Trivial variado do governo ioiô, que muda decisões a cada 24 horas

“A incrível história do presidente que forja atitudes populares anulando decisões impopulares que ele mesmo havia tomado. Essa estratégia é uma maravilha pra distrair gado otário”. Paulo RJ

“Funciona assim: – ele determina. – Se não tem reação, fica determinado… – Se se há reação, ele finge que foi um “alienígena” no governo que determinou (Quem sabe um cubano, um Venezuelano ou comunista?) e determina excluir a determinação! Hahahah”. Drica Camara

“O projeto de Bolsonaro é destruir o que conhecemos hoje como arte e cultura. Quem tem deus acima de todos, como creem os bolsonaristas, não precisa de mais nada”. Lula Falcão

“Quando eu falo que o golpe foi misógino tem gente que me pede provas. Dilma foi afastada há 3 anos, foi inocentada de uma série de acusações, mas não pode ter paz em um voo, é chamada de “bandida” enquanto essa mesma gente exalta miliciano suspeito de envolvimento em assassinato”. Raniele Carvalho

“Macri fez tudo o que o receituário neoliberal manda. O mesmo que bolsonaro e guedes adotam aqui. Durante seu governo a economia só retrocedeu e a Argentina foi bater na porta do FMI. O Brasil está no mesmo caminho. Mas os hermanos, pelo menos, já se livraram do seu encosto”. Ricardo Pereira

Luxemburgo, comissão e parte dos funcionários do Vasco não recebem salários desde julho

Livre do rebaixamento, em clima de mobilização e com festa no Maracanã cheio para se despedir da temporada contra a Chapecoense, o Vasco ainda busca recursos para resolver problemas em casa. O técnico Vanderlei Luxemburgo, a comissão técnica, a direção do futebol e parte dos funcionários, de faixa salarial mais elevada (acima de R$5,5 mil), não recebem desde julho.

São quatro meses de atraso: agosto, setembro, outubro e novembro, de acordo com regime das leis trabalhistas. O Vasco há anos mantém acordo para que os pagamentos até o dia 20 de cada mês, o que tiraria o vencimento de novembro desta dívida, que é maior do que a dos jogadores.

Os últimos pagamentos privilegiaram atletas e funcionários com faixa salarial menor, que ainda têm a receber setembro, outubro e novembro. Havia promessa de pagamento de parte dessa dívida nesta semana, mas até sexta-feira à noite não foi quitada. Para funcionários mais antigos, de faixa salarial maior, consta da dívida ainda dezembro e 13º salário de 2017. Sim, 2017.

Com premiação do Brasileiro e outra parte de recursos de direito de transmissão nos próximos dias, o clube espera acertar boa parte da dívida com todos os funcionários – dos jogadores aos colaboradores que recebem menos até os de faixa salarial mais elevada. O incremento de verba com a associação em massa de mais de 100 mil sócios também vai ajudar a diminuir o débito.

A dívida com o elenco ainda é uma barreira no planejamento do futebol para 2020. Neste sábado o presidente vai conversar com Vanderlei para discutir a renovação de contrato. Na pauta, além de possíveis reforços, dispensas e promoções da base, a dívida com funcionários, com ele próprio e com toda a comissão técnica do Vasco. (Do GE)

Datafolha: população não confia nas falas de Bolsonaro

Uma parcela de 43% da população declarou que nunca confia nas falas do presidente da República, Jair Bolsonaro, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado. De acordo com o estudo, outras 37% afirmaram confiar às vezes, e uma parcela de 19% disse confiar sempre. Um por cento não soube responder.

A pesquisa ouviu 2.948 pessoas em 176 cidades de todo o país, entre a última quinta-feira, 5, e sexta-feira, 6. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Bolsonaro e Moro usam máquinas de manipulação de redes sociais

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) apresentou na última semana na CPI das Fake News um rico material que mostra o suposto esquema de funcionamento das milícias digitais do clã-Bolsonaro. O material apresentado aponta que são usadas máquinas de manipulação via redes sociais digitais que impulsionam a quantidade de seguidores de alguns perfis e que também são responsáveis pela criação artificial de distorções dos temas debatidos nas próprias redes.

Em estudo exclusivo para a Fórum, o cientista de dados Antonio Arles analisou quais dos possíveis candidatos à presidência em 2022 poderiam estar usando o mesmo sistema de manipulação das redes.

O estudo recolheu dados de 50 mil usuários e seguidores de: Jair Bolsonaro, Lula, Sérgio Moro, Ciro Gome e Luciano Huck. As personalidades foram escolhidas por terem pontuação expressiva na última pesquisa divulgada pela revista Veja.

“Os 50.000 usuários foram submetidos a um algoritmo que os classificou em grau de automação, com índices indo de 0 a 1, sendo zero para menor probabilidade de automação e 1 para maior probabilidade de automação. Este algoritmo é o TweetBotOrNot que tem, auto declaradamente, 91.9% de acurácia que é, grosso modo, uma medida de precisão. Depois de detectada a probabilidade de automação, plotamos gráficos dos que explicitam a densidade dos graus onde se encontram os possíveis bots seguidores de cada personagem”, explicou Antonio Arles.

Desta forma, é possível concluir que Jair Bolsonaro e Sérgio Moro são as duas personalidades políticas que mais tiveram perfis automatizados localizados pelo método entre seus seguidores.

O cientista de dados afirma que o estudo, apesar de ser ponto de partida para outras investigações mais profundas, confirma o que foi apresentado pela deputada federal Joice Hasselmann na CPI das Fake News.

Remo inaugura Núcleo de Saúde e Performance

Foi inaugurado na manhã deste sábado, no estádio Evandro Almeida, o Nasp – Núcleo Azulino de Saúde e Performance, novo departamento médico do Clube do Remo. O DM foi batizado com o nome de Fernando Oliveira, em homenagem ao ex-atleta, ex-técnico e ex-gerente do clube.

Nas paredes do NASP e em outras dependências do estádio, há espaço para a plotagem de fotos da torcida e de grandes ídolos da história do Leão Azul.

Financiamento privado de campanha: Globo sempre na contramão

Mesmo depois de vários escândalos de corrupção no Brasil decorrentes do financiamento empresarial de campanhas, que foi criminalizado no Brasil pela mídia corporativa para que fosse possível derrubar governos progressistas e implantar uma agenda neoliberal, a Globo agora defende que empresas privadas voltem a ser liberadas a doar recursos para candidaturas políticas.

Em editorial publicado neste sábado, a Globo comnate o único legado positivo da Lava Jato, que é o financiamento público de campanhas. “Grupos políticos que se esforçavam para aprovar o financiamento público integral e a adoção do sistema eleitoral por lista fechada, para aumentar o poder dos caciques partidários — o PT sempre esteve à frente deste bloco —, conseguiram uma grande vitória, mesmo parcial. Não veio o voto em lista, mas foram usados com esperteza os escândalos do petrolão e outros, em que grandes empresas privadas se envolveram em esquemas políticos para assaltar estatais (Petrobras, Furnas, Eletrobras etc.), com a finalidade de levar o Supremo a ver no financiamento público a chave da moralidade”, diz o texto.

“Cabe ao presidente Bolsonaro vetar o inchaço do Fundo Eleitoral. A questão, porém, é mais ampla, tem a ver com o sistema de financiamento instituído depois que o STF alijou as empresas das finanças da política. A realidade mostra que este mundo continua envolto em sombras, com o Tesouro pagando uma conta crescente. Trocou-se o custo da corrupção arcado pelo contribuinte pelo preço da avidez do Congresso em inflar o orçamento da política, também pago pelo Erário. É preciso repensar as contribuições de empresas em novos moldes, assentados num sistema de freios e contrapesos que, além de reduzir o fardo sobre os contribuintes, garanta a lisura entre partidos, políticos e seus financiadores”, diz ainda o texto.

Na prática, a Globo defende que empresas privadas sejam autorizadas novamente a sequestrar a agenda pública do País, por meio do financiamento privado de campanhas.

A pequena-burguesia e o mito da classe média

Por Leonardo Coreicha

A pequena-burguesia é uma classe pré-capitalista. Ela surgiu na Idade Média, dos caixeiros-viajantes, dos artesãos e dos comerciantes das cidades portuárias. Mas foi sendo lentamente suplantada pelos grandes comerciantes, que se aproveitaram das cruzadas e, principalmente das grandes navegações.

A grande burguesia comercial alcançou o poder, mas não suprimiu a pequena burguesia, que ainda dominava o comércio varejista até a Revolução Industrial.

Durante a Idade Média, a pequena-burguesia se organizou em corporações de ofício, onde reuniam os artesãos e comerciantes das cidades (burgos). As corporações de ofício era uma organização de classe, garantindo à pequena-burguesia o domínio econômico sobre determinado setor e impedindo que os trabalhadores assalariados pudessem disputar espaço na economia autonomamente.

Assim, conforme crescia a pequena-burguesia, crescia junto com ela um proletariado, que ainda era pequeno e desorganizado. Porém, com a revolução industrial, a pequena-burguesia perde espaço para a grande burguesia e o número de proletários sobe numa progressão geométrica em relação ao avanço da industrialização da produção de mercadorias.

Com o avanço da manufatura, e ainda mais com a indústria, a pequena-burguesia perde o status de donos da cidade (os burgueses, por definição) e passam a ser periféricos, uma sombra da burguesia. Entretanto, ideologicamente, esta classe, já empobrecida e desprivilegiada, mantém a pompa e o orgulho burguês.

“O comércio e a manufaturara criaram a grande burguesia, enquanto nas corporações concentravam a pequena-burguesia. Que então já não dominava mais nas cidades como antes, mas tinha que se curvar ao domínio dos grandes comerciantes e manufatureitos.” (Marx;Engels, 2007. p. 57)

Durante a Revolução Francesa, a pequena-burguesia toma a vanguarda do movimento. Se torna revolucionária, radical, contra os desmandos da nobreza. Apoiam o partido jacobino, buscando alçar o poder através do domínio do Estado. Entretanto, acabam cedendo à burguesia e retomam seu papel periférico, disputando com o lumpemproletariado os espaços que restaram nas cidades.

Esta constante insegurança faz da pequena-burguesia um caldeirão ideológico, de onde saem os intelectuais da burguesia e, em número bem menor, também intelectuais comprometidos com o proletariado. Isto se deve ao fato da pequena-burguesia ser a fração mais letrada da sociedade, pois necessita de conhecimentos para manter seus negócios. Ao contrário do burguês que vive tão somente da mais-valia, muitos pequeno-burgueses têm que trabalhar, seja gerindo seus negócios, como sendo profissionais liberais (advogados, professores universitários, engenheiros, médicos, entre outros poucos ofícios que mantiveram o status de profissão liberal, ou seja, a condição econômica que permite que vivam como pequeno-burgueses.

Como membro de uma classe intermediária, o pequeno-burguês luta para alçar a posição de classe dominante (burguês, strito sensu), entretanto, vive sob o medo de tornar-se aquilo que mais abomina: o trabalhador assalariado (o proletário).

Em meio a crise economia, a pequena-burguesia tende a radicalizar-se, geralmente ao lado da burguesia, pois mais do que do dinheiro, o pequeno-burguês vive do status de ser superior aos trabalhadores, gabando-se da sua posição na divisão intelectual do trabalho. E pretende a todo custo manter os mais pobres em seu devido lugar.

Entretanto, desde a ascensão do capitalismo, a pequena-burguesia se proletarizou, como dizem Marx e Engels (2001):

A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até então reputadas veneráveis e encaradas com piedoso respeito. Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados.

Logo, a grande maioria dos que se acham pequeno-burgueses vive apenas de um passado que nunca viveu. Vivem alienados em uma construção ideológica chamada de Classe Média.

Marilena Chauí define acertadamente a classe média como uma bobagem sociológica, pois não define nada. A classe média é um mito. Ela critica veementemente a propaganda governamental que impõe ideologicamente o conceito de nova classe média ao proletariado que alcançou níveis mais altos de consumo, se comparando à pequena-burguesia.

É a sociologia, sobretudo a de inspiração estadunidense, que introduz a noção de classe média para designar esse setor socioeconômico, empregando, como dissemos acima, os critérios de renda, escolaridade, profissão e consumo, a pirâmide das classes A, B, C, D e E, e a célebre ideia de mobilidade social para descrever a passagem de um indivíduo de uma classe para outra. (CHAUÍ, 2013)

Assim, segundo Chauí, o proletariado não estava entrando na classe média, estava sendo introduzido na sociedade de consumo, se misturando neste (único) ponto à pequena-burguesia, fruto da política social-democrata promovida pelos governos do PT. Para ela surge sim uma nova classe trabalhadora, ampliada através do alcance de direitos sociais.

A fala de Marilena Chauí no lançamento do livro sobre os 10 anos dos Governos Lula e Dilma foi criticada duramente pela direita, que postou diversas vezes uma fala descontextualizada e até por uma “esquerda” social-democrata, que se prendeu aos vídeos da direita e nem teve o trabalho de tentar entender o contexto (I). Pois, Marilena diz:

“Eu odeio a classe média. A classe média é atraso de vida. A classe média é estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. (…) A classe média é uma abominação política, porque ela é fascista. Ela é uma abominação ética, porque ela é violenta. E ela é uma abominação cognitiva, porque ela é ignorante.” (II)

Neste ponto, Marilena Chauí se remete ao conceito de pequena-burguesia como classe média, a pseudo-elite preconceituosa, empobrecida e ideologicamente mais próxima do lumpemproletariado do que, como acha, da burguesia.

Assim sendo, o conceito de classe média não nos serve. Apenas nos remete à confusão entre a definição da decadente pequena-burguesia (que se mistura com o lumpemproletariado, na proliferação ideológica de extrema direita) com a definição de proletariado (que abarca todos os trabalhadores assalariados, incluindo os trabalhadores improdutivos que antes eram profissionais liberais).

REFERÊNCIAS:

CHAUÍ, Marilena. Uma nova classe trabalhadora. In: SADER, Emir. (org.).10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma / — São Paulo, SP: Boitempo; Rio de Janeiro: FLACSO Brasil 2013.

MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia Alemã: crítica da mais recente filosofia alemã em seus representantes Feurbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão em seus diferentes profetas. São Paulo: Boitempo, 2007.

MARX, K.; ENGEL, F. Manifesto Comunista. São Paulo: CPV, 2001.

(I) http://www.socialistamorena.com.br/marilena-chaui-errou-em-atacar-a-classe-media/

(II) https://www.youtube.com/watch?v=FeP4rWe0zdw