, some: só perseguem o poder. Não se intimide com essas pancadas. Elas são feitas para intimidá-lo – seguiu aconselhando Brizola. 

– Sei disso, governador. Foi uma grande trapaça que fizeram comigo. 

– Ciro, Ciro: se não há trapaça, não há política. A história da humanidade e a vida de cada um de nós é uma coleção de trapaças. O segredo é a forma como as superamos e quão vivo estaremos para contar a nossa versão. 

Seguiram-se digressões sobre o caráter de Anthony Garotinho, sobre o erro que Brizola admitia ter cometido ao se conservar distante de Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco deposto e perseguido pela ditadura militar, exilado entre 1964 e 1979.  

– Juntos, teríamos vencido o Fernando Collor em 1989 e o Lula e o PT teriam amadurecido melhor – disse ele. Ainda lamentou a forma como Ciro fora triturado no Jornal Nacional depois da declaração sobre Patrícia Pillar. 

– Até ali, a Globo tinha dúvidas sobre a viabilidade de apoiar Serra ou você. Naquele episódio, emboscaram-no na esquina e atiraram. Só tinham uma forma de fazer o serviço: bem feito. Destruíram você, para evitar riscos de uma volta por cima.  

Ciro Gomes encheu os olhos d’água e mudou de assunto. Servi três xícaras de café que Brizola tinha acabado de coar. Olhei o relógio redondo, azul, sobre o portal da copa. Faltavam cinco minutos para três horas. Chegara a nossa hora. Teríamos de fazer, ainda, um media training para o debate do dia seguinte.  

– Estarei sempre aqui. Tenha-me como um amigo – disse o ex-governador gaúcho e fluminense, tocando carinhosamente as costas de Ciro e conduzindo-o até a porta.

Trecho do capítulo 2 (“Reencarnações”) do volume 3 de Trapaça – Saga Política no Universo Paralelo Brasileiro, que está no prelo e em produção pela Geração Editorial. Será lançado em março de 2022 e haverá pré-venda na Internet

Tempos difíceis

Por Dorrit Harazin – O Globo

W. H. Auden | Poetry Foundation

Já se passaram 75 anos desde que W.H.Auden (foto) escreveu o ambicioso poema “A era da ansiedade”, obra com dimensão de livro (200 e tantas páginas, dependendo da edição) que lhe rendeu o que talvez seja, até hoje, o Prêmio Pulitzer mais citado e menos lido da história. A obra em seis partes transcorre num bar nova-iorquino onde quatro desconhecidos discorrem sobre a vida, suas tormentas, perdas e sonhos.

Descrito assim, soa a leitura fácil. Na verdade, excetuando estudiosos e privilegiados, a maioria de quem nela mergulha abandona a empreitada já na primeira parte (a signatária inclusive) — e vai procurar versos menos barrocos, menos alegóricos do poeta. Talvez, numa nova tentativa…

Mas foi justo com essa obra mamute de 1947, que versa sobre a teimosia humana em se entender como gente depois da Segunda Guerra, que Auden cunhou o que nos define hoje. Vivemos uma era da ansiedade continuada, pandêmica, agarrados ao que éramos sem saber se resta tempo para mudar. Num dos versos mais cativantes do poema, o personagem Quant diz que o mundo também precisaria de um bom banho , além de uma semana de descanso, para se recuperar do que fazemos com ele.

Vivemos aos sobressaltos, alternando espasmos de assombro com as catástrofes da hora. Sequer temos tempo para digerir as várias dores, coletivas ou privadas, que a todo momento disputam nossa atenção. A ansiedade surda, pesada e pegajosa que dá poucos sinais de se dissolver sozinha ora nos coloca em alerta máximo à espera de um Godot, ora nos prostra em estado de sonambulismo cívico para poder digerir o que passou. Isso não é viver, convenhamos.

Merece admiração irrestrita quem consegue manter o foco e não se dispersa com o jorrar ininterrupto de notícias que se empilham e nos tapam a visão. Foi muito impactante assistir ao recente descarrego emocional do coordenador da Agência Humanitária e Ajuda Emergencial da ONU, Martin Griffiths, durante entrevista concedida ao site Democracy Now. “Um milhão de crianças sofrendo de desnutrição extrema! Um milhão de crianças!”, disse Griffiths com indignação incontida.

Números são sempre abstratos quando em escala tão enorme, mas 1 milhão de crianças à beira da inanição num país de 23 milhões de habitantes nada tinha de abstrato. Ele referia-se ao alerta de que, a prosseguirem as sanções econômicas dos Estados Unidos contra o novo regime de Cabul, e a retenção de fundos afegãos pelo Banco Mundial com a volta do Talibã ao poder, ali poderão morrer, só este ano, mais civis que durante os 20 anos de guerra.

Menos de cinco meses atrás, estávamos todos grudados nas imagens do dramático desenrolar do abandono à própria desgraça daquele povo. Hoje, a pauta é outra. Sempre foi assim, apenas a notícia corria em ritmo mais lento. Parecia haver uma hecatombe ambiental aqui, um terremoto devastador acolá, alguma chacina macabra alhures, pensávamos compreender. Foi a instantaneidade e disseminação planetária do fluxo noticioso que nos desenraizou do viver de ontem, sem ainda aprendermos a viver no amanhã. Quanto ao presente, o sentimos em suspenso.

A ensaísta franco-cubano-americana Anaïs Nin, no primeiro volume do seu “Diário (1931-1934)”, se debruçou sobre outro tipo de desperdício humano: transitar por um mundo em que você hiberna pensando estar a viver e onde a ausência de prazer e alegria pode parecer uma doença inócua. “Milhões vivem assim (ou morrem assim ) sem sabê-lo”, escreveu. Trabalham em escritórios. Dirigem carros. Passeiam no parque em família. Criam os filhos. Por vezes, até acordam graças a algum tratamento de choque — o encontro com alguém, a descoberta de um livro, a mágica de ouvir uma canção —e são salvos da morte. Mas alguns nunca despertam.

Preâmbulo longo para conclusão telegráfica: entrou em estado vegetativo terminal o presidente da República que nem piscou para a despedida da mulher-raiz da alma nacional, Elza Soares. Ela, ao contrário, deixa uma teimosa sinfonia de permanecer viva para sempre.

A chance para uma 3ª via

POR GERSON NOGUEIRA

Taça do Campeonato Paraense — Foto: John Wesley/Ascom Paysandu

Desde os dois anos mágicos de 2011 e 2012, quando Independente e Cametá quebraram a longa hegemonia de conquistas estaduais de PSC e Remo, o título paraense voltou a ser exclusividade da dupla de velhos rivais da capital, de maneira até tediosa. Para 2022, os investimentos de ambos permitem dizer que entram novamente na condição de favoritos na disputa.

Nada impede, porém, que um dos 10 outros times da competição possa outra vez romper o ciclo de domínio dos maiores clubes do Estado, constituindo-se numa espécie de terceira via. As torcidas da dupla Re-Pa estão esperançosas quanto a grandes campanhas, mas o interior sinaliza vir mais forte do que habitualmente ocorre.

Pela organização e sincero empenho na profissionalização da gestão, alguns clubes se destacam. O Águia de Marabá, após alguns anos de baixo rendimento no campeonato, foi buscar Vandick Lima para ser o executivo de futebol e Samuel Cândido para dirigir o time.

Outro clube que vem se sobressaindo nos últimos anos é o Castanhal, cuja administração tem obtido vitórias importantes, como a estruturação do Centro de Treinamento e a criação do Núcleo de Saúde. Renovou com o técnico Cacaio, que havia feito bom trabalho no ano passado. O elenco está reforçado, pois, além do Parazão, o time vai disputar a Copa do Brasil.

Um dos estreantes na competição, o Caeté, aposta na ousadia. Foi atrás de um técnico experiente, com passagens por clubes de Série B. Josué Teixeira, que já treinou o Remo, é o principal reforço do time.

O Bragantino, que ficou devendo no ano passado, depois de forte expectativa quanto à campanha, chega em 2022 com um elenco que reflete uma estratégia de poucos gastos. O comandante será Rogerinho Gameleira, que esteve no Paragominas em 2021.

Matheus Lima, filho de Waltinho, é quem treina o Amazônia Independente, a principal novidade do campeonato. Campeão da Segunda Divisão, o time santareno pratica um modelo diferente em relação aos demais. Prioriza valores regionais, e isso não vale apenas para o grupo de jogadores.

Léo Goiano, ex-Caeté e que tem passagem pelo Remo, vai dirigir o Independente Tucuruí. O clube tem aspirações a repetir o feito de 2011. Não será tarefa tão simples, pois a política de contratações é modesta.

A Tuna, que mudou o comando técnico, optando por Emerson Almeida após a saída de Robson Melo, traz como principal trunfo a base da equipe vice-campeã estadual de 2021. Talvez não seja suficiente para repetir a empolgante campanha, até porque o time terá que se desdobrar encarando o desafio do retorno à Copa do Brasil.

Os demais participantes podem ser vistos como azarões, com direito a eventuais surpresas. Paragominas, Itupiranga e Tapajós são os menos credenciados – pelos baixos investimentos – num campeonato que pode oferecer boas chances a franco-atiradores. (Foto: John Wesley/Ascom PSC)

De um súdito (brilhante) para o Rei

“Quando Pelé fala, o mundo escuta. É impossível não ficar emocionado quando uma pessoa tão incrível mostra todo seu respeito e admiração por mim. Um herói eterno, um mito de todas as gerações e uma verdadeira lenda dos esportes”.

Cristiano Ronaldo, retribuindo mensagem carinhosa do Rei

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 20h, na RBATV, com participação de Mariana Malato e deste escriba de Baião. Em pauta, os últimos preparativos dos times para a abertura do Campeonato Paraense.

Sobre as ilusões que o futebol permite e inspira

O Chelsea, mais provável finalista do Mundial de Clubes, atravessa um mau momento no Campeonato Inglês. Na última rodada, empataram com o Brighton, completando quatro partidas sem vencer. Pior: o Manchester City está voando na competição e abriu 12 pontos na liderança. Na segunda tentativa de conquistar o principal torneio de clubes do planeta, o Palmeiras se enche de esperança em relação ao adversário considerado mais forte.

Ambos entram nas semifinais da competição. O Verdão encara o vencedor do jogo entre Al Ahly (Egito) e Monterrey (México). Do cruzamento entre Al-Hilal (Arábia Saudita) e Al-Jazira (Emirados) ou AS Pirae (Taiti), sai o adversário dos ingleses. O desafio palmeirense acontece antes do confronto do Chelsea. Para se habilitar a um embate com o time de Lukaku e Tiago Silva, o Palmeiras precisa quebrar o tabu da semifinal.

Nos últimos mundiais, os times brasileiros tiveram muita dificuldade para ir em frente. Só Grêmio (2017) e Flamengo (2019) conseguiram. O próprio Palmeiras fracassou no ano passado. O Monterrey, favorito contra o Al Ahly, é um time perigoso e rápido.

A grande questão é que os clubes europeus chegam ao torneio com o pensamento longe, normalmente atentos às suas ligas. Não significa, porém, que estão desinteressados da taça.

Caso esteja na decisão, o Chelsea será um osso duro de roer, que ninguém duvide. Tem elenco forte e sistema tático bem definido. O calendário apertado pode até gerar desgaste, mas a fadiga não será empecilho para que imponha um futebol que é superior em intensidade e busca pelo gol.

Com os velozes Roni e Dudu na frente e uma sólida marcação no meio, o campeão da Libertadores não pode ser subestimado, mas é inegável que as chances de título são mínimas. 

Fé na ciência e segurança para todos

Num gesto de lucidez e responsabilidade, a CBF anunciou que vai exigir a vacinação completa contra covid-19 de atletas inscritos nos torneios da entidade. A decisão consta da nova edição do Guia Médico de Medidas Protetivas para o Futebol Brasileiro 2022, publicado na sexta-feira.

Para a CBF, vacinação plena significa respeito ao período de 14 dias após a aplicação da segunda dose ou da dose única. A partir de agora, haverá exigência do comprovante de vacinação para que um jogador esteja apto a entrar em campo.

Caso os clubes não apresentem o documento, a Comissão Médica Especial da CBF bloqueia automaticamente a inscrição. Diante do clima de politização forçada da questão das vacinas, a entidade se apressou em explicar que adotou o passaporte vacinal para proteger os atletas.

A base para a exigência é a constatação de que a maior parte das internações é de pessoas que não se vacinaram ou não completaram a imunização. Como a variante ômicron é altamente contagiosa e os jogadores atuam sem máscaras, a medida visa evitar contaminações.

Passa a ser obrigatória a inclusão da exigência nos regulamentos específicos das competições organizadas pela CBF. Além dos torneios nacionais, as federações estaduais serão orientadas a adotarem o mesmo critério em seus campeonatos.

Isso significa que, no Campeonato Paraense, a FPF deve incluir no protocolo sanitário a exigência do passaporte vacinal para todos os 12 clubes participantes. Jorge Pagura, médico da CBF, explica que “o interesse coletivo supera o interesse individual em relação à vacinação”.

Entender a vacinação como responsabilidade social é um caminho natural para que haja uniformidade nas ações preventivas. Foi com base nisso que, na semana passada, o jogador Renan Lodi acabou barrado na convocação da Seleção para jogos das Eliminatórias.

FPF empossa primeira mulher na presidência

Com pelo menos duas semanas de atraso, a presidente da Tuna, Graciete Maués, foi designada para assumir interinamente a Federação Paraense de Futebol (FPF). A posse será nesta segunda-feira, 24. A missão coube a ela porque a Tuna (119 anos) é o mais antigo filiado da entidade. Será a primeira vez que uma mulher assume o cargo.

Programado para 28 de dezembro, o pleito na FPF foi suspenso por decisão judicial, a partir de denúncias de irregularidades contra a atual gestão, comandada por Adelcio Torres, candidato à reeleição. Com isso, o mandato de Adelcio expirou, mas ele continuou no cargo porque a CBF deu parecer avalizando sua permanência até a eleição.

Acontece que, pelo estatuto da FPF, o cargo deve ser ocupado provisoriamente pelo presidente do filiado mais antigo. Apesar do posicionamento inicial da CBF, defendido inicialmente pelo ex-presidente, prevaleceu o bom senso e o estatuto foi respeitado.

Agora, Graciete vai convocar a Assembleia Geral, organizar o pleito e garantir que tudo transcorra normalmente. A partir da reabertura do processo, espera-se que as chapas se dediquem a buscar votos e evitem a judicialização da eleição. Afinal, ninguém aguenta mais tanta lambança e chutes na canela.

(Coluna publicada na edição do Bola e do Guia do Parazão neste domingo, 23)

O passado é uma parada

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Nara Leão entre Tom e Caetano. Sobre ela, o baiano disse o seguinte: “Seu nome estava ligado ao nascimento da bossa nova (dizia-se – e se diz até hoje – que o movimento nasceu em seu apartamento de Copacabana) e, embora a essa altura ela ainda não fosse um sucesso de massas, na Bahia nós conhecíamos sua lenda”.