Papão paga salários de outubro e quita metade do 13º

Após a queda para a Série C, o Paissandu precisou se reestruturar financeiramente e enfrentou problemas com o pagamento de salários do elenco. Em entrevistas, ainda durante a Série C e a Copa Verde, alguns jogadores chegaram a falar do assunto, mostrando compreensão com as dificuldades. Com o objetivo de fechar a temporada com o mínimo de pendências, o clube quitou integralmente os salários referentes ao mês de outubro.

O pagamento teria ocorrido na semana passada, segundo uma fonte ligada aos jogadores. Além dos salários, o PSC pagou a primeira metade do décimo terceiro. O esforço agora é para quitar novembro e depositar a segunda metade do 13º antes do final do ano.

Sobre as dívidas trabalhistas, surgidas nas últimas semanas, o presidente Ricardo Gluck Paul disse em entrevistas recentes que o problema etá diretamente associado ao rebaixamento para a Série C, no final do ano passado.

“É reflexo da queda para a Série C. Porque você sai de um universo onde recebia R$ 8 milhões, patrocínio. Sócio torcedor, quantidade de jogos, porque joga mais na Série B, então tem bilheteria. Se perde em torno de R$ 12 a 15 milhões quando cai da Série B para a C no caso do time do Pará. Isso causa um desequilíbrio financeiro muito grande, de curto e médio prazo”, explicou o presidente em entrevista no programa “Bola na Torre”.

Uma festa que começou bem antes de Cristo

Roma, século 2, dia 25 de dezembro. A população está em festa, em homenagem ao nascimento daquele que veio para trazer benevolência, sabedoria e solidariedade aos homens. Cultos religiosos celebram o ícone, nessa que é a data mais sagrada do ano. Enquanto isso, as famílias apreciam os presentes trocados dias antes e se recuperam de uma longa comilança.

Mas não. Essa comemoração não é o Natal. Trata-se de uma homenagem à data de “nascimento” do deus persa Mitra, que representa a luz e, ao longo do século 2, tornou-se uma das divindades mais respeitadas entre os romanos. Qualquer semelhança com o feriado cristão, no entanto, não é mera coincidência.

A história do Natal começa, na verdade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Jesus. É tão antiga quanto a civilização e tem um motivo bem prático: celebrar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. É o ponto de virada das trevas para luz: o “renascimento” do Sol.

Num tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos significava a certeza de colheitas no ano seguinte. E então era só festa. Na Mesopotâmia, a celebração durava 12 dias. Já os gregos aproveitavam o solstício para cultuar Dionísio, o deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos.

Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza. Até povos antigos da Grã-Bretanha, mais primitivos que seus contemporâneos do Oriente, comemoravam: o forrobodó era em volta de Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.

A comemoração em Roma, então, era só mais um reflexo de tudo isso. Cultuar Mitra, o deus da luz, no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno – pelo calendário atual, diferente daquele dos romanos, o fenômeno na verdade acontece no dia 20 ou 21, dependendo do ano. Seja como for, o culto a Mitra chegou à Europa lá pelo século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Centenas de anos depois, soldados romanos viraram devotos da divindade. E ela foi parar no centro do Império.

Mitra, então, ganhou uma celebração exclusiva: o Festival do Sol Invicto. Esse evento passou a fechar outra farra dedicada ao solstício. Era a Saturnália, que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. “O ponto inicial dessa comemoração eram os sacrifícios ao deus.

Enquanto isso, dentro das casas, todos se felicitavam, comiam e trocavam presentes”, dizem os historiadores Mary Beard e John North no livro Religions of Rome (“Religiões de Roma”, sem tradução para o português). Os mais animados se entregavam a orgias – mas isso os romanos faziam o tempo todo. Bom, enquanto isso, uma religião nanica que não dava bola para essas coisas crescia em Roma: o cristianismo.

(Transcrito de Superinteressante)

No Natal, Bolsonaro presenteia os seus

Por Helena Chagas

Se ainda havia alguma dúvida, os presentes de Natal de Jair Bolsonaro mostraram de forma clara para quem ele governa e onde quer estar: com sua base social e com os mais ricos. O inédito indulto a policiais, militares e agentes de segurança condenados por crimes culposos tenta ressuscitar uma medida que já foi rejeitada pelo Congresso — o excludente de ilicitude — para agradar à sua base social. O pessoal da segurança pública, que vai além dos integrantes das corporações e da bancada da bala, sentiu-se presenteado.

É crime culposo — sem intenção — atirar a esmo de forma irresponsável e matar uma criança com a bala perdida? Enquanto for, e com uma ajudinha de Bolsonaro, casos assim vão continuar aumentando, como ocorreu no primeiro ano do governo do ex-capitão.

Subsidiariamente, o presidente mostra também, com seu indulto, que não pensa duas vezes antes de afrontar o Congresso. Certamente terá que se ver (de novo) com o STF, a quem caberá dizer se tal indulto é ou não constitucional. No ano passado — lembram? — Michel Temer incluiu no seu políticos condenados por corrupção e teve o ato suspenso pela Corte. É uma questão de tempo.

Os outros presentes de Natal não deixam margem a dúvidas. Bolsonaro governa preferencialmente também para o andar de cima, os mais ricos — aliás, segmento da população que, segundo as pesquisas, anda muito satisfeito com ele. O anúncio da equipe econômica de que vai acabar com a desoneração dos produtos da cesta básica vai sacrificar os de sempre.

Não adianta substituir a medida por um hipotético acréscimo de vinte e poucos reais no Bolso Família — programa, aliás, que anda no alvo dos tecnocratas bolsonaristas para sofrer reformulações. O problema é que a redução nos preços da cesta básica pela isenção de impostos beneficia um universo que vai muito além dos beneficiários do programa — e que, apesar de não ser miserável, é pobre também. E vai pagar mais.

Da mesma forma, a extinção de cargos públicos e funções obsoletas na administração federal, como anunciado, não é uma medida necessariamente ruim da equipe econômica. Mas é o caso de se acender o sinal vermelho quando a maioria desses cargos está nos ministérios da Educação e da Saúde — e sua principal ocupação, obviamente, não é atender os mais ricos.

Jesus receberá R$ 9 milhões em premiações por títulos no Flamengo

Por Pedro Ivo Almeida, no UOL

Campeão brasileiro e da Copa Libertadores da América pelo Flamengo, Jorge Jesus garantiu mais que troféus individuais e prestígio em seu primeiro ano de trabalho no Brasil. Com as conquistas, o treinador português receberá ainda uma polpuda premiação financeira do Rubro-Negro: 2 milhões de euros (pouco mais de R$ 9 milhões).

O valor altíssimo foi combinado em contrato tão logo Jesus acertou sua chegada ao Flamengo, no início de junho. A premiação seria ainda maior caso o treinador conquistasse o Mundial de Clubes, o que não ocorreu.

A premiação aos auxiliares mais próximos do treinador também é “gorda”: 100 mil euros (pouco mais de R$ 450 mil) pelos dois títulos conquistados no final de 2019. A grana, no entanto, ainda não entrou nas contas bancárias dos beneficiados.

Após o impasse sobre os valores a serem pagos ao restante dos integrantes do departamento de futebol, o repasse ficou congelado por alguns dias. Com a situação resolvida, o Flamengo informou que realizará os depósitos até o fim deste ano. No caso da comissão técnica portuguesa, o contrato prevê o pagamento até o último dia útil de 2019.

Internamente, a diretoria do Flamengo entende que a grana repassada ao português pelos títulos não chega a significar um “peso” nas finanças. A alta premiação, aliás, foi uma das armas que o Rubro-Negro usou para convencer o treinador a aceitar o convite de treinar o clube. Os cartolas ainda destacam o protagonismo de Jorge Jesus nas conquistas. Para muitos, sem o técnico, não teria taça na Gávea em 2019.

Os 2 milhões de euros representam mais da metade do salário anual de 3 milhões de euros (pouco mais de R$ 13,5 milhões) acertados com o técnico. A expectativa é que esse valor seja ainda maior em 2020. As partes negociam um aumento e a extensão do vínculo atual – até junho do próximo ano. A premiação de Jesus é considerada ainda mais alta quando comparada aos valores destinados aos jogadores.

Os atletas com maior número de jogos nos torneios receberam entre R$ 1,8 milhão e R$ 1,9 milhão pelos títulos. De férias, o treinador embarcou ontem (23) para Portugal. Com a mala recheada de conquistas, passará os últimos dias do ano em sua terra natal. No início de 2020, comandará a pré-temporada rubro-negra em Algarve, região litorânea no extremo sul de seu país.

Indulto concedido por Bolsonaro é presente e incentivo às milícias

“Se a vida no Brasil vale pouco, a palavra do presidente vale menos ainda. Bolsonaro não esperou nem um ano para descumprir o que prometeu. Ontem ele editou o indulto mais generoso dos últimos tempos. Anistiou policiais condenados por homicídio culposo, que agiram fora das hipóteses de legítima defesa. O decreto beneficia até os agentes de segurança que mataram em dias de folga. É um presente de Natal para milícias e esquadrões da morte, que sempre contaram com a simpatia do clã presidencial”.

“O indulto será concedido ao fim de um ano em que a polícia bateu recordes de letalidade. Só no Estado do Rio, foram registradas 1.546 mortes de janeiro a outubro. É o maior número desde o início da série histórica, em 1998. Agora a matança tende a aumentar com incentivo presidencial”.

Bernardo Mello Franco, colunista de O Globo

Zagueiro goiano na mira do Papão

Em entrevista exclusiva para emissoras de rádio de Goiânia, o presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, confirmou a rescisão contratual do zagueiro Wesley Matos, que deve se transferir para o Paissandu.

Em Belém, a diretoria do Papão ainda não confirmou nenhuma contratação para a próxima temporada.

Por que a Globo silencia sobre “pessoa perigosa” do entorno de Bolsonaro que tentou sequestrar Lauro Jardim?

Por Jeferson Miola

Em momentos de aperto e dificuldades, Bolsonaro apela para a técnica diversionista do vigarista: despista para desviar a atenção do principal.

Nesses dias em que foram revelados detalhes dos negócios criminosos conduzidos pelo seu dublê de filho e preposto Flávio em associação com Fabrício Queiroz e com o chefe miliciano Adriano da Nóbrega, do Escritório do Crime, Bolsonaro ressuscitou o episódio da facada para desviar a atenção pública.

Bolsonaro insinuou que foi vítima de uma trama planejada por um ex-ministro do seu governo para matá-lo. E deixou subentendido que o conspirador, presumivelmente interessado em ocupar a vaga de vice na chapa presidencial, seria Gustavo Bebbiano.

O tiro, contudo, saiu pela culatra.

Bolsonaro não só não conseguiu tirar o foco do mega-escândalo de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa do clã como, além disso, foi desancado por Bebbiano.

O ex-coordenador da campanha e ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência conhece o clã Bolsonaro na intimidade. E por isso sentiu-se confortável em dizer o que disse em entrevista à rádio Jovem Pan  em resposta ao ataque do Bolsonaro.

A entrevista do ex-aliado íntimo de Bolsonaro – que, apesar do rompimento político com o clã miliciano, continua defensor do programa e do governo bolsonarista – contém afirmações duríssimas e, sobretudo, graves.

Bebbiano entende que Bolsonaro “fica entre vagabundo ou quadro grave de loucura. Ou as 2 coisas combinadas”. Para ele, o país “está nas mãos de pessoa tão desequilibrada que pode colocar o Brasil em risco”.

Ele diz que “o presidente da 8ª economia do planeta [é] assessorado por um bando de fanáticos liderados por um lunático” [Olavo de Carvalho] e, por isso, pedirá a interdição de Bolsonaro na justiça. Bolsonaro “precisa ser interditado, não tem condições de governar o país”, afirma Bebbiano.

Ele considera que “a situação é muito preocupante porque o Brasil está sob comando de uma pessoa que demonstra ora traços graves de mau-caratismo, ora fortes sinais de loucura no último grau e assessorado por irresponsáveis e fanáticos”.

A declaração mais grave de Bebbiano, entretanto, não se refere à sociopatia do clã e às características paranóicas ou criminais da “familícia”, mas à tentativa de seqüestro do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, por uma pessoa do entorno do Bolsonaro.

Ele relata os detalhes do ocorrido [a partir do minuto 11:40 da entrevista]:

O presidente parece que escolhe a dedo pessoas muito perigosas. Inclusive há uma pessoa muito próxima a ele que recentemente tentou seqüestrar um jornalista do sistema Globo. Pegou o jornalista Lauro Jardim na saída de um restaurante em São Paulo e tentou enfiar o Lauro Jardim dentro de um automóvel, uma coisa meio forçada.

O Lauro ficou muito nervoso, muito preocupado, o assunto foi levado à direção da TV Globo, foi parar no departamento jurídico do Jornal O Globo e essa pessoa foi notificada inclusive pelo sistema Globo para que não se aproximasse mais do Lauro Jardim.

Essa mesma pessoa já ameaçou uma outra jornalista da revista Época e já fez ameaças veladas também a uma outra jornalista do jornal O Globo. Enfim, são essas as pessoas que estão ao redor do Presidente”.

O relato do Bebbiano dá conta de grave atentado não só contra jornalistas da Globo – a Lauro Jardim, à jornalista da Época e à outra jornalista do Globo – mas de um atentado perpetrado contra a liberdade de imprensa e contra o pouco que ainda vigora de ordenamento democrático no Brasil.

O grupo Globo não se manifestou sobre o assunto. Nem para desmentir Bebbiano, nem para justificar seu silêncio e omissão diante de um ato de terror de extrema gravidade.

A providência do departamento jurídico da Globo de notificar o agressor “para que não se aproximasse mais do Lauro Jardim” para deixar tudo por isso mesmo é tão eficaz quanto pedir ao estuprador que se “abstenha” de estuprar.

A Globo precisa se explicar por que, afinal, silencia sobre a pessoa “muito perigosa” e próxima a Bolsonaro que tentou seqüestrar o jornalista Lauro Jardim e ameaçou outras jornalistas da empresa.

Se a Globo continuar em silêncio, será legítimo pensar que a família Roberto Marinho ou se acovardou ou tem algum arreglo com milicianos que não escondem o desejo de implantar uma ditadura fascista no Brasil.

Já é caso de internação

O ex-ministro Gustavo Bebianno Bebianno voltou a acusar Bolsonaro de não ter “equilíbrio mental” para governar. Em entrevista ao Congresso em Foco, Bebianno disse que “Jair está nitidamente desequilibrado” e “precisa urgentemente de tratamento psiquiátrico”.

“O presidente deveria buscar tratamento. Um bom remédio é amar mais e odiar menos. Reflexão sobre o passado também ajuda. Cuspir no prato que comeu é muito feio”, criticou o ex-ministro, que presidiu o PSL e coordenou a campanha de Bolsonaro e após desentendimentos com Jair Bolsonaro e o filho Carlos Bolsonaro, foi demitido do governo e saiu do PSL.

“A raiva passou. Sinto pena. O Jair está nitidamente desequilibrado. Precisa urgentemente de tratamento psiquiátrico. Estou também preocupado, uma vez que o país está sob seu comando. Isso tudo é muito triste. Não era para ser assim”, declarou.

Bebianno reafirmou que vai interpelar Jair Bolsonaro na Justiça pelas insinuações feitas por ele em entrevista à Veja, de que Bebianno teve participação no atentado de Adélio Bispo durante a campanha de 2018. “Já estou me mexendo para promover uma interpelação criminal. Depois, ação cível”, disse.