Sem inspiração, Leão empata em 0 a 0 com o Paragominas

Paragominas x Remo, Arena Verde, Campeonato Paraense

Paragominas e Remo jogaram neste domingo, na Arena Verde, em jogo válido pela 2ª rodada do Campeonato Paraense 2022. O empate em 0 a 0 refletiu o baixo rendimento técnico das equipes. Excesso de faltas e erros de passe prevaleceram na partida. O goleiro Dida, do PFC, teve algum trabalho em finalizações de Brenner e Bruno Alves. Do outro lado, Vinícius se saiu bem em chutes de Maranhão e Jhonatas.

O principal problema azulino se localizou no meio-campo, onde Erick Flores, Pingo e Uchoa não conseguiram dar a consistência criativa que a partida exigia. Na frente, o trio Ronald-Brenner-Bruno até se movimentou bastante, mas sofreu com a falta de aproximação dos homens de meio.

O melhor momento ocorreu aos 26 minutos do primeiro tempo, quando Brenner foi lançado e disparou um chute cruzado que o goleiro Dida espalmou para escanteio. Aos 38′, Bruno Alves cobrou falta e o goleiro voltou a fazer boa defesa.

No 2º tempo, as substituições de Paulo Bonamigo não funcionaram. Mafra, Lailson, Luan e Marco Antonio entraram nas vagas de Ronald, Paulo Henrique, Bruno Alves e Uchoa, sem que isso alterasse a maneira de atuar do time.

Paragominas x Remo, Campeonato Paraense

As laterais, com Ricardo Cruz e Paulo Henrique, tiveram pouca participação nas ações ofensivas, dificultando ainda mais a busca pelo gol. No minuto final, Marlon cobrou falta e Luan Rodrigues cabeceou para as redes, mas o gol foi invalidado porque o atacante remista estava em posição de impedimento.

O Remo soma agora 4 pontos e ocupada a liderança do Grupo C, ao lado do Castanhal. O Paragominas, com 1 ponto, está ao lado de Águia e Amazônia nas últimas posições do grupo A – o PSC lidera com 6 pontos. Na próxima rodada, o Paragominas recebe o Bragantino, domingo, às 16h, na Arena Verde. O Remo joga com o Itupiranga, no Rosenão, em Parauapebas. (Fotos: Samara Miranda/Ascom Remo)

Papão faz 3 a 0 sobre a Tuna e mantém campanha 100% no Parazão

O PSC derrotou a Tuna por 3 a 0, na manhã deste domingo, 30, no estádio do Souza. Com o resultado, os bicolores se isolam na liderança do grupo A do Campeonato Paraense, com seis pontos conquistados em dois jogos. O zagueiro Genilson, aos 36 minutos do primeiro tempo, abriu o placar marcando de cabeça. Dioguinho, que entrou no segundo tempo, fez mais dois gols e foi o destaque individual do clássico.

Um pequeno público compareceu ao estádio da Tuna para ver um jogo muito equilibrado e de forte marcação, mas tecnicamente fraco. O resultado final foi exagerado para uma partida confusa e limitada à marcação no meio-campo. O triunfo do Papão veio pelo apuro no aproveitamento das poucas oportunidades surgidas.

Aparentemente preocupado em não se expor, o técnico Márcio Fernandes armou a equipe alviceleste com quatro homens no meio-campo (Bileu, Christian, Ricardinho e José Aldo), o que contribuiu para um confronto amarrado e confuso na maior parte do tempo. A categoria de Ricardinho nas cobranças de falta e escanteio permitiu o primeiro gol, marcado por Genilson.

Paysandu vence o clássico contra a Tuna

Dioguinho, que substituiu Marcelo Toscano aos 15 minutos do 2º tempo, fez 2 a 0 aos 18 minutos, aproveitando um cruzamento de Igor Carvalho. O jogo seguiu muito preso às disputas de meio-campo, a Tuna só se aproximava da área do PSC com cruzamentos de Edinaldo e Michel.

Nos acréscimos, aproveitando que a defesa lusa estava completamente aberta, o ataque do Papão trocou passes rápidos e a bola chegou a Dioguinho, que mandou rasteiro no canto da trave de Vítor Lupe, fechando a contagem em 3 a 0.

Na 3ª rodada, o PSC enfrenta o Independente Tucuruí, sábado (5 de fevereiro), às 16h, no Navegantão. A Tuna enfrenta o Amazônia domingo, 6, às 9h30, no CT do Remo em Outeiro. (Foto: John Wesley/Ascom PSC)

Os desafios do 1º clássico

POR GERSON NOGUEIRA

Imagem

Tuna e PSC fazem hoje o confronto inicial entre dois dos mais tradicionais clubes do Estado. Um clássico importante para o campeonato. No ano passado, ambos decidiram o título, com triunfo bicolor, mas as equipes estão completamente modificadas em relação a 2021.

O Papão reformulou completamente o elenco, a Tuna um pouco menos. As ambições são semelhantes. Ambos são candidatos ao título, mas é fato que o atual bicampeão estadual investiu mais – ao todo, foram 18 novos atletas trazidos para reforçar o time. A Lusa contratou oito.

Até no comando técnico, os dois lados têm caras novas. O experiente Márcio Fernandes é o treinador que o PSC contratou para tentar ganhar o tricampeonato paraense e conquistar o acesso à Série B. Emerson Almeida, novato ainda, substitui Robson Melo.

Mas no duelo entre cruzmaltinos e bicolores quem chama atenção é uma figura que provavelmente nem vai entrar de cara na partida: Danrlei, legítimo centroavante-centroavante, autor do terceiro gol do PSC contra o Bragantino, em sensacional arrancada.

Aí entra em cena uma situação estranha. Danrlei, melhor atacante do elenco neste começo de temporada, aclamado pela torcida, segue como suplente de luxo para o ataque. Pelo andar da carruagem, só vai entrar em campo nos minutos finais, como aconteceu ao longo de 2021.

Às vezes, mesmo em tempo reduzido, ele consegue fazer sua parte, como na quarta-feira, mas é sempre muito mais difícil brigar pela titularidade jogando 15 ou 20 minutos por partida. A tendência é que Márcio Fernandes, pelo menos por ora, prefira prestigiar o veterano Henan, um dos nomes mais badalados da safra de contratações.

Das arquibancadas começa a vir um clamor pela escalação do centroavante nascido em Baião. Por enquanto, a cobrança ainda é discreta, mas tende a se avolumar nas próximas rodadas. Ágil e brigador dentro da área, Danrlei se movimenta muito e não dá folga aos zagueiros.

Diante do que se viu no primeiro jogo, já há quem pergunte – como George Carvalho, leitor da coluna – quem será o Grampola da temporada, obviamente se referindo a Henan e Marcelo Toscano. O clássico com a Tuna pode responder a essa dúvida ou ajudar a desfazer as desconfianças em relação aos dois atacantes recém-chegados.

Sob desconfiança, Leão busca a segunda vitória

Depois da estreia vitoriosa, mas pouco empolgante, o Remo enfrenta o Paragominas neste domingo, na Arena Verde. A expectativa da torcida está focada no funcionamento do ataque, que se mostrou pouco agudo contra o Amazônia Independente. O recém-contratado Brenner entrou e marcou o gol da vitória, mas a produção do setor ficou aquém do esperado.

Pelo estilo do técnico Paulo Bonamigo, não deve haver mudança na escalação. Bruno Alves e Ronald seguem acompanhando Brenner na frente. O meio-campo vai de Uchoa, Pingo e Erick Flores, mas as hesitações criativas não podem se repetir. Os problemas do ataque tiveram muito a ver com a lentidão das ações no meio.

A torcida, que vaiou o time à saída de campo na quinta-feira, ficou ainda mais preocupada com o rendimento de jogadores utilizados na segunda etapa. O time caiu muito de produção quando Luan, Mafra e Veraldo entraram na partida, substituindo Ronald, Brenner e Bruno Alves.

Contra o Paragominas, todos passam a conviver com a pressão por um desempenho melhor. Exigente, a torcida azulina não se conforma com futebol pragmático. Vai cobrar vitória e jogo de qualidade.

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa neste domingo, a partir das 20h, na tela da RBATV. Participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em pauta, as primeiras rodadas do Parazão 2022.

Faturamento e gastança em tempos de pandemia

A poucos dias do fechamento da janela de transferências dos mais ricos campeonatos nacionais da Europa, o mercado da bola de janeiro de 2022 já movimentou mais grana do que em janeiro de 2021. Segundo o Transfermarkt, site especializado no comércio de jogadores, compras e empréstimos geraram a fabulosa soma de 585 milhões de euros (R$ 3,6 bilhões) nos últimos 29 dias, 16,7% a mais que no mesmo período do ano passado.

É preciso considerar que a temporada 2021 foi muito afetada pela pandemia e registrou o pior resultado desde 2010. Apesar da recuperação, o setor ainda está longe do aquecimento tinha antes do novo coronavírus. Em 2019, por exemplo, a última janela de janeiro teve 1,4 bilhão de euros (R$ 8,7 bilhões) em negócios.

Como de praxe, o fortíssimo Campeonato Inglês foi o que mais movimentou dinheiro em transferências de atletas: 144,3 milhões de euros (R$ 896,9 milhões), mais do que o dobro apresentado por qualquer outra liga. A Série A do Brasileiro vem na 7ª posição desse ranking, com investimento de 22 milhões de euros (R$ 136,7 milhões).

O detalhe é que, fora da Europa, apenas a MLS (Major League Soccer norte-americana) gastou mais dinheiro com novos jogadores. No Brasil, o clube que mais movimentou dinheiro foi o emergente Red Bull Bragantino, que também ocupa honrosa 10ª colocação na lista global dos clubes que mais investiram nesta janela. O Grêmio, rebaixado para a Série B, foi o 10º clube que mais faturou com venda de jogadores em todo o planeta.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 30)

Por que eleitores de Bolsonaro pretendem votar em Lula neste ano?

Por Esther Solano, na CartaCapital

Entendê-los é entender as eleições de 2022

Meus amigos, os Bolsolulas são um fato. Existem. Estão entre nós. Durante estes últimos dias, ando a conversar com eleitores de Norte a Sul do País dos mais diversos perfis, mas todos com um denominador comum, votaram em Bolsonaro em 2018 e votarão em Lula em 2022.

Vamos entender os argumentos dos Bolsolulas, pois entendê-los é entender o Brasil. Entendê-los é entender as eleições deste ano:

  1. Todos confessaram nas entrevistas ter votado em Bolsonaro por desejo de mudança, por um sentimento de frustração total com o sistema político. A tirania do novo. A desolação com um sistema representativo que abandona mais do que representa e deixa aberta a porta para os monstros.
  2. Todos disseram também que a Operação Lava Jato foi um elemento decisivo do seu voto. Acreditaram nela, acreditaram em Sergio Moro, acreditaram na culpa do PT, acreditaram na culpa de Lula. Mas também disseram que, depois da ida de Moro para o ministério de Bolsonaro e depois das anulações das condenações, começaram a duvidar da operação, de tal forma que hoje muitos admitem ter se sentido enganados. A Lava Jato, para estes, tornou-se um circo, um golpe, uma perseguição política orquestrada por quem não queria a volta de Lula ao poder. Meus amigos, acho essas declarações poderosíssimas. A mentira da Lava Jato tem desmoronado. A farsa do juiz Messias chega ao seu fim. Reparem: entrevistamos vários eleitores indecisos que dizem cogitar do voto em Moro. Todos confidenciaram que, se ele chegar mais perto das eleições com essa intenção de voto miúda, votarão em Lula.
  3. Dizem ter se arrependido do voto em Bolsonaro. Várias são as críticas, que convergem em três, fundamentalmente: sua desumanidade, demonstrada na pandemia e no comportamento intolerável diante das catástrofes de Bahia e Minas Gerais, seu comportamento autoritário e agressivo e uma situação econômica insustentável que jogou muitos na pobreza e no desespero. A mentira de Bolsonaro também se desmorona.
  4. Votarão em Lula em 2022. As razões são as mais básicas, as mais humanas, as mais sofridas. Votarão em Lula porque passam fome. Votarão em Lula porque não conseguem pagar as contas. Votarão em Lula porque não conseguem pagar o botijão de gás. Votarão nele porque, na época que governava, a vida estava melhor, dava para comer carne, dava para economizar, e, como disse uma senhora numa das entrevistas, “dava para sonhar um pouquinho”. Votarão em Lula porque “não dá mais”, porque “pior que está não pode ficar”, porque “chegamos ao fundo do poço”. Votarão em Lula porque “ele cuida dos pobres”, “ele se preocupa com o povo”. É isso, meus amigos. A onda Lula está em alta e é poderosa. A coisa chega a tal ponto que a grande maioria até afirma conversar com gente próxima, parentes, amigos, colegas do trabalho, sobre a opção de votar em Lula, rememorando coletivamente um passado onde a vida tinha mais dignidade.
  5. Sobre a possível chapa de Lula com Geraldo Alckmin, a resposta é bastante clara: a chapa é positiva, supõe uma aliança para reunificar o País, significará um ponto de equilibro, um meio-termo entre ideologias opostas que devem encontrar o diálogo, ampliará a base petista, diminuirá o antipetismo, “desradicalizará” o PT. A união de esquerda e direita trará uma convergência que o Brasil precisa. Reconheço que não esperava uma aceitação tão grande.
  6. Por fim, todos têm medo. Medo de que Bolsonaro tente dar um golpe com o apoio de alguns segmentos militares e medo do que eles consideram o risco mais viável: grupos bolsonaristas radicais e agressivos saírem às ruas e criarem uma situação de caos e violência generalizada. Esta será, eles dizem, a eleição mais violenta que o Brasil viveu. Entendo o medo deles. Sinceramente, não acho que as Forças Armadas embarquem numa tentativa golpista, mas a ameaça de algum grupo bolsonarista mais extremo disposto a alguma brutalidade me parece uma possibilidade real. A única coisa que nos poderia livrar disso é que, no fundo, eles são uns covardes, uns frouxos medíocres que escondem sua pusilanimidade fazendo arminha com a mão. Quem sabe, talvez Bolsonaro perca a eleição e eles fiquem em casa, esbravejando no Telegram, mas se cagando de medo de ir para as ruas.

É isso, meus amigos, estamos diante de um cenário que, por fim, nos dá esperança. Com cautela, com estratégia, com inteligência, mas com esperança. A fome vai nos trazer Lula de volta. No fundo, é terrível.