Quatro décadas sem John

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O lendário baterista Ringo Starr, ex-Beatles, lembrou da morte de John Lennon. Ele usou sua rede social para falar do amigo e companheiro de banda. No Twitter: “Terça-feira, 8 de dezembro de 1980, todos nós tivemos que dizer adeus a John. Paz e amor a John. Estou pedindo para todas as estações de rádio de música do mundo toquem em algum momento Strawberry Fields Forever. Paz e amor”.

Pará é um dos Estados que negociam a compra da vacina Coronavac

Helder Barbalho, governador do Pará, é alvo da PF em operação sobre compra  de respiradores - 10/06/2020 - Poder - Folha

É destaque no Congresso em Foco nesta terça (8) que ao menos 11 estados e 4 prefeituras de capitais já negociam a compra da Coronavac com o Instituto Butantan e o governo de São Paulo. Estão na lista até agora Acre, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Pará, Paraíba e Pernambuco.

Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Rio de Janeiro são as quatro capitais que também já demonstraram interesse na compra do imunizante, que está concluindo os testes da última fase. O governador João Doria, de SP, anunciou nesta semana que pretende iniciar a campanha de imunização com a Coronavac em 25 de janeiro, caso o imunizante obtenha a aprovação até lá.

Em revide, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a Anvisa pode levar até 60 dias para liberar o uso de alguma vacina para coronavírus. O prazo de avaliação para uso emergencial pode cair para 72 horas caso uma das quatro agências internacionais habilitadas para esta função – nos EUA, Europa, China e Japão – garanta a validação da vacina.

O governador Helder Barbalho (foto acima) participou em Brasília, na manhã desta terça-feira, da reunião para discutir o plano nacional de vacinação. Deve ir a São Paulo para negociar a compra da Coronavac junto ao Instituto Butantan e o governo de São Paulo.

São Francisco vence nos penais e disputará semifinal com Gavião

São Francisco vence Caeté nos pênaltis e se classifica para semifinal da Segundinha - Crédito: Reprodução

Na manhã desta terça-feira, 08, São Francisco e Caeté se enfrentaram pelo jogo de volta das quartas de final da Segunda Divisão do Campeonato Paraense. O Leão Santareno precisava reverter o placar do primeiro jogo, de 2 a 1. Elisson Jr. marcou para o São Francisco e levou a decisão para os pênaltis.

Na cobrança de penalidades, os santarenos venceram por 5 a 4 e garantiram a classificação para semifinal da Segundinha. Agora, o São Francisco encara o Gavião em dois jogos, um no dia 12, no Zinho Oliveira, em Marabá e o outro no dia 16, no estádio Francisco Vasques, o Souza.

A outra chave semifinal terá os confrontos entre Tuna e Sport Real nos dias 12 e 16, no Souza e no Mangueirão, respectivamente. As semifinais definirão os times classificados para o Parazão 2021.

A torcida jamais permitiria

POR GERSON NOGUEIRA

Re-Pa 757 no Mangueirão

A pandemia transfigurou o mundo em pouco mais de nove meses. Modificou também a face do futebol. No Mangueirão, sábado à tarde, essa nova realidade veio à tona em cores muito vivas. No Re-Pa mais fake de todos os tempos, os times se comportaram de maneira inteiramente descomprometida, e isso só foi possível porque as torcidas estão longe dos estádios, por força da necessária prevenção à covid-19. Com torcedores presentes, o bizarro espetáculo jamais teria acontecido, mesmo que técnicos e jogadores quisessem confraternizar ao invés de jogar.

Arrisco dizer que a torcida iniciaria vaiando os primeiros sinais de congraçamento entre os rivais centenários. Em pouco tempo, caso as jogadas marotas se repetissem, com atacantes, meias e zagueiros tocando bola para trás, o estádio logo iria virar um caldeirão incendiário de revolta da parte das torcidas – das duas torcidas.

É óbvio que, nessas circunstâncias inusitadas, os times iriam rapidinho entender que não poderiam conspirar contra mais de 100 anos da rica história de duas das bandeiras mais gloriosas do futebol brasileiro. Compreenderiam que todos – atletas, técnicos e dirigentes – são anões diante da grandeza das agremiações. Mais que isso: são meramente temporários.

Comento isso a partir do que se viu ontem no Mangueirão, principal palco do nosso futebol, ao longo de melancólicos 90 minutos. Foram 90 minutos mesmo, pois o árbitro paranaense percebeu a farsa e não deu acréscimos nos dois tempos. Uma exibição da mais grosseira canastrice boleira, com chutes a esmo, corridas para não chegar, desânimo até na cobrança de arremessos, tiros de meta trocados entre os goleiros.

O que os filósofos definem como distopia, que ao pé da letra é o contrário de utopia, pode ser facilmente atribuído ao teatro encenado por Remo e PSC na 18ª rodada da Série C. A partida já não valia nada para influir na classificação do grupo A, mas era determinante para o posicionamento nas chaves da segunda fase da competição.

Independentemente do fato de não causar prejuízos a terceiros, o arranjo é algo moralmente reprovável, daí a reação furiosa da maioria dos torcedores. No pós-jogo da Rádio Clube, com audiência maciça, a totalidade das opiniões foi de total rejeição à marmelada.

Os defensores do artifício de construir um empate na marra argumentam que foi uma atitude “inteligente” e “pragmática”. Usei aspas para realçar a excepcionalidade desses adjetivos, inaceitáveis diante do que ocorreu.

Seria até compreensível se, ao longo da partida, os times ficassem sabendo de outro resultado (no caso, do jogo Vila Nova x Jacuipense) e adotassem postura mais cautelosa. Uma reação instintiva de autoproteção, absolutamente normal. 

Que fique claro: o que se reprova é a intenção deliberada (e consensual) de empatar. O que houve no gramado do Mangueirão é indigno da tradição do próprio clássico.

O único momento de intenção verdadeira foi o drible seguido de chute seco de Vítor Feijão, por volta dos 30 minutos do 1º tempo. Foi um lance normal, que quase surpreendeu Vinícius. O goleiro, em excelente fase, foi na bola e desviou a trajetória. Em seguida, a bola bateu na trave e atravessou de volta toda a extensão do gol, quase sobre a linha fatal.  

Coincidência ou não, o “rebelde” Feijão foi substituído no intervalo. Onde já se viu o cidadão contrariar o acordo de cavalheiros mandando um torpedo daqueles em direção à trave adversária? Antes e depois desse chute, o clássico não teve rigorosamente nada digno de registro.

Do lado bicolor, Paulo Ricardo nem sujou a farda. O Re-Pa não registrou nenhum cartão, até porque as faltas foram pouquíssimas e nem escanteio aconteceu para gerar aquele empurra-empurra na área.

Como nada houve, nada há a analisar. É importante, porém, registrar o irônico malogro da iniciativa. A 15 minutos do final, chegou a notícia do gol do Vila Nova, obrigando a dupla Re-Pa a ficar no mesmo grupo da próxima fase. Nem isso alterou a toada da prosa.

Remo e PSC não cometeram, a rigor, nenhuma ilegalidade. Ninguém pode provar que combinaram o que seria feito em campo. Ocorre que o futebol, que não é ciência exata, tem regras e nuances que permitem observar quando algo foge à ordem natural das coisas.

Que ambos tenham saído satisfeitos de campo, como evidenciado no caloroso abraço entre os técnicos ao final, é outro sintoma do que havia sido pré-agendado. O problema é que ações do tipo podem quebrar a tênue linha de confiança que envolve o futebol no Brasil.

Quem combina por “boas intenções” em tese pode também combinar por outras razões ou interesses. É preciso ter cuidado para que o torcedor não desacredite da verdade dos homens e do jogo. (Foto: Ascom/PSC)

Rivais perdem preciosa oportunidade de preparação

No aspecto técnico, Leão e Papão perderam excelente oportunidade de jogar seriamente e colocar seus times em atividade, como preparação para a etapa mais importante do campeonato, que vai definir o acesso. Se lucraram no aspecto do pouco desgaste físico, os times não tiveram qualquer ganho técnico.

O Remo, por exemplo, perdeu a chance de testar uma formação alternativa de ataque, com Hélio, Salatiel e Eron ou com Eron, Augusto e Ronald – ponta esquecido por Bonamigo, apesar de ser o único velocista do elenco.

Seria uma oportunidade preciosa também para exercitar um meio-campo inteiramente diferente, com Júlio Rusch, Warley e Carlos Alberto, ou ainda com Djalma, Gelson e Felipe Gedoz.

No Papão, são incontáveis as variações que Brigatti poderia fazer aproveitando o fato de encarar um adversário na briga pelo acesso, sem receio ou risco, visto que ambos já estavam classificados.

Brigatti optou por uma formação inicial mesclada, com Willyam, Calbergue e Vítor Diniz, mas sem qualquer efeito prático quanto ao rendimento, visto que ninguém queria jogar. Jefinho, Diego Matos e Alex Maranhão entraram na etapa final, apenas para fazer figuração.

No fim de tudo, o grupo D ficou com Ypiranga, Remo, Londrina e PSC. Não é a formação ideal para os representantes paraenses, que se enfrentam duas vezes em partidas de vida ou morte. Matematicamente, a possibilidade de duplo acesso ficou menor. Caso empatem os dois jogos, as chances ficarão ainda mais reduzidas.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 07)