Como Pelé é eterno mesmo que um dia seja desprezado em favor de um Beckham

O ex-jogador Pelé - Sandro Baebler /Hublot via Getty Images

Por Rodrigo Mattos

Era uma tarde de setembro de 2009 quando Pelé desembarcou no aeroporto de Copenhague. Participaria ali da campanha do Rio de Janeiro para ser sede da Olimpíada de 2016. Chegou como sempre cercado por fotógrafos, repórteres, assessores, ajudantes, um séquito. Em seu caminho, surgiu um pai dinamarquês com três filhos, todos trajando a camisa do Milan. O pai ficou eufórico com a presença de Pelé e imediatamente levou os filhos para pegarem autógrafos com o Rei. Bem, os garotos não estavam tão animados.

Com suas camisas do Milan, eles estavam ali para pegar autógrafos de Beckham que chegaria no mesmo aeroporto e atuava no time italiano. O pai forçou os garotos a pegar os autógrafos enquanto explicava a importância de Pelé. A cara dos garotos era de contrariedade. Minha recordação daquela cena foi comprovada quando encontrei uma foto com os meninos olhando assustados enquanto o Rei dava autógrafos em suas camisas.

É um reflexo de como as gerações mais jovens valorizam os jogadores que estão na frente dos seus olhos, dos feitos que podem testemunhar. É absolutamente compreensível que os torcedores mais jovens entendam que nunca existiu um jogador tão genial quanto Messi, ou que Cristiano Ronaldo é o atacante fisicamente mais completo do jogo.

Não são poucas as imagens de Pelé disponíveis que poderão ser mostradas nos seus 80 anos festejados na sexta-feira. Mas não têm a mesma qualidade das transmissões atuais, não têm o mesmo dinamismo do futebol de hoje. Já era difícil convencer um garoto de 2009 a assistir àqueles lances, imagine agora em plena era do videogame.

Resta a tradição oral e escrita para manter o Rei seu trono. São as celebrações redundantes na imprensa pelos 80 anos de Pelé, são as referências feitas por jogadores e técnicos atuais como Neymar a sua grandiosidade, são os títulos marcados em sua trajetória.

Em 2020, a geração atual já lembra até aquele Beckham como passado. Um bom jogador que ficou para trás. Mas sempre haverá um pai para explicar aos filhos quem foi Pelé.

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