A frase do dia

“Bolsonaro afirmou em vídeo que a ditadura ‘tratou presos com dignidade’. Eu lutei contra a ditadura. Fui preso e torturado no DOI-CODI do Rio de Janeiro. Convivi com militantes assassinados. É repugnante a fala. A democracia não tolera apologia ao crime e incitação golpista”.

Ivan Valente, deputado federal (PSOL-SP), engenheiro e professor

Em dissertação de mestrado, juíza federal conclui: Lava Jato manipulou processos contra Lula

Em tese de mestrado em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), a juíza federal Fabiana Alves Rodrigues, substituta na 10.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, concluiu que a Operação Lava Jato e a Justiça Federal operaram em uma zona cinzenta que dá margem a questionamentos quanto ao cumprimento de preceitos básicos da democracia em processos contra o ex-presidente Lula.

Foram violados, por exemplo, segundo a especialista, princípios basilares como a imparcialidade do Judiciário e a garantia de direitos individuais. A tese de Fabiana Rodrigues tornou-se livro: Lava Jato – Aprendizado Institucional e Ação Estratégica na Justiça.

Gabeira em momento Barrichello

Por incrível que pareça, o jornalista Fernando Gabeira só descobriu agora “o perigo que Bolsonaro representava em 2018”. Em sua coluna no jornal O Globo, Gabeira faz uma espécie de mea culpa e detona o presidente por sua atitude em relação à vacina contra a covid-19. Leia alguns trechos:

(…) Bolsonaro está tirando o bumbum da seringa. E o faz em situações diferentes. Em primeiro lugar, quer que as pessoas assumam um termo de responsabilidade ao tomar a vacina. Ele não leu a Constituição no trecho que afirma que a saúde como direito de todos é dever do Estado.

Em segundo lugar, afirma que não vai se deixar vacinar e ponto final. Em muitos lugares do mundo, os estadistas se vacinam em público para estimular as pessoas. Obama, Clinton e Bush se dispuseram a isso. O vice-presidente dos EUA o fez. A rainha da Inglaterra espera na fila de vacinação.

Depois de muito resistir à CoronaVac, que chama de vacina chinesa, Bolsonaro decidiu autorizar o general Pazuello a comprá-la, no Instituto Butantan.

Aqui, o movimento de tirar o bumbum da seringa é mais sutil. Ele percebeu que não será fácil conseguir vacinas rapidamente, além da CoronaVac. E o exame cotidiano das pesquisas mostra que a incapacidade de oferecer vacinas derrubará seus índices de popularidade. (…)

Percebo agora como subestimei o perigo que Bolsonaro representava em 2018. Calculava apenas a ameaça à democracia e contava com os clássicos contrapesos institucionais: STF e Congresso, imprensa. Não imaginei que um presidente poderia enfrentar uma tragédia como o coronavírus ou precipitar dramaticamente a tragédia anunciada pelo aquecimento global. (…)

Enfim, um clássico de verdade

POR GERSON NOGUEIRA

Um clássico emocionante, como não se viu há muito tempo. Bem diferente da pantomima que foi o anterior, válido pela 18ª rodada da fase de classificação. Desta vez, os rivais buscaram a vitória e produziram lances emocionantes, como é da tradição do Re-Pa. O empate em 1 a 1 no 1º tempo evidenciou a disposição das duas equipes. O PSC perdeu o volante Serginho, expulso após cotovelada em Tcharlles, e o Remo chegou à merecida vitória controlando a partida e marcando dois gols no 2º tempo.

Como a vitória era o objetivo de ambos, a partida foi aberta, com alternâncias ao longo da etapa inicial. O PSC se mostrou mais ágil e presente ofensivamente, abrindo o placar logo aos 5 minutos. Vítor Feijão foi lançado pela direita e cruzou em arco para a chegada de Nicolas, que aproveitou o rebote da zaga para tocar para as redes.

O Remo foi à frente, organizado por Felipe Gedoz, que se manteve sempre na função de meia-armador. Tcharlles e Hélio eram acionados e levavam perigo nos lances de aproximação. Gedoz acertou um disparo de fora da área, assustando o goleiro Paulo Ricardo.

O Papão quase fez o segundo gol em cabeceio de Nicolas, mas o Remo empataria instantes depois na cobrança de um escanteio. Salatiel tocou de cabeça, o goleiro Paulo Ricardo saiu mal, se atrapalhou com a bola e desviou para o fundo das próprias redes. Apesar das reclamações bicolores, o árbitro validou o gol. As imagens da TV mostram que o lance foi legal.

A partida entrou em ritmo equilibrado, com ataques de lado a lado, quando o PSC sofreu outro duro golpe. O volante Serginho bateu com o cotovelo no pescoço do atacante Tcharlles numa disputa isolada, sem representar perigo e bem na frente do árbitro, que aplicou o cartão vermelho no ato.

Com um jogador a mais, o Remo se distribuiu em campo de maneira a envolver e desgastar o PSC. Gedoz ficou mais empenhado em controlar a bola na meia-cancha, acionando os atacantes em lançamentos longos. Apesar da posse de bola, os azulinos se perdiam em manobras sem maior objetividade.

Nicolas ainda teve uma oportunidade de ouro aos 31’, quando avançou do campo de defesa do PSC, acompanhado por Marlon e Vítor Feijão, contra a marcação solitária de Rafael Jansen. O atacante, porém, errou o passe final e desperdiçou a jogada.

O técnico Paulo Bonamigo aproveitou o intervalo para substituir Júlio Rusch (que tinha cartão amarelo) por Carlos Alberto. A mexida deu certo. O Remo ficou mais agressivo, ampliando as ações ofensivas.

Logo aos 3 minutos, Carlos Alberto cruzou da direita e Tcharlles acertou um chute forte, que Paulo Ricardo desviou para escanteio. Enquanto o Remo buscava valorizar a vantagem numérica, o PSC se resguardava com muita aplicação na defesa.

Bonamigo mexeu novamente no time, substituindo Hélio por Augusto. Apesar da vigilância para neutralizar as triangulações do adversário, a zaga do Papão não conseguiu evitar o gol da virada azulina, aos 18’.

Gedoz dominou a bola e lançou para Augusto dentro da área. Ele se livrou da marcação e chutou forte para desempatar o jogo. Em vantagem, sem reduzir o ímpeto no ataque, o Remo tocava a bola no campo de defesa, fazendo o tempo passar e esperando a oportunidade de pressionar.

O domínio técnico do jogo se acentuava à medida que o cansaço se abatia do lado alviceleste. A vantagem se ampliaria aos 26’, com um golaço. O zagueiro Rafael Jansen pegou um rebote fora da área e acertou uma bomba, sem defesa para Paulo Ricardo.

João Brigatti mexeu novamente no Papão, lançando Willyam e Debu no lugar de Juninho e Marlon, que não rendiam bem. Apesar dos esforços, o PSC continuou preso em seu campo, temeroso de vir a sofrer mais gols ao invés de forçar uma tentativa de reação.

O Remo continuou em cima, com Gedoz muito participativo nas jogadas ofensivas. Aos 39’, Salatiel recebeu na entrada da área e bateu cruzado, quase fazendo o quarto gol. Logo a seguir, Bonamigo substituiu Mimica e Gedoz por Fredson e Dioguinho.

Aos 41’, em bola cruzada por Dioguinho, a defesa rebateu e Tcharlles pegou a sobra mandando um chute na trave esquerda. Foi o último grande momento do clássico, que marcou a quebra de uma invencibilidade de nove jogos do Papão na competição.

Remo 3×1 Paysandu (Felipe Gedoz e Mimica)

Gedoz, mais recuado, faz melhor atuação pelo Remo

O chute forte disparado pelo zagueiro Rafael Jansen fechou o placar e sacramentou a vitória remista no clássico. Até aquele momento, o jogo ainda vivia um clima tenso, com possibilidades abertas de lado a lado. O PSC ficou mais retraído após ter perdido Serginho. A excessiva cautela e a demora em mexer no meio-campo (Alan Calbergue era uma opção para o lugar de Marlon, por exemplo) comprometeram a estratégia de Brigatti.

Por seu turno, Bonamigo investiu na intensidade e na aceleração de jogadas com o objetivo de aumentar o desgaste do adversário. Gedoz, com grande atuação, apareceu muito bem insistindo nos lançamentos longos.

Os laterais tiveram atuação discreta, principalmente Marlon, preocupado em acompanhar o arisco Vítor Feijão, mas os atacantes abriam os leques de oportunidades para troca de passes próximo à área do PSC.

Tcharlles, em nível mais acentuado, esteve sempre no um contra um e levando a melhor frequentemente. Hélio correu muito, ajudou Luz na proteção em relação a Marlon, mas podia ter sido mais insistente na frente.

O diferencial foi mesmo a presença de Gedoz em sua melhor apresentação com a camisa do Leão. Participativo e concentrado na saída para o ataque, foi peça importante no confronto e ganhou a ajuda expressiva de Carlos Alberto no tempo final.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 21)