Centrais defendem manutenção do auxílio emergencial em 2021

Nota oficial das centrais sindicais brasileiras:

A crise sanitária do novo coronavírus parou a economia em todo o mundo com graves consequências, em especial para os mais vulneráveis. O desemprego, o desalento e a inatividade forçada pelo isolamento atingiram recordes. As mais de 180 mil mortes (em dezembro de 2020), grande parte evitável se houvesse coordenação de políticas de proteção à saúde e à vida (oposto do que fez o governo Bolsonaro), fazem parte de uma trágica estatística.

O aumento de infectados e as mais de mil mortes diárias que assistimos hoje revelam que a crise sanitária está longe de ser superada.

Por isso, é fundamental que o país tenha um plano nacional e coordenado de vacinação, promova as medidas de proteção (uso de máscara, álcool gel e distanciamento social) e mantenha o plano de proteção econômica até o controle da pandemia.

É essencial manter uma estratégia de condução da retomada articulada da atividade econômica e de proteção social dos mais vulneráveis.

O Auxílio Emergencial, proposto e defendido pelas Centrais Sindicais, movimento sociais e partidos políticos, que se mostrou essencial para a proteção de mais de 65 milhões de pessoas no Brasil e para que a recessão seja amenizada, uma vez que garante o consumo de milhões de famílias, deve continuar.

Mais do que isso, defendemos que Auxílio Emergencial, que o Governo Federal reduziu pela metade, deva ser atualizado e continuar com seu valor integral de R$ 600,00 mensais. Deve manter-se em vigor a partir de janeiro de 2021, protegendo todos aqueles que não tiverem condições de retomar aos empregos ou suas atividades laborais.

Esse assunto continua em pauta no Congresso Nacional e, assim como em março, cabe ao Legislativo tomar a iniciativa de proteger a sociedade prorrogando o pagamento do Auxílio Emergencial, diante da recorrente ausência criminosa do governo federal em todos os assuntos relacionados à crise sanitária e seus efeitos sociais e econômicos.

São Paulo, 18 de dezembro de 2020

Sérgio Nobre, presidente da CUT
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, presidente da UGT
Adilson Araújo, presidente da CTB
José Calixto Ramos, presidente da NCST
Antônio Neto, presidente da CS

Leão espera pelo camisa 10

POR GERSON NOGUEIRA

Eduardo Ramos

Depois de ter ficado um pouco de lado quando o clube investiu na contratação de Felipe Gedoz, a qualidade e a liderança de Eduardo Ramos voltam a ser valorizadas no Evandro Almeida. O técnico Paulo Bonamigo admitiu nos últimos dias que espera contar com o jogador no clássico, mesmo que seja por 30 minutos. Sabe da importância que ele tem para a transição e a força de ataque.

Quando Ramos saiu de cena, na parte decisiva da etapa de classificação Série C, o Remo encarou sérios problemas e penou um bocado para superar as adversidades. A partida com o Santa Cruz, no estádio Jornalista Edgar Proença, foi exemplar da falta que o camisa 10 faz. O time não atuou mal, mas a derrota teve a ver com o vazio criativo no meio e as muitas falhas de finalização.

Quem ainda tinha dúvidas quanto à necessidade que o Remo tem de seu principal meia-armador teve a chance de rever conceitos nesses últimos jogos. A única partida em que o time não dependeu de ER foi a de Manaus, quando um esquema forte de marcação e saídas verticalizadas garantiram a vitória no segundo tempo.

De maneira geral, boa parte da torcida costuma depreciar o talento de ER, julgando-o sem fôlego ou condições técnicas para jogar. Bonamigo, em pouco tempo de Baenão, sabe o quanto é bom contar com um organizador no meio-campo, coisa que o time não tem hoje.

Felipe Gedoz, grande e cara aquisição, até o momento não disse a que veio. O Remo apostou nele como protagonista, mas só contou com um coadjuvante de luxo nas cinco partidas em que atuou. É verdade que vem evoluindo, aumentando sua participação nas jogadas, mas em nível ainda insuficiente para ser considerado um jogador indispensável.

Carlos Alberto, que vem se revezando com Gedoz, teve uma queda de produção nos últimos jogos. Tecnicamente funciona, mas o lado físico parece pesar, como no confronto com o Londrina, no sábado passado. Quando entrou, o time teve uma queda, acentuada ainda por outros fatores, como as saídas de Hélio, Marlon e Tcharlles.

É notório, ainda, que Carlos Alberto não assume protagonismos, é um jogador discreto e de pouca ascendência sobre os companheiros. ER costuma liderar o time, falando com a arbitragem e impondo respeito.

Um líder em campo é o que mais o Remo – e, por tabela, Bonamigo – precisa ter neste momento. Faltam cinco jogos, cinco decisões. No mini-torneio de acesso à Série B, o Leão não pode se dar ao luxo de jogar sem um jogador capaz de comandar os companheiros em campo, principalmente no clássico decisivo de domingo.

Por ora, a presença de ER no clássico é pouco provável, apesar do processo de transição desde terça-feira, 15. É quase certo também que, mesmo que possa atuar por um terço da partida, não estará 100 por cento. Mas a simples insistência de Bonamigo em contar com ele atesta a utilidade que o meia tem para o funcionamento geral do time, principalmente na parte ofensiva.

O técnico observa que o quadrangular elitizou a disputa, reunindo os melhores de cada chave. Para ele, os jogos serão ainda mais equilibrados, sendo decididos em cima de detalhes, o que explica a valorização de jogadores cascudos, como ER.

Volante é a principal fonte de preocupação de Brigatti

O PSC também tem um sério problema para o clássico: o volante Anderson Uchoa saiu lesionado logo no começo do jogo com o Ypiranga e segue em tratamento para que ganhe condições para entrar no Re-Pa. Ele sofreu um estiramento muscular na coxa direita e está em tratamento intensivo.

Não há previsão quanto à recuperação, mas o técnico João Brigatti depende da definição sobre Uchôa para formatar o meio-campo. Sem ele, terá Serginho, Wellington Reis, Alan Calbergue e Willyam como alternativas. PH faz tratamento de lesão no tornozelo e não tem presença confirmada.

O problema com Uchoa é que ele representa o ponto de equilíbrio. É um jogador que vai à frente, ajuda a construir jogadas e é o principal marcador. Participa de triangulações no campo inimigo e também sabe finalizar.

Parece uma situação que depende da simples substituição de um jogador por outro, mas é bem mais complexo do que isso, pois diz respeito a um setor estratégico, por onde começam a armação de jogadas e as iniciativas visando ocupar espaços no campo.

Um prêmio que homenageia os donos da grande área

A premiação anual da Fifa consagrou a objetividade e o faro de gol. Lewandowski, o polonês revelado pelo Borussia Dortmund e que hoje pertence ao Bayern de Munique, mereceu a distinção pelo caminhão de gols marcados durante a temporada nos principais torneios de futebol do planeta, caminhada coroada pelo título europeu com o Bayern.

Nunca fui fã do centroavante trombador e que faz da força seu principal recurso para brilhar na grande área. Aprecio mais os atacantes habilidosos, como Tostão, Romário e Messi. Robert Lewandowski não é grosso, explora o equilíbrio entre velocidade e força, aproximando-se da linhagem de Ronaldo Fenômeno, que combinava força e muito talento.

O polonês desbancou Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, os maiores astros da atualidade, terminando a temporada como um campeão absoluto. Lewandowski ganhou a Liga dos Campeões, a Bundesliga, a Copa da Alemanha e a Supercopa da Alemanha e Uefa. Fez 55 gols em 47 jogos e foi o artilheiro da Champions com 15 gols em 10 jogos.

Artilheiro da Liga dos Campeões e do campeonato alemão, levou todas as premiações europeias antes de levantar o “The Best” da Fifa. Sua consagração é também uma homenagem aos craques da grande área, experts na finalização de jogadas e na arte de fazer gol.

E pensar que Lewandowski era um desconhecido quando surgiu no Lech Poznán. Vendido ao Dortmund por 4,25 milhões de euros, há 10 anos, mereceu uma blitz de “espionagem” por parte dos alemães, que o observaram em 30 ocasiões diferentes. Segundo o jornalista Eryck Gomes, até Jurgen Klopp foi mandado à Polônia para avaliar, disfarçado com moletom e boné, se o camisa 9 valia mesmo tanto investimento. Valia.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 18)