Mês: agosto 2018
Documentário inglês conta a incrível história de Kaiser, o ‘rei do migué’

A história de Carlos Henrique Raposo, o Kaiser, já é bem conhecida no Brasil há quase dez anos. Apelidado de “Forrest Gump brasileiro”, ele foi um jogador de futebol que se aposentou aos 41 anos de idade e sustentou uma carreira de mais de duas décadas sem praticamente ter entrado em campo em partidas oficiais.
Ele passou por grandes clubes no Brasil e esteve no elenco até de times estrangeiros, mas seus grandes atributos não eram chutes, passes ou dribles, e sim sua rede de relacionamentos e uma boa dose de malandragem.
Agora, sua história é do mundo inteiro. Foi lançado na última semana, em Londres, o documentário Kaiser: The Greatest Footballer Never To Play Football (em português, “o maior jogador de futebol que nunca jogou futebol”).
O filme foi produzido ao longo de três anos e foi exibido e premiado no Festival de Cinema de Tribeca em abril, nos Estados Unidos. A ideia era lançar na Inglaterra em julho, em circuitos restritos, mas a recepção de público e crítica foi positiva à história do brasileiro.
“A avaliação do filme é sempre de quatro ou cinco estrelas. Aparecemos em todos os jornais do Reino Unido e vários programas de TV. Tanto é que seríamos exibidos nos cinemas por uma noite, mas agora estamos nas telas de todo o país para atender a demanda. A recepção tem sido brilhante”, diz, ao UOL Esporte, o diretor do filme, Louis Myles.
O filme tenta explicar os segredos de um homem que resistiu tanto tempo dentro do futebol sem jogar. A história já é conhecida, mas sempre vale a pena. Diretor do filme sobre a vida de Kaiser, Louis Myles é um britânico de 35 anos de idade que conheceu a história do brasileiro no bar, “durante alguns chopes”, por meio de dois amigos que se tornaram produtores executivos do projeto.
“Como um cara administrou uma carreira falsa de 26 anos no futebol basicamente sendo o maior malandro da história? Fiquei impressionado”. Na sequência, Myles consultou o jornalista Tim Vickery, inglês radicado no Brasil, para saber mais sobre Kaiser. E lembra-se de ter ouvido o que mais queria.

A produção começou em novembro de 2015, com assinatura de contrato de exclusividade para um filme e um livro com os ingleses. Foram dois anos de viagens, entrevistas com 73 pessoas e muita diversão, segundo o diretor. “Não vivi, mas já tenho saudades desta geração de ouro do futebol brasileiro”, brinca Myles. Zico, Júnior, Ricardo Rocha, Renato Gaúcho, Carlos Alberto Torres e Bebeto.
Um dos melhores amigos de Kaiser no mundo do futebol é Renato Gaúcho, ex-jogador e hoje técnico do Grêmio. Ambos foram contemporâneos no futebol carioca e eram apreciadores da noite – daí a proximidade entre eles, reforçada pelo porte físico e especialmente pelos mullets no cabelo tão tradicionais nos anos 80. De acordo com o diretor Louis Myles, Renato Gaúcho é o principal personagem da história de Kaiser depois do próprio Kaiser.
“As pessoas da Europa não necessariamente se lembram do Renato, então o impacto de sua contribuição não é totalmente compreendido aqui, embora todo mundo goste. Nós tentamos dizer que ele é o Beckham brasileiro por aqui. Acho que os brasileiros vão adorar”, conta o diretor.
Beckham foi um grande nome do futebol inglês, mas também ganhou manchetes em razão do comportamento fora de campo. Preocupação com o visual, vida pessoal agitada, companhias femininas, polêmicas… Uma série de coincidências com Renato Gaúcho, que teve carreira sólida no futebol, com passagem até pela Roma e seleção brasileira, e trabalha como treinador desde 2001. Foi ele, aliás, quem deu o nome do filme. “Foi a última frase da entrevista do Renato Gaúcho, quando pedimos para ele resumir a vida do Kaiser e ele disse que foi o melhor jogador de futebol a nunca ter jogado futebol.”
A frase do dia
“Minha pergunta vai pro Cabo Daciolo. Cabo Daciolo: eu gostaria que o senhor falasse qualquer coisa com começo, meio, fim e lógica. Pode ser uma frase. Uma memória da infância. O cardápio do almoço.”
Antonio Prata, jornalista
Enquanto isso, no debate presidencial…

Direto do Twitter

Parceria entre Outros400 e Pública, Truco vai checar as eleições no Pará
A partir do dia 13 de agosto, o portal Outros400 e a agência Pública iniciam a cobertura das eleições estaduais do Pará. O projeto de fact-checking Truco vai checar as declarações dos candidatos a governador do estado, buscando evitar a disseminação de fake news e qualificar o debate público. Esta é a segunda vez que o projeto é realizado pelo portal Outros400 – em 2016, o Truco checou as declarações dos candidatos à prefeitura de Belém.
No Pará, o pleito deste ano deve contar com cinco candidatos: Cleber Rabelo (PSTU), Helder Barbalho (MDB), Fernando Carneiro (PSOL), Márcio Miranda (DEM) e Paulo Rocha (PT). A equipe de Belém é formada pelos jornalistas Ercília Wanzeler, Guilherme Guerreiro Neto e Moisés Sarraf. O Truco ainda será realizado em outros seis estados: Ceará, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo. A agência Pública também fará a checagem de declarações dos candidatos à presidência do Brasil.
METODOLOGIA
Os jornalistas do Truco selecionam frases ditas pelos candidatos ao governo do Estado. Essas frases, que devem conter dados, referências a leis, permissões, proibições e situações verificáveis, serão checadas pela equipe por conta de sua relevância pública. A partir de então, entramos em contato com a assessoria do candidato para que sejam esclarecidas as fontes da informação, que serão mencionadas no texto.
Em seguida, buscamos outras fontes, oficiais ou não, além de especialistas, para que seja realizada uma comparação entre nossa apuração e os dados da assessoria. Finalizada a apuração, conferimos um selo à declaração (ver abaixo). A checagem, então, é enviada novamente à assessoria para uma contra-argumentação. Mesmo depois de publicada a matéria, caso o político ou a assessoria entre em contato conosco para contestar o teor do texto, incluímos sua versão destacadamente.
CERTIFICAÇÃO
O projeto Truco é certificado pela International Fact Checking Network (IFCN) desde 2017. Organizada pelo Instituto Poynter, dos Estados Unidos, a rede reúne os principais sites de fact-checking do mundo. O Truco segue, ainda, o código da IFCN, assumindo três compromissos principais: ser apartidário, transparente e seguir uma política de correções. As checagens produzidas pelo projeto podem ser republicadas gratuitamente por qualquer veículo de imprensa. No total, o projeto envolverá 30 jornalistas dedicados à cobertura.
Assim é que se fala

Rock na madrugada – The Black Keys, I Got Mine
Enquanto isso, no Planalto…

A frase do dia
As razões da Turner para fechar os canais do Esporte Interativo

Tão logo o anúncio do fim das atividades do Esporte Interativo surgiu, repórteres e comentaristas da emissora se manifestaram por meio das redes sociais. O canal demitiu cerca 250 funcionários e sua programação migrará para a TNT e o Space. Apresentador do canal, Alê Gimenes foi um dos primeiros a se manifestar sobre as demissões. “Já diria o poeta: ‘Tristeza não tem fim… Felicidade sim!’ #oSonhoAcabou”, escreveu nas redes sociais.
Quem também se manifestou foi o ex-presidente do do Esporte Interativo, Edgar Diniz. Em seu Facebook, ele afirmou que “um bando de malucos” se juntou para “transformar a vida de milhões de brasileiros através da emoção do esporte” e disse que a história construída jamais será destruída.
O encerramento do Esporte Interativo passaria também pela aquisição da Turner, empresa dona do canal, pela AT&T, gigante de telecomunicações americana e proprietária da operadora SKY. Para se adequar às leis brasileiras, é necessário que o grupo reduza a operação para não ser acusado de abuso de poder econômico. Ficou decidido, então, que não valeria a pena manter uma marca local, como Esporte Interativo, e colocar em risco um acordo mundial. Outros motivos para a decisão foram o corte de custos aliado ao momento de perda de assinantes na TV fechada no Brasil e a baixa audiência (exceto transmissões ao vivo da Champions League).
Uma entrevista de Antônio Barreto, gerente geral da Turner para o Brasil, para Samuel Possebom, do site Tela Viva, esclarece questões importantes a respeito da decisão, anunciada nesta quinta-feira (09), de fechar o canal Esporte Interativo. Em primeiro lugar, Barreto elenca os quatro motivos que levaram à decisão: 1. Retração no mercado de TV por assinatura (houve perda de quase 2 milhões de assinantes nos últimos três anos); 2. Custo crescente dos direitos esportivos; 3. Forte retração no mercado publicitário; 4. Custo de manter os dois canais do EI no ar.
O fim dos canais vai implicar na exibição dos jogos da Champions League e do Brasileirão nos canais TNT e Space. O primeiro tem 14 milhões de assinantes e o segundo cerca de 12 milhões – muito mais que os canais do EI, disponíveis nos pacotes das grandes operadoras por preços mais altos.
Por este motivo, a Turner pretende incluir nos valores negociados do TNT e do Space o custo desse conteúdo esportivo adicional. As operadoras que não se interessarem distribuirão uma versão dos dois canais sem as janelas de esporte na programação. A expectativa da Turner é que, além dos jogos em si, sejam exibidos programas esportivos pelo menos duas vezes por dia nos canais como forma de gerar engajamento de audiência. A Copa do Nordeste não será exibida pelos canais da Turner.
O canal licenciou os direitos de exibição na TV aberta com o SBT, que deve continuar a mostrar a competição. O canal ainda não sabe o que fará com os direitos da série C de futebol e o campeonato de aspirantes da CBF. Sobre a Champions no Facebook, Barreto informou ao site Tela Viva que a Turner está atuando em conjunto com a empresa de Mark Zuckerberg.
Por isso, o conteúdo de Champions adquirido pelo Facebook será exibido por meio da página do Esporte Interativo na plataforma digital. A íntegra da entrevista de Barreto ao jornalista Samuel Possebom pode ser lida aqui. O executivo e o jornalista abordam outras questões importantes, como as implicações no Brasil da fusão da AT&T com a Warner (que é dona da Turner) e a da fusão da Disney (dona da ESPN) com a Fox. Vale a leitura. (Do UOL)
Juízes do STF no Brasil ganham 5 vezes mais que colegas europeus, mesmo sem reajuste

No começo da noite desta quarta-feira, sete dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram incluir no Orçamento de 2019 uma autorização para que eles próprios recebam um reajuste salarial de 16,3%, a partir do próximo ano. Se a proposta for aprovada pelo Congresso, o salário dos ministros do STF passará dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil. O ministro Ricardo Lewandowski, autor de um dos votos favoráveis à medida, chegou a dizer que o reajuste era “modestíssimo”.
Se comparados com os vencimentos de juízes em outros países, porém, os contracheques do Judiciário brasileiro estão longe de ser modestos. Um estudo de 2016 da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça (Cepej, na sigla em francês) mostra que, em 2014, um juiz da Suprema Corte dos países do bloco ganhava 4,5 vezes mais que a renda média de um trabalhador europeu. No Brasil, o salário-base de R$ 33,7 mil do Supremo Tribunal Federal corresponde a 16 vezes a renda média de um trabalhador do país (que era de R$ 2.154 no fim de 2017).
Em 2014, um magistrado da Suprema Corte de um país da União Europeia recebia, em média, 65,7 mil euros por ano. Ao câmbio de hoje, o valor equivaleria a cerca de R$ 287 mil – ou R$ 23,9 mil mensais.