A arte do olhar

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Rockefeller Center, Nova York, 1949. Por Louis Faurer.

Board estuda mudança no formato da decisão por pênaltis

A International Football Association Board (IFAB) informou nesta sexta-feira que estuda uma possível alteração na decisão por pênaltis do futebol. A ideia, segundo anúncio feito após a reunião da entidade, responsável por implementar mudanças nas regras do futebol, é tornar a disputa ainda mais imprevisível.
Um estudo feito pela IFAB aponta que há 60% de chances da decisão ser vencida pelo time que inicia as cobranças. Assim, para minimizar essa probabilidade, a associação pretende testar um novo modelo, em que a disputa seria parecida com o tie-break do tênis: primeiro um time cobra, depois o adversário chuta duas vezes e assim por diante, em um modelo que pode ser descrito como ABBAABBAAB.
Se houver empate ao término das dez cobranças, os pênaltis também seguiriam alternados em dois, como ocorre quando o tie-break está em 6-6 no tênis. Essas mudanças, contudo, ainda começarão a ser estudadas em partidas de níveis inferior do futebol.

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“Acreditamos que o modelo ABBA pode acabar com aquela estatística. Isto é algo que vamos testar melhor para julgar”, comentou nesta sexta-feira Stewart Regan, chefe-executivo da Associação de Futebol Escocesa.
Mas uma mudança que deve ser aplicada com maior urgência, segundo a entidade, é rever os cartões amarelos por parar um ataque promissor, caso o defensor realmente tenha tido o interesse de atingir a bola.
Tradicionalmente conservadora a mudanças, a IFAB também deve dar mais flexibilidade aos países. Cada confederação, por exemplo, terá liberdade para decidir quantas substituições serão permitidas em “níveis menores do futebol”, ou seja, o que não valerá para os principais campeonatos. (Do Estadão)

A promessa desprezada

POR GERSON NOGUEIRA

Deu gosto ver anteontem à noite, no jogo entre Vila Nova e Vasco, no Serra Dourada, os ex-bicolores Billy e Pikachu em ação, ratificando a velha máxima de que o futebol do Pará produz garotos bons de bola, apesar de todas as mazelas das divisões de base dos principais clubes.

A própria presença de Billy no alvirrubro goiano é, na prática, a confirmação dos descaminhos que rondam os jovens valores paraenses. Ao lado do irmão Brian, despontou na base do Papão há cinco anos, mas poucas vezes foi efetivado como titular.

unnamedQuando teve oportunidades foi pelas mãos de Lecheva, mas não se firmou. De repente, aparece como titular do meio-campo do Vila Nova, por indicação do técnico Mazola Junior. Curiosamente, não teve grandes chances quando Mazola treinou o Papão em 2014.

Pikachu, ao contrário, sempre dispôs de todo espaço e apoio na Curuzu, transformando-se num dos raros exemplos de revelação que rendeu frutos ao clube como atleta profissional. Saiu do Papão como ídolo da torcida e com as portas abertas.

Outro atleta remanescente dessa fornada, o polivalente Djalma, amarga um inferno astral que já se prolonga por quase três temporadas. Chegou a ser escalado por Vagner Benazzi na Série B, mas sempre era aproveitado para cobrir lacunas no time.

A improvisação virou um estigma para o meio-campista, cuja fase mais interessante foi como parceiro de Pikachu caindo pelo corredor direito do time bicolor. Nenhum outro jogador tinha tanta afinidade técnica com Pikachu e o entrosamento de ambos fazia crer na valorização de Djalma.

Como o futebol tem caminhos insondáveis, alguns jogadores sofrem e se intimidam sob o comando de técnicos desconhecidos. Parece ter sido o caso de Djalma, que teve um período de exílio em Alagoas e voltou neste ano à Curuzu.

Apesar do apoio unânime dos torcedores, Djalma está novamente fora dos planos do técnico de plantão. Marcelo Chamusca já deixou claro que o volante versátil não está entre os escolhidos para integrar o elenco do primeiro semestre.

Não teve chances nem no Campeonato Estadual, campo de experiência para as competições mais importantes. Ficou treinando à parte enquanto jogadores vindos de longe – como Wesley, Ayrton, Rainer, Sobralense – ganham espaço. A comparação é válida, pois o futebol de Djalma não é inferior ao de nenhum dos citados, a não ser que tenha desaprendido a jogar.

Algo muito sério talvez esteja acometendo o ex-titular da meia-cancha e do lado direito do time. Só isso justifica tamanho desprezo pelo seu futebol ofensivo e eficiente, tanto na proteção quanto no apoio.

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Dois craques que enchem o Pará de orgulho

Peço licença ao distinto leitorado para tecer merecidas loas a um duo paraense de refinado talento em suas respectivas áreas de atividade. Ambos estão fazendo por merecer aplausos e salamaleques sem conta.

Em primeiro lugar, destaco os 45 anos do programa “Feira do Som”, levado ao ar ininterruptamente todos os dias da semana na Rádio Cultura pelo botafoguense e beatlemaníaco Edgar Augusto Proença. Berço da melhor música paraense, o programa é um oásis para quem aprecia um som de primeira linha.

Edyr Augusto, seu irmão rubro-negro, viveu nesta semana a consagração de lançar seu último livro, “Pssica”, na Sorbonne de Paris, para uma plateia seleta de professores, estudantes e intelectuais. Discorreu também sobre outras de suas obras para um público já acostumado à sua prosa marcadamente moderna e irreverente, com fortes tintas papachibés.

Fiz questão de fazer o registro na coluna porque sou de um tempo em que o sucesso merecido ainda comovia e emocionava.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 03)

Esquadrão da morte ataca outra vez

Soube agora que o filho de uma vizinha aqui da Marquês foi vítima do carro prata dos milicianos, hoje à tarde, na travessa Pirajá. Os justiceiros (ops, assassinos) chegaram atirando contra um grupo de garotos. Todos fugiram, menos ele e o primo, justamente os menores. Depois de alvejado com vários tiros nas costas, foi levado à UPA pelos vizinhos, entre a vida e a morte.

Não era criminoso procurado, nem traficante, nem ladrão de colarinho branco, nem propineiro e não representava ameaça à nossa tal impoluta sociedade. Apenas mais um menino (15 anos) abatido com frieza por um bandido encapuzado.

Podia ser meu filho, podia ser meu irmão.

Até quando??

A arte do olhar

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Nova York, Brooklyn Bridge, anos 40. De Paul Himmel.