Mês: agosto 2021
Bolsonaro demonstra piora em quadro típico de doença mental
Por Ricardo Kertzman – Estado de Minas
Se atestado de sanidade mental fosse pré-requisito para o mister presidencial, Jair Bolsonaro nem sequer teria assumido em janeiro de 2019. E isso não se trata de ofensa pessoal ou pretensão de minha parte em exercer, indevida e ilegalmente, o exercício de uma profissão que não domino, mas uma opinião amparada em falas e atitudes cada vez mais compatíveis com um quadro grave de doença psíquica.
Não há em Brasília, no restante do Brasil e mesmo em todo o mundo quem, gozando de plenas faculdades mentais e isenção ideológica, bem como de ‘padrões mínimos’ de moral, ética e bons valores, sobretudo os humanos, republicanos e democráticos, que considere o atual presidente da República um homem são e capaz de governar o País. O que até pouco tempo atrás poderia ser considerado método, estratégia ou mera personalidade, hoje mostra-se algo muito mais amplo e delicado.

Jair Bolsonaro é um homem visivelmente perturbado e atormentado, perdido em um labirinto muito próprio, onde cada porta aberta o conduz para um nível ainda pior de alienação, isolamento e descolamento da realidade. Para piorar, cercou-se de gente tão ou mais atormentada; tão ou mais intelectualmente limitada; tão ou mais incapaz de exercer qualquer tipo de atividade que impacte a vida de terceiros.
A agressividade de suas falas, sempre truncadas, ilógicas e quebradiças na forma e no conteúdo, agrava os efeitos e consequências que sua doença traz ao País.
Hoje, mais de trinta anos após a redemocratização, Bolsonaro conseguiu ressuscitar um defunto que parecia profundamente adormecido: militares com aspirações golpistas. Aliás, o Messias vem se especializando em ressuscitar os ‘mortos’; Lula está aí para provar.
O Brasil encontra-se paralizado e à espera de um desfecho – clínico ou institucional – cada vez mais urgente. Um País com tantos e tamanhos problemas de ordem social e econômica, com impactos tão profundos na vida dos menos favorecidos, não pode ficar a mercê da ‘psicopatia sociopata esquizofrênica homicida e tirânica’ de um (ex) chefe de Estado – sim; Bolsonaro não é, se é que algum dia já foi, o chefe de Estado do Brasil. Se antes era apenas um arruaceiro em busca de conflito, hoje é um doente perigoso ocupando a cadeira presidencial.
Devagar, par e passo, as instituições democráticas começam a reagir de forma unida e proporcional ao tamanho da ameaça. Poder Judiciário, grande parte da imprensa, sindicatos e entidades de classe, empresários economicamente relevantes, militares os mais diversos… Não são poucas as manifestações de resistência. Cabe agora ao tal ‘povo’ fazer a sua parte. Omitindo-se, fará parecer que os lunáticos são a maioria que dizem ser. E não são! Nunca foram. Esse é o recado que os agentes do caos têm de receber.
Bastidores do rock
A lenda Lou Reed na esquina da 8ª Avenida, Nova York.
Foto: Waring Abbott
Rock na madrugada – Green Day, “When I Come Around”
O passado é uma parada
Barbosa e Bellini, ídolos do Vasco nos anos 50.
Direto do Twitter
Servidores públicos fazem paralisação de 24 horas contra a reforma administrativa
Trabalhadores e trabalhadoras dos serviços públicos municipais, estaduais e federais cruzam os braços nesta quarta-feira, 18, dia de Greve Nacional contra a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) e contra o governo Bolsonaro. A paralisação é acompanhada de atos públicos realizados em todo o Brasil, com expectativa de levar milhares de pessoas às ruas em mais de 500 cidades. O movimento que acontece hoje foi aprovado em 30 de julho, por mais de cinco mil servidores que estiveram presentes ao Encontro Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras do Serviço Público (realizado virtualmente).
O Sinasefe Nacional convocou suas bases e seções sindicais a se mobilizarem e construírem esta greve, realizando assembleias locais para deliberar a adesão ao movimento de 24 horas e se integrando aos comitês regionais de mobilização para ações conjuntas do funcionalismo público. A luta é em defesa de serviços públicos de qualidade para a população, contra a Reforma Administrativa e pelo Fora Bolsonaro!
A sentença eterna
Ladeira abaixo
Leão decide em cima do laço
POR GERSON NOGUEIRA

Um tiro forte e colocado, de fora da área, garantiu a importante vitória do Remo sobre o Confiança, ontem, em Aracaju, fechando o turno da Série B. Victor Andrade foi o autor do chute, depois de se livrar da marcação e avançar até a entrada da área. Foi ele também o principal jogador azulino na partida, travando um duelo particular com o goleiro Michael, que fez três grandes defesas no segundo tempo.
A realidade é que o Remo não merecia o empate. Jogou muito mais que o dono da casa, pressionou com constância e qualidade. Com mais posse de bola, os azulinos ocuparam o campo de defesa do Confiança com variações de jogadas e inversão de posicionamento. Essa postura confundia a marcação sergipana e rendia seguidas situações de perigo.
No primeiro tempo, o Dragão não controlava o jogo, mas saía com perigo, puxado no ataque por Hernane Brocador e Luidy. Acontece que a vantagem sorriu para o Leão logo aos 15 minutos. Felipe Gedoz cobrou falta e a bola raspou na cabeça do lateral Marcelinho traindo o goleiro Michael.
Aos 33’, Marcelinho quase empatou em cobrança de falta. Vinícius mandou para escanteio. Três minutos depois, Madison acertou lançamento longo para Luidy, aberto pela esquerda. Sem marcação, o atacante entrou na área e bateu rasteiro na saída do goleiro azulino.
Os números do jogo mostravam uma situação curiosa. O Remo ficava com a bola (61% de posse contra 39% do Confiança), mas o mandante finalizava bem mais – oito chutes contra três.
O segundo tempo começou com muito equilíbrio entre as equipes, prevalecendo as estratégias de marcação no meio. Os times também mostravam mais cautela nas tentativas ofensivas. Quem chegou primeiro foi o Remo, aos 19 minutos, com Gedoz batendo falta e causando um alvoroço na pequena área.

Logo em seguida, Igor Fernandes recebeu livre na área, mas chutou para fora. Gedoz saiu para a entrada de Rafinha e Tocantins substituiu Renan Gorne. Com isso, o Remo ganhou em mobilidade e aproximação entre os homens de frente. Victor Andrade passou a ser mais acionado e tomou conta do jogo.
Aos 35’, ele fez grande jogada individual entrando pela esquerda e disparando para o gol. Michael defendeu no susto. Dois minutos depois, Victor driblou dois marcadores e bateu rasteiro no canto direito, Michael foi lá de novo e espalmou para escanteio.
Novas mudanças no Remo tornaram o time ainda mais agressivo. Marlon e Ronald substituíram a Igor e Artur. Enquanto isso, a luta de Victor contra o Michael adquiria cores dramáticas. Aos 45’, o atacante entrou na área de novo, driblou a marcação e ficou frente a frente com o goleiro, que desviou com a ponta dos dedos.
Finalmente, aos 49’, quando o jogo já se encaminhava para o empate, Victor pegou a bola junto à linha lateral, fintou dois adversários e bateu de fora da área, rasteiro, no canto direito da trave de Michael. Um belo gol para carimbar a vitória e fechar positivamente a campanha azulina na primeira metade do Brasileiro.

Victor Andrade arrebenta, Ronald aparece bem
O jogo confirmou a ascensão técnica do Remo no campeonato. Foram três boas apresentações em sequência, com duas vitórias e um empate. O time atuou bem, de maneira organizada e confiante, contra Goiás, Vasco e Confiança. Nos dois últimos confrontos, poderia até ter vencido com folga, pois criou chances para isso. Com 26 pontos, alcança a 11ª posição, estabilizando-se no bloco intermediário.
Victor Andrade foi o nome do jogo. Movimentou-se pelo campo todo, buscou sempre o caminho da área e teve categoria para definir, depois de várias tentativas.
Com melhor distribuição dos jogadores do meio para frente, o modelo utilizado por Felipe Conceição favorece a troca de passes em velocidade e impõe uma aproximação maior entre os setores.
Ontem, nem os seguidos erros de Marcos Jr. e Artur nas tomadas de decisão e a ausência de Erick Flores, responsável pela conexão entre meio e ataque, atrapalharam a movimentação. A transição foi executada por Gedoz, auxiliado por Victor Andrade e Uchoa.
No segundo tempo, depois que Marlon e Ronald entraram, o time cresceu de rendimento, ganhando rapidez pelos lados e habilidade na meia-cancha. Bem à vontade, Ronald descolou passes certeiros de primeira, dando-se ao luxo de tocar até de calcanhar.
Para a fase inicial do returno, Felipe terá problemas para montar o time. Os laterais titulares, Tiago Ennes e Igor Fernandes, receberam o terceiro amarelo e estarão fora do jogo contra o CRB, assim como Romércio, Mateus, Erick Flores e Wellington Silva, lesionados.
Segundinha fica mais inchada e deficitária
Com o obsceno número de 23 clubes inscritos, três a mais do que na edição passada, a Federação Paraense de Futebol divulgou regulamento e tabela base do torneio de acesso (segunda divisão) ao Campeonato Paraense de 2022. A disputa começa no dia 16 de outubro, contando com cinco agremiações estreantes. Os dois finalistas sobem a divisão principal.
A Segundinha terá seis grupos, cinco com quatro times e um com apenas três. A FPF manteve a regra sub-23, permitindo apenas cinco atletas com idade acima dos 23 anos, com exceção dos goleiros. Se a norma for respeitada, a iniciativa é saudável por estimular a revelação de atletas.
O regulamento prevê a realização de quatro fases. Primeiro, os clubes jogam entre si dentro dos grupos, em confrontos de ida e volta. O melhor de cada chave e os dois melhores segundos colocados avançam para o mata-mata.
A segunda fase é as quartas de final, com jogos em ida e volta, assim como semifinais e final. Se na primeira divisão a competição já é deficitária, o excesso de jogos da Segundinha faz do torneio um festival de prejuízos.
O aumento do número de participantes já deveria ter inspirado a FPF a criar a terceira divisão estadual, a fim de selecionar melhor os times e dar à Segundinha um nível técnico mais decente.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 18)