Frente parlamentar na Câmara reúne 186 deputados contra o golpe

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A presidenta nacional do PCdoB, deputada federal Luciana Santos (PE), protocolou nesta quinta-feira (14/04), na Câmara dos Deputados a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Democracia. O documento que oficializa o grupo parlamentar conta com a assinatura de 186 deputados e 30 senadores.

A parlamentar destaca que o número de signatários do documento é suficiente para barrar o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) na votação do próximo domingo. “O nosso objetivo é discutir o significado desse processo de impeachment para a população brasileira”, explicou. Ela destaca que alguns dos signatários ainda estão indecisos quanto ao voto, mas que a criação da frente mostra um sentimento existente dentro do Legislativo.

De acordo com o requerimento de criação da Frente, o coletivo se propõe a atuar na defesa da Democracia como princípio, dado o momento de grande complexidade no cenário da política brasileira, onde as instituições e a legitimidade do voto estão sendo postos em cheque.

“Seria lamentável se Brasil perdesse sua democracia com este golpe sórdido”, diz analista dos EUA

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Mark Weisbrot, presidente da Just Foreign Policy, organização norte-americana especializada em política externa, publicou na Folha de S. Paulo um artigo sobre a tentativa de golpe no Brasil. O texto, divulgado nesta quinta-feira (14), destacou que a presidenta Dilma Rousseff não apresenta qualquer evidência de envolvimento com corrupção e que a acusação de manipulação de contas públicas não justificaria o afastamento.

“Para traçar uma analogia com os Estados Unidos, quando os republicanos se negaram a elevar o teto da dívida, em 2013, a administração Obama recorreu a vários truques de contabilidade para adiar o prazo final no qual se alcançaria o limite. Ninguém se incomodou com isso”, escreveu.

Weisbrot afirmou  que o juiz Sérgio Moro, responsável pela operação Lava-Jato, lidera uma campanha de difamação contra o ex-presidente Lula, como no caso da divulgação de grampos telefônicos com conversas do líder petista. Depois, o próprio magistrado precisou se desculpar com o Supremo Tribunal Federal (STF) pela atitude.

O analista ressaltou ainda que a oposição força a derrubada da presidenta, eleita de forma democrática pela maioria da população. “A campanha do impeachment, que o governo descreveu corretamente como golpe, é um esforço da elite brasileira tradicional para obter por outros meios aquilo que não conseguiu conquistar nas urnas nos últimos anos”, pontuou. (Da Revista Forum)

Intelectuais e artistas estrangeiros publicam carta no The Guardian contra o golpe no Brasil

Intelectuais e artistas publicaram uma carta no Guardian contra o golpe no Brasil:

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Estamos extremamente preocupados com os esforços de setores da oposição de direita do Brasil para desestabilizar – e, finalmente, derrubar – o governo constitucional eleito, inclusive através da tentativa de aprovar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Essa campanha envolveu manifestações para “mudar o regime” através da derrubada da presidente antes do fim de seu mandato. Elas incluíram convocações abertas para os militares levarem a cabo um golpe de Estado.

Há também uma campanha destinada a desacreditar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem Dilma pretende nomear ministro em seu governo. O objetivo aqui parece ser não apenas derrubar Dilma, mas também barrar Lula legalmente como candidato presidencial potencial em 2018.

Enquanto isso, os sindicatos e os movimentos sociais denunciaram exemplos de agressão física contra partidários do governo. Nós nos opomos a essa iniciativa golpista, ecoamos o apoio dado ao Brasil que está sendo dado pela União das Nações Sul-Americanas e defender a democracia brasileira.

Brian Eno, músico 

Michael Mansfield QC

Dr Francisco Dominguez, chefe para a América Latina do grupo de estudos de pesquisa brasileira, Middlesex University

Grahame Morris MP

Kelvin Hopkins MP

Roger Godsiff MP

Jeff Cuthbert AM 

Manuel Cortes Gerais

Doug Nicholls 

Mick Cash 

Kevin Courtney, vice-secretário-geral daUnião Nacional de Professores

Tony Burke

Dr. Derek Wall, secretário do Partido Verde da Inglaterra e País de Gales

Salma Yaqoob

Martin Mayer 

Dr Julia Buxton

Oscar Guardiola-Rivera Birkbeck

Francisco Panizza 

Dr Peter Hallward 

Há 40 anos, a ditadura matava Zuzu Angel

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POR MÁRIO MAGALHÃES

Hoje faz 40 anos que agentes da ditadura assassinaram no Rio a estilista Zuzu Angel.

Zuzu denunciava mundo afora o desaparecimento do filho, o guerrilheiro Stuart Angel Jones.

Em 1971, Stuart havia sido morto na Base Aérea do Galeão num martírio em que foi arrastado por um jipe, com o escapamento soltando gás em seu rosto.

Sua mãe passou a dedicar a vida a procurar Stuart e buscar seus algozes.

Não teve muito tempo. Foi morta quando o Karmann-Ghia que dirigia foi abalroado na altura da Rocinha, logo após passar pelo túnel Dois Irmãos no sentido da Barra da Tijuca.

A versão das autoridades foi que na madrugada de 14 de abril de 1976 Zuzu sofreu um acidente.

Em 1998, em segunda votação, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que a mãe de Stuart fora vítima da ditadura.

Uma foto encontrada em velhos arquivos periciais mostrava que, ao contrário do que tinham alegado 22 anos antes, havia, sim, marca de pneu indicando que o carro de Zuzu havia sido atingido por outro e atirado contra a mureta de um viaduto.

Uma testemunha conversou com a comissão. Disse ter visto o choque proposital e corrido para o local onde o automóvel caíra.

Quem encontrou a fotografia sumida fui eu _um dia conto como. Bem como visitei o apartamento onde morava a antiga testemunha _confirmei que a visão do atentado era possível dali (mais tarde construíram um edifício tapando a vista). Bem como cronometrei a descida do prédio até o sopé da Rocinha. O tempo foi compatível com o relato de quem testemunhou o episódio.

Zuleika Angel Jones tinha 54 anos ao ser morta.

Stuart, 25.

Os assassinos de mãe e filho jamais foram julgados e punidos.

Chico Buarque e Miltinho, em homenagem a Zuzu, compuseram a canção “Angélica” (para ouvi-la, basta clicar na imagem no alto).

Hoje o túnel Dois Irmãos se chama, justa reverência a uma grande mulher, túnel Zuzu Angel.

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Planalto contabiliza mais de 200 votos contra o golpe

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DA REVISTA FÓRUM

A presidenta Dilma Rousseff se reuniu, no final da tarde desta quarta-feira (13), com lideranças das bancadas de inúmeros partidos com o intuito de traçar um balanço de como será a votação do processo de impeachment no plenário, prevista para acontecer no próximo domingo (17).

Participaram da reunião parlamentares do PMDB, PR, PSD, PDT, PTB, PROS, PHS, PTN, PT, PCdoB, PSOL, Rede, PSB e PTdoB e, após o encontro, o Planalto calculou que deve contar com aproximadamente 205 votos contra o impeachment, o que garantiria a derrota do processo.

Pelo Facebook, deputados petistas se manifestaram.

“Teremos votos nas bancadas do PMDB, PR, PSD, PDT, PTB, PROS, PHS, PTN, PT, PCdoB, PSOL, Rede, PSB e PTdoB. Teremos cerca de 205 votos”, afirmou Paulo Teixeira (PT-SP).

“A presidenta, Dilma Rousseff, recebeu o apoio de líderes partidários e deputados de diferentes partidos na tarde desta terça-feira (13) no Palácio do Planalto, todos dispostos a barrar o golpe que se pretende contra a democracia brasileira. Estiveram no encontro representantes do PT, PMDB, PR, PSD, PP, PDT, PCdoB, PROS, PEN, PHS e PTdoB. Nos cálculos do Planalto, já são mais de 200 votos favoráveis à presidenta”, escreveu José Guimarães (PT-CE).