A elite impune

“O ex-deputado Carli Filho bebeu 2 garrafas de vinho, andou a 130km/h, levantou voo e arrancou o teto do carro e as cabeças de 2 jovens. Pegou 9 anos (depois de 9 anos do assassinato), teve a pena reduzida e não vai passar um dia sequer na cadeia. O Brasil é uma vergonha”.

Ronald Gimenez, no Twitter

Ricardo Boechat morre em queda de helicóptero

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O jornalista Ricardo Boechat, 66, morreu no final da manhã desta segunda-feira (11) em uma queda de helicóptero no Rodoanel, em São Paulo. Segundo a Rádio Bandnews, onde Boechat ancorava o telejornal diariamente pelas manhãs, o jornalista havia ido a Campinas (SP), onde participou de um evento, e voltava aos estúdios da rádio na capital paulista. O acidente que vitimou o jornalista do grupo Bandeirantes aconteceu no quilômetro 7 da via, perto do acesso à Rodovia Anhanguera.

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WhatsApp tenta evitar na Índia ação orquestrada que favoreceu Bolsonaro

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O WhatsApp tenta evitar na eleição geral na Índia, que ocorre entre abril e maio, a mesma ação orquestrada de disparo em massa de mensagens políticas e fake news que, aqui no Brasil, favoreceu a eleição de Jair Bolsonaro. A informação é da Reuters.

Segundo a publicação, o WhatsApp na Índia admitiu o uso, por partidos políticos, de softwares que facilitam o disparo de mensagem em volume massivo.

O uso de sistemas automatizados, financiado pelo empresariado anti-PT em favor de Bolsonaro (sendo que a doação de empresas a campanhas e candidatos é proibida no Brasil) foi denunciado pela Folha de S. Paulo ainda durante o segundo turno da eleição, mas as autoridades brasileiras não tomaram nenhuma medida contra a ação a tempo de reparar desequilíbrios.

No Brasil, o WhatsApp não quis detalhar o plano de combate a este tipo de ação orquestrada durante eleições.

Na Índia, de acordo com a reportagem, o aplicativo de conversação é uma das principais armas de campanha do partido BJP, do atual primeiro-ministro Narendra Modi. Mas a oposição, capitaneada pelo partido Congresso, também tem usado o WhatsApp para disparar notícias faltas e influenciar eleitores.

O País que elegerá 543 deputados da Câmara – e, de lá, sairá o novo primeiro-ministro – tem 900 milhões de eleitores. É a maior eleição no mundo, sendo que 500 milhões de indicados usam a internet, e 250 milhões têm Facebook. Outros 210 milhões estão no WhatsApp. No Brasil, são 127 milhões de usuários da plataforma.

De acordo com a Reuters, em comunicado recente, o WhatsApp afirmou que deletou “2 milhões de contas por mês no mundo, nos últimos três meses, por envios em massa ou uso de sistemas automatizados, para coibir o uso do aplicativo para espalhar desinformação.”

“Enviar mensagens em massa de um telefone celular é trabalhoso; por isso, as pessoas que querem fazer isso usam software ou equipamentos para automatizar o processo. Nossa tecnologia visa a identificar contas usando sistema automatizado”, afirma o relatório.

A Índia já tem histórico de problemas sérios com a disseminação de fake news via WhatsApp. O ápice foi a onda de linchamentos, que deixou 20 pessoas mortas, em decorrência de notícias falsas sobre sequestros de crianças.

Campeonato Italiano e Sul-Americana serão transmitidos pela Rede TV!

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A Rede TV!, em acordo firmado com o serviço de streaming DAZN, vai transmitir a Copa Sul-Americana e o Campeonato Italiano, torneio que conta com um dos principais jogadores da atualidade, o português Cristiano Ronaldo.

Por meio desta parceria com a DAZN, a Rede TV! amplia o seu investimento em conteúdo esportivo – já tem o Inglês aos sábados, e agora garante direitos de exibição dessas duas competições com exclusividade na TV aberta.  A primeira transmissão da Sul-Americana será a estreia do Corinthians, contra o Racing, da Argentina, nesta próxima quinta-feira, às 21h30, em São Paulo.

O contrato de sublicenciamento de um ano prevê a exibição de 12 jogos desta temporada, que vai de fevereiro a novembro, às quartas ou quintas-feiras, sempre na faixa das 9 e meia da noite. A parceria visa aumentar a visibilidade do serviço de streaming, que será lançado no Brasil nas próximas semanas. A Sul-Americana reúne 54 clubes, dentre eles Corinthians, Santos, Fluminense, Botafogo, Chapecoense e Bahia.

Já em relação ao Campeonato Italiano, ele entrará na programação dos sábados, às 16h30, após a Premier League. Serão transmitidos 11 jogos da temporada 2018/2019, ao vivo, de março a maio, e o acordo abrange também exibição completa da temporada 2019/2020, com 34 jogos, de agosto a maio.

O Italiano, na disputa da Série A, reúne clubes como Juventus, Inter de Milão, Milan, Napoli, Roma, Sampdoria, Lazio e Fiorentina. Conta com Cristiano Ronaldo e 27 jogadores brasileiros, entre eles, Douglas Costa.

Tragédia do Ninho do Urubu: por que CT não foi interditado antes do incêndio?

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Falta de alvará, documentos, série de explicações e uma espécie de jogo de empurra. Três dias depois do incêndio que matou dez meninos das categorias de base do Flamengo, uma pergunta segue sem resposta dos envolvidos. Se o Ninho do Urubu não tinha a documentação necessária – segundo a prefeitura, pelo menos três delas -, por qual razão não foi interditado de fato, não apenas através de multas e demais ações?

A reportagem do UOL Esporte questionou durante todo o último fim de semana os órgãos envolvidos nos últimos dias para explicar os motivos que mantiveram o Ninho do Urubu aberto mesmo sem a documentação necessária para funcionar. Poucas respostas, muitas dúvidas. Por fim, uma semelhança: ninguém explica o que mantinha o CT funcionando.

A administração municipal informou que o Flamengo não dispõe de permissão para o funcionamento do CT nos três órgãos que deveriam regulamentar o local: Secretaria Municipal de Fazenda, Secretaria Municipal de Urbanismo e Corpo de Bombeiros. Da mesma forma, também não havia permissão para a construção de um dormitório e a instalação de contêineres na área que foi atingida pelo incêndio. Por que, então, não houve fiscalização?

A prefeitura informou que conforme expresso na legislação (Lei 3.800 de 1970), só é exigida a vistoria presencial dos técnicos da Secretaria Municipal de Urbanismo em dois casos: quando da conclusão da obra para a emissão do habite-se, que não era o caso do CT do Flamengo; e em caso de denúncia, o que não ocorreu. A dúvida persistiu. E a reportagem questionou o poder municipal do Rio de Janeiro novamente: quem deveria fiscalizar, então?

Segundo a prefeitura, parte do papel é da Secretaria Municipal de Fazenda no que diz respeito ao alvará de licença para o estabelecimento. Como o clube estava funcionando sem o devido alvará, foi autuado, o que gerou um edital de interdição. A partir daí, as demais multas se deram em função da desobediência àquele edital.

A administração municipal informou que a Fazenda cumpriu a legislação ao interditar o Ninho do Urubu – medida descumprida pelo Flamengo -, já que o alvará não foi concedido por ausência de apresentação do certificado do Corpo de Bombeiros. No entanto, a Secretaria de Fazenda não tem o poder de interditar por questões de segurança.

CLUBE SILENCIA

O UOL Esporte também entrou em contato com o Flamengo e não recebeu resposta até o fechamento da matéria sobre as multas e interdições. Durante 14 meses a Secretaria Municipal de Fazenda atuou de forma diligente e tentou fechar o Ninho do Urubu, mas as determinações dos Fiscais foram ignoradas, diz a prefeitura. Em cima disso, o Flamengo não cumpriu a determinação por qual motivo? O clube preferiu pagar as multas?

Sem perguntas, sem entrevistas e sem novos esclarecimentos, o Flamengo parece não se importar muito com as afirmações dos órgãos públicos. Palco da tragédia da última sexta-feira, o CT Ninho do Urubu funcionará “normalmente” – como nos últimos nove anos – nesta segunda (11). Na programação do clube, o time de Abel Braga fará um treinamento às 9h30.

GAMBIARRA

Uma reportagem do programa “Fantástico”, da TV Globo, veiculada neste domingo (10), afirmou que um dos sobreviventes do incêndio que matou 10 jovens jogadores no centro de treinamento do Flamengo citou em depoimento à polícia uma “gambiarra” em um aparelho de ar-condicionado do local. Segundo as investigações, a origem das chamas aconteceu em um aparelho do mesmo tipo. Não ficou claro se o ar-condicionado citado no depoimento é o mesmo envolvido na tragédia.

Segundo esse depoimento, o aparelho de ar-condicionado seria menor do que o buraco na parede. O espaço que sobrou teria sido preenchido com pedaços de madeira, plástico bolha e espuma. De acordo com Moacyr Duarte, especialista em segurança ouvido pela reportagem, essa situação pode ter contribuído para que o ar entrasse por frestas na parede e alimentasse as chamas.

Propina pela Copa de 2026: as revelações do livro embargado pela Globo

Por Joaquim de Carvalho, no DCM

O livro sobre a corrupção no mundo do futebol profissional, “Cartão Vermelho — Como os EUA revelaram o maior escândalo mundial do futebol”, de Ken Besinger, cita a Globo diretamente por envolvimento no pagamento de propina.

A Globo comprou os direitos de publicação do livro no Brasil em 2015, quando ele ainda estava sendo escrito, mas até hoje não o tirou da gaveta.

O livro faz sucesso em todo o mundo — em Portugal, está esgotado — e a única explicação para essa atitude da emissora é: quer sonegar do público brasileiro as informações apresentadas no livro.

O DCM adquiriu a versão em inglês e constatou que há uma referência incômoda para a emissora, na verdade a imputação de um crime, o de corrupção.

Na página 291, está escrito:

Depois de uma hora, Burzaco voltou ao tribunal e rapidamente voltou às manchetes internacionais com seu relato de como a Torneos, junto com a gigante de mídia mexicana Televisa e a emissora brasileira Globo, pagou US $ 15 milhões em propinas a um alto funcionário da FIFA em troca dos direitos de transmissão para TV das Copas do Mundo de 2026 e 2030.

Nesse trecho, um dos quatro em que a Globo é citada, Ken Besinger descreve o julgamento dos dirigentes esportivos, como José Maria Marin, acusados de corrupção no futebol.

Alejandro Burzaco era executivo da Torneos y Competencias, uma empresa argentina que se associou a J Hawilla (já falecido), ex-funcionário da Globo e que foi dono de quatro afiliadas da Globo no interior do Estado de São Paulo.

Hawilla ocupa várias páginas do livro, em que é contado como se corrompeu e, depois, como, arrependido, passou a colaborar com as autoridades americanas.

Quando José Hawilla era um jovem e ansioso repórter esportivo, agarrado a um microfone e transmissor volumosos e competindo nos bastidores dos jogos de futebol brasileiros da segunda divisão no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, o negócio do futebol era um assunto simples.

As equipes vendiam ingressos e os proprietários dos estádios alugavam espaço em alguns outdoors para empresas locais, além de cobrar das estações de rádio que usavam uma cabine de imprensa. Não havia o conceito de uma emissora exclusiva e, para competições importantes, meia dúzia ou mais de estações de rádio poderiam competir pelos ouvintes.

Nos anos 70, lembra Ken Besinger, Hawilla era diretor do Departamento de Esportes da Globo, “a emissora mais importante do Brasil”.

Mas, depois de ser demitido por apoiar uma greve de jornalistas esportivos, Hawilla decidiu que queria mais segurança financeira e, em 1980, comprou a Traffic Assessoria e Comunicações, uma pequena empresa de São Paulo que vendia publicidade em pontos de ônibus.

Àquela altura, Hawilla passara mais de vinte anos no futebol e sabia que o esporte, do ponto de vista comercial, era muito mal administrado. O Brasil era a maior força que o esporte já tinha conhecido, vencedor de três Copas do Mundo, e seus torcedores eram monomaníacos, pensando quase sempre só em suas equipes.

Ken Besinger conta que Havilla começou a comprar e vender direitos de transmissão, ao mesmo tempo em que atuou para melhorar a qualidade do que era mostrado na TV, com mais câmeras e sinais de qualidade.

Muitas pessoas, em vez de irem aos estádios, começaram a ver os jogos em casa. À medida que o negócio cresceu, também aumentou o valor da propina.

Eram os clubes e as federações que perdiam.

“Como em qualquer negócio, os lucros dependiam de pagar o mínimo possível pelos bens que eles compravam e revendiam, e a melhor maneira de garantir que o custo dos direitos sobre o futebol permanecesse abaixo do valor de mercado era impedir a concorrência”, escreveu Besinger.

Nesse ponto, seu relato é feito com base nas declarações de Chuck Blazer, que foi secretário geral da Concacaf, a confederação de futebol das Américas do Norte e Central e Caribe, e depois se tornou delator do caso Fifa.

Blazer contou que as empresas de marketing esportivo sistematicamente subornavam as autoridades do futebol para manter os preços baixos e não vender seus direitos a mais ninguém. Um trecho do livro:

Os subornos vinham cada vez que um contrato era negociado, ou estendido, e ocasionalmente até mesmo antes de uma negociação, apenas para garantir que as coisas corressem conforme o esperado. Às vezes, os funcionários exigiam os pagamentos; outras vezes as empresas de marketing esportivo as ofereciam. De qualquer maneira, o entendimento era o mesmo: nós pagamos a você embaixo da mesa, e em troca você nos dá um contrato exclusivo e em condições amigáveis pelos direitos. Enquanto a imprensa esportiva agonizava sobre cada desenvolvimento político que surgiu da sede da Fifa em Zurique, centenas, se não milhares, de oficiais de futebol de todo o mundo recebiam subornos e propinas para os direitos televisivos e de marketing com pouco ou nenhum escrutínio.

Esse esquema milionário e ilegal permitiu que muitas pessoas enriquecessem, mas o esporte permanecesse pobre, e não houvesse recursos para o desenvolvimento do futebol na base. “Literalmente, faltava bola para crianças”, afirmou

A comparação de dois casos de aquisição de direitos de transmissão explica a discrepância. Para a realização de sua copa regional em 2011, chamada de Copa de Ouro, a Concacaf vendeu os direitos diretamente aos patrocinadores e alcançou a receita de US $ 31 milhões.

Na mesma época, tendo a Traffic de Hawilla como intermediária, a Conmebol, responsável pelo futebol na América do Sul, ficou com US $ 18 milhões pela Copa América, apesar de contar com estrelas do futebol muito mais conhecidas do que na região da Concacaf.

Mas o que saiu dos cofres das emissoras como a Globo foi muito mais, e debitado da conta dos patrocinadores. A diferença ficou nos labirintos de empresas usados para escoar o dinheiro da corrupção.

Na versão da Globo, ela não sabia do esquema de corrupção e repete a ladainha de que, em uma auditoria interna, constatou que não houve pagamento de suborno.

“O Grupo Globo reitera o que disse em nota: afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Em suas amplas investigações internas, desde que o Caso Fifa veio a público há mais de dois anos, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos”, afirma em uma das ocasiões em que foi solicitada a dar explicações.

Ken Besinger não aprofunda a participação da Globo no esquema de corrupção. A citação mais forte aparece apenas no último capítulo.

Seu livro-reportagem tem como base o processo na justiça americana, em que José Maria Marín foi condenado a 4 anos de prisão, teve US $ 3,35 milhões confiscados e pagou multa de US $ 1,2 milhão.

Se Ken Besinger fizesse um livro exclusivo sobre a participação da Globo nos esquemas de corrupção, certamente teria muito mais a contar.

A parceria da Globo com os cartolas corruptos do futebol é de longa data.

Em 1989, quando assumiu a presidência da CBF, Ricardo Teixeira foi entrevistado por Marcelo Resende, numa reportagem do Jornal da Globo, e disse que um de seus objetivos na administração seria “a volta da seriedade e da administração participativa”.

Ou seja, ele se apresentava como o homem que colocaria ordem no lupanário. Palavras vazias.

Doze anos depois, Teixeira era o personagem central de um Globo Repórter, em que aparecia com patrimônio incompatível com a renda e empresas no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Também com a apresentação de Marcelo Resende, a Globo acusava Teixeira de tentar esconder algo com a manutenção de empresas offshore.

Globo e Ricardo Teixeira fizeram as pazes e, depois, foi a vez da Globo aparecer no paraíso fiscal, sem que o presidente da CBF tivesse qualquer envolvimento direto com a denúncia.

A Globo tinha aberto uma empresa de fachada no paraíso fiscal, a Empire, para sonegar impostos do Brasil, para aquisição dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Por esse mesmo contrato, foi citada em uma investigação na Suíça sobre corrupção e lavagem de dinheiro.

Na época, dirigentes da Fifa usavam a intermediária ISL (que mais tarde quebraria) para que emissoras como a Globo depositassem a propina. Em 2005, dois executivos da emissora foram ouvidos por carta rogatória, através do Supremo Tribunal Federal (STF).

Um deles é Marcelo Campos Pinto, que, oficialmente, se afastou da emissora em 2017, quando foi citado no caso do suborno em parceria com a Torneos e a Televisa.

Ricardo Teixeira, quando presidia a CBF, deixou escapar em uma reportagem para a revista Piauí no ano de 2011 que recebia tratamento dócil do jornalismo da Globo.

A repórter, Daniela Pinheiro, comprovou.

Em maio daquele ano, quatro dias antes da eleição na Fifa, Teixeira foi entrevistado e não ouviu nenhuma pergunta sobre corrupção e suborno, já naquela época assuntos presentes no noticiário.

No livro sobre a investigação realizada pelos Estados Unidos sobre corrupção na Fifa, o autor Ken Besinger publica uma declaração atribuída ao delator Blazer:

O futebol, disse ele, é povoado por dois tipos de pessoas: aqueles que aceitam subornos e aqueles que pagam subornos. Pela fartura de evidência, não há dúvida de a Globo está em uma das pontas.

.x.x.x.

Perguntas que não querem calar: será que a Globo, ao comprar os direitos de publicação do livro no Brasil, esperava algum tratamento preferencial? Se não, por que não publicaram o livro ainda?

Leão B joga melhor que o A

POR GERSON NOGUEIRA

O gol saiu cedo, logo aos 13 minutos, e foi determinante para que o Remo tivesse controle das ações no primeiro tempo, forçando o Independente a sair de seu campo e a atacar o tempo inteiro, embora sem objetividade e com poucos arremates na direção do gol.

O técnico João Neto costuma dizer que o Remo precisa saber sofrer. De certo modo, isso ocorreu no sábado à tarde, em Tucuruí, pois o Independente concentrava ataques, detinha a posse de bola e cercava a área, exigindo atenção dos homens de marcação remistas.

Por ter se planejado para isso, o Remo não se abalou. A defesa, com Kevem e Vacaria, funcionou quase sem falhas. O único problema era a elaboração dos contragolpes, que sofria com erros de passe dos volantes Welton, mas na primeira saída em alta velocidade o gol aconteceu.

A partir daí, o Remo foi levando da maneira que lhe interessava. Gustavo Ramos já despontava como o melhor homem em campo, muito bem escoltado por Etcheverría, autor do belíssimo gol de abertura e responsável pelos passes e lançamentos rápidos mais conscientes na primeira etapa.

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O Independente começou o 2º tempo tentando quebrar o ritmo do Remo para empatar, mesmo que fosse na base do abafa. Isso quase deu certo. Jari apareceu na pequena área para cabecear e Vinícius defendeu no susto, fazendo sua primeira (e única) intervenção mais difícil em todo o jogo.

Logo em seguida, Wellington Cabeça foi expulso por jogo violento e o Independente perdeu por alguns minutos a combatividade que tinha na meia-cancha. Aos 27’, Gustavo recebeu lançamento longo pela esquerda, entrou na área e chutou cruzado para fazer 2 a 0.

Três minutos depois, lá estava Gustavo de novo em condições de finalizar. De puxeta, enganando os zagueiros e o goleiro Redson. Foi o gol mais bonito da goleada azulina dando tranquilidade para executar o plano desenhado desde o 1º tempo, com marcação baixa e saídas em velocidade.

Djalma, que havia entrado aos 32 minutos, ainda marcaria o quarto gol aos 40’, em jogada que lembrou as anteriores: contra-ataque fulminante, em poucos toques até a área, e chute bem colocado.

Vitória justa e até surpreendente por ter sido obtida por um time considerado reserva, que produziu a atuação mais segura e consistente da campanha 100%. De sua parte, o técnico João Neto deve ter notado que Ronaell ainda carece de melhor condicionamento e que Gustavo e Etcheverría não podem ficar no banco de suplentes. (Foto/arquivo: Ascom-Remo)

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PSC tropeça e técnico reclama da folga de 15 dias

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O PSC passou os primeiros 30 minutos pressionando o Castanhal. Atacava e não cedia espaços na defesa. Aos 21 e 27 minutos, esteve a pique de marcar após cruzamentos vindos do lado esquerdo e um cabeceio de Nicolas. A escalação só tinha atletas da nova leva de reforços, nenhum regional – os paraenses Vítor Oliveira e Paulo Rangel também foram contratados junto a clubes de fora do Estado.

Só aos 33 minutos o Castanhal fez uma jogada completa, finalizada por Héliton, sem perigo. Um minuto depois, Juninho desperdiçou boa chance, chutando rente à trave esquerda de Mota.

Antes dos 40 minutos, o PSC já acusava queda de rendimento, sofrendo com as condições do campo e da correria imposta pelo Castanhal. Mas, aos 43’, Bruno Collaço aplicou o drible da vaca e cruzou para Paulo Rangel. A testada saiu de cima pra baixo, mas o goleiro Iago fez grande defesa.

No 2º tempo, o Castanhal voltou mais adiantado e disposto a mudar os rumos da partida. Dadá e Juninho organizavam o jogo e empurravam o Papão para seu próprio campo.

Aos 6 minutos, o lateral Lucas recebeu na área e disparou na trave direita de Mota. Receoso da perda de combatividade, Brigatti trocou Marcos Antonio por Alan Calbergue. Aos 13’, em jogada rápida com Leandro Lima, Vinícius Leite arriscou de longe e Iago espalmou para escanteio.

O Castanhal aumentava a sequência de jogadas agudas, principalmente com Magnum na direita e Fabinho e Abuda na área. Aos 15’, um cruzamento rasante atravessou a área bicolor e quase chegou ao centroavante.

A essa altura, o Castanhal já era superior e mostrava mais organização. O desgaste fazia com que o PSC perdesse a batalha no meio-campo. Brigatti resolveu então lançar Elielton no lugar de Vinícius Leite e, logo depois, Caion na vaga de Paulo Rangel, mas o panorama não mudou.

O Castanhal seguiu atacando mais e o PSC sem alternativas para exercer uma pressão efetiva. O placar em branco retratou bem a qualidade do jogo.

Esquisita foi a reclamação de Brigatti, ao final da partida, argumentando que a folga de 15 dias na tabela teria sido prejudicial ao time.

No Castanhal, excelente atuação do goleiro Iago, firme participação de Ezequias e Allyson, imbatíveis no jogo aéreo, e boa presença de Fabinho no ataque. No PSC, Mota, Vítor Oliveira e Collaço foram os melhores. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 11)

Bola na Torre – domingo, 10.02

https://www.youtube.com/watch?v=jSanwbVKhaA