Para representante da ONU, papel do governo brasileiro na pandemia é “devastador”

Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para Direitos Humanos, critica a gestão da pandemia no Brasil, ataca o comportamento do governo em temas de proteção ambiental e alerta que autoridades precisam reconhecer a existência do racismo no país. Para ela, a atitude das autoridades de minimizar a gravidade da pandemia teve um impacto negativo na resposta do estado à crise. Numa alocução, ela ainda condenou a politização da pandemia e questionou líderes que, mesmo hoje, insistem em minimizar a doença. Para Bachelet, tal atitude é “irresponsável”.

6.mar.2019 - Chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet - Denis Balibouse/Reuters

A chefe de direitos humanos da ONU concedeu uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, às vésperas do dia internacional dos direitos humanos. Em resposta a uma pergunta da coluna sobre a pandemia no Brasil, ela não mediu palavras para alertar sobre a situação brasileira. Sobre a pandemia, Bachelet alertou sobre a dimensão da crise sanitária no Brasil. “A covid-19 teve um impacto devastador no Brasil”, disse. Ela admite que a situação não foi positiva em grande parte da América Latina, com repercussões econômicas e sanitárias profundas.

“Mas no Brasil, em especial, vimos um impacto desproporcional em grupos em situação vulnerável, como pessoas vivendo na pobreza, afro-descendentes, indígenas, LGBTI, pessoas privadas de sua liberdade e pessoas vivendo em locais informais”, disse. “É fundamental garantir comunicação institucional confiável sobre o vírus e seu impacto”, defendeu Bachelet. Ela criticou “declarações de líderes subestimando o impacto do vírus”. Segundo a chilena, isso teve um “impacto negativo na resposta institucional à pandemia”.

“Espero que líderes no Brasil deem exemplo para o povo. Isso é muito importante”, afirmou. Segundo ela, as pessoas precisam estar envolvidas nas decisões e entender. “Elas precisam de confiança nas instituições. Espero que no Brasil líderes possam ser mais abertos ao que a ciência nos diz”, completou.

A frase do dia

“Não é possível que alguém se surpreenda com o protozoário que nos governa zerando imposto para armamento. É promessa de campanha. Todas as atrocidades cometidas foram anunciadas, sejamos justos. Eu ficaria pasmo se ele beneficiasse o setor do livro”.

Luiz Antonio Simas, escritor

Canalhice em figura de gente

De Victor Farias no Globo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que “se comportou muito bem” durante a pandemia do novo coronavírus. A declaração foi dada durante almoço com oficiais-generais das Forças Armadas, no Clube da Aeronáutica. O Brasil tem 178 mil mortes provocadas pela doença.

— O Brasil olha para nós. Tem um presidente e um vice que são militares. Buscam com lupa possíveis defeitos. Buscam de todas as maneiras até mesmo desacreditar. E passamos neste ano um momento dificílimo com a pandemia. Juntamente com os nossos colegas, ministros civis, nos comportamos muito bem. Não só na questão da economia, bem como na busca de diminuir o sofrimento de nossos irmãos — afirmou.

Desde o começo da pandemia, o presidente minimizou os impactos da doença. Ele criticou medidas de isolamento social, aconselhada pela Organização Mundial da Saúde e por autoridades da área da Saúde, e defendia isolamento vertical — apenas para as pessoas de grupo de risco. Além disso, sugeriu o uso de medicamentos que não tem comprovação científica contra a Covid-19 para tratar a doença.

Quatro décadas sem John

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O lendário baterista Ringo Starr, ex-Beatles, lembrou da morte de John Lennon. Ele usou sua rede social para falar do amigo e companheiro de banda. No Twitter: “Terça-feira, 8 de dezembro de 1980, todos nós tivemos que dizer adeus a John. Paz e amor a John. Estou pedindo para todas as estações de rádio de música do mundo toquem em algum momento Strawberry Fields Forever. Paz e amor”.

Pará é um dos Estados que negociam a compra da vacina Coronavac

Helder Barbalho, governador do Pará, é alvo da PF em operação sobre compra  de respiradores - 10/06/2020 - Poder - Folha

É destaque no Congresso em Foco nesta terça (8) que ao menos 11 estados e 4 prefeituras de capitais já negociam a compra da Coronavac com o Instituto Butantan e o governo de São Paulo. Estão na lista até agora Acre, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Pará, Paraíba e Pernambuco.

Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Rio de Janeiro são as quatro capitais que também já demonstraram interesse na compra do imunizante, que está concluindo os testes da última fase. O governador João Doria, de SP, anunciou nesta semana que pretende iniciar a campanha de imunização com a Coronavac em 25 de janeiro, caso o imunizante obtenha a aprovação até lá.

Em revide, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a Anvisa pode levar até 60 dias para liberar o uso de alguma vacina para coronavírus. O prazo de avaliação para uso emergencial pode cair para 72 horas caso uma das quatro agências internacionais habilitadas para esta função – nos EUA, Europa, China e Japão – garanta a validação da vacina.

O governador Helder Barbalho (foto acima) participou em Brasília, na manhã desta terça-feira, da reunião para discutir o plano nacional de vacinação. Deve ir a São Paulo para negociar a compra da Coronavac junto ao Instituto Butantan e o governo de São Paulo.

O passado é uma parada

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Humphrey Bogart, Lauren Bacall e Frank Sinatra em um evento de Hollywood, em 1950.