New York Times critica hipocrisia de líderes pró-impeachment de Dilma: ‘acusados de corrupção, fraude e abusos aos direitos humanos’

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No dia em que os ritos para o impeachment de Dilma Rousseff começam na Câmara dos Deputados, o New York Times publicou uma matéria onde fala sobre a hipocrisia entre os líderes brasileiros. “Alguns dos legisladores mais ativos na pressão pelo impeachment de Dilma enfrentam sérias acusações de corrupção, fraude eleitoral e abusos dos direitos humanos”, afirma Simon Romero, correspondente do periódico americano no Brasil.

O texto ainda cita Mario Sergio Conti, colunista do jornal Folha de S.Paulo, que afirma que Dilma “cavou sua própria cova ao não entregar o que prometeu, mas está contaminada em uma esfera política manchada”. Conti diz ainda que, embora a presidente não tenha roubado, “há uma gangue de ladrões a julgá-la”.

Romero classifica Dilma como “uma raridade entre a maioria dos políticos do Brasil”:não pesam, sobre ela, acusações de corrupção ou de roubo de dinheiro público. A matéria ainda menciona o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e fala sobre as acusações de que o líder teria recebido milhões de reais em propinas. Também não escapam das acusações o vice-presidente Michel Temer, e o líder do Senado, Renan Calheiros.

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O dia da vingança chegou

POR JUREMIR MACHADO – no Correio do Povo

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O jornal New York Times diz que uma gangue vai julgar Dilma.

O francês Le Monde afirma que Michel Temer é um especialista em intrigas palacianas.

The Guardian fala em ruptura institucional.

Quando FHC doou dinheiro, no Proer, para salvar bancos privados a direita não pediu sua queda.

Dilma cometeu o crime de mandar banco público adiantar dinheiro de programa social.

Aí é grave.

O PT cometeu muitos crimes. Atolou-se na corrupção.

Mas o seu crime mais grave, do ponto de vista da oposição, foi um dia ter apontado o dedo para os outros e gritado: “Corruptos!” Se tivesse entrado no clube sem moralismo, não seria cobrado e poderia roubar.

O agravante são as quatro vitórias consecutivas do PT e a possibilidade de uma quinta.

Defesa do petismo corrupto?

Nada mais simplificador.

Ataque ao moralizador associado a uma gangue.

Fora todos! Seria mais justo.

Quem se alia com Eduardo Cunha não merece confiança.

O interesse pelo combate à corrupção é mínimo.

A vibração é com outra coisa: chegou o dia da vingança contra o petismo no governo.

Dia de revanche contra cotas, bolsa-família, pobre em avião, Minha casa Minha vida e outras migalhas.

Eduardo Cunha é o instrumento da cleptocracia que esfrega as mãos.

A mídia prepara-se para emplacar mais um golpe.

Dilma será julgada por uma coisa e condenada por outras.

Impeachment é o instrumento legal que permite a um tribunal político condenar o presidente da República sem provas. Estamos no falso parlamentarismo ou no presidencialismo de mentirinha. O impeachment será um voto de desconfiança. O STF vai lavar as mãos? Marco Aurélio Mello será o único ministro capaz de se opor ao militantismo de Gilmar Mendes e ao medo dos demais? As ministras Carmen Lúcia e Rosa Weber só dizem “acompanho o relator”.  Ao menos não se pode mais acusar os ministros indicados pelo PT de petismo. Toffoli foi fagocitado por Gilmar. Facchin morre de medo de ser chamado de governista. Vota todas contra Dilma. A “julgabilidade” do STF é um só um palavrão.

No domingo, tudo começará em alto estilo com o voto de Abel Galinha.

Na sequência, centenas de investigados por corrupção tentarão derrubar uma presidente que não é ré em qualquer processo judicial e em relação à qual não se provou qualquer ato de desonestidade.

A verdade precisa ser dita.

Eu poderia vibrar. O PT vai se ferrar. O PT já me ferrou.

Mas tenho um compromisso com a minha consciência.

Só digo o que penso a ser verdade.

A verdade está na capa do New York Times.

Uma gangue vai julgar Dilma!!!

Comentário do Blogueiro: Não concordo com o Juremir, de que o “PT se atrolou em corrupção”. Até por que, um dos temas em voga, que é a Lava Jato, o partido que menos, e bem menos envolvidos tem ali, é o PT. Indivíduos não são a instituição. Ainda mais uma instituição como o PT, construída a duras penas, contra a Ditadura e a Mídia eternamente golpista. Mas Juremir tem razão quando diz que não é por causa da corrupção que estão tentando derrubar o Governo e o PT, mas pelo que ele fez de bom. Colocou os pobres no mapa e construiu programas capazes de tirar milhões da pobreza. É isto que esta sendo julgado. E é isto que querem acabar. Por isto é Golpe!! E por isto estou lado a lado com Juremir e com milhões de conscientes que sabem o que esta em jogo. O GOLPE NÃO É CONTRA O PT, DILMA OU LULA. É GOLPE CONTRA O BRASIL E OS BRASILEIROS. 

Leonardo Boff: impeachment mostra o ódio contra os pobres

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DE BRASILEIROS

O teólogo e escritor Leonardo Boff disse nesta quinta-feira (14), no Rio de Janeiro, que a tentativa de impeachment da presidenta Dilma Roussef simboliza a luta de classes no Brasil. Segundo ele, a divisão que se observa nas ruas reflete a “batalha da casa-grande e da senzala”.

“Toda essa raiva e ódio que tem na sociedade é a raiva contra os pobres, porque eles estavam sempre na margem e agora foram incluídos. Têm luz em casa, têm uma casinha, têm a cesta básica, podem frequentar a universidade, podem fazer seu estudo técnico, isso não havia antes. Então as classes poderosas têm medo, porque [os pobres] estão ocupando os espaços que antes eram reservados a elas. Isso é a intolerância que as classes sempre tiveram na história brasileira”, analisou.

Para Boff, “vai triunfar a razão” na votação do impeachment, marcada para domingo (17), e os deputados “vão perceber que não há motivo sério para aplicar o instituto do impeachment contra Dilma”.

Boff participou na quinta-feira do debate “Tolerância e Democracia: Este Não Será o País do Ódio”, organizado pelo coletivo À Esquerda da Praça São Salvador, que reuniu cerca de 2 mil pessoas em Laranjeiras. Em sua fala, o teólogo citou o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que costumava dizer que a democracia se fundamenta sobre quatro bases: a participação do cidadão, o reconhecimento da diferença, a tolerância e a comunicação. A esses fundamentos, Boff acrescentou “o cultivo do espírito”, citando o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe.

“Somos seres humanos que têm subjetividades, que gostam de trocar opiniões, tomar uma cervejinha e trocar ideias sobre as visões que temos do mundo. Não é um elemento das religiões, é da profundidade humana. Hoje há mais academias de ginástica do que bibliotecas e igrejas. Nós não cultivamos a vida do espírito, feita de amizade, de existência, de harmonização, de sentar junto e celebrar a vida.”

Em seu discurso contra a intolerância, Boff também citou a oração de São Francisco: “Se eles usarem ódio, vamos usar o amor”.

O ator e roteirista Gregório Duvivier brincou que uma coisa boa do que chamou de golpe é a união que ocorreu entre as esquerdas para se posicionar contra o impeachment. Duvivier destacou que não apoia o governo Dilma, mas que respeita e defende os 54 milhões de votos que a presidenta recebeu.

“União não significa unificação, o fato de estarmos unidos não significa que pensamos a mesma coisa. A gente tem que pressionar para o PT ir para a esquerda, porque ela [Dilma] foi eleita por um projeto de esquerda. E depois que a gente barrar o impeachment, que a gente continue nas ruas para pressionar.”

Integrante do coletivo À Esquerda da Praça, o sociólogo Rudolph Hasan disse que o debate foi pensado para unir duas gerações de militantes de esquerda e denunciar os ataques que ambas vêm sofrendo por se posicionarem publicamente contra o impeachment.

“É muito importante porque tanto o Boff quanto o Gregório estão sofrendo uma perseguição muito grande por estarem se posicionando a favor da democracia. As páginas dos dois nas redes sociais foram muito atacadas recentemente”.

Segundo Hasan, diante da proximidade da votação do impeachment na Câmara dos Deputados, o papel da militância é ocupar as ruas. “O que a gente pode fazer é somar nas ruas e demonstrar para o Parlamento que há uma massa da população que é contra esse processo golpista.”

* Com Agência Brasil

Colunista de O Globo denuncia o golpe

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O colunista Arnaldo Bloch, do jornal O Globo, classificou como golpe o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara. Bloch diz que independente do mérito das “pedaladas fiscais”, a crise econômica é a grande responsável pelo desejo de retirar Dilma do poder. Entretanto, a responsabilidade pela crise é em grande parte da oposição.
“Não se analisa, por exemplo, o quanto a campanha política para derrubar Dilma, iniciada logo após a sua vitória apertadíssima nas últimas eleições, e a desfaçatez do Congresso Nacional estão, também, na origem da crise e, principalmente, de sua sequência e seu progressivo agravamento. Ora, desde o início do ano só se fala em impeachment, sem a honra em questão”, afirma.
“Não há governo, não há Congresso, não há Senado. Só há Cunha. E o STF, como uma quitanda ou mãe togada cada vez mais poderosa a puxar as orelhas da turma no balcão. Na espuma desse espetáculo dantesco é que se trava o golpe. Não exatamente contra Dilma ou o PT. Mas contra o Brasil”, diz Arnaldo Bloch.
Segundo ele, 2018 é a hora do juízo para a administração da presidente, não agora. “O Congresso Nacional poderia estar tratando das matérias de interesse nacional, debatendo, votando. Fernando Henrique deveria ter sido o primeiro a se posicionar contra este impeachment, lá atrás, quando as palavras das grandes referências nacionais ainda valiam alguma coisa. Pois, agora, pouco importa o que se diz, a não ser entre quatro paredes, ou com o microfone desligado. Às vezes, uma carta, como a de Temer, lançando-se, com muxoxos, à presidência. As rédeas não estão mais com Dilma. Nem com o parlamento. O cavalo está solto”, afirma.

Oposição mergulhou país na instabilidade e brecou crescimento, denuncia Dilma

POR FERNANDO RODRIGUES

A presidente Dilma Rousseff gravou um pronunciamento em vídeo no qual acusa a oposição de ser responsável pelo baixo crescimento econômico do Brasil. “Os derrotados [da eleição de 2014] mergulharam o país num estado permanente de instabilidade política, impedindo a recuperação da economia com um único objetivo: tomar à força o que não conquistaram nas urnas”, diz a petista.

O pronunciamento era para ter sido transmitido em rede nacional de TV na noite da 6ª feira (15.abr.2016), mas o Palácio do Planalto preferiu cancelar com receio de contestações jurídicas. No vídeo, a presidente afirma que o processo de impeachment é “a maior fraude jurídica e política da história do país”.

O discurso de Dilma é muito duro e mostra uma certa ciclotimia da petista. Na última 4ª feira (13.abr.2016), a presidente concedeu longa entrevista propondo um pacto político amplo, inclusive com a oposição.

Agora, Dilma deu uma guinada e atacou duramente quem está contra o seu governo: “Os golpistas dizem que, se conseguirem usurpar o poder, será necessário impor sacrifícios à população brasileira. Com que legitimidade? Querem revogar direitos e cortar programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida”.

A presidente também afirmou que os que hoje são a favor de seu impeachment pretendem “abrir mão da soberania nacional” e “entregar os recursos do pré-sal às multinacionais estrangeiras”.

Assista ao vídeo a seguir, com 6 minutos e 39 segundos:

Folha reconhece que não há votos para o golpe

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DO BRASIL247

Manchete do site da Folha do início da noite desta sexta-feira (15) noticia que a oposição perde votos e não tem mais o quantitativo suficiente para aprovar o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Segundo o jornal, a oposição deixou de contar com dois votos a favor da abertura de processo: um deles é o da deputada federal Clarissa Garotinho (PR-RJ) que solicitou nesta sexta o início de sua licença-maternidade; o outro voto que deixou de apoiar o impedimento foi o do vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA).

Para que o processo seja encaminhado ao Senado, são necessários 342 favoráveis ao impedimento – independentemente da quantidade de deputados presentes no plenário no momento da votação.

Segundo o regimento da Câmara, o suplente só assume a cadeira quando o afastamento do titular é superior a 120 dias, que é o prazo da licença maternidade. Dessa forma, a vaga de Clarissa na votação de domingo não será ocupada por ninguém.

Mais cedo, o 247 noticiou que, de olho nas eleições municipais, mais de 50 deputados federais não votarão no domingo (17) – aqui.

Cunha recebeu R$ 52 milhões em 36 parcelas de propina, diz empreiteiro

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Em meados de junho e julho de 2011, o pai do empresário Raul Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, e um executivo da empresa reuniram-se com Léo Pinheiro, da OAS, e Benedicto Junior, da Odebrecht, no Hotel Sofitel, em Copacabana. Naquele dia, definiram detalhes de como iriam repassar a propina de R$ 52 milhões – o estimado de 1,5% do total da aquisição dos Cepac’s, pelo Fundo de Investimento do FGTS – a Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Decidiram fazer em 36 parcelas mensais, cada uma das empresas – OAS, Odebrecht e Carioca Engenharia – devendo transferir a sua parte diretamente ao hoje presidente da Câmara.
Os Cepac’s são os Certificados de Potencial de Área Construtiva para as obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Todas as empresas do consórcio tinham um “compromisso” de pagar a Cunha o valor superfaturado. Raul Pernambuco levou aos investigadores da Operação Lava Jato no Supremo o seu depoimento com detalhes dos encontros de negociatas e tabelas com dados de depósitos ao parlamentar. Somente a sua empresa (Carioca Engenharia) foi responsável pela transferência de R$ 13 milhões.
Em uma das tabelas, são descritos 22 depósitos somando 4.680.297,05 dólares em propinas transferidas entre 10 de agosto de 2011 e 19 de setembro de 2014. Na primeira parte, os depósitos que somam um montante de US$ 3.984.297,05 são garantidos Eduardo Cunha como remetente: o delator afirmou “ter certeza”. A segunda parte, que agregam mais 696 mil dólares é de “altíssima probabilidade de que também eram valores destinados a contas indicadas por Eduardo Cunha”, disse o empresário: “em especial porque não fizeram pagamentos deste tipo a outras pessoas e, também, pelo valor das transferências”, afirmou.
As contas estão no banco Delta Trust e UBS. Cunha já é investigado pela Procuradoria-Geral da República de quatro contas que manteve na Suíça. O empresário Raul Pernambuco apontou outras nove contas que o parlamentar mantinha em países como os Estados Unidos e Israel.
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O delator contou que “em nenhum momento Eduardo Cunha lhe disse que as contas eram de titularidade dele, mas tem certeza de que todas estas contas foram indicadas pelo deputado Eduardo Cunha; que tampouco o depoente chegou a perguntar a Eduardo Cunha sobre o titular das referidas contas”.
O primeiro pagamento pela Carioca Engenharia foi realizado no Israel Discount Bank, em 10 de agosto de 2011, no valor de US$ 220.777. Relatou, também, que a empresa não tinha contato com Eduardo Cunha, à época e que o empreiteiro e seu pai foram apenas “comunicados” pelas outras empreiteiras do consórcio sobre o “compromisso”.
A partir daí, Raul Pernambuco Júnior encontrou-se diretamente com Cunha. Detalhando como era o local do encontro, que ocorreu no início de agosto de 2011, disse não se lembrar se era no escritório político no Rio ou no gabinete da Câmara, em Brasília, e trouxe detalhes sobre a decoração do espaço:
“Respondeu que se trata de um escritório com decoração mais antiga, que tem uma antessala, com uma recepcionista; que, além disso, havia dois sofás, em seguida um corredor, com duas salas; que nestas salas havia uma secretária mais alta e um assessor do deputado; que este assessor era uma pessoa mais velha, com cerca de 60 anos, acreditando que fosse um pouco calvo, possuindo cabelo lateral; que nunca conversou, porém, nenhum assunto com tais pessoas; que mais à esquerda tinha a sala do deputado Eduardo Cunha, com uma mesa antiga, de madeira maciça, com muitos papeis em cima; que acredita que o escritório fique no 32° andar”.
Naquele dia, Cunha o perguntou “sobre o ‘compromisso’ estabelecido” e, inclusive, sobre o valor de R$ 13 milhões, que “foi confirmado por Eduardo Cunha”. O empresário da Carioca disse que eles não queriam que o dinheiro “passasse por dentro da empresa”, e que gostariam de ser “o mais reservado possível” e questionou ao peemedebista se a transferência não poderia ser feita em contas no exterior.
“Eduardo Cunha disse que não haveria problema nenhum e, neste momento, ele indicou a primeira conta em que deveria ser efetivado o pagamento”, contou o empresário. “Eduardo Cunha passou a conta em um papel, com os dados já digitados; que se lembra bem deste primeiro pagamento, porque o Banco indicado por Eduardo Cunha era denominado Israel Discount Bank; que não sabia se este banco era realmente em Israel; que já ficou estabelecido, inclusive, o valor do primeiro pagamento; que, dividindo o valor total devido pelo número de parcelas, o valor de cada parcela era de cerca de R$ 360 mil”, continuou.
Nessa primeira reunião, que durou cerca de 30 minutos, Pernambuco disse que “até então não se conheciam” e que foi a “oportunidade em que se conheceram melhor”.
Em outra reunião, alguns dias depois, Raul perguntou a Cunha “se haveria a possibilidade de mudar o banco e indicar uma conta na própria Suíça” e que “Eduardo Cunha concordou e disse não haver problemas”, indicando “no mesmo ato” a conta Esteban Garcia, no Merryl Lynch Bank, na Suíça. “A partir daí todos os depósitos para Eduardo Cunha foram na Suíça”, disse o delator. (Do Jornal GGN)