11 comentários em “Vai vendo…

  1. Como não se pode culpar, se o interino é a continuação da suspensa? O que a suspensa fez de errado também é atribuível ao interino, assim como o que o interino fizer de errado também é atribuível à suspensa. Juntos, em relação de inegável parceria, eles conceberam e articularam um sombrio projeto de poder de cujos nefastos efeitos, agora, não podem se desvincular pelo simples rompimento da parceria.

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  2. Caro Oliveira, o rompimento entre a presidenta e o vice-decorativo é qualquer coisa, menos simples. O rompimento se deu por causa de algo tão grave quanto a traição. Isso não só é significativo, como evidencia os aspectos do golpe. Quem dirá que Temer rompeu com Dilma baseado em clamor popular?

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  3. Amigo Lopes, eu não digo que tenha sido pelo clamor popular.

    Até porque se bem observado, ninguém clamou pelo temer. Aliás, quando o sujeito, pessoalmente ou por interpostos, tentou se imiscuir entre os que clamavam e capitalizar pra si os dividendos do clamor popular acabou recebendo sonoros e significativos apupos.

    De outra parte, meu amigo, o “simples” que empreguei, não diz respeito aos motivos que inspiraram o rompimento da parceria interino/suspensa, pensei que tal houvesse ficado claro.

    Mas, admitindo que possa não ter ficado, esclareço.

    O “simples” empregado foi exatamente para deixar enfatizado que a profundidade dos cinzentos vínculos existentes entre o interino e a suspensa, a complexidade dos interesses nada republicanos que os uniu no passado e que a repercussão desta desta deletéria união na desventura daqueles governados despossuídos não desapareceu “só” porque eles brigaram e agora um tomou o lugar que era do outro.

    O que ocorreu foi “só” a mudança do poderoso, foi a “simples” substituição do poderoso, o que não significava nada em termos de vantagem para os submetidos ao poder dado que os objetivos nefastos seguem os mesmos.

    A propósito, sobre o caráter deletério aos autênticos interesses dos menos favorecidos resultando da união interino/suspensa não sou eu quem o diz, mas, sim, as delações e escutas telefônicas como a do tal machado que os mostra umbilicalmente unidos nesta empreita em prol do poder pelo poder.

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  4. Ainda que de simples não haja coisa alguma nesse quiproquó todo, a comparação entre Dilma e Temer é clara e objetiva, e deixa evidente que Dilma cedeu (muito) espaço político em busca de apoio. Aliás, esse é o movimento político desde que foi reeleita e o isolacionismo imposto tenderia mesmo a resultar em medidas impopulares. Se contasse mesmo com o apoio do congresso, acho que não teria ocorrido qualquer perda salarial ou redução de direitos dos trabalhadores. Com Temer, as mudanças na CLT, ou mesmo sua extinção, já é discutida à luz do dia, e posta nas sombras pela mídia. E esse é só um exemplo para discernir a diferença entre um e outro.

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  5. Os fatos quando bem observados mostram o contrário do que você defende Lopes.

    Quando o governo hoje suspenso iniciou sua escalada há 13 anos houve logo ali um impacto negativo de grande significação para os aposentados. Você lembra, né?

    Há pouco, antes da suspensão se efetivar novo impacto os trabalhadores receberam com redução de seus direitos. Tanto lá, quanto cá, o governo dito trabalhador não foi capaz de defender o trabalhador ativo e inativo das agendas e dos descasos dos integrantes de sua própria base aliada.

    Quer dizer, nas sombras, ou a luz do dia, o certo é que no afã de se estabilizar e manter no poder, os governantes rubros deixaram que os poderosos de sempre pautassem o governo.

    E, aí, as bandeiras históricas foram relegadas junto com a segurança de qualidade, a escola de qualidade e a saúde de qualidade, tudo ficou em segundo plano.

    A troco do aparelhamento da cut, une, mst e demais movimentos sociais, por um lado; da generosidade com os rentistas por outro; e distribuição de migalhas de moedas num terceiro lado, o governo manteve o que sempre foi assim exatamente do jeito que era.

    Enfim, foram 13 anos que se bem observados mostram que a situação atual é como se fosse um espelho em que tanto o suspenso, quanto a interina, ao mirar-se, vislumbram-se reciprocamente a um e ao outro, onde o que imperou foi o aparelhado silêncio das entidades cuja voz tradicionalmente se erguia contra os desmandos dos governos.

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  6. O aparelhamento ideológico de estado, de Althusser, ajuda a entender esse seu ponto de vista marxista, caro Oliveira. O ponto de vista do aparelhamento ideológico do estado vem de Marx, e fica claro em “O 18 de Brumário de Luís Bonaparte”. Marx descreve muito bem o abaixamento da guarda do proletário pelas conquistas sociais advindas da revolução francesa, como tendo alcançado algo desejado e ter-se satisfeito com isso. A observação oportuna revela que uma vez atingido certo objetivo não ocorrerá necessariamente outro objetivo a ser perseguido. Pelo menos não imediatamente. Pode ser necessário o tempo de uma geração ou mais para que haja novo levante popular por isso ou por aquilo. Um exemplo nacional foi a luta da geração dos anos 70 nas diretas já! Após a conquista do voto e da constituição de 1988, talvez a maior preocupação desta geração seja com a manutenção da democracia, algo conquistado por eles. Disso seguiu os anos 90 e a luta pelo controle da inflação, com uma agenda de direita, algo que aquela geração teme que volte. A experiência da geração atual é a de um país que obteve sucesso na luta contra desigualdades históricas, como contra a fome, a miséria e certo anonimato na cena econômica e política mundial. O Brasil obteve seu protagonismo internacional não somente pelo destaque no BRICS, G-20 e ONU, mas também por ter acertado num caminho que não é nem só capitalista e nem só socialista. O PT realizou algo incrível, uma grande mobilidade social, atenuação de injustiças históricas e grande crescimento econômico, sem mexer na estrutura do capitalismo. O mundo ficou atento e é daí que vem o elogio internacional ao republicanismo petista. Mas veio a crise. E com ela, a priorização de políticas públicas, estas ou aquelas, as sociais ou as capitalistas. Não mais as duas. Agora só uma seria possível de continuar com êxito. E o povo passou batido nessa. A elite, não. E o contexto foi melhor aproveitado pelas elites, embora houvesse com o que se preocupar os sindicatos. Está aí a diferença pela desarticulação do proletariado e pela reação da direita.

    A redução das pressões sindicais não ocorre por causa de algum acordo tácito ou explícito entre sindicatos e governo, ocorre porque o crescimento experimentado nos anos Lula e primeiros anos de Dilma satisfizeram muitos anseios populares, principalmente com relação ao consumo. Vivemos em meio a uma economia de livre iniciativa que não tem compromisso com o social, ou com o social do Brasil. O aparelhamento ideológico do estado não resulta de uma reunião às escuras numa sala secreta, de uma conspiração ou complô. Aliás, complôs têm objetivos definidos e dificilmente tem a ver com ideologia ou aparelhamento. A decisão de Temer de demitir o presidente da EBC não se resolve por questões ideológicas, mas práticas, como a divulgação amigável de mudança de doutrina do governo e de medidas governamentais contrárias à vontade popular. O aparelhamento se resolve lentamente no tempo e sem que se governe os rumos que ele terá de seguir, podendo, inclusive, persistir por mais tempo que subsistir o governo. O aparelhamento pela direita resulta no que estamos vendo por esses tristes dias de Temer frente ao governo federal. O aparelhamento ideológico pela direita não foi superado nem pela implementação exitosa de políticas públicas sociais ao longo desses 13 anos de PT no poder, algo que a própria Lava-Jato esclarece oportunamente na diligência seletiva com que trata a questão partidária nas investigações. O à vontade de Temer para operar as guinadas, sempre à direita, do governo federal, resultam desse aparelhamento que subsiste junto ao ideário de esquerda na máquina pública. Uma ideologia e outra convivem e buscam hegemonia, pelo que se pode intuir de Gramsci. É preciso aceitar esse embate porque real. É preciso aceitá-lo para resolvê-lo, não pelo seu fim, mas pelo processo natural de política que não será auspicioso sem o debate contínuo e permanente dos antagonistas políticos de sempre pelo bem do Estado. E do povo.

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