Não há razão para rir quando quem perde é o Brasil

meninosarria

(Foto de Reginaldo Manente que emocionou o país após derrota na Copa da Espanha, em 1982)

POR CYNARA MENEZES, no blog Socialista Morena

Hoje é um dia triste para o Brasil. Mesmo quem hoje está rindo, soltando fogos, ainda vai se dar conta disso –a não ser que seja cúmplice ou tenha a ganhar pessoalmente com o governo ilegítimo que hoje se instala, esperamos que interinamente.

Não há como o país ficar melhor quando o que moveu os vencedores provisórios dessa disputa foram os sentimentos mais baixos:

– o ódio

– o egoísmo

– a ganância

– o desprezo pela democracia e pelas urnas

– a cobiça

– a irresponsabilidade

– o preconceito de classe e de origem

– o racismo

– a homofobia

– o rancor

– o machismo e a misoginia

– a vingança

– a traição

– a corrupção (sim, do lado dos que lutaram contra a corrupção estão os maiores corruptos brasileiros)

– o desamor pelo Brasil

– a truculência

– a falta de empatia com os mais pobres e necessitados

– a burrice

Por que a burrice? Porque a escolha por este caminho é, acima de tudo, burra. Havia outras saídas para a crise, como a convocação de eleições gerais. Mas a elite brasileira, apoiada por cidadãos manipulados ou mal-intencionados, e com o suporte da mídia porca que temos, sempre disponível em caso de ameaça à democracia, decidiu pelo golpe. A História mostrará, como em 1964, quem estava do lado da verdade e da Justiça.

Escolhi para ilustrar este post a foto de Reginaldo Manente que marcou o começo de minha adolescência, quando o Brasil foi derrotado pela Itália na Copa do Mundo da Espanha, no estádio de Sarriá, em 1982. Esta imagem saiu na capa do extinto Jornal da Tarde e emocionou milhões de brasileiros. Como esta campanha contra a presidenta Dilma foi simbolizada por pessoas usando a camiseta da CBF, me parece perfeita para o momento. Em breve, acredito, muitos dos que usaram o verde e amarelo da seleção estarão assim, como estamos hoje.

Um triste dia para ser brasileiro, este. Desejo muita força à presidenta Dilma, uma mulher honesta, digna, guerreira. E vítima de uma das maiores injustiças de que se tem notícia. Mas não se enganem: não foi Dilma quem perdeu hoje, foi o Brasil. E não há razão para rir quando o nosso país é derrotado.

2 comentários em “Não há razão para rir quando quem perde é o Brasil

  1. Quero ver o que o PIG vai oferecer a partir de hoje para a massa?
    será um país alegre, próspero, imaculado e livre de toda a corrupção heheheh. Deus tenha misericórdia de todos nós.

    Curtir

  2. Faco das palavras do Fernando Drummond as minhas.

    “Há noites que duram anos. Há dias que duram séculos. Esta foi uma noite e este será um dia. Escolhi o lado difícil da história, escolhi o lado ‘justo’ da história. Poderei dizer a meus futuros filhos e netos que a primeira mulher Presidenta do Brasil foi usurpada do poder por seres humanos traidores, vendidos, sem palavra e sem honra. Sob a tutela de Deputados com contas na Suíça, ex-Presidente da República desviando dinheiro para bancar, no exterior, amante e filho, Senadores traficantes de drogas, Senador que possui trabalho escravo em seus latifúndios, fanáticos religiosos e tantos outros. Esta mesma mulher, que aguentou, por três anos, a prisão, tortura física, moral e sexual, aguenta, de pé, a mesma tortura, com a devida proporção. Houve erros? Sim. Houve alianças espúrias? Sim, em nome de uma frágil governabilidade. Aliás, poderia enumerar uma série de equívocos, mas não foram eles os responsáveis por tirar Dilma Vana Rousseff do poder. Foram seus acertos. Quando Lula foi eleito em 2002, a Casa Grande apostou em quatro anos de fracasso, estampado no medo de Regina Duarte, a namoradinha do Brasil. Os governos de Lula foram os melhores da história de nosso país, fazendo sua sucessora duas vezes. Ah, isso é inadmissível para a elite. Como um analfabeto, torneiro mecânico, pode chegar tão longe e ser o brasileiro com maior títulos Doutor Honoris Causa? Enfim, a Casa Grande não suportou ver o povo pobre ocupar a vaga de seus filhotes nas universidades federais, que, em tempo, nos últimos treze anos foram criadas mais do que nos quinhentos e dois anos anteriores. A Casa Grande não admitiu que empregadas domésticas (um termo lamentável) tivessem mais direitos, pois ficou mais caro “tê-las”. Para eles, é um absurdo, um outro ser humano ter mais direitos trabalhistas. A Casa Grande não suportou o fato de ver 40% a mais de negros adentrar o portão principal das universidades. Aeroporto ter virado rodoviária. A Casa Grande tremeu com a alta do dólar, atrapalhando seus passeios anuais para Miami. Tantos e tantos outros exemplos que só mostram que a Casa Grande precisa tirar esta mulher do poder, afinal eles precisam da Senzala para que nunca deixem de ser A Casa Grande.”

    Fernando Drummond

    Curtir

Deixe uma resposta