
O comandante da patrulha de militares a qual é atribuída a morte do músico Evaldo Rosa dos Santos e do catador Luciano Macedo, o tenente Ítalo Nunes, afirmou em depoimento à Justiça Militar realizado hoje que Macedo estava armado no momento em que foram realizados mais de 80 disparos em direção ao carro no qual estava a família. “O vi ao lado do Ford Ka [dirigido por Evaldo] atirando em nossa direção”, disse, em justificativa aos tiros. Nenhuma arma foi, no entanto, encontrada com o catador durante a perícia criminal realizada na região.
O tenente foi o primeiro dos 12 militares a serem ouvidos pela Justiça Militar hoje. Em seu relato – que durou mais de três horas – Nunes incriminou o catador de materiais recicláveis. De acordo com ele, Luciano foi visto pelos militares, momentos antes das mortes, assaltando um veículo.
Porém, quando questionado em relação à inexistência de armamento encontrado no local do crime, o militar afirmou acreditar que uma pistola tenha sido levada de volta para o interior da favela do Muquiço por uma das pessoas que estavam no veículo.
“Nas imagens feitas posteriormente de cima, é possível ver uma das ocupantes do carro olhando para o chão, procurando algo. As imagens não mostram arma no chão, mas esta postura é suspeita. Se ela estava olhando para baixo, certamente sabia que encontraria algo. Possivelmente um armamento”, afirmou.