
Dicas preciosas




O lateral direito Nininho é o novo reforço do Remo para a Série C do Brasileiro. Apresentado no começo da semana, já participou de treinamentos sob o comando do técnico Givanildo Oliveira. Aos 26 anos, estava no RB Brasil, mas aceitou o desafio de defender o Remo estimulado pela chance de voltar a trabalhar com Givanildo.
Da primeira vez, Nininho e Givanildo trabalharam no Santa Cruz. A comissão técnica azulina acredita que o jogador se encaixará no esquema utilizado atualmente, disputando posição com o titular Levy.
“Eu sei do jeito do Givanildo, o jeito que ele quer que o time jogue e se comporte. Todo mundo sabe que ele é um vencedor na vida, por isso que eu vim pra cá também, por causa dele, a camisa do Remo é muito pesada. Ele é um treinador muito exigente. Quer que você se doe ao máximo, brigue bastante, não desista. Como a Série C é um campeonato muito aguerrido, tem que estar preparado para todos os jogos, tem que estar ligado o tempo todo. Esse é o principal motivo da minha vinda”, disse.
Nininho ainda não está registrado no BID. Por isso, não foi relacionado para o jogo deste domingo contra o Botafogo-PB em João Pessoa.

By Paulo Stocker

Por Tereza Cruvinel
Quem viveu a ditadura sempre esperou pela confirmação desta verdade, a de que a cúpula do regime, inclusive os generais-presidente, conheciam e autorizavam os crimes hediondos cometidos pelo aparato repressivo. Ela vem neste documento secreto do Departamento de Estado dos EUA, revelado pelo jornalista e pesquisador Matias Spektor, e explica muitos aspectos da transição brasileira, inclusive o fato de a anistia aprovada em 1979 ter sido recíproca, vale dizer, ter vedado a punição dos responsáveis por torturas, desaparecimentos e assassinatos. Do contrário, não só torturadores, mas também ex-presidentes poderiam ser presos e punidos, como aconteceu na Argentina com o sanguinário Videla.
O documento que Spektor chamou de “perturbador” ilumina a História mas deve servir também ao nosso presente tumultuado, em que jovens nascidos na democracia pedem a volta dos militares por não saberem o que foi a ditadura. Em que uma extrema-direita sai do armário espalhando ódio e praticando violências, toleradas e naturalizadas como consequência da polarização política, como se viessem de dois polos, e não apenas do extremo intolerante.
Falo dos tiros contra a caravana de Lula e contra seus apoiadores acampados em Curitiba, onde um delegado federal histérico também destruiu estes dias o equipamento de som. Há um assanhamento político perigoso nos quartéis, um general pretende disputar a presidência e mais de 60 serão candidatos a cargos legislativos. Observando as regras democráticas, eles podem participar do processo político, mas não pregando golpes. O problemas do Brasil são muitos e não são fáceis, mas se não forem resolvidos na democracia, na ditadura é que não serão.
O documento revela que o ex-presidente Geisel, logo depois de empossado, foi informado sobre a “política” de execuções que já havia eliminado 104 “subversivos e terroristas”. Depois de uma reflexão ele comunicou a seus generais que ela deveria prosseguir mas que “grandes precauções deveriam ser tomadas para assegurar que apenas subversivos perigosos fossem executados”. O CIE (órgão repressivo do Exército) informaria de cada prisão o chefe do SNI, general Figueiredo, que autorizaria a execução. Este relato faz esfarelar certa historiografia que tenta redimir Geisel, apresentando-o como artífice de uma abertura que tinha como meta a democratização.
“O objetivo da abertura de Geisel era a sobrevivência do regime, não a democracia. Em seu governo o regime continuou matando, e já não havia luta armada nem ‘subversivos’ perigosos”, diz o ex-deputado Nilmário Miranda, ex-membro da Comissão de Anistia e secretário de Direitos Humanos no governo Lula.
Em seu governo, 11 membros do Comitê Central e outros tantos militantes do PCB foram executados, e o “partidão” não havia pegado em armas. Apostava na luta institucional, atuando dentro do MDB. O PCB precisava ser contido para não se tornar um partido forte e influente na abertura. Entre os assassinados, David Capistrano e Walter Ribeiro, esquartejados na Casa da Morte, em Petrópolis. Por fim, morreram sob tortura o jornalista Vladimir Herzog e o operário Manuel Fiel Filho.
Sob Geisel aconteceu também, em 1976, a Chacina da Lapa, na qual foram executados os dirigentes do PC do B Pedro Pomar e Ângelo Arroyo, quatro anos depois do extermínio dos guerrilheiros do Araguaia. Outros militantes foram presos no local e levados ao porão de tortura, onde um deles, João Batista Drummond, não resistiu e morreu.
Geisel seguiu com a abertura, garantindo sobrevida ao regime que matava. Seu sucessor Figueiredo impôs, em 1979, uma anistia restrita e recíproca. O projeto da oposição foi derrotado por oito votos. Em 2010, julgando ação da OAB pela revisão da lei, que permitiria o julgamento de torturadores e assassinos, o STF disse não.
Em boa hora vem este documento com sua verdade, quando pesquisas mostram a perda de apreço pela democracia e o flerte com soluções autoritárias.
“Até agora temos um total de 0 generais revoltados com o documento da CIA que confirma crimes da ditadura militar”.
Renata Ventura, no Twitter


Por Felipe Sánchez, no El País
Julián Fuks (São Paulo, 1981) é filho de um casal argentino que chegou ao Brasil fugindo da ditadura militar que governou a Argentina entre 1976 e 1983. Seus pais são psicanalistas, ou seja, lhe “ensinaram a desconfiar dos conselhos, a olhar com suspeita cada mísera frase”. Um interessante treinamento para alguém que iria acabar se tornando um escritor e que vai muito além da obsessão pela palavra precisa de Flaubert. Fuks publicou em 2015 A Resistência, um romance sobre o exílio e a identidade que lhe rendeu vários dos mais prestigiados prêmios da língua portuguesa e outros reconhecimentos no exterior.
O que queria ser quando criança?
Escritor. Só adulto fui descobrir que devia ter sido jogador de futebol.
Bem, Maradona ou Pelé?
Maradona. O futebol em si é mero detalhe; Maradona é um personagem muito mais vivo, mais profundo, mais complexo. Pergunte agora sobre Messi e Neymar.
Qual seleção quer ver campeã na Copa da Rússia?
Difícil dizer. Torcer para o Brasil é inescapável. Mas há tantas vitórias possíveis mais bonitas do que a nossa. Quem sabe a vitória do Uruguai, só para ver o sorriso do Mujica.
Qual é o último livro que te fez rir às gargalhadas?
A Viagem do Elefante, de José Saramago. Acho que Saramago é o único autor que já me fez rir alto e chorar envergonhado.
Quem seria seu leitor perfeito?
Alguém que viva este tempo, que pense este tempo, e se importe com a dor e com a beleza. Queria ser eu mesmo esse leitor.
Que livros você tem em sua cabeceira?
Neste momento, Fuerzas especiales, de Diamela Eltit. Todos deveriam ter em sua cabeceira, em algum momento, a presença desconfortável de Diamela Eltit.
Que livro mudou a sua vida?
Ulisses, de James Joyce. Mas minha vida particular é o de menos. Ulisses mudou a vida inteira da literatura.
Qual é sua rotina diária para escrever?
Acordo, cuido da minha filha, cuido de todo o resto e então finalmente demoro. Deixo que as horas passem, angustiado. Quando já não me sobra tempo, escrevo enfim, movido pela culpa.
Que música ouve para escrever?
No ato da escrita, só o silêncio. Pouco antes da escrita, alguns versos bons, feitos de pura cadência.
Que esportista, personagem literário ou cinematográfico se parece com você?
Sou o típico personagem do romance moderno: nada mais que um comum imerso em seus dramas comuns.
Com quem gostaria de sentar-se em uma festa?
Com aqueles com quem me sento quase sempre, minha mulher, meus amigos próximos. A intimidade é a melhor das festas.
O que significa ser um escritor?
É o que tento descobrir já há uns quantos anos, mas acho que ainda me faltam décadas.
Que livro presentearia a uma criança para introduzi-la na literatura?
Chapeuzinho amarelo, de Chico Buarque. Para que perdesse o medo do lobo escondido em cada palavra.
Qual é seu lugar favorito no mundo?
Minha própria casa, a rede da sala, minha filha no colo.
Que livro gostaria de ter escrito?
Bartleby, o Escrivão, de Herman Melville. Mas prefiro não escrevê-lo.
Quando foi a última vez que chorou?
O mundo anda triste. Não costumava chorar com notícias, agora choro. Ainda procuro, na solidão das madrugadas, os sem-teto, sem-rosto, soterrados na foto do jornal.
Com quem gostaria de ficar preso em um elevador?
Com alguém capaz de consertá-lo. MacGyver?
Qual é o melhor presente que recebeu?
Minha mulher me deu, há muitos anos, A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade. Tudo o que pude fazer começou ali.
Que superpoder gostaria de ter?
Enxergar o passado, próprio ou alheio, como se de fato existisse em algum lugar.
Onde não gostaria de viver?
Nesse passado que eu enxergasse, em qualquer passado.
O que diria ao presidente Michel Temer?
Diria: isto não é um presidente, você não é um presidente. Já se deu conta do papel nefasto que ocupará em nossa história?

Por Eduardo Galeano
(…) Pobres os chamados pobres são os que comem lixo e por ele pagam como se fosse comida.
(…) Pobres os chamados pobres são os que são sempre muitos e estão sempre sós.
(…) Pobres os chamados pobres são os que não sabem que são pobres.

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