Com feridas abertas, futebol alemão inicia temporada

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Por Gerd Wenzel, no DW

Depois do desastre na Rússia, uma nova palavra de ordem foi talhada para o futebol alemão: reconstrução. É neste ambiente que começa a temporada 18/19, com a Supercopa. Löw estará de olho – logo será a vez da seleção.

Pouco antes de começar a Copa do Mundo na Rússia, o portal kicker fez uma enquete com os seus leitores querendo saber até onde chegaria a Mannschaft no torneio. Participaram da pesquisa 97.664 torcedores.

Deles, 37,5% achavam que a Alemanha seria penta, e 39,2 % que o time chegaria pelo menos à semifinal. Apenas 1,4% apostaram suas fichas numa eliminação precoce na fase de grupos.

Para considerável parte da torcida alemã, o fracasso de sua seleção não foi apenas uma surpresa, mas, isto sim, um golpe terrível na sua inabalável convicção de que depois da gloriosa conquista de 2014 no Brasil, os comandados de Joachim Löw poderiam até conquistar pela segunda vez consecutiva o título na Rússia, façanha alcançada apenas por Itália (34 e 38) e Brasil (58 e 62).

O próprio43856548_401 Löw alimentava esperanças de que seria possível repetir a dose. Prova é que, pouco antes da Copa, renovou seu contrato com a Federação Alemã de Futebol até 2022. Löw achava que poderia reeditar, na Rússia, o que ficou demonstrado no Brasil: futebol moderno, jogo bonito, combinações inteligentes e, acima de tudo, um espírito de equipe que prioriza o coletivo.

Mas, ao fim e ao cabo, a lei de Murphy – se algo pode dar errado, dará – acabou prevalecendo, e muita coisa desandou já durante os preparativos da Alemanha para a Copa.

A começar pela insistência com Neuer, passando pela dispensa inexplicável de Sané, continuando pela preferência dada aos medalhões em detrimento dos jovens talentos e insistindo na manutenção da espinha dorsal de 2014 formada por Neuer, Boateng, Hummels, Khedira, Müller e Özil, todos, sem exceção, longe de sua melhor forma técnica e física.

 

Entre alguns jornalistas pairava a nítida impressão de que a gestão da comissão técnica e do management da seleção alemã estava contaminada pelo “wishfull thinking”, ou seja, um pensamento norteado pelo desejo e não pela realidade.  Aqui no Brasil temos uma ótima expressão para situações como esta: “Deixa prá lá. No fim, vai dar tudo certo”.

No caso da Mannschaft isso só funcionou uma vez: foi quando Toni Kroos marcou, na bacia das almas, o gol da vitória sobre a Suécia. No mais, tudo que podia dar errado, deu errado mesmo e culminou com a inédita eliminação dos alemães na fase de grupos.

Chegou a hora de reconstruir

Depois do desastre na Rússia, uma nova palavra de ordem foi talhada para o futebol alemão: reconstrução. Pelo menos foi esta a palavra que Löw utilizou com mais frequência ao se referir ao seu futuro trabalho no comando da seleção. Ao menos implicitamente, ele admitiu que deixou um elenco em ruínas nos campos russos.

É neste ambiente de reconstrução que o futebol alemão dará o seu pontapé inicial da temporada 18/19 com a realização da Supercopa no próximo domingo (12/08), colocando frente a frente Eintracht Frankfurt, campeão da Copa da Alemanha, e Bayern Munique, campeão da Bundesliga.

Essa tal da Supercopa foi disputada pela primeira vez em 1987 por Bayern e Hamburgo, com vitória dos bávaros por 2 a 1. Foram ao todo apenas 18 edições porque de 1997 a 2009 a disputa não foi realizada, sendo reintroduzida em 2010.

Desde então, o confronto entre o campeão da Copa e o campeão da Bundesliga acabou se tornando o pontapé inicial da nova temporada.

O curioso do atual confronto entre Munique e Frankfurt é que os dois disputaram o último jogo oficial do futebol alemão na temporada 17/18 pelo título da Copa da Alemanha, e o Eintracht Frankfurt, sob o comando de Niko Kovac, levou a melhor por 3 a 1.

Detalhe: foi o último jogo de Kovac no comando do Eintracht e que, agora, como novo comandante do Bayern, vai fazer sua estreia em jogo oficial justamente contra o seu ex-clube.

A partida será realizada na Commerzbank Arena de Frankfurt, e a torcida marcará presença maciça: 50.000 ingressos já foram vendidos.

Löw estará de olho

Joachim Löw, como de costume, deverá assistir ao jogo no estádio para avaliar eventuais novos valores a serem aproveitados na Mannschaft, e assim iniciar o seu trabalho de reconstrução da seleção alemã.  Só que, como se sabe, reconstrução demanda tempo, não é de uma hora para outra.

Mas será de uma hora para outra que a Alemanha terá três compromissos oficiais pela Liga das Nações. O primeiro será daqui a um mês contra a atual campeã mundial França e, um mês e pouco depois, vem Holanda e novamente a França no jogo de volta.

Em outras palavras: mal começou o propalado trabalho de reconstrução, a Alemanha, ainda lambendo as suas feridas ou, na melhor das hipóteses, ainda em processo de cicatrização das feridas abertas na Rússia, enfrentará duas vezes a orgulhosa França campeã mundial e depois a Holanda querendo se aproveitar dessa, para dizer o mínimo, instável fase pela qual passa a equipe alemã.

Uma derrota humilhante frente à França, com consequente eliminação precoce da Liga das Nações, pode até significar o fim da era Löw no comando da equipe sem ter tido a chance de reconstruir o elenco deixado em frangalhos na Rússia.

Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast “Bundesliga no Ar”. A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no TwitterFacebook e no site Bundesliga.com.br

Papão dá vexame e é goleado pela Ponte Preta na Curuzu

Foi um desastre.

Em sua pior atuação sob o comando de Guilherme Alves, o Paissandu caiu fragorosamente na noite desta terça-feira diante da Ponte Preta por 4 a 0, na Curuzu. O time paraense até começou pressionando, mas após sofrer o primeiro gol caiu de rendimento e não se encontrou mais no jogo, aceitando passivamente o domínio do visitante, que só não marcou mais por preciosismo de seus atacantes e falhas da arbitragem, que inventou dois impedimentos inexistentes em lances agudos de ataque do time de Campinas.

Indignada com o vexame, a pequena torcida presente reagiu com muitas vaias em direção ao técnico Guilherme Alves e a jogadores como Diego Ivo, Mateus Silva (que falhou nos dois primeiros gols), Pedro Carmona e Claudinho. Com 24 pontos, o Papão segue em 11º lugar, mas pode vir a ser ultrapassado por outras equipes nesta rodada.

Bate-papo no boteco virtual – Papão x Ponte Preta

Campeonato Brasileiro da Série B 2018 – 20ª rodada

Paissandu x Ponte Preta – estádio da Curuzu, 21h30

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Na Rádio Clube, Valmir Rodrigues narra, João Cunha comenta. Reportagens: Paulo Sérgio Pinto, Dinho Menezes, Francisco Urbano e Saulo Zaire. Banco de Informações: Fábio Scerni

A frase do dia

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“A importância deste gol é muito grande, pois além de nos ter dado a vitória, livrou o clube do rebaixamento, o que seria muito ruim para os objetivos do Remo nas próximas temporadas. O sentimento que eu tenho no momento é o de gratidão. Sempre acreditaram e confiaram no meu trabalho e fico contente que pude retribuir isso de alguma forma, fazendo o gol mais importante do clube no ano”.

Jayme, 25 anos, atacante do Remo, autor do gol salvador de ontem

A poesia que pulsa

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“Estou preso à vida e olho meus companheiros

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças

Entre eles, considero a enorme realidade

O presente é tão grande, não nos afastemos

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”…

Carlos Drummond de Andrade

Gol de Jayme salva o Remo do rebaixamento

Presença inesperada na escalação do Remo para o jogo com o Salgueiro, valendo pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série C, o atacante Jayme se tornou o grande herói da noite. Marcou, aos 18 minutos do 2º tempo, o gol que deu a vitória ao Leão garantindo a permanência na Série C com uma rodada de antecedência.

O jogo foi disputado sob tensão, pois o time da casa precisava da vitória para não ser rebaixado. Por essa razão, o técnico João Neto escalou o Remo com uma formação conservadora, priorizando a parte defensiva. Entrou com os volantes Vacaria e Geandro, recuando Dedeco e Jayme para ajudar na marcação.

O Salgueiro pressionou muito nos primeiros minutos, mas a melhor chance coube ao Remo aos 4 minutos, numa virada de Dedeco, que passou perto do gol. Jayme também teve boa chance aos 22 minutos, mas o goleiro Mondragon defendeu bem.

Na etapa final, o Remo começou mais cauteloso e explorando as subidas do Salgueiro, que pressionava, mas sem levar maior perigo. Numa escapada pelo meio, Jayme foi lançado e bateu cruzado da entrada da área. O chute saiu rasteiro no canto direito da trave do Salgueiro.

Em desvantagem, o time pernambucano se lançou à frente e passou a muitos espaços. Vacaria foi substituído por Dudu e Elielton entrou no lugar de Dedeco, criando boas situações no ataque, embora falhando nas finalizações.

O jogo foi até os 51 minutos, mas a zaga azulina controlou bem as tentativas do Salgueiro. Quando a partida terminou, os jogadores fizeram um círculo no meio de campo para rezar e agradecer pelo objetivo de assegurar a permanência na Série C. Com o resultado, o Remo subiu para o 6º lugar. No próximo sábado, recebe o Náutico em Belém, podendo consolidar o bom posicionamento na classificação.

Netão é o técnico com melhor aproveitamento, 72%, no comando do Leão. Obteve nesta segunda-feira a quarta vitória em seis jogos na Série C, feito que nenhum de seus antecessores conseguiu na competição deste ano.

Bate-bola no boteco virtual – Salgueiro x Remo

Campeonato Brasileiro da Série C 2018 – 17ª rodada

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Salgueiro x Remo – estádio Cornélio de Barros, em Salgueiro (PE), às 21h15

Na Rádio Clube, Jones Tavares narra, Rui Guimarães comenta. Reportagens – Paulo Caxiado, Giuseppe Tommaso. Banco de Informações – Fábio Scerni

Em causa própria

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Os ministros do STF estão analisando uma proposta de reajuste de 12% dos seus próprios salários, que hoje chega a R$ 37.476,93, sem contar férias e as diversas “Bolsas Juiz”.

O aumento terá impacto estimado em R$ 3 bilhões aos cofres públicos.

E segue o enterro…

Agonia em praça pública

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Menos de três semanas depois de ter assumido a gestão do grupo Abril, a consultoria americana Alvarez & Marsal mostra a que veio: na manhã desta segunda, dia 6, os funcionários da família Civita estão sendo comunicados de um corte gigantesco no quadro de pessoal.

Ele é estimado entre 500 e 840 cabeças, abrangendo, além da editora, outros negócios, como a área de logística e distribuição de revistas. As demissões começarão oficialmente, na próxima quarta-feira, 8. Nesta segunda pela manhã, no entanto, uma fila de mais de 50 funcionários aguardavam o exame médico demissional.

Como antecipou o DCM no dia 19 de julho, o portifólio de publicações sofrerá uma razia. Concluídas as dispensas, só sobrarão sete títulos: Veja, Exame, as femininas Claudia e Saúde, além de Quatro Rodas, Vip e Placar, algumas delas apenas na versão digital.

Paralelamente, estão cada vez mais fortes os indícios de que os herdeiros de Roberto Civita estão decididos a entrar com um pedido de recuperação judicial do grupo.