São Francisco é o primeiro finalista do returno

Com vitória de 6 a 5 sobre o Paragominas na série de tiros livres da marca do pênalti, depois de empate no tempo normal (1 a 1), o São Francisco se classificou para a decisão do segundo turno do Campeonato Paraense. O jogo aconteceu na noite deste sábado, no estádio Barbalhão, em Santarém. Paulo Rafael, cobrando pênalti, marcou o gol do São Francisco e Caiquinha empatou para o Paragominas no tempo normal. Neste domingo, jogam São Raimundo e Cametá para definir o outro finalista do returno.

Tempos de chantagem

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POR MINO CARTA

Em qual país dito democrático o destino do governo e do seu partido fica sujeito à chantagem do presidente da Câmara dos Deputados, disposto a vender caro a sua pele de infrator?

Somos espectadores de um enredo assustador, a negar a democracia que acreditamos viver, mas nem todos entendem que o espetáculo é trágico.

O PT nega-se a uma capitulação ignominiosa e preserva o que lhe resta de dignidade, logo Eduardo Cunha parte para a vingança. Também o gesto do presidente da Câmara é tipicamente brasileiro, ao exprimir a situação de um país que há tempo perdeu o senso e a compostura.

Se já a teve, a capacidade de entender a gravidade do momento político, sem contar o aspecto pueril e os complicadores econômicos e sociais.

Até ontem, o governo jogou contra si mesmo, ao ensaiar a rendição à chantagem: desenhou-se nas últimas semanas a tendência a instruir os integrantes petistas da Comissão a votarem a favor de Cunha, donde a pergunta inevitável do cidadão atento aos seus botões: quer dizer que todos os envolvidos têm telhado de vidro?

Ora, ora. Impeachment era, e continua a ser, golpe. Quanto a Cunha, suas mazelas são mais que evidentes. Então, por que o governo cederia à chantagem? Quem se deixa acuar está perdido.

Tempo de chantagem, a delação premiada resulta dela também, a partir de prisões preventivas que põem em xeque a presunção da inocência, o indispensável in dubio pro reo. Esta é a democracia à brasileira, diariamente chantageada pela mídia nativa. Segundo uma pesquisa Datafolha, a maioria dos entrevistados enxerga na corrupção o calcanhar de aquiles do País.

Não procuro saber das técnicas empregadas para chegar a esse resultado, de todo modo é certo que a corrupção não passa de uma consequência de 500 anos de desmandos na terra da predação. O poder verde-amarelo muda seu endereço, mas não altera propósitos e comportamentos. É sempre o mesmo, desde as capitanias hereditárias. Feroz, hipócrita, velhaco. E impune.

De pé, ainda e sempre, a casa-grande e a senzala, e também sobrados e mocambos. Gilberto Freyre referia-se ao Nordeste, mas a dicotomia se impõe até hoje do Oiapoque ao Chuí, e é mesmo possível que agora, nas terras do historiador pernambucano, seja menos acintosa do que em outros cantos.

Permanece, em pleno vigor, a lei do mais forte, e desta brotam os nossos males, a começar pela desigualdade, pelo assassínio anual de mais de 60 mil brasileiros, pelo caos urbano. E assim por diante. Supor que a situação atual tem alguns responsáveis, identificados pela Lava Jato, não esclarece a real dimensão do problema.

Responsável é quem usa o poder em proveito próprio. Colonizadores, escravagistas, bandeirantes, capitães do mato, os senhores do império, os militares golpistas que proclamaram a República etc. etc.

O golpe de 64 foi precipitado para evitar uma mudança apenas vagamente esboçada graças à convocação dos gendarmes fardados, coroada a operação 20 anos após, paradoxalmente, pelo enterro da campanha das Diretas Já.

A chamada redemocratização foi uma farsa, com a contribuição dos fados que levaram à Presidência Sarney, principal artífice da derrota da Emenda Dante de Oliveira, a favor das diretas, e vencedor da batalha da indireta à sombra de uma Aliança pretensa e hipocritamente apresentada como Democrática.

A casa-grande e sua mídia elegeram Fernando Collor, para apeá-lo quando passou a cobrar pedágio alto demais, e Fernando Henrique, que “não é tão esquerdista assim”, como dizia Antonio Carlos Magalhães.

O governo tucano em oito anos cometeu as maiores infâmias contra os interesses nacionais, esvaziou as burras do Estado, organizou com as privatizações a maior bandalheira da história brasileira, comprou votos a fim de reeleger FHC, para não mencionar as aventuras do filho do então presidente, grandiosas e silenciadas. Quem pode, pode.

Lula, Dilma e o PT são intrusos nesta pantomima e esta presença, usurpada na visão dos antecessores no poder, explica por que hoje são visados como únicos réus. A eleição do ex-metalúrgico em 2002 ofereceu uma esperança de renovação, e assim pareceu divisor de águas no rumo do progresso. No poder o PT portou-se como os demais partidos (partidos?) e os bons augúrios minguaram progressivamente. É bom, para a dignidade do governo e do seu partido que enfim não capitulem diante da chantagem de Eduardo Cunha.

Seria o suicídio. Infelizmente, há muitos outros erros morais e funcionais, falhas, deslizes, e até tramoias, trambiques, falcatruas, a serem remidos, e não é fácil imaginar que o serão.

Às vezes me colhe a sensação de que atravessamos a fase final do longo processo da decadência crescente e inexorável de um país destinado a ser o paraíso terrestre e condenado ao inferno por sua elite, voltada a cuidar exclusivamente dos seus interesses em detrimento da Nação.

E de administrá-los contra a lei, se necessário. Na circunstância, cheia de riscos e incógnitas, a saída pela Justiça soa como o recurso natural. Não seria o STF o guardião da Constituição ofendida, o último defensor do Estado de Direito?

Os botões me puxam pelo paletó: que esperar desta Justiça desvendada, embora tão verborrágica, empolada, falsamente solene?

É o país dos teus filhos que você vai entregar a eles?

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POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

Em menos de 24 horas se inicia a cena golpista que poderá entregar a Michel Temer e Eduardo Cunha o completo comando do país que ambos, há tempos, impedem que seja governado. Salvo, claro, a confirmar-se a notícia do Valor – na qual disse não crer tanto assim – de que o comando golpista estivesse cogitando adiar a votação.

Trabalho, portanto, com esta premissa.

O que nos dá um dia, um só dia para jogar a sorte de nosso país, de nossas famílias e de nosso povo contra imagem que está aí em cima sobre quem deve conduzi-la.

Goste-se ou não de Lula, goste-se ou não de Dilma, não são dois ratos, e isso é óbvio.

Ainda que fossem de Lula tudo o que seus detratores de Lula dizem ser, não chegaria aos pés do que Michel Temer e Eduardo Cunha , comprovadamente têm, e nem é preciso incluir as fortunas suíças do segundo.

Mas não é neste sentido, é no sentido moral que o mestre Aroeira os retrata impiedosamente.

O primeiro, traidor, conspirador, intrigante e dissimulado o quanto pôde e obsceno no instante em que mais se l exigiria discrição. Quem lembrar do recolhido silêncio de Itamar durante o impeachment de Collor e ouvir o crocitar de Michel Temer saberá a diferença entre um homem público e um reles aproveitador.

O segundo, que todos sabem ser – a começar da imprensa e dos juízes acovardados do Brasil – um notório achacador, recolhedor de dinheiro, explorador da fé – recordam das duas centenas de “sites de Jesus” que o espertalhão registrou em seu nome? – e porta-voz de todas as causas discriminatórias, repressivas e regressistas.

Vamos deixar que nos conduzam?

Salvemos nosso país de ser entregue a quem, pelo voto, jamais teria o seu comando.

A brilhante defesa de Dilma por Sílvio Costa

Coube a um dos mais combativos deputados da Câmara, Silvio Costa, um vulcão de sinceridade, fazer a mais contundente defesa da Presidenta Dilma Rousseff. E o vulcão de sinceridade começou despejando sua lava corrosiva, com calma e tranquilidade, desmontando as armações de Eduardo Cunha e da oposição, reduzindo-os à pequenez moral que têm. E, ao final, a temperatura se elevou e Costa disse o que todos nós gostaríamos de dizer daquela tribuna, sem qualquer cálculo eleitoral ou concessão contemporizadora. Assista. Sílvio Costa merece e nós merecemos.

Domingo é festa

 

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POR NARCISO ALVARENGA MONTEIRO DE CASTRO (*)

Aqueles que acreditam no Governo da Presidenta Dilma, que creem que a Democracia sairá vitoriosa da tentativa de golpe, ora em curso, têm sido bombardeados com muita contrainformação.

A contrainformação — cujo verbete diz: “sf. 1. Ação ou resultado de impedir, frustrar ou dificultar o acesso do adversário ou inimigo a informações próprias”, (segundo o sítio http://www.aulete.com.br) — por parte dos meios de comunicação que participam da ação, tem sido intensificada nos últimos dias e seguirá até o momento da votação.

Óbvio que se trava uma guerra. Uma guerra suja, com adversários ou inimigos que não se pejam de lançar comunicados e depois alegam que foi um “vazamento” sem querer querendo. Uma verdadeira lástima!

Adversários ou inimigos que oferecem cargos e sabe-se lá mais o que, de um futuro, incerto e hipotético “governo Temer”, que não tem nenhuma vergonha em manipular os prazos regimentais, de adentrar pela madrugada tais quais ladrões, inclusive aos finais de semana, coisa que nunca se viu em tempo algum.

Pessoas comandadas por um celerado, denunciado por crimes os mais variados, que ameaça e intimida, sem que ninguém tome a menor providência e que poderá manipular inclusive a forma de votação, privilegiando algumas regiões em detrimento de outras.

Ora, se o STF nada fizer a respeito, depois de dizer que o rito a ser seguido seria o do impeachment do ex- Presidente Collor, a desmoralização será ainda maior…

Todos os atos praticados, alguns criminosos, denotam o mais puro desespero. Por isso, não tenho nenhum medo de errar: o golpe não passará.

Os adversários ou inimigos do Governo legalmente eleito não têm os votos necessários, em número de 364 para que o processo prossiga. É uma tarefa colossal conseguir tal número com a atual desorganização dos partidos e lideranças fracas.

Ao Governo Dilma cabe uma tarefa difícil, mas bem mais fácil que a dos seus opositores: conseguir 174 votos ou ausências em plenário.

Por tais razões e outras, como a vergonha de passar para a história com a pecha de golpista para o resto das vidas, a certeza que caso consigam a improvável votação, um eventual governo espúrio nunca conseguirá governar, além do risco de uma escalada imprevisível de violência pelas ruas, seria o saldo a ser apurado.

É por isso que afirmo que o fim de tarde do domingo será bem mais alegre que de costume. O país irá, depois de muito tempo, respirar mais aliviado, com menos poluentes e sujeira por todo o lado. Só restará o triste trinar de panelas em varandas gourmet.

Mas o povo de verdade estará feliz em seus humildes lares. O que se espera, passada a desnecessária tormenta, é que o Governo faça o trabalho para o qual foi eleito com mais de 54 milhões de votos. Governe para quem o elegeu e esqueça os maus perdedores, sem medo, sem arrependimentos.

Que não se espere que os adversários ou inimigos de sempre mudem seu comportamento, pois isso não vai acontecer. As máscaras caíram ou quem sabe nunca foram tiradas, como já foi dito.

A Presidenta Dilma está firme, não está com medo, pois perto do que já passou, a atual provação (ou seria provocação?) se parece mais com uma brincadeira de colegial.

Senhores deputados não precisam temer ou tremer. Fiquem firmes com o que é certo, com o lado certo da história.

Deputados do norte e nordeste, querem humilhar o povo que os elegeu, relegando-os, como sempre, ao último lugar. Esse povo a tudo assiste e não vai tolerar mais esse agravo. Portanto, atenção!

Todos sabem o lugar que a história relega aos traidores.

Domingo vai ter festa nas ruas do Brasil.

Viva a democracia! Viva o povo brasileiro!

(*) É juiz em Minas Gerais

Torcida do Liverpool se une à reação anti-golpe

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Entre a festa que as torcidas de Borussia Dortmund e Liverpool fizeram no Westfalenstadion para as quartas de final da Liga Europa, nesta quinta-feira, uma faixa destacou-se, pelo menos para nós brasileiros. Um grupo de torcedores do Liverpool levou uma mensagem de apoio à presidente Dilma Rousseff (PT), que passa por um processo de impeachment na Câmara dos Deputados.

Em um dos setores do estádio, o banner trazia uma imagem simbólica do Doutor Sócrates, um dos principais rostos da Democracia Corintiana e ativista pró eleições diretas nos anos oitenta, com a palavra “Democracia” na faixa que ele usava para segurar os cabelos. A mensagem: “Não terá golpe no Brasil”.

New York Times critica hipocrisia de líderes pró-impeachment de Dilma: ‘acusados de corrupção, fraude e abusos aos direitos humanos’

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No dia em que os ritos para o impeachment de Dilma Rousseff começam na Câmara dos Deputados, o New York Times publicou uma matéria onde fala sobre a hipocrisia entre os líderes brasileiros. “Alguns dos legisladores mais ativos na pressão pelo impeachment de Dilma enfrentam sérias acusações de corrupção, fraude eleitoral e abusos dos direitos humanos”, afirma Simon Romero, correspondente do periódico americano no Brasil.

O texto ainda cita Mario Sergio Conti, colunista do jornal Folha de S.Paulo, que afirma que Dilma “cavou sua própria cova ao não entregar o que prometeu, mas está contaminada em uma esfera política manchada”. Conti diz ainda que, embora a presidente não tenha roubado, “há uma gangue de ladrões a julgá-la”.

Romero classifica Dilma como “uma raridade entre a maioria dos políticos do Brasil”:não pesam, sobre ela, acusações de corrupção ou de roubo de dinheiro público. A matéria ainda menciona o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e fala sobre as acusações de que o líder teria recebido milhões de reais em propinas. Também não escapam das acusações o vice-presidente Michel Temer, e o líder do Senado, Renan Calheiros.

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