Papão x Leão – comentários on-line

Copa Verde 2016 – Semifinal

Paissandu x Remo – estádio Jornalista Edgar Proença, 19h30

Rádio Clube _ IBOPE_ Segunda a Sexta _ Tabloide

Na Rádio Clube do Pará, Claudio Guimarães narra; Gerson Nogueira comenta. Reportagens – Valdo Souza, Dinho Menezes, Paulo Caxiado, Hailton Silva, Carlos Estácio e Francisco Urbano. Banco de Informações – Fábio Scerni e Jerônimo Bezerra 

Na última trincheira

POR GERSON NOGUEIRA

A lógica cartesiana do futebol, centrada sempre na produção de gols, muitas vezes deixa de lado a importância dramática do último homem da trincheira: o goleiro. Neste Re-Pa de 180 minutos, que começa hoje à noite, Emerson e Fernando Henrique podem ter participação capital. Os últimos confrontos terminaram empatados e, se isso se repetir na semifinal da Copa Verde, ambos estarão no centro dos holofotes.

Já estiveram antes. No último confronto, decidindo o primeiro turno, Emerson foi expulso a minutos do final da partida, após pênalti sobre Welthon. O lance gerou muita polêmica e acabou dando espaço para que um novo herói, também arqueiro, surgisse no lado bicolor. Marcão, reserva de Emerson, assumiu o posto e fechou o gol, defendendo duas cobranças de penalidades que garantiram a conquista.

Na ocasião, Fernando Henrique passou em branco, não conseguindo deter os chutes dos cobradores alvicelestes na série decisiva.

A oportunidade está posta para que Emerson e Fernando Henrique brilhem nos dois clássicos. Principal jogador do Papão no Campeonato Paraense, Emerson já é ídolo da torcida e tem se comportado como um autêntico líder do time em campo. Seguro, ágil nas saídas de gol e sem malabarismos desnecessários, consolidou-se como titular da camisa 1 alviceleste desde a Série B do ano passado.

Com justiça, virou sinônimo de segurança no arco do Papão. É o primeiro goleiro a ganhar esse status depois de uma longa jornada de instabilidade na posição. Ronaldo talvez tenha sido o último goleiro aprovado plenamente pelo torcedor, principalmente pela facilidade (como Emerson) de agarrar pênaltis.

Do lado azulino, Fernando Henrique apareceu bem na temporada passada durante a campanha na Série D, posicionando-se como uma das vozes mais experientes e ponderadas do elenco que era comandado por Cacaio. Sua imagem acabou arranhada no Campeonato Paraense deste ano devido a falhas contra Independente e Papão, que acabaram por ofuscar bons momentos dele na competição.

A fase inicial da Copa Verde serviu para que o goleiro resgatasse o prestígio perante a torcida, com atuações seguras diante de Náutico e Nacional-AM. De estilo mais vistoso (alguns diriam que é meio espalhafatoso) que Emerson, Fernando Henrique tem no currículo passagens marcantes por Fluminense e Ceará.

Nos grandes momentos, costuma fazer defesas espetaculares, como contra o Vasco na semana passada, em jogo válido pela Copa do Brasil. Defendeu dois chutes certeiros, de Riascos e Jorge Henrique, que poderiam ter desequilibrado a partida. A derrota azulina, com gol sofrido nos instantes derradeiros, não chegou a afetar a recuperação de Fernando Henrique e de todo o time junto à torcida.

Sob o comando de Marcelo Veiga, o Remo tem mostrado um rendimento mais consistente, com mais compactação no meio e consequente aumento da segurança no setor defensivo. Especialista em montar times essencialmente marcadores, Veiga tem pautado seu trabalho pela preocupação em arrumar a cozinha. Nesse aspecto, Fernando Henrique tem papel relevante, pela experiência e ascendência sobre os companheiros.

No Papão, que vem mais azeitado e confiante, Emerson é ponto de referência e um dos homens de confiança de Dado Cavalcanti no elenco. Nem mesmo a turbulência exibida no returno do Parazão, gerando críticas à produção do time, afetou a imagem do goleiro. A campanha invicta na Copa Verde sinaliza para a recuperação técnica da equipe e os clássicos com o maior rival devem ser tomados como parâmetro para o nível atingido neste primeiro quadrimestre.

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Velhos titãs na hora da verdade

O Re-Pa duplo pela Copa Verde tem caráter de tira-teima para os velhos titãs. Em 2014, o Papão levou a melhor na semifinal com os azulinos. O troco foi dado pelo Leão no ano passado após dois confrontos encarniçados, que conduziram à decisão nos penais.

A disputa no torneio interestadual servirá também como despedida para o torcedor. São os últimos clássicos da temporada, visto que os dois times não mais se enfrentarão no Campeonato Paraense e disputarão certames nacionais de divisões diferentes.

Apesar do horário ingrato para a tradição de jogos em Belém, o Re-Pa desta noite tem lá seus atrativos. O principal deles talvez seja a oportunidade de mensurar o verdadeiro poder de fogo de cada equipe.

Com baixas nos dois lados, há também a perspectiva de um confronto entre times bastante modificados, com improvisações e utilização de jogadores que não vinham sendo aproveitados.

De todo modo, é jogo para movimentar a cidade e eletrizar a torcida em todo o Estado. A batalha vale muito na corrida em busca do título da Copa Verde e, principalmente, pela chance de disputar uma competição internacional – anseio tanto do Papão, que disputou a Copa Libertadores em 2003, como do Leão, cuja última participação foi no Torneio de Caracas, há mais de 60 anos.

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Parazão perde apelo no segundo turno

São Francisco e Cametá terão que esperar até o feriado de 1º de maio para decidirem o returno do Parazão. O confronto decisivo foi adiado supostamente por falta de passagens na rota Belém-Santarém-Belém, conforme justificativa da Federação Paraense de Futebol.

Com isso, o interesse pela competição cai ainda mais.

A ausência da dupla Re-Pa, eliminada na fase classificatória, fez com que o campeonato perdesse no segundo turno o apelo que teve na primeira metade. Com falhas de natureza administrativa e um futebol pouco empolgante, o Parazão caminha para um final abaixo das expectativas.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 20) 

Mulheres homenageiam Dilma com ‘abraçaço’

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POR MAÍRA STREIT, na Revista Forum

O início da noite desta terça-feira (19) foi marcado por uma homenagem a Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, em Brasília. Cerca de 500 mulheres levaram flores em solidariedade à presidenta, após o impeachment ter sido aprovado na Câmara dos Deputados. Segundo as participantes, o ato também serviu como protesto contra as provocações machistas proferidas pelos parlamentares durante a votação.

Elas entoaram cantos e palavras de ordem, com frases como “Não vai ter golpe, vai ter luta”, “Cunha sai, Dilma fica” e “No meu país eu boto fé porque ele é governado por mulher”. Diante do ato de apoio, Dilma desceu a rampa do Palácio para abraçar as manifestantes, posar para fotos e receber as flores. Ovacionada, ela se posicionou junto a uma grade próxima à via pública, acompanhada da secretária de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, e alguns seguranças.

O encontro, intitulado ‘Abraço da Democracia – Mulheres Com Dilma’ foi organizado pelas redes sociais por militantes feministas. No Facebook, foram lançadas hoje as hashtags #FicaQuerida e #MulheresComDilma.

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“Eu vivi os anos de chumbo da ditadura no Rio de Janeiro e sou a favor da democracia, por isso estou aqui hoje. Eu vou dizer: ‘Dilma, estamos com você, muita força e confiança que a gente vai vencer essa batalha”, disse Tereza Pereira, uma representante do grupo.

Segundo a organização do ato, a ideia surgiu nessa segunda-feira, após a abertura do processo de impeachment de Dilma ter sido autorizado pela Câmara dos Deputados.

“A gente é de um grupo de defesa pela democracia, e ontem batendo um papo as pessoas estavam tristes, chateadas. Uma das meninas falou assim: ‘Nossa, eu queria tanto dar um abraço na Dilma’. Aí falamos em dar um abraço coletivo”, contou Cristina Moreira, uma das organizadoras. (Com informações do UOL)

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