Manifesto e abaixo-assinado pelos brigadistas de Alter do Chão

Manifestamos nossa preocupação com o provável indiciamento de membros da Brigada de Alter do Chão, no contexto da já questionada “Operação Fogo do Sairé”, da Polícia Civil do Pará.

Segundo a imprensa, sequer foram realizadas perícias capazes de identificar os verdadeiros responsáveis pelos incêndios ocorridos na região em setembro de 2019 e nem mesmo se concluíram diligências solicitadas pelas defesas, conforme autoriza o Estatuto da Advocacia. Isso revela uma investigação apressada, em dissonância com o que se espera de um Estado Democrático de Direito.

Causa perplexidade que as organizações da sociedade civil sejam apontadas como responsáveis por crimes ambientais. Em realidade, sua atuação, sobretudo na região amazônica, é fundamental para a preservação ambiental e alento para as populações locais. Sobretudo diante do amplo conhecimento de que na região há forte presença de grilagem de terra e especulação imobiliária.

Espera-se, portanto, que o Ministério Público do Estado do Pará, em especial sua 3ª Promotoria de Justiça em Santarém, cumpram as recomendações de organismos de direitos humanos (a exemplo da Recomendação nº 25, de 11 de dezembro, do Conselho Nacional de Direitos Humanos), e exerçam efeito e altivo controle da atividade policial, inclusive reconhecendo as apontadas falhas na investigação.

Direto do Twitter

“Hoje (ontem) o clube do povo, socialista, de origens operárias sagrou-se campeão batendo o clube que, apesar de amado pelo povo, o rejeita, privando-o do acesso aos estádios, e foge da responsabilidade sobre o homicídio de jovens da periferia. Parabéns Liverpool, o novo campeão mundial!”.

Botafogo Antifascista

A besta está babando

Por Leandro Fortes, para o Jornalistas pela Democracia

Quem, como eu, passou os últimos 30 anos como jornalista militante, em Brasília, sempre soube que Jair Bolsonaro era um desqualificado absoluto. Um sujeito simplório, ignorante, mas esperto o suficiente para ter vislumbrado na comunidade de baixas patentes das Forças Armadas um nicho eleitoral eficiente.

Nessa alcova, elegeu-se repetidamente deputado federal, ora pregando o fechamento do Congresso Nacional, ora dando abrigo a mulheres de praças e oficiais que iam bater panela na Esplanada dos Ministérios em nome das reivindicações salariais dos maridos.

Sua presença era risível, no pior sentido, dentro do Parlamento, onde transitava sem amigos ou aliados, um espectro que provocava somente desprezo e asco, nas poucas vezes que abria a boca para tratar sobre qualquer coisa.

Que Bolsonaro tenha se tornado presidente da República diz muito mais sobre o tipo de sociedade que nos tornamos – individualista, mesquinha e ignorante – do que sobre ele mesmo. 

Ao vê-lo vociferando sobre jornalistas, sob aplausos e mugidos da claque de idiotas estacionada no Palácio da Alvorada, digo, sem titubear: Bolsonaro não mudou em absolutamente nada.

Continua o mesmo alucinado que escarrava impropérios contra repórteres, quase sempre mulheres, nos corredores da Câmara. O mesmo parlamentar que desrespeitava colegas – sempre mulheres – com agressões de baixíssimo calão, com modos de psicopata.

As revelações de que o filho mais velho, Flávio Bolsonaro, o 01, comandava o crime organizado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro serviu apenas para jogar sua personalidade caótica no campo da irracionalidade absoluta. 

A permanência desse sujeito na Presidência da República deixou, faz tempo, de ser um exotismo político. Trata-se, agora, de um insulto civilizatório que ameaça o próprio conceito de democracia, sob qualquer aspecto, mas sobretudo, o moral.

Sucesso do Liverpool “se baseia em socialismo”, diz diretor do clube

O diretor executivo do Liverpool, Peter Moore, avaliou em entrevista ao jornal El País que o sucesso do clube, que se tornou campeão mundial neste domingo (21) derrotando o Flamengo, tem a ver com valores socialistas que se relacionam com a base operária da cidade que dá nome ao clube. 

Segundo Peter Morre, também contribuiu para este sucesso o histórico técnico Bill Shankly, que era socialista. “Tivemos essa incrível figura histórica no Liverpool: Bill Shankly, um treinador socialista de Escócia que estabeleceu as bases. Ainda hoje, quando falamos de negócios, perguntamos: ‘O que faria Shankly? O que diria Bill nesta situação?’. Era um verdadeiro socialista que acreditava que o futebol consistia em trabalhar em conjunto”, declara Moore em entrevista publicada em outubro deste ano. 

Ele também destaca os aspectos locais que fazem do Liverpool um clube “socialista”. “Há uma faixa na The Kop [famoso setor de arquibancada do Anfield] que diz: ‘A união faz a força’. Liverpool é uma cidade socialista, de tradição operária, muito unida ao porto. Já foi o porto mais movimentado do planeta. Isso mudou, mas permanece, até certo ponto, o sentido da unidade e da insularidade”, avalia. 

Klopp: “Se existe alguma coisa que jamais faria na minha vida, é votar na direita”

Por Gerd Wenzel

Se ainda faltava alguma coisa para Jürgen Klopp ser colocado na primeira prateleira dos grandes técnicos do futebol mundial, agora não falta mais nada. Depois do triunfo de Madri, o “good german”, como costuma ser chamado pelos habitantes de Liverpool, fará parte da galeria dos treinadores que marcaram como poucos a história dos “Reds”: Bill Shankly, Bob Paisley, Joe Fagan e Rafael Benitez.

Em 2015, ao iniciar o seu trabalho na cidade dos Beatles, numa de suas primeiras coletivas de imprensa, Klopp havia prometido que, mais tardar dentro de quatro anos, venceria um título. Só não especificou qual. Antes de chegar ao lugar mais alto do pódio, porém, encarou alguns insucessos, como, por exemplo, a sina de não conseguir vencer uma final.

Há cerca de quatro anos, quando se transferiu para o Liverpool, já havia perdido três finais com o Borussia Dortmund, fracassos que iriam se repetir com o time inglês, também por três vezes.

Isso sem contar que, na Premiere League propriamente dita, o mais perto que Klopp chegou de colocar a mão na taça foi na temporada encerrada com o vice-campeonato. Faz quase 30 anos que o Liverpool não vence um título da principal competição de futebol da Inglaterra. Será, sem dúvida, o próximo desafio do técnico alemão.

De todo modo, vale lembrar que Jürgen Klopp não está preso à lógica perversa que mede o sucesso de um trabalho pela conquista de um título, qualquer que seja. Talvez por isso, o seu primeiro gesto após o encerramento da final de Madri tenha sido caminhar em direção a Mauricio Pochettino, técnico do Tottenham, para abraçá-lo afetuosamente.  

Logo em seguida, durante inúmeras entrevistas, não se cansava de repetir que “…sucesso ou fracasso não podem ser mensurados tão somente por alguns números…”. Ele considera que o seu trabalho mais apaixonante é desenvolver o potencial dos jogadores e ajuda-los no seu crescimento como profissionais. “Um jogador de um time grande como o Liverpool normalmente atua com 90% a 95% do seu potencial. Cabe a mim conseguir fazer com que entre em campo esbanjando 100%. É isto que muitas vezes vai fazer a diferença”, declarou recentemente.

Outro aspecto muito trabalhado pelo treinador é o fator motivacional baseado em duas colunas mestras: fé e vontade. O capitão Henderson reconhece: “A palavra de Jürgen no vestiário nos leva a inabalável crença que podemos sim, conquistar o que quisermos! Foi assim contra o Barcelona e hoje de novo contra o Tottenham”. 

Antes de entrar em campo para a partida decisiva contra os catalães, Klopp disse ao grupo: “Sejam como leões que não comem há dois meses”. Os jogadores do Barcelona devem ter sentido na própria carne esta fé que move montanhas e a fome irresistível de vencer dos “Reds”.

E tem ainda o fator empatia. Andando pelas dependências do clube com ele, a gente tem a nítida impressão que Klopp é amigo íntimo de todo mundo, desde o funcionário mais humilde, passando pelos auxiliares dos diversos departamentos até os gestores e executivos.

“Nunca vi nada parecido”, explica o intransponível zagueiro Virgil van Dijk. “Ele sempre nos diz: ‘Vocês não jogam só por vocês mesmos. Vocês jogam por todos aqueles que estão sempre disponíveis para lhes ajudar, por seus companheiros, por seus fãs, pelos funcionários do clube que sempre fazem de tudo para que vocês possam dar o melhor em campo’. Essa mensagem toca fundo o nosso coração”.  

A empatia de Klopp não se restringe apenas ao seu convívio cotidiano com as pessoas, seja no trabalho ou no seu ambiente privativo rodeado por familiares e amigos. Abrange também o coletivo, fazendo com que frequentemente se manifeste sobre questões políticas e problemas sociais.

Ao jornal El País Jürgen Klopp deixou claro que, como cristão protestante, é movido por um poderoso sentido comunitário de solidariedade. 

Em novembro do ano passado, por exemplo, na partida contra o Estrela Vermelha em Belgrado, Klopp colou na sua jaqueta um button com a flor fênix, símbolo da Sérvia, em homenagem a 1,2 milhão de sérvios mortos pelos exércitos austro-húngaro e alemão durante a Primeira Guerra Mundial. Na época, a matança aniquilou quase 30% da população do pequeno país.

No livro Klopp bring the noise, do jornalista Raphael Honigstein, as palavras do técnico sobre o seu posicionamento político e social não poderiam ser mais claras: “Eu sou de esquerda, naturalmente. É melhor ser de esquerda do que de centro. Eu acredito no Estado de bem-estar social. Não tenho plano de saúde privado. Jamais votaria num partido que promete baixar os impostos. Assim como eu vivo bem, quero que os outros também vivam bem. Se existe alguma coisa que jamais faria na minha vida, é votar na direita”. 

Sobre a preservação do meio-ambiente, em entrevista ao Westdeutsche Zeitung, disse: “Creio que nossa missão é fazer com que nosso minúsculo pedaço de terra seja um pouco mais bonito. A vida consiste em fazer com que os lugares por onde passamos sejam melhores”.

No que diz respeito à cidade de Liverpool, os seus habitantes, especialmente depois da conquista da “Orelhuda”, certamente concordarão com ele.   

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Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast “Bundesliga no Ar”. A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no TwitterFacebook e no site Bundesliga.com.br

Pé frio, Bozo é o “Mick Jagger brasileiro”

O Flamengo perdeu e as zoações em cima de Bolsonaro não param. Agora, com a associação do seu nome a Mick Jagger, o capitão alcançou os TTs do Twitter com a derrota do Flamengo para o Liverpool por 1 a 0 (gol do brasileiro Firmino na prorrogação) na final do Mundial de Clubes da Fifa realizado no Qatar.

Com um detalhe: ao contrário do astro do Rolling Stones, que sempre foi tratado com carinho pelos torcedores, apesar de nem sempre dar sorte, o capitão está virando pária também nas arquibancadas. A hashtag ‘Bolsonaro Mick Jagger brasileiro’ está bombando nas redes.

Com gol brasileiro, Liverpool conquista Mundial de Clubes

O Liverpool é o novo Campeão do Mundo.

Por 1 a 0, a equipe venceu o Flamengo neste sábado na prorrogação, após empate em 0 a 0 no tempo normal. O gol do título foi marcado pelo brasileiro Firmino logo nos minutos iniciais da prorrogação. A final aconteceu no Qatar, país que vai sediar a Copa do Mundo de 2022.

Embora tenham conquistado a Liga dos Campeões seis vezes, os ingleses estão apenas em sua quarta participação no Mundial. O Liverpool disputou duas vezes a Copa Intercontinental, contra o campeão da Libertadores, e uma vez o torneio organizado pela Fifa.

Com a vitória, a equipe inglesa desforra a derrota que sofreu para o Fla de Zico, Adílio, Andrade e Nunes na final de 1981.

Apesar do resultado, o torcedor do Flamengo tem motivos para se orgulhar desta equipe. O Flamengo soube jogar de igual e não foi totalmente dominado como outros times brasileiros.

Houve sustos, claro, como quando Roberto Firmino tocou por cima ao sair de frente para Diego Alves, mas a valentia rubro-negra foi representada nas boas arrancadas de Bruno Henrique.

Flamengo contra Liverpool na final do Mundial de Clubes Foto: KAI PFAFFENBACH / REUTERS
Flamengo x Liverpool na final do Mundial. Foto: KAI PFAFFENBACH / REUTERS

Até a sorte de campeão parecia estar do lado do Flamengo, como quando Firmino quase marcou após chapelar Rodrigo Caio e acertar a trave. Ou quando o VAR foi acionado no fim do tempo regulamentar para retirar o pênalti em Sadio Mané.

Mas na prorrogação, faltou perna ao Flamengo – consequência dos 74 jogos feitos na temporada. No primeiro contra-ataque bem conectado pelo Liverpool, Firmino mostrou frieza para driblar Rodrigo Caio e Diego Alves e tocar para as redes.

O Flamengo ainda teve minutos para tentar o empate, mas o fôlego pesou. Os aplausos dos rubro-negros em Doha simbolizam o agradecimento pelo ano histórico apesar do vice-campeonato.