Flamengo vai parar de pagar pensão a famílias de vítimas do incêndio no Ninho do Urubu

O Flamengo obtém recurso na Justiça e anula decisão de pagar pensão mensal de R$ 10 mil a famílias dos meninos mortos no incêndio do Ninho do Urubu. A decisão foi tomada pelos desembargadores da 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nesta quarta-feira. Montante era pago aos familiares das vítimas do incêndio que não haviam feito um acordo com o clube. Com isso, segue na Justiça apenas a ação principal para indenizações coletivas e individuais sobre o episódio que causou a morte de 10 atletas no Centro de Treinamento do Flamengo em fevereiro de 2019.

Tinham direito ao benefício todos os parentes de vítimas que ainda não chegaram a um acordo indenizatório com o clube. A pensão foi definida em decisão da 1ª Vara Cível, no final de 2019, após pedidos da Defensoria e do Ministério Público. Desde então, o clube vinha recorrendo da obrigação, conseguindo finalmente sua anulação hoje.

A frase do dia

“O Flamengo está pagando todos os pecados desde que se aliou ao Bozo em apoio à MP e ter tentado, quase consegue, a volta das torcidas aos estádios em plena pandemia. Não fosse a reação da imprensa, a CBF tinha embarcado nisso. E acabou também sendo vítima da contaminação em seus jogadores. São mais de 300 jogadores já contaminados no Brasil. Partiu do Flamengo e do Vasco, aliados e embalados pelo negacionismo do Bozo, a volta do futebol no Campeonato Carioca”.

Guilherme Barra, jornalista

Polícia do Pará busca capturar o bando que tocou o terror em Cametá

A vítima foi liberada após os bandidos empreenderem fuga pelo rio

O assalto cinematográfico e violento realizado na noite de terça-feira (01), em Cametá, não resultou em prejuízo financeiro para a agência do Banco do Brasil, localizada na Praça da Justiça, mas deixou uma vítima fatal. Ao invadir a agência e manter pessoas como reféns, o bando baleou e matou Alessandro Moraes (Sandro), 26 anos, que era conhecido na cidade como locutor de propaganda de lojas. Ele foi usado como escudo humano e acabou assassinado. Uma outra pessoa levou um tiro na perna e foi hospitalizada.

Nas redes sociais, o lamento de amigos e parentes. “Um parceiro, um irmão, um amigo, perdi não só um amigo, um parceiro dos palcos, um colega de profissão (locutor), tínhamos em comum o amor pela música e pela locução, levarei comigo as lembranças dos momentos vividos com amigos através de nossa amizade. Meus sentimentos aos familiares e amigos”, disse Jackson Lopes, cantor que era amigo e trabalhou com Sandro.

“Um rapaz trabalhador foi morto! Aqui tá um silêncio perturbador, acordamos hoje sem o seu bom dia. Os lojistas da Angelo Correa sentirão falta da sua alegria. Ficava todo dia cantando, fazendo propaganda da farmácia do povo trabalhador. Mexia com todo mundo que passava. Ainda sem acreditar”, postou Roseth Queiroz no Facebook.

Imagens divulgadas ainda durante a madrugada mostram a movimentação dos assaltantes nas ruas do centro de Cametá. Um refém, ao ser libertado, ainda em choque, pediu ajuda e contou que os bandidos agiram com violência. “Eles bateram muito na gente, foi horrível”, disse. A ação do bando incluiu o uso de armamento pesado e explosivos, destruindo parcialmente o salão da agência do Banco do Brasil.

O governador Helder Barbalho se manifestou ainda no começo da madrugada, informando que estava acompanhando os acontecimentos. Pela manhã, juntamente com toda a cúpula da Segurança Pública, viajou logo cedo para Cametá, onde foi montado um centro de operações para ir em busca da captura dos criminosos, que fugiram em direção à estrada que leva a Baião e Tucuruí.

Duas agências bancárias foram atacadas, segundo relatos de moradores de Cametá. Uma foi a agência do Banco do Brasil localizada no prédio da Câmara Municipal de Cametá, na rua 13 de Maio, e a outra do Banpará, à rua Coronel Raimundo Leão. O ataque iniciou pouco antes das 00h de quarta-feira, 2, com um grupo de 15 criminosos tomando as ruas da cidade, que fica a 235 km de Belém.

O aparato utilizado pela quadrilha é sofisticado, com alto poder destrutivo e com uso de equipamentos modernos, capazes de enfrentar as corporações policiais. Apesar disso, o contingente da PM na cidade enfrentou a quadrilha, que fugiu após forte tiroteio durante a madrugada.

A liberação de armamentos por determinação do governo de Jair Bolsonaro aumenta a força de ataque de bandos paramilitares em todo o país. Alguns bandos contam com armas capazes de derrubar helicópteros. Há a suspeita de participação de milícias e facções criminosas por trás da organização de assaltos no “estilo cangaço” em todo o país. O mais recente havia ocorrido em Criciúma (SC).

Cametá é uma das 10 maiores cidades do Pará, com cerca de 136 mil habitantes, segundo o IBGE. Nos últimos anos, esse tipo de ação criminosa contra bancos sofreu uma redução drástica no Estado. Enquanto em 2018 foram realizados 19 assaltos, em 2019 as ocorrências reduziram para 15 e neste ano aconteceram somente três assaltos, incluindo o de ontem.

Bando que atacou agência bancária em Cametá não levou nada, diz governador - Crédito: Reprodução/Redes sociais

Em nota, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social informou que as forças de segurança já trabalham na busca dos bandidos.

LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA:

“A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) informa que a normalidade já foi reestabelecida no município de Cametá, ainda na madrugada desta quarta-feira, 2, com a chegada de efetivos policiais de outras cidades e regiões. Foram empregados, ainda duas aeronaves e uma embarcação. Mais de 20 criminosos fortemente armados, com armas de grosso calibre, como fuzis, estavam envolvidos na ação que durou mais de uma hora e teve como alvo o Banco do Brasil. A Segup informa, também, que segundo informações preliminares uma pessoa que foi usada como refém foi alvejada pelos criminosos e evoluiu a óbito. Outro morador  foi atingido na perna por arma de fogo, está internado no hospital da cidade, mas sem gravidade. Durante as buscas uma caminhonete que teria sido utilizada foi encontrada pelas equipes policiais, no KM 15, na estrada que faz conexão com o município vizinho de Tucuruí. Dentro do veículo foram encontrados diversos explosivos. As buscas seguem em andamento na região. A cúpula da segurança pública seguirá para o município para acompanhar o caso. Mais informações serão divulgadas ao longo do dia.”.

A frase da noite

A imagem pode conter: 1 pessoa, noite e meme, texto que diz "CHEFE DE MILÍCIA! MIL"

“Criciúma ontem, Cametá hoje. Santa Catarina e Pará. Demorou, mas o crime organizado se deu conta que o Brasil é presidido por um chefe de milícia. Bolsonaro não vai fazer nada pra frear a atuação dos seus colegas de facções. Precisamos nos livrar dele urgente! #ForaBolsonaro”.

Deputado Alencar

Sinônimo de traição nacional

Por Carol Proner

Ainda sob impacto das eleições municipais, quando o país busca decifrar o mapa das forças políticas pós segundo turno, um personagem surpreender uma vez mais pela capacidade de se reinventar e escapar dos crimes que cometeu contra país. Não falo do filho do Presidente ou mesmo dele próprio, mas do ex-juiz, do ex-ministro, agora advogado e consultor jurídico da própria empresa que ajudou a destruir. Sérgio Moro escandaliza novamente ao aparecer como consultor da Alvarez & Marsal, consultoria americana especializada em gestão de empresa e que atuará na recuperação judicial da Odebrecht.

Escandaliza para quem tem princípios, caráter. Mas, olhando o leque de opções do nefasto personagem, que sonhou com a Presidência da República, as saídas não eram tantas. A querida esposa Rô, cultivada nos círculos do Graciosa Country Club, em Curitiba, depois de circular entre vips no eixo Rio-São-Paulo-BSB, agora sofre de enxaquecas e ataques de pânico. E a carta na manga dos “States”, um prêmio de consolação ou uma válvula de escape, já estava no horizonte do excelentíssimo quando largou a carreira da magistratura. Esse efetivamente não é o maior problema.

De um ponto de vista jurídico-político, a indignação diante da conduta sem escrúpulos não deve ser a única reação, mas sim o silêncio – das instituições, dos setores nacionalistas, da imprensa, do Supremo Tribunal Federal – que paira diante dos escombros provocados pela destruição da indústria da construção civil e da cadeia de óleo e gás provocada pela Lava Jato.

O acobertamento ou a naturalização das ilegalidades cometidas por um punhado de procuradores que favoreceram os acordos de cooperação em matéria penal entre órgãos (públicos e privados) de outro país, por meio de relações obscuras e ilegais. Interesses que vêm sendo desvendados como imperialistas, para ir direto ao ponto. E um juiz que, como até capivaras do Lago Paranoá ou do Parque Barigui, na “República”, sabem, foi absolutamente parcial nos processos nos quais atuou, em especial contra o ex-Presidente Lula e o partido dos trabalhadores. Foi um agente. E esta constatação se alinha com o recente convite para ser consultor da empresa que administra os escombros, corroborando com o que todo mundo já sabe e que foi brilhantemente exposto no “Livro das Suspeições”, organizado por juristas do Grupo Prerrogativas.

Portanto, para além do corrompimento funcional, ético, biográfico de um personagem que vem de longe, dos tempos do Banestado, que foi treinado fora do país, para além das implicações de responsabilidade, o que a “lição Sérgio Moro” traz para o Brasil é a necessidade urgente de rever a forma como é feita a cooperação internacional em matéria penal na área do combate à corrupção.

O que grita para nós é a forma como cedemos a nossa própria jurisdição à soberania de outro país, e os prejuízos bilionários que mal sabemos, pois permanecem em sigilo nos acordos de leniência. A França passou pelos mesmos problema e já está a caminho de rever a legislação de combate à corrupção para que não vulnere interesses soberanos. Outros países fazem o mesmo. E o Brasil? Ou estamos seguros de que não existirão outros Moros e Dallagnolls em nosso caminho? Ou achamos que efetivamente os EEUU são a polícia neutra do mundo?

O resgate da soberania também significa evitar a extraterritorialidade em matéria de combate à corrupção. Nossos problemas devem ser resolvidos internamente, pelas nossas instituições, pelo sistema de justiça funcionando com respeito à legalidade, sem arroubos de autonomia ilimitada e em consonância com as garantias legais e o devido processo. Sérgio Moro já é sinônimo de traição nacional e isso nem ele próprio faz questão de esconder.