O maior de todos os tempos

Bryn Lennon/Getty Images

Lewis Hamilton virou tudo o que um piloto de Fórmula 1 “deveria ser” ao avesso. E também está redefinindo o livro de recordes da categoria. Em um mundo em que pautas de sustentabilidade ganham espaço em detrimento de corridas de carros, ele, um piloto de F1, consegue um lugar entre as personalidades mais influentes do mundo, segundo a lista da revista norte-americana Time. Se dos anos 70 para os 90, a categoria viu a transformação do culto ‘bon vivant‘, garanhão, que aceitava correr riscos mesmo que isso significasse morrer na pista, o inglês é o avesso de tudo isso. E acaba de se tornar o maior vencedor da história da categoria.

Aos 35 anos, Hamilton chega à vitória de número 92 na carreira e está muito perto de conquistar seu sétimo título mundial — igualando-se a Michael Schumacher — sem ter protagonizado grandes episódios que coloquem sua índole sob judice. É considerado duro, porém justo nas batalhas com os rivais na pista. Gosta da badalação dos famosos e do universo da moda e da música, mas nunca se envolveu em confusão por isso ou quis cultivar a imagem de garanhão entre as mulheres.

E, mais importante, o primeiro negro a disputar uma corrida de Fórmula 1 tornou-se o maior vencedor nos 70 anos de história da categoria ao mesmo tempo em que luta para fazer a diferença fora dela. Defendendo pautas de inclusão e diversidade, provocando uma discussão sobre racismo que o automobilismo provavelmente jamais teria se não fosse ele e desafiando quem acredita que um piloto de F1 não pode, também, ser um ambientalista, Hamilton usa seu dom nas pistas como plataforma para provocar mudança em uma intensidade que nenhum outro piloto na história fez antes dele.

“O que está claro para mim é que, embora seja legal ter todas essas vitórias, o mais importante é o que você faz fora do carro. Acho que é assim que o verdadeiro impacto pode ser feito. Em relação a ser lembrado, eu nunca tive essa vontade. Tomara que meus fãs se lembrem de mim como alguém que é um bom ser humano, que realmente se importa com o mundo e que fez o que fez com a melhor das intenções. Não é importante para mim ser lembrado como o melhor.”

Não foi um processo fácil a caminhada de Hamilton desde que era um “estranho no ninho” até se tornar um catalisador de mudanças no esporte, tanto abrindo a discussão sobre a falta de diversidade, quanto discutindo pautas ambientais. Quando o inglês estreou na categoria, aos 22 anos, em 2007, pela então sisuda e conservadora McLaren, até evitava tocar em temas raciais. Dizia que não queria ficar marcado apenas como o primeiro negro da categoria.

Foi necessário primeiro ir para a Mercedes a mudança de postura. A equipe lhe permitiu firmar contratos que cada vez mais lhe davam autonomia para tocar seus projetos extra-pista. A voz de Hamilton ia ganhando mais importância à medida que colecionava vitórias. Assim, ele passou a ser mais atuante, levantando bandeiras relacionadas à diversidade e ao ambientalismo, tema em que se aprofundou depois de se tornar vegano, em 2017.

Mas como um piloto de F1 pode ser ambientalista? “Pelo menos estou iniciando a discussão a respeito disso. Eu nunca tinha sido perguntado sobre o assunto em toda a minha carreira. Isso mudou agora, e é positivo. Eu respeito totalmente as pessoas que têm opiniões negativas porque eu sou piloto. Mas lembrem-se que, se eu não corresse e mencionasse essa questão, ninguém me ouviria. Faço o que eu faço porque amo, mas também porque acho que isso pode criar uma plataforma para eu gerar mudança.” (Transcrito do UOL)

Banco digital pede desculpas por fala preconceituosa de cofundadora

Nubank publicou hoje uma carta assinada pelos três cofundadores do banco virtual pedindo desculpas pela fala de Cristina Junqueira no programa Roda Viva, que foi considerada racista. “A diversidade foi sempre, sim, parte da nossa cultura. O equívoco foi achar que ter o valor por si só bastava. O erro foi achar que as coisas vão se resolvendo sozinhas”, diz o comunicado.

“Ficamos acomodados com o progresso que tivemos nos nossos primeiros anos de vida que se refletia em algumas estatísticas relativas à igualdade de gênero e LGBTQIA+, por exemplo, que, repetidas, mascaravam a necessidade urgente de posicionamento ativo também na pauta antirracista”, prossegue a carta.

Além disso, o banco se compromete a “avançar, dentro e fora de casa, com uma agenda de reparação histórica e de combate ao racismo estrutural”.

Para isso, eles anunciam que formaram parceria com o IDBR (Instituto Identidades do Brasil). “O objetivo é ampliar nosso entendimento sobre o tema, firmar nosso engajamento público e contínuo e acelerar a promoção da igualdade racial no Nubank”, explica o comunicado.

Entenda o caso

Durante sua participação no programa Roda Viva na última segunda-feira, Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank afirmou que o nível de exigência para se trabalhar no banco é alto e que não dá para “nivelar por baixo”, em referência a uma possível política afirmativa para candidatos negros. A fala repercutiu mal nas redes sociais e o banco foi acusado de racismo. Recentemente, empresas brasileiras como Magazine Luiza, anunciaram programas de trainee exclusivos para profissionais negros.

Leia o comunicado na íntegra

Há sete anos, quando fundamos o Nubank, nosso maior desejo era ter uma cultura com valores muito sólidos.

Entre nossos valores mais admirados está Construímos Times Fortes e Diversos. A diversidade foi sempre, sim, parte da nossa cultura.

O equívoco foi achar que ter o valor por si só bastava.

O erro foi achar que as coisas vão se resolvendo sozinhas, pela própria comunidade de Nubankers, organicamente, sem esforços contínuos e investimentos da liderança.

Ficamos acomodados com o progresso que tivemos nos nossos primeiros anos de vida que se refletia em algumas estatísticas relativas à igualdade de gênero e LGBTQIA+, por exemplo, que, repetidas, mascaravam a necessidade urgente de posicionamento ativo também na pauta antirracista.

Deixamos de nos questionar. Ignoramos o grande caminho que ainda tínhamos pela frente. Com isso, perdemos a humildade, que sempre foi a característica que nos ajudou a entender velhos problemas com novas soluções e uma mentalidade inovadora.

Erramos.

A diversidade étnico-racial é um desafio muito maior e mais complexo do que imaginávamos. Passamos os últimos dias em conversas com a comunidade negra de Nubankers, com ativistas negros de fora do Nubank e também com nossos clientes.

Nessas conversas, vimos o quanto precisamos avançar, dentro e fora de casa, com uma agenda de reparação histórica e de combate ao racismo estrutural. O Brasil tem excelentes profissionais negros em diferentes carreiras.

No Nubank, temos um enorme orgulho da nossa comunidade e pedimos desculpas aos Nubankers negros, ao movimento negro e aos grupos sub-representados por não termos feito mais.

O Nubank precisa ouvir para se transformar. Precisamos de muito mais ações concretas. Queremos aprender sobre raça para liderar nossos times nesta transformação.

Como fundadores, nos comprometemos a ouvir mais e a agir mais. Já tínhamos iniciativas focadas em recrutamento e inclusão, mas sabemos que é pouco.

Somos inconformados por natureza, questionamos tudo inclusive nós mesmos. Vamos usar essa característica para recomeçar uma jornada de inclusão racial.

Mas não temos e nem queremos soluções simplistas. Por isso, estamos desenhando uma agenda real com ações concretas e ambiciosas de transformação na área de diversidade racial, a qual dividiremos ainda em Novembro com os números do nosso compromisso.

Para criá-la, estamos trabalhando com nossos Nubankers, representantes da comunidade negra, especialistas em diversidade racial, consultores e ONGs.

Para já, acabamos de firmar uma parceria com o Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) como primeiro passo nessa jornada de aprendizado e transformação. O objetivo é ampliar nosso entendimento sobre o tema, firmar nosso engajamento público e contínuo e acelerar a promoção da igualdade racial no Nubank.

O ID_BR confere às empresas que estão neste caminho o Selo “Sim à Igualdade Racial” no nível “Compromisso”, e o Nubank já está incluso nesse processo. Existe uma agenda a ser realizada e o instituto irá nos acompanhar nessa jornada para darmos sequência no planejamento estratégico voltado à temática racial.

Decidimos também dobrar o tamanho do time interno dedicado a recrutar profissionais de grupos sub-representados em todas as posições e níveis da empresa e reforçar a busca por lideranças negras para nos ajudar nesse processo.

Temos certeza que esse trabalho trará benefícios para o Nubank e para a sociedade. Esperamos que bancos, fintechs e demais agentes do sistema financeiro entrem nesse movimento conosco para ajudar a mudar a realidade à nossa volta.

Nosso compromisso agora é desafiar de novo o status quo — desta vez, no campo da diversidade e inclusão racial no Brasil e na América Latina.

David Vélez, fundador e CEO do Nubank.
Cristina Junqueira, cofundadora.
Edward Wible, cofundador.

Valeu pelo primeiro tempo

POR GERSON NOGUEIRA

Remo x Imperatriz, Eduardo Ramos, gol Mangueirão

A goleada era previsível, mas havia dúvida se o time teria concentração diante de um adversário tecnicamente fragilizado (com apenas três jogadores no banco de reservas). A resposta foi altamente positiva: o Remo não só construiu as jogadas que conduziram à vitória, como se mostrou inspirado e intenso, principalmente no primeiro tempo.

O resultado mantém os azulinos em excelente situação no grupo A, com amplas possibilidades de classificação. Com 22 pontos, o Leão precisa somar mais seis, duas vitórias, para terminar entre os quatro primeiros colocados, mas há o objetivo de se classificar bem, nos dois primeiros lugares, o que permitirá um cruzamento melhor na próxima fase.

No sábado à noite, o jogo começou em ritmo forte, mas com predomínio dos setores de marcação, mas aos poucos o Remo foi quebrando as resistências defensivas do Imperatriz. Aos 6 minutos, Marlon foi à linha de fundo e cruzou rasteiro para a finalização de Tcharlles na pequena área.

O gol entusiasmou os azulinos, que seguiram pressionando, mas, aos 17’, o Cavalo de Aço quase chegou lá. Cesinha cobrou muito bem uma falta da entrada da área. A bola foi no ângulo direito, Vinícius espalmou e a bola caiu nos pés de um atacante maranhense. Atento, o goleiro conseguiu rebater de novo impedindo o gol.

Aos 26’, porém, o Remo voltou a explorar os lados. Wallace cruzou e a bola chegou a Eduardo Ramos, após corta-luz esperto de Hélio. Ramos pegou de jeito e mandou a bola no canto direito da meta maranhense.

O Remo continuou absoluto, explorando todos os setores e tendo liberdade para jogar com Ramos e Tcharlles. O Imperatriz povoava o meio, mas a ala esquerda azulina estava em noite inspirada. Marlon era o jogador mais acionado do time e criava sempre boas situações.

Tcharlles aproveitou um vacilo da zaga, aos 35’, para ampliar de cabeça. A goleada começava a se desenhar, mas o Imperatriz mostrava valentia e de vez em quando ameaçava. Aos 41’, Cesinha cobrou outra falta com muito perigo. A bola resvalou na barreira e bateu no travessão.

O 1º tempo estava no fim, mas Hélio ainda teve tempo de fazer o seu. Oportunista, apareceu na área e tocou rasteiro na saída do goleiro.

Para o 2º tempo, Paulo Bonamigo decidiu dar oportunidade a outros jogadores. A partida estava decidida e o cenário favorecia rodar o elenco. Assim, o estreante Salatiel entrou no lugar de Wallace e Carlos Alberto substituiu Hélio. O Imperatriz só queria evitar um vexame maior e parava as jogadas tentando conter o ímpeto ofensivo do Remo.  

Salatiel teve uma boa chance e finalizou com perigo, mas as mudanças tiraram parte da força exibida na etapa inicial. Bonamigo fez então novas mexidas colocando Julio Rusch e Ermel no lugar de Ramos e Charles.

Marlon, aos 22 minutos, cobrou falta e mandou no travessão. O Imperatriz se fechava, mas não deu para impedir o quinto gol azulino. Aos 23’, Ermel aproveitou passe perfeito de Marlon dentro da área, balançando as redes pela última vez. Dioguinho ainda substituiu Tcharlles, mas o jogo estava resolvido. Valeu principalmente pelo 1º tempo quase perfeito, com destaque para as atuações de Marlon, Tcharlles e Eduardo Ramos.

Papão decide jogo em 1 minuto e sai do sufoco

O placar se definiu logo a um minuto. Wellington Reis recebeu a bola pelo lado esquerdo da área, o goleiro se apavorou e saiu para tentar deter o cruzamento. Foi driblado e o chute do volante saiu rasteiro, passou por baixo de Andrei e entrou rente ao poste. O triunfo se desenhava bem mais cedo do que poderia supor até o torcedor mais apaixonado.

Jogador dos mais contestados, Reis acabou sendo responsável por uma vitória importantíssima do Papão na luta para escapar às últimas colocações do grupo A e voltar a acreditar na classificação. O time estava há quatro jogos sem vencer.

A partir daí, o Treze se empenhou em pressionar a defesa paraense e quase empatou logo aos 2 minutos, após cobrança de escanteio. Apesar do esforço, faltava jeito e habilidade ao time paraibano. Os chutes saíam forçados e de longe, para boas defesas do goleiro Paulo Ricardo.

O PSC se limitava a tocar a bola e esperar espaço para contra-atacar. A melhor chance foi no fim do primeiro tempo, com Nicolas, mas o goleiro defendeu com segurança.

No 2º tempo, o panorama não mudou. O Treze atacava e cruzava bolas na área, sem sucesso. Perdeu o volante Maycon, expulso logo aos 6 minutos, e as dificuldades aumentaram de tamanho.

Vinícius Leite quase ampliou aos 15’, mas PH levou o segundo amarelo e as forças se reequilibraram, mas o Treze não conseguia pressionar em nível ameaçador. Márcio Fernandes fez mudanças, colocou Frontini no ataque e a chance do empate veio justamente dos pés do centroavante, mas Paulo Ricardo fez grande intervenção.

O jogo terminou 1 a 0, consagrando a estrela de Leandro Niehues, comandante (interino) nas duas vitórias do Papão fora de casa.

Exterminador de recordes, Hamilton lidera o pódio definitivo

Ao longo de 70 anos de Fórmula 1, 880 pilotos tentaram a sorte nas pistas do mundo. Ontem, Lewis Carl Hamilton conseguiu superar a todos, aos 35 anos de idade e 262 GP’s disputados. Ele conseguiu atingir a quase inacreditável marca de 92 vitórias tornando-se o maior vencedor da história, um exterminador de recordes.

Negro, ativista, politizado. Gênio do esporte, não só das corridas. Ontem, no GP de Portugal, em Portimão, o mundo viu uma nova página da história do automobilismo ser escrita por um piloto que honra antecessores geniais, como o próprio Schumacher, Gilles Villeneuve, Niki Lauda e os brasileiros Emerson, Piquet e Senna. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 26)

Tão longe, tão perto

POR GERSON NOGUEIRA

Uma noite mágica: há 55 anos, Pelé vestia a camisa do Remo no Baenão  completamente lotado | remo | ge

Com Pelé, a gente foi feliz e não sabia. Vivemos uma era em que, apesar das distâncias e da comunicação precária, os ídolos eram mais acessíveis. Talvez até porque o conceito de idolatria ainda estava em construção. Os próprios ídolos não sabiam de seu poder e magnetismo. E, claro, não havia ainda o arsenal de ferramentas de marketing para monetizar as emoções.

São reflexões que normalmente faço sobre a complexa relação entre os craques de futebol e torcida. Nos anos 1950 e 1960, auge da majestade de Pelé no planeta bola, o torcedor não tinha o fanatismo que marca as reações atuais. Os excessos não existiam. Os jogadores conviviam pacificamente, apesar da fama, com o cidadão comum.

Eram tempos que permitiam a um astro da magnitude de Pelé sair tranquilamente à rua em Santos ou qualquer outra cidade. Desfrutava da paz que cerca as pessoas normais. A sociedade midiática que conhecemos ainda levaria décadas para nascer e transformar tudo em superposição de imagens, nem sempre verdadeiras.

Situação oposta aos dias atuais, quando é inimaginável ter contato direto com superastros, como Messi e Cristiano Ronaldo, verdadeiras marcas ambulantes, cercadas de cuidados e rigorosos aparatos de segurança.

Quando esteve em Belém pela primeira vez, já famoso mundialmente pelas diabruras que aprontava ao lado de Coutinho, goleando qualquer time que se pusesse à sua frente, os relatos descrevem um cara que papeava no hall do hotel e não se furtava a um autógrafo.

Era 1965, os Beatles já enlouqueciam fãs do rock mundo afora, mas o futebol tinha suas leis e uma etiqueta que permitia a adoração não invasiva. Eram gestos encabulados, de quem quer chegar junto sem incomodar.

Naquelas turnês que cortavam o Brasil de ponta a ponta, Pelé veio parar em Belém. Abril de 1965. Amistoso noturno num Evandro Almeida socado de gente. O Rei não negou fogo. Fez cinco dos gols da surra de 9 a 4 que o Peixe desfechou sobre um aguerrido Remo.

Antes do prélio, vestiu a camisa azulina e entrou no gramado tributando o dono da casa, para delírio da massa que se acotovelava nas arquibancadas. O torcedor parecia não acreditar: o Rei do futebol vestindo a camiseta azul-marinho ao lado dos companheiros trajados com o alvo manto peixeiro.

Pelé retribuía a gentileza da diretoria remista, que lhe entregou um ramo de flores e uma placa alusiva à visita. Em campo, feito um azougue, ele expôs os motivos de ser reverenciado como o maior jogador da época, bicampeão mundial interclubes e bicampeão mundial com a Seleção.

O Remo foi, como todos os sparrings do Santos de então, um coadjuvante na partida. Os gols que iam saindo aos borbotões não entristeciam a torcida. Muito pelo contrário, cada gol de Pelé era aplaudido freneticamente. Havia a plena consciência de uma noite especial e única.

A felicidade de estar presenciando uma atuação de gala do Rei produziu um milagre: fez com que, pela primeira e última vez, o torcedor azulino vibrar com gols marcados contra o próprio time do coração.

O mesmo enlevo se repetiu em 1968, na Curuzu, mas o Rei desta feita foi mais econômico. Fez apenas um gol na vitória de 3 a 1 sobre o Papão de Quarenta, embora a apresentação tenha sido igualmente aplaudida pela galera, indiferente à derrota alviceleste.

Era moleque, morava em Baião ainda, por isso não acompanhei a passagem do Rei por aqui. Mas, pelo testemunho de amigos (como Edyr Augusto) que estavam lá, é possível reavivar memórias tão ricas, dos tempos em que um timaço de futebol dava espetáculo generosamente em cada cidade visitada. Os 80 anos do Rei merecem todas as reverências possíveis.

Enfim, o Baixinho faz um golaço como senador

Romário (Pode-RJ) apresentou esta semana um projeto de lei para impedir que o sistema desportivo do Brasil puna atletas que se manifestem politicamente. A iniciativa tem a ver com a advertência que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) aplicou em Carol Solberg por dizer “Fora, Bolsonaro” em entrevista após uma partida de vôlei de praia. Não deixa de ser um gesto surpreendente. Romário, ao contrário do craque inquieto dos gramados, é um político de posições conservadoras.

Mas, a essa altura, o que importa é que a proposta acrescenta um artigo libertário à Lei Pelé: “Nenhum atleta poderá ser punido com as penalidades previstas neste artigo ou enquadrado em qualquer infração disciplinar devido a uma manifestação de natureza política, salvo se houver ofensa direta e expressa, durante a disputa de uma competição, a um de seus participantes, patrocinadores ou organizadores”

Pelo projeto, nenhum regulamento, como o do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, manejado para punir Carol, pode ser arguido para impedir o exercício de um direito constitucional. “Qualquer mácula ou obstáculo que se oponha de maneira injustificada e absoluta, seja sob a forma de contrato ou por regulamento esportivo vinculante entre as partes, é nula de pleno direito, por ferir de maneira frontal um direito fundamental indisponível e impossível de ser transacionado”, diz a proposição, protocolada sob o número 5004/2020. Sem dúvida, um golaço do Baixinho.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 22h, na RBATV. Em destaque, os jogos da dupla Re-Pa na Série C. Participações de Valmir Rodrigues e deste escriba baionense. Direção de Toninho Costa.

Falcão marca presença em Belém e dá treino funcional

Com a esperada presença de desportistas, personalidades e artistas paraenses, o craque Falcão participa nesta terça-feira (27), às 19h, da inauguração da Arena Belém, licenciada da marca do “Rei das Quadras”. O evento terá também um treino funcional, criado pelo maior jogador de futsal de todos os tempos. A arena Belém contará com duas atividades licenciadas pelo ex-jogador: uma escolinha de futsal e outra de society para crianças, nas categorias masculino e feminino, de 6 a 17 anos.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 25)

Leandro anuncia saída, elogia diretoria do Papão e critica Hélio

Com 100% de aproveitamento, Leandro Niehues se despede do Paysandu e  desabafa contra Hélio dos Anjos

Depois de ter sido demitido em fevereiro, ser recontratado em setembro, Leandro Niehues está de saída para o Operário-PR. Após comandar interinamente o time na vitória por 1 a 0 sobre o Treze, neste sábado, o auxiliar técnico anunciou que está deixando o Papão para assumir uma função na comissão técnica do Fantasma, hoje dirigido por Matheus Costa, que deixou o PSC no começo da semana. Curitibano, ele poderá, assim, ficar mais próximo da família.

“É uma decisão minha. Era uma coisa que eu sempre pedia, que era poder estar um pouco mais perto da minha casa trabalhando. Fiquei muito tempo longe de casa, longe dos meus filhos. Sempre pedia para poder trabalhar com futebol mais perto de casa. Talvez o povo do Pará não tenha noção, mas o Operário-PR está a 100 km de Curitiba, então eu praticamente vou estar trabalhando em casa”, resumiu.

Antes de anunciar a saída, Leandro Niehues ainda rebateu críticas que haviam sido direcionadas à atual diretoria. O auxiliar desmentiu Hélio dos Anjos nas críticas ao presidente Ricardo Gluck Paul, ao executivo Felipe Albuquerque, ao gerente Eder Delarice e ao vice-presidente Maurício Ettinger.

“O que é verdade tem que ser dito. […] No início do projeto se precisava de um auxiliar da casa, fui convidado, vim e aqui conheci Felipe, Eder e toda essa diretoria. Deixar muito claro, porque é uma situação que foi deixada por todos os treinadores que passaram e foi muito questionada, muito falada. Em todo o tempo que estou aqui, desde Brigatti [em 2019], na sequência Léo Condé, uma pessoa maravilhosa; depois a vinda do próprio professor Hélio, que diga-se de passagem foi uma indicação do Felipe Albuquerque, que estava há praticamente um ano sem trabalhar; e agora na minha volta: nunca, em nenhum momento, houve interferência de diretoria, de Felipe, Eder, Maurício, quem quer que seja, a pedir a escalação de nenhum jogador. Não tenho que fazer média com ninguém até porque estou saindo do clube. Acho importante que as verdades sejam ditas”, garantiu.

“Trabalhei aqui um ano, voltei no início 2020, com o Hélio dos Anjos. Tudo o que eu pude fazer foi feito da melhor maneira possível, mas chegou determinado momento que ele viu em mim uma pessoa que não agradava, mas nunca me disse isso. A prova é que na véspera dele pedir a minha demissão, eu estava em um churrasco na casa dele. Não posso esconder: não era contra mim. Ele queria atingir outras pessoas no clube e sabia que eu era pessoa de confiança dessa diretoria, que ele queria atingir. Não foi legal, porque nisso eu fiquei praticamente quatro meses em casa. Todo mundo precisa trabalhar e foram tempos difíceis”, afirmou Leandro.

Niehues fez questão de elogiar a contratação de João Brigatti. “Tenho convicção que o Brigatti vai fazer um bom trabalho. Os números dele são inquestionáveis. Desde a primeira passagem na Ponte, Sampaio Corrêa, aqui conosco… então acredito que o Paysandu está em boas mãos”.

Leandro Niehues deixa o Paysandu com 100% de aproveitamento em 2020. Ele assumiu interinamente a equipe em duas oportunidade: contra o Ferroviário, pela 7ª rodada (vitória por 2 a 0); e neste sábado, diante do Treze.

100% de aproveitamento
– Evidente que deixa a gente feliz. Somos seres humanos, até tem que ter um pouco de cuidado de não deixar a vaidade se sobrepor, mas a gente fica feliz, ainda mais duas vitórias da maneira que foram, fora de casa, em momentos que, por situações diferentes, a vitória era extremamente necessária. Contra o Ferroviário, pelo momento conturbado pela saída do outro profissional, que acabou conturbando o ambiente, e até na parte de jogo tivemos que mudar um pouco, fazer mais ajustes até do que fizemos com a saída do Matheus, que também era um momento ruim pelos resultados não estarem acontecendo. Mas o ambiente era bom, o trabalho era bom, haja visto que a gente sempre falava que acreditava nesse grupo”.

Após goleada, Bonamigo faz contas para garantir classificação

Remo 5×0 Imperatriz-MA (Tcharlles, Gustavo Ermel e Hélio Borges)

Após a goleada de 5 a 0 diante do Imperatriz, o técnico Paulo Bonamigo destacou a concentração do Remo para construir a goleada. A fragilidade do adversário – lanterna do Grupo A e com apenas três jogadores no banco de reservas – aumentou a responsabilidade azulina, porém o Leão teve tranquilidade para construir o resultado elástico em casa.

“Acho que a gente fica satisfeito. A responsabilidade que o grupo tinha de vencer… O futebol, quando se tem 11 contra 11, a responsabilidade te paralisa, coloca um peso de ter que resolver o mais rápido possível. Gostei, foram muitos pontos positivos desse jogo, principalmente dentro dos conceitos, das ideias de jogo de trabalhar muito forte pelos corredores. Voltamos a ser muito fortes. É continuar trabalhando. Tem jogos em que a gente não vai ter uma certa facilidade como foi nesse”, observou o técnico.

Em seguida, Bonamigo demonstrou preocupação com os próximos compromissos. “A competição é difícil e a nossa cabeça já está no Vila Nova, no próximo domingo. A gente sabe que é um grande concorrente e temos que fazer, sem dúvida, uma partida mais equilibrada do que a que fizemos hoje”.
Contra o Imperatriz, Bonamigo fez as cinco substituições a que tinha direito, procurando dar rodagem a jogadores como o atacante Salatiel, último contratado e que atuou durante todo o segundo tempo. Bonamigo comemorou o aproveitamento dos atacantes no embate diante dos maranhenses.

“Estamos, a cada jogo, procurando ganhar jogadores. O foco é muito dentro do elenco, sempre fortalecendo o espírito de equipe. Foi importante o Ermel ter feito o gol, isso vai dar um nível de confiança maior pra partida seguinte. O Hélio fez gol, o Tcharlles fez dois, isso faz com que ele tenha uma nova motivação dentro da competição, nós vamos precisar. Independente de quem jogar, os atletas têm que dar sempre o melhor nos 90 minutos”, analisou.

Bonamigo faz as contas pela classificação à próxima fase da Terceirona e considera que mais duas vitórias garantem a classificação. O comandante azulino enfatizou a necessidade de contar com um grupo enxuto contra o Vila, um adversário direto na briga pela vaga à próxima fase.

“Temos um objetivo macro, que é uma subida de divisão. Temos as metas a pequeno prazo, que é a classificação e, pra isso, nós precisamos somar pontos, fazer vitória. Talvez com duas já possibilita, nesses próximos seis, uma classificação. Pra isso temos que continuar trabalhando forte. Uma semana pra gente ter a condição de intensidade, espírito de marcar forte. Estamos crescendo em cima do que a gente está colocando como ideia de jogo”.

Kappa lança camisa pelos 115 anos do Leão

Camisa 4 do Remo 2020 Kappa - 115 anos

Na noite deste sábado (24/10), os jogadores do Clube do Remo surpreenderam o Fenômeno Azul na entrada em campo para a partida contra o Imperatriz (MA) no Mangueirão, despertando atenção para uma nova camisa. Trata-se do manto azulino em homenagem aos 115 anos de fundação do clube.

O anúncio de lançamento define o modelo de uniforme: “A camisa feita de história, costurada com glórias e triunfos, tingida pelo azul mais bonito do planeta. Hoje jogamos com o novo fardamento de um fenômeno. Apresentamos a nova camisa comemorativa de 115 anos do Mais Querido”.

“O conceito da camisa tem como proposta homenagear os 115 anos do Clube do Remo. Todos os detalhes que compõem a peça foram cuidadosamente desenvolvidos após extensa pesquisa que resultou em uma peça única, que retrata a trajetória do maior e mais vitorioso clube da Amazônia. A concepção, estética e pesquisa foram realizados, assim como no recém lançado 3º uniforme, alusivo aos 185 anos da Cabanagem”, explicou o diretor do departamento, Renan Bezerra.

Como Pelé é eterno mesmo que um dia seja desprezado em favor de um Beckham

O ex-jogador Pelé - Sandro Baebler /Hublot via Getty Images

Por Rodrigo Mattos

Era uma tarde de setembro de 2009 quando Pelé desembarcou no aeroporto de Copenhague. Participaria ali da campanha do Rio de Janeiro para ser sede da Olimpíada de 2016. Chegou como sempre cercado por fotógrafos, repórteres, assessores, ajudantes, um séquito. Em seu caminho, surgiu um pai dinamarquês com três filhos, todos trajando a camisa do Milan. O pai ficou eufórico com a presença de Pelé e imediatamente levou os filhos para pegarem autógrafos com o Rei. Bem, os garotos não estavam tão animados.

Com suas camisas do Milan, eles estavam ali para pegar autógrafos de Beckham que chegaria no mesmo aeroporto e atuava no time italiano. O pai forçou os garotos a pegar os autógrafos enquanto explicava a importância de Pelé. A cara dos garotos era de contrariedade. Minha recordação daquela cena foi comprovada quando encontrei uma foto com os meninos olhando assustados enquanto o Rei dava autógrafos em suas camisas.

É um reflexo de como as gerações mais jovens valorizam os jogadores que estão na frente dos seus olhos, dos feitos que podem testemunhar. É absolutamente compreensível que os torcedores mais jovens entendam que nunca existiu um jogador tão genial quanto Messi, ou que Cristiano Ronaldo é o atacante fisicamente mais completo do jogo.

Não são poucas as imagens de Pelé disponíveis que poderão ser mostradas nos seus 80 anos festejados na sexta-feira. Mas não têm a mesma qualidade das transmissões atuais, não têm o mesmo dinamismo do futebol de hoje. Já era difícil convencer um garoto de 2009 a assistir àqueles lances, imagine agora em plena era do videogame.

Resta a tradição oral e escrita para manter o Rei seu trono. São as celebrações redundantes na imprensa pelos 80 anos de Pelé, são as referências feitas por jogadores e técnicos atuais como Neymar a sua grandiosidade, são os títulos marcados em sua trajetória.

Em 2020, a geração atual já lembra até aquele Beckham como passado. Um bom jogador que ficou para trás. Mas sempre haverá um pai para explicar aos filhos quem foi Pelé.