A derrota exige trabalho, não poesia

Por Leandro Fortes

Foi o povo – não a mídia, nem os setores reacionários da burguesia nacional – que derrotou as candidaturas de esquerda que conseguiram, aos trancos e barrancos, chegar ao segundo turno das eleições municipais.

O povo, o povão, as classes oprimidas das periferias dos grandes centros urbanos: Rio, São Paulo, Recife, Porto Alegre. Sem falar em praças menores, mas não menos importantes, como São Gonçalo, no Rio de Janeiro; e Feira de Santana e Vitória da Conquista, na Bahia.

Qualquer tentativa de romantizar essas derrotas como sementes de vitórias que virão cairá, inevitavelmente, naquele vão da História onde vivem o inútil e o ridículo.

A derrota é um aprendizado duro, a ser vivido em todo o seu amargor. A derrota exige trabalho, não poesia.

Nem frente ampla, nem gabinete do amor: as esquerdas precisam sair urgentemente dessa armadilha do bem-querer e ocupar de fato os grotões de miséria – nas cidades, nos campos, nos quartéis – com organização e informações.

Onde houver uma igreja neopentecostal, tem que haver um núcleo de ação política dos partidos e dos sindicatos. Para cada aleluia, um zap de consciência, um brado de trabalhador. Na saída de cada culto, uma bandeira de luta.

É preciso superar o mito do diálogo com um lumpesinato manipulado pelo capital e pela religião. Essa multidão de esquecidos que, eleição após eleição, é convencida a votar no opressor, bovinamente.

A teoria da prosperidade, essa ratoeira mental montada por pastores de direita, não vai ser desarmada com conversa mole e memes engraçadinhos nas redes sociais.

Vai ser desarmada nas favelas, nos presídios, nas escolas e nas ruas com planejamento e luta organizada.

O resto é lacração.

Um legítimo representante do ‘brasileiro médio’ e do pior que isso significa

Por Ivann Lago (*)

O Brasil levará décadas para compreender o que aconteceu naquele nebuloso ano de 2018, quando seus eleitores escolheram, para presidir o país, Jair Bolsonaro. Capitão do Exército expulso da corporação por organização de ato terrorista; deputado de sete mandatos conhecido não pelos dois projetos de lei que conseguiu aprovar em 28 anos, mas pelas maquinações do submundo que incluem denúncias de “rachadinha”, contratação de parentes e envolvimento com milícias; ganhador do troféu de campeão nacional da escatologia, da falta de educação e das ofensas de todos os matizes de preconceito que se pode listar.

Embora seu discurso seja de negação da “velha política”, Bolsonaro, na verdade, representa não sua negação, mas o que há de pior nela. Ele é a materialização do lado mais nefasto, mais autoritário e mais inescrupuloso do sistema político brasileiro. Mas – e esse é o ponto que quero discutir hoje – ele está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições.

Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político, estou cada vez mais convencido de que Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país.

Quando me refiro ao “brasileiro médio”, obviamente não estou tratando da imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro receptivo, criativo, solidário, divertido e “malandro”. Refiro-me à sua versão mais obscura e, infelizmente, mais realista segundo o que minhas pesquisas e minha experiência têm demonstrado.

No “mundo real” o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência… em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto.

Os avanços civilizatórios que o mundo viveu, especialmente a partir da segunda metade do século XX, inevitavelmente chegaram ao país. Se materializaram em legislações, em políticas públicas (de inclusão, de combate ao racismo e ao machismo, de criminalização do preconceito), em diretrizes educacionais para escolas e universidades. Mas, quando se trata de valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento.

O machismo foi tornado crime, o que lhe reduz as manifestações públicas e abertas. Mas ele sobrevive no imaginário da população, no cotidiano da vida privada, nas relações afetivas e nos ambientes de trabalho, nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, nas piadas diárias, nos comentários entre os amigos “de confiança”, nos pequenos grupos onde há certa garantia de que ninguém irá denunciá-lo.

O mesmo ocorre com o racismo, com o preconceito em relação aos pobres, aos nordestinos, aos homossexuais. Proibido de se manifestar, ele sobrevive internalizado, reprimido não por convicção decorrente de mudança cultural, mas por medo do flagrante que pode levar a punição. É por isso que o politicamente correto, por aqui, nunca foi expressão de conscientização, mas algo mal visto por “tolher a naturalidade do cotidiano”.

Se houve avanços – e eles são, sim, reais – nas relações de gênero, na inclusão de negros e homossexuais, foi menos por superação cultural do preconceito do que pela pressão exercida pelos instrumentos jurídicos e policiais.

Mas, como sempre ocorre quando um sentimento humano é reprimido, ele é armazenado de algum modo. Ele se acumula, infla e, um dia, encontrará um modo de extravasar. (…) Foi algo parecido que aconteceu com o “brasileiro médio”, com todos os seus preconceitos reprimidos e, a duras penas, escondidos, que viu em um candidato a Presidência da República essa possibilidade de extravasamento. Eis que ele tinha a possibilidade de escolher, como seu representante e líder máximo do país, alguém que podia ser e dizer tudo o que ele também pensa, mas que não pode expressar por ser um “cidadão comum”.

Agora esse “cidadão comum” tem voz. Ele de fato se sente representado pelo Presidente que ofende as mulheres, os homossexuais, os índios, os nordestinos. Ele tem a sensação de estar pessoalmente no poder quando vê o líder máximo da nação usar palavreado vulgar, frases mal formuladas, palavrões e ofensas para atacar quem pensa diferente. Ele se sente importante quando seu “mito” enaltece a ignorância, a falta de conhecimento, o senso comum e a violência verbal para difamar os cientistas, os professores, os artistas, os intelectuais, pois eles representam uma forma de ver o mundo que sua própria ignorância não permite compreender.

Esse cidadão se vê empoderado quando as lideranças políticas que ele elegeu negam os problemas ambientais, pois eles são anunciados por cientistas que ele próprio vê como inúteis e contrários às suas crenças religiosas. Sente um prazer profundo quando seu governante maior faz acusações moralistas contra desafetos, e quando prega a morte de “bandidos” e a destruição de todos os opositores.

Ao assistir o show de horrores diário produzido pelo “mito”, esse cidadão não é tocado pela aversão, pela vergonha alheia ou pela rejeição do que vê. Ao contrário, ele sente aflorar em si mesmo o Jair que vive dentro de cada um, que fala exatamente aquilo que ele próprio gostaria de dizer, que extravasa sua versão reprimida e escondida no submundo do seu eu mais profundo e mais verdadeiro.

O “brasileiro médio” não entende patavinas do sistema democrático e de como ele funciona, da independência e autonomia entre os poderes, da necessidade de isonomia do judiciário, da importância dos partidos políticos e do debate de ideias e projetos que é responsabilidade do Congresso Nacional. É essa ignorância política que lhe faz ter orgasmos quando o Presidente incentiva ataques ao Parlamento e ao STF, instâncias vistas pelo “cidadão comum” como lentas, burocráticas, corrompidas e desnecessárias. Destruí-las, portanto, em sua visão, não é ameaçar todo o sistema democrático, mas condição necessária para fazê-lo funcionar.

Esse brasileiro não vai pra rua para defender um governante lunático e medíocre; ele vai gritar para que sua própria mediocridade seja reconhecida e valorizada, e para sentir-se acolhido por outros lunáticos e medíocres que formam um exército de fantoches cuja força dá sustentação ao governo que o representa.

O “brasileiro médio” gosta de hierarquia, ama a autoridade e a família patriarcal, condena a homossexualidade, vê mulheres, negros e índios como inferiores e menos capazes, tem nojo de pobre, embora seja incapaz de perceber que é tão pobre quanto os que condena. Vê a pobreza e o desemprego dos outros como falta de fibra moral, mas percebe a própria miséria e falta de dinheiro como culpa dos outros e falta de oportunidade. Exige do governo benefícios de toda ordem que a lei lhe assegura, mas acha absurdo quando outros, principalmente mais pobres, têm o mesmo benefício. Poucas vezes na nossa história o povo brasileiro esteve tão bem representado por seus governantes.

Por isso não basta perguntar como é possível que um Presidente da República consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço da população. A questão a ser respondida é como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados por tal governo?

(*) Professor e Doutor em Sociologia Política (UFFS)

Leão inicia venda de ingressos virtuais para o clássico

Fenômeno Azul

Com a vitória sobre o Manaus (AM), o Remo se classificou antecipadamente para a segunda fase da Série C. O clássico de sábado (5) com o PSC vai definir a posição de cada time nos grupos para a disputa do acesso. Em função das dificuldades enfrentadas ao longo da pandemia, o clube busca novamente o apoio do Fenômeno Azul disponibilizando ingressos virtuais para o Re-Pa.

O presidente do clube, Fábio Bentes, gravou um vídeo convocando os torcedores para comprar os ingressos, que já estão disponíveis em todas as Lojas do Remo e no site oficial do Leão.

“Infelizmente, nesses 4 meses de Série C, estamos sem público e perdemos cerca de R$ 3,5 milhões. Isso é muito complicado, estamos com dificuldades de manter em dia os salários de nossos jogadores e funcionários. Mais uma vez, queremos contar com a ajuda do torcedor. Vamos colocar ingressos à venda como se estivesse liberado a torcida nos estádios”, justificou Fábio.

Os bilhetes virtuais de arquibancada custarão R$ 20,00 e os de cadeiras saem a R$ 50,00.

PGR tem que investigar Moro e Justiça quebrar seu sigilo

Por Reinaldo Azevedo

Augusto Aras, procurador-geral da República, tem o dever funcional e o dever moral de investigar a contratação do ex-juiz Sergio Moro pela empresa americana Alvarez & Marsal. A menos que queira ser cúmplice de uma imoralidade. E, por óbvio, a questão da legalidade há de ser apurada no curso da investigação. E nem peço que Moro seja medido pela régua da Lava Jato. Que lhe seja garantido, por exemplo, o direito de defesa. Já chego ao ponto. Antes, algumas considerações.

Quando Luiz Fux, presidente do Supremo, ficou sabendo que a A&M — empresa que comanda a recuperação judicial do grupo Odebrecht — contratou Moro como sócio diretor, deve ter se lembrado daquele seu discurso entusiasmado na abertura do 14º Encontro Nacional do Poder Judiciário, promovido pelo CNJ. O doutor disse então, como se fosse dono do tribunal: “O Supremo Tribunal Federal não permitirá que haja a desconstrução da Operação Lava Jato”.

Aproveitou ainda para cantar as glórias do ex-juiz:
“O Brasil iniciou a Operação Lavo-Jato com sucesso. Teve um grande brasileiro que capitaneou isso, que não podemos deixar de reconhecer, que foi o juiz Sergio Moro”.

Destrambelhado, comparou a corrupção com o Holocausto judeu. Parecia pouco? A A&M presta serviços para a OAS — também em recuperação judicial —, a Queiroz Galvão e a Sete Brasil, que tem a Petrobras como uma das sócias. E foi na petroleira que tudo começou.

O leitor pode achar que não entendeu direito. Então ou eu vou escrever de novo: Moro é agora sócio diretor da empresa que cuidou da recuperação judicial da OAS, que vem a ser aquela empreiteira que está no centro do processo que levou o ex-presidente Lula à cadeia numa condenação sem provas. Odebrecht e OAS também estão na raiz de outra condenação: a do sítio de Atibaia. O então juiz atuou nos dois casos. A segunda sentença condenatória tem a assinatura da juíza Gabriela Hardt, que copiou trechos da primeira, redigida por Moro, esquecendo-se até de trocar a palavra “apartamento” por “sítio”.

É uma vergonha. É um despropósito. Sim, a Lava Jato, de que Moro era, a um só tempo, chefe e juiz, contribuiu para levar essas empresas à lona. Mas há mais do que isso. Então ele homologa os acordos de delação e, na prática, também o de leniência da Odebrecht, deixa a função de juiz e, menos de dois anos depois, vai trabalhar para a empresa que recebe todo mês pagamentos milionários da… Odebrecht? E o mesmo se diga da OAS?

Que fique claro: sim, já é estupefaciente o fato de que a Lava Jato tenha contribuído para quebrar essas empresas. Mas a gravidade não está só aí. Acordos de delação e de leniência, uma vez que crimes foram admitidos, são benefícios concedidos pela Justiça a pessoas físicas e jurídicas, respectivamente. Na sequência, Moro se torna sócio diretor de uma empresa que é hoje a principal prestadora de serviço daquela que foi beneficiada pelos acordos. (…)

O que o ex-juiz parcial de Maringá tem feito com a Constituição e a Justiça é algo que só pode acontecer num país de cerca baixa.

A importância do comandante

POR GERSON NOGUEIRA

Temos que ter mais capacidade de definição', avalia Paulo Bonamigo antes de  duelo com o Vila Nova - Portal Roma News

Remo e PSC estão classificados à fase de grupos da Série C. Chegam a esta etapa respaldados por boas campanhas, que permitem acreditar que ambos têm chances reais de conseguir o acesso à Série B. A primeira parte da caminhada foi cumprida – resta uma rodada, que definirá posições nos grupos da próxima fase – e é inegável que os dois técnicos são os principais responsáveis pelo êxito parcial dos dois projetos.

Os azulinos, que ocupam a segunda posição no Grupo A, chegaram à classificação com algumas emoções de última hora. Depois de somar 26 pontos em 14 rodadas, o time sofreu uma súbita oscilação e perdeu em casa para o Santa Cruz na 15ª rodada. Recuperou-se, com sobras, na vitória sobre o Manaus no sábado à noite.

A conquista da vaga significou um alívio para diretoria e elenco. A classificação foi buscada com afinco desde que o Leão na praia em 2019, eliminado na rodada final de forma traumática, após uma vitória do Ypiranga sobre o Juventude, nos acréscimos da partida em Caxias-RS.

O rendimento maduro, confiante e intenso do time diante do Manaus restituiu também a confiança no trabalho, que começava a ficar abalada após o tropeço diante do time mesclado do Santa Cruz. A presença serena e equilibrada de Paulo Bonamigo, que está de volta ao clube 20 anos depois, foi fundamental para ajustar as coisas.

Substituto de Mazola Junior, o técnico que dirigiu o time nas sete primeiras rodadas, Bonamigo deu novo perfil ao time, praticamente com os mesmos jogadores. O Remo saiu de um formato encaixotado, que priorizava a marcação, para um jogo mais bem distribuído, com boa conexão entre os três setores.

Acima de tudo, Bonamigo transformou as duplas laterais no principal achado de sua gestão, com excelentes resultados para a parte ofensiva do time. Pela direita, Ricardo Luz-Hélio; na esquerda, Marlon-Wallace. Com a lesão sofrida por Wallace, o time sofreu com a perda de força pelo lado esquerdo, onde Marlon voltou a uma função mais individualizada.

A direita, porém, mostra qualidades sempre que Luz e Hélio estão juntos, como no sábado na Arena da Amazônia. O tom sempre calmo de Bonamigo parece ter contagiado o time, que andou pecando pela precipitação no início da competição.

A aceleração do processo de transição é outro item a ser destacado, principalmente quando Bonamigo mantém o tripé de meio-campo, com dois volantes e um meia. O ataque segue com três peças, com variações determinadas pelo condicionamento dos oito atacantes do elenco – Salatiel, Tcharlles, Ermel, Hélio, Wallace, Eron, João Diogo e Augusto.

É cabível esperar que o time experimente uma evolução na próxima fase, com maior interação entre meio e ataque, além de melhorar no aspecto da finalização de jogadas, problema que impediu vitórias consideradas certas. A plena recuperação de atletas que estão lesionados, como Eduardo Ramos e Wallace, vai enriquecer ainda mais a oferta de opções para o técnico.

Papão avança, com intensidade e disciplina

Quando chegou, para assumir o PSC após a demissão de Mateus Costa, João Brigatti despertava expectativa e dúvida. Saiu daqui em 2019 como injustiçado, pois havia conduzido o time com acerto no Parazão quando foi desligado. As brigas com a presidência do clube indicavam que não haveria possibilidade de uma reconciliação.  

Pois a paz foi selada, a partir de um combo de interesses comuns. O PSC precisava com urgência dar ao time um comando eficiente e enérgico, após a experiência malsucedida com Mateus Costa, que substituiu a Hélio dos Anjos e fez com que o time mergulhasse numa fase de baixo astral técnico que quase terminou na zona de rebaixamento.

Brigatti se prepara para enfrentar o rebaixado Imperatriz-MA: 'cada jogo  tem uma história' - Diário Online - Portal de Notícias

Brigatti estreou na 13ª rodada, empatando com o Manaus, no Mangueirão. Depois disso, enfileirou triunfos. Foram quatro em sequência: Jacuipense, Imperatriz, Ferroviário e Botafogo-PB. O que parecia praticamente impossível se tornou realidade, com a equipe mostrando qualidade e amadurecimento.

O resultado obtido diante do Jacuipense fora de casa, fundamental para dar ao time a confiança necessária para buscar 12 pontos em quatro jogos, foi arrancado das entranhas. O time jogou tudo que podia, com capacidade de entrega e mentalidade vitoriosa, lutando até o fim das partidas.

A partir dessa partida, o PSC incorporou o figurino Brigatti. Busca do resultado, disciplina tática e ambição ofensiva. Foram oito gols em quatro jogos, média de 2 por partida, sem levar nenhum.

Paulo Ricardo se estabeleceu como ponto de equilíbrio defensivo, sem ser vazado após a entrada de Brigatti. Dois novos jogadores passaram a integrar o elenco, com contribuição expressiva para o fortalecimento do ataque.

Marlon, recém-contratado, participou de três jogos, fez três gols e obrigou o torcedor a parar de lamentar a saída de Vinícius Leite – que foi defender o Avaí-SC na Série B. O que se temia é que a ausência de Vinícius afetasse ainda mais o rendimento de Nicolas, que vivia fase de baixa produção.

Com Marlon e Vítor Feijão, o outro estreante, o Papão reencontrou a movimentação pelos lados do campo. Diante do Ferroviário, ponto alto da era Brigatti, Marlon foi o astro da noite, marcando dois gols e participando ativamente do jogo. Feijão também deixou o dele.

Quando a organização funciona, as individualidades brilham. Esse princípio básico do jogo de equipe vale mais do que nunca para o PSC atual. Antes, o time dependia excessivamente de Nicolas e Vinícius Leite. Se ambos fossem bem marcados, o time sentia.

Hoje, Nicolas segue importante na equipe, atuando até numa faixa mais recuada, mas não é o único a merecer destaque. Marlon, Feijão, Mateus Anderson (que reapareceu bem contra o Botafogo) e o novato Jefinho são figuras de real importância no desenho ofensivo do time.

Tudo isso, inegavelmente, tem a ver com Brigatti, que comandou em curtíssimo espaço de tempo uma reformulação na maneira de jogar e mudou as perspectivas do PSC na competição. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 01.12)