Leão dá adeus ao sonho do tri

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POR GERSON NOGUEIRA

O jogo tecnicamente refletiu o nível geral do Campeonato Paraense. Sem lances de maior inspiração e com aquele festival de chutões já conhecido. O Remo entregou-se à luta em busca da vitória, foi melhor em boa parte da partida, mas se perdeu na afobação, tendo desperdiçado quatro excelentes oportunidades – com Ciro, Luiz Carlos, Levy e Eduardo Ramos – quando o placar lhe era favorável.

Mas, nos instantes derradeiros, o estreante Marcelo Veiga resolveu jogar com três volantes. O time fraquejou e cedeu o empate, novamente em lance de cobrança de falta.

O resultado foi amargo para os azulinos, que estão fora do campeonato. O Leão não sai em função do jogo de ontem, mas pela trajetória errática ao longo de toda a disputa. O Papão deixou o campo festejando a eliminação do maior rival e o êxito no esforço final para obter o empate.

O fato é que a história do 735º jogo entre os dois titãs foi novamente definida em detalhes. As equipes exibiram as limitações conhecidas no aspecto coletivo, com pouquíssimas variações para tentar envolver o oponente e apostando muito nos contra-ataques e cruzamentos para a área.

Acuado pela marcação adiantada do Papão nos primeiros 20 minutos, o Remo só foi conseguir sair do cerco quando optou por jogadas rápidas de infiltração com Eduardo Ramos, Ciro, Marco Goiano e Luiz Carlos. Bastou encaixar a troca de passes para que o ataque passasse a se beneficiar. Foi o que ocorreu aos 37 minutos. Em lance de velocidade, Luiz Carlos deu bela assistência para Ramos entrar livre na área para abrir o placar.

A estratégia do jogo de toques durou até a metade da etapa final. Nesse período, com apenas dois volantes (Chicão e Yuri), o time azulino mostrou aproximação poucas vezes vista na era Leston Junior. Não dá para cravar que já seja influência de Marcelo Veiga, mas é fato que os lampejos revelam mais envolvimento por parte dos jogadores.acaf8413-7a33-49c6-90c7-042c9ee477e6

O fato é que a história do 735º jogo entre os dois titãs foi novamente definida em detalhes. As equipes exibiram as limitações conhecidas no aspecto coletivo, com pouquíssimas variações para tentar envolver o oponente e apostando muito nos contra-ataques e cruzamentos para a área.

Acuado pela marcação adiantada do Papão nos primeiros 20 minutos, o Remo só foi conseguir sair do cerco quando optou por jogadas rápidas de infiltração com Eduardo Ramos, Ciro, Marco Goiano e Luiz Carlos. Bastou encaixar a troca de passes para que o ataque passasse a se beneficiar. Foi o que ocorreu aos 37 minutos. Em lance de velocidade, Luiz Carlos deu bela assistência para Ramos entrar livre na área para abrir o placar.

A estratégia do jogo de toques durou até a metade da etapa final. Nesse período, com apenas dois volantes (Chicão e Yuri), o time azulino mostrou aproximação poucas vezes vista na era Leston Junior. Não dá para cravar que já seja influência de Marcelo Veiga, mas é fato que os lampejos revelam mais envolvimento por parte dos jogadores.fa9ae266-728f-4a01-a2d6-f631bdc696cb

b94b5c7e-cf1f-42d3-be43-e6334c5cacd6Com extrema dificuldade para conter as manobras ofensivas do Remo, que criava seguidos lances de perigo na área, principalmente quando Ramos e Ciro caíam pela esquerda, Dado Cavalcanti sacrificava a criação com a insistência em manter Bruno Smith, peça decorativa enquanto esteve em campo. O setor de armação só funcionou quando Marcelo Costa substituiu Smith, passando a distribuir o jogo com mais competência.

Ciro, lesionado, foi substituído pelo volante Artur em mudança na qual Veiga pareceu homenagear seu antecessor, fã ardoroso do sistema com três homens de marcação. Aí o Papão passou a pressionar com o trio Cearense, Betinho e Wanderson. Faltava jeito, mas sobrava esforço. O gol de Betinho nasceu em escanteio, aos 34 minutos, aproveitando saída em falso do goleiro Fernando Henrique.

Aos 45, Levy ainda teve chance preciosa em rebote de Emerson, mas chutou em cima da zaga. Apesar dos três volantes, o Remo se defendia precariamente, como nos tempos de Leston, mas o Papão não tinha forças para explorar. Resultado justo para um jogo sem brilho. Como expressão máxima do futebol paraense, o clássico serviu pelo menos para ligar vários sinais de alerta – para os dois lados.

 

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O prejuízo das escolhas infelizes

Um dos lances mais bizarros dos últimos anos no Mangueirão aconteceu a quatro minutos do fim do Re-Pa. O atacante Potita recebeu livre pelo lado direito, levantou a cabeça e, quando se preparava para cruzar, furou bisonhamente. A bola saiu mascada pela linha de fundo.

Logo em seguida, o volante Artur falhou feio em duas jogadas dentro da área, quase entregando o ouro a Betinho e Leandro Cearense. Com jogadores desse nível não surpreende que o time seja eliminado precocemente da disputa e perca a chance de disputar Copa do Brasil e Copa Verde em 2017.

A dúvida aqui é saber se o clube irá responsabilizar os gestores que avalizaram a contratação de atletas tão limitados, com o endosso do ex-técnico Leston Junior. O que a dupla Potita-Artur fez ontem é motivo mais do que suficiente para derrubar gestor incompetente.46ada4c2-d607-423d-aaab-670ba4469a9a

Do lado bicolor, a crítica se aplica a Bruno Smith, meia de parcos recursos, que comprometeu seriamente a evolução do time no primeiro tempo e começo do segundo. Roniery também deixou a desejar, tanto atrás como no apoio ao ataque, mas Wanderson foi ainda mais decepcionante, errando lances bobos e insistindo com dribles que não se completavam. A mesma cobrança feita aos gestores remistas se aplica a quem recomendou, contratou e avalizou esses atletas na Curuzu. (Fotos: MÁRIO QUADROS)

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Galinha dos ovos de ouro corre perigo

O público total de 23.051 (20.181 pagantes) ficou dentro da previsão, mas força para baixo a média da temporada. Confirma-se o cenário descrito na coluna de domingo. O modelo está exaurido e a exigir pronta reação por parte dos principais interessados.

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Direto do blog

“Dois times fraquíssimos. Marcelo Veiga pra mim não perdeu o jogo. Ele está vendo, peneirando os poucos que podem ficar para a Série C. Ciro, sem condição física, tinha que ser substituído – e o técnico não conhecia os outros jogadores. Vai precisar de muitos reforços. Na verdade, nem mesmo se ambos estivessem na Série A conseguiriam trazer bons jogadores. Isso é algo que a imprensa esportiva deveria puxar – uma reflexão. Mas é coisa que duvido que vá ocorrer, mesmo porque o bairrismo aflora e dificilmente os que trabalham por conta dessa competição vão ter a coragem de desvalorizá-la, ainda que essa seja a verdade.”

Por Elton Sales, tocando na questão crucial da decadência técnica do futebol paraense, escancarada no atual campeonato.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 04)

Papão x Leão – comentários on-line

Campeonato Paraense 2016 – 4ª rodada do returno

Paissandu x Remo – estádio Jornalista Edgar Proença, 16h

Rádio Clube _ IBOPE_ Segunda a Sexta _ Tabloide

Na Rádio Clube, Ronaldo Porto narra; Rui Guimarães comenta. Reportagens – : Giuseppe Tommaso, Dinho Menezes, Paulo Caxiado, Hailton Silva e Carlos Estácio. Banco de Informações – Adilson Brasil e Fábio Scerni 

S. Raimundo vence e fica a um passo da semifinal

Com um gol do artilheiro Jefferson Monte Alegre, aos 13 minutos do segundo tempo, o São Raimundo derrotou o Parauapebas no estádio Rosenão, no sábado à noite, valendo pela quarta rodada do segundo turno. Com o resultado, o Pantera acumula 9 pontos e está muito próximo da conquista da vaga à semifinal do Parazão. Já o Parauapebas permanece com 5 pontos, mas viu diminuírem suas chances de classificação.

Em Paragominas, no estádio Arena Verde, o Jacaré venceu o Águia por 2 a 0 com gols de João Neto na segunda etapa. O Paragominas manteve suas chances no returno e a derrota elimina antecipadamente o Águia da disputa.

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Já no Parque do Bacurau, o Cametá passou pelo Independente com um gol de Tony Love aos 23 minutos do segundo tempo, cobrando pênalti. O triunfo deixou o Cametá temporariamente em primeiro lugar na chave A1, com 6 pontos. Já o Galo Elétrico do técnico Lecheva (foto acima) permanece com 5 pontos, em terceiro no grupo, mas seriamente ameaçado de não ir às semifinais.

Moro das lamentações: a tragédia do juiz que pensava ser um deus

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POR SALAH H. KHALED JR.

Feche os olhos e imagine por um instante que você detém os poderes de uma divindade. Você narra a partir de um ponto de vista privilegiado, que consegue discernir com clareza incomparável a complexidade da realidade e sua conexão com a normatividade. Suas decisões não fazem mais do que refletir os fatos de forma perfeita e acabada, sem qualquer nível de distorção: são simples meios de exteriorização de uma convicção que jamais conhece qualquer falibilidade. Essências são extraídas de coisas e pessoas com incomparável facilidade: realidade e alteridade se curvam diante de seu método de revelação da verdade.

Você é firme e obstinado em seu propósito. Enviado pelos céus e movido por energias extraídas do além, sempre mantém os olhos fixos no grande prêmio e jamais se desvia da trajetória inicialmente delineada. Para você, a magistratura é sacerdócio; uma profissão de fé conduzida pelo mais nobre dos propósitos: extirpar o mal do mundo, em nome do bem da sociedade.

Sua vida é cruzada. Seu ritual é uma prática continua de zelo pelo bem comum. Senhor de todas as certezas, lorde de todos os soldados, você faz do trabalho diário um empreendimento de enfrentamento constante contra o mal. Higienizar o país é seu destino e o triunfo, algo certo e inevitável. Palavra da salvação: toda honra e toda glória, agora e para sempre.

Você é objeto de louvor alheio. As pessoas ostentam seu nome em camisetas, adesivos e cartazes. Seu estandarte tremula de Norte a Sul do país: você é reconhecido como salvador e extrai energias de seus devotos. Obtém deles forças para intensificar ainda mais o combate contra o inimigo. Seu poder cresce a cada dia que passa. Ele faz de você uma divindade onipotente e, logo, capacitada para erradicar a maldade que aflora no mundo. Não é de se estranhar que você aprecie cada vez mais a atenção que lhe é dada. Opinião pública e opinião publicada parecem ter por você uma irrefreável paixão, absolutamente profunda e massivamente sedimentada. Você se sente tocado por ela e faz questão de manifestar seus sentimentos para todos que incansavelmente o bajulam. Nem por um instante sequer você considera que possa estar equivocado. Que alguém insinue que você atua como veículo para difusão de ódio é logicamente uma leviandade.

Mais do que um mero mortal, sua existência transcendeu o plano terreno: as regras aplicáveis aos demais não valem para você. Continuamente estimulado e jamais coibido, você saboreia a delícia do poder ilimitado que lhe é conferido. De fato, você acredita que um juiz pode voar: nem mesmo o céu é limite para a sua audácia. Sua vaidade atinge patamares gigantescos: nem mesmo a segurança de seus próprios devotos parece lhe importar. Você propositalmente desconsidera qualquer limite normativo ou ético que possa comprometer o fim que lhe é caro. Utiliza sem o menor pudor os meios que lhe são conferidos para divulgar a irrecusável verdade de sua palavra. Caso venham a ocorrer, danos colaterais não serão nada mais do que perdas aceitáveis para a consecução da meta perseguida. Sua onisciência não permite qualquer vazio. O interesse público lhe é transparente: não pode ser nada além de um reflexo de sua própria vontade, que, ao final, subjugou completamente a realidade.

E assim seria, se ele, o limite, não promovesse uma alucinada reviravolta no roteiro previamente estabelecido por sua santidade. De forma inesperada, uma vertigem democrática surge no horizonte para usurpar o frágil solo moral no qual assentava sua autoridade, destruída como castelo de cartas por um relâmpago de legalidade.

Sua onipotência não era mais que delírio e devaneio. Complexo de grandeza e abuso de autoridade. Possível prática de crime e flagrante ilegalidade. O destino parece ter lhe pregado uma terrível peça: suas razões não são mais do que pálidos reflexos de uma contaminada subjetividade. Vitimada pela própria arrogância, cai por terra a insustentável identificação com o bem da sociedade. Tragédia até então impensável. Quem dizia que falava por todos falava por si mesmo: refém da própria e indevidamente atribuída discricionariedade.

Resta o lamento dramático e a entrega narrativa da própria dignidade, corroída pelo esforço impossível de legitimar uma indefensável ilegalidade. Esgotada sua serventia, desvelada a humanidade, resta a você o papel de cordeiro: passível de ser sacrificado no altar do próprio autoritarismo, ainda que mostre incredulidade diante dessa possibilidade. Talvez a sorte seja generosa e você apenas caia na obscuridade. Lamento de um Moro, Moro das lamentações. Equivocado até o final, ainda lhe escapa a ideia de impessoalidade. A Tragédia de um Moro é a morte metafórica de uma pseudodivindade. Que ela descanse em paz. A democracia agradece.

Salah H. Khaled Jr. é Doutor e mestre em Ciências Criminais (PUCRS), mestre em História (UFRGS). Professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Escritor de obras jurídicas. Autor de A Busca da Verdade no Processo Penal: Para Além da Ambição Inquisitorial, editora Atlas, 2013 e Ordem e Progresso: a Invenção do Brasil e a Gênese do Autoritarismo Nosso de Cada Dia, editora Lumen Juris, 2014 e coordenador de Sistema Penal e Poder Punitivo: Estudos em Homenagem ao Prof. Aury Lopes Jr., Empório do Direito, 2015. 

Mexeram com a fera. Lula começa a percorrer o país

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POR FERNANDO BRITO – no blog Tijolaço
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Publico, abaixo, a íntegra do discurso do ex-presidente Lula que reuniu 60 mil pessoas hoje em Fortaleza. Sábado, dia da família, muita gente perdeu a transmissão ao vico – eu, inclusive – e não viu o mar de gente a quem Lula disse que, caindo a liminar de Gilmar Mendes no Supremo, na próxima quinta-feira será o Ministro da Casa Civil para “ajudar Dilma a mudar: “Tem que dar a volta por cima, mudar a economia, gerar emprego e renda pra essas pessoas”, disse. Leia o que Lula falou aos cearenses, na Praça do Ferreira, neste sábado.
“Mesmo se não tivesse esse ato aqui, só a chuva que Deus mandou a partir de ontem já valeria a pena estar aqui no Ceará. Não é todo dia que a gente vê o chão molhado, o agricultor dando risada.
Estou estranhando um pouco o que tá acontecendo no nosso País. Completei 70 anos de idade. Vivo nesse País fazendo política há 50 anos e nunca vi o clima de ódio estabelecido agora neste País. Parece que neste País tem duas coisas: aqueles que amam a democracia, aqueles que gostam de fazer política, que são do PT, do PCdoB, das centrais sindicais, e aqueles que são contra nós. Aqueles que têm as revistas, os jornais, a televisão, que são na verdade os responsáveis por esse clima de ódio que está estabelecido neste País.
Eu, querido Camilo, fui oposição a vida inteira. Perdi três eleições seguidas e vocês nunca viram eu chamar o PT pra ir pra rua, pra derrubar governo, agente fazer manifestações pra que esse País não desse certo. Na verdade, essa gente que vinha pra rua, tentando usar verde e amarelo, pra dizer que são brasileiros, precisava ter trabalhado o tanto que nós trabalhamos. 
Esse povo que está aqui, que está na rua, é um povo trabalhador, ordeiro, que paga suas contas. E é um povo que quer apenas que eles respeitem a coisa mais elementar, que é universal, que é o direito ao voto popular que elegeu a Dilma.
E eu às vezes fico vendo televisão, as revistas e os jornais e fico me perguntando por que tanto ódio? Será que é ódio porque a empregada doméstica passou a ter direito neste País? Porque filho de pobre negro da periferia passou a fazer universidade nesse País? Porque em apenas 12 anos geramos 22 milhões de empregos neste País? Será que é ódio porque durante 12 anos todos os trabalhadores organizados tiveram aumento de salário? Porque nós criamos o FIES e colocamos milhões de jovens na universidade? Por causa do Pronatec, das escolas técnicas, do programa de aquisição de alimentos, do Minha Casa Minha Vida, do Bolsa-família, do aumento do salário mínimo/ Eles precisam explicar por que tanto ódio da primeira mulher que governa este país.
E resolveram tentar encontrar uma via fácil pra derrubar a nossa presidenta.
Foi só a Dilma começar a andar de bicicleta, e eles inventaram de começar a tentar cassar ela por causa de uma pedalada. 
Ninguém aqui é Pra ter impeachment tem que ter base legal, tem que ter crime de responsabilidade. E a companheira Dilma e o seu governo não cometeram nenhum crime de responsabilidade. Por isso defender o impeachment é ser golpista, neste instante neste País.
Queria que todos prestassem atenção ao que está em jogo neste instante, que nós já vimos em 1964. Não é tentar derrubar a Dilma com um golpe pra colocar alguma coisa melhor. Olha quem tá pretendendo governar este País. Olha se eles têm alguma preocupação com o social deste País. Eles não querem governar este País pra aumentar salário mínimo, pra garantir piso dos professores, pra garantir o Bolsa-família e reajuste anual, pra garantir que as pessoas mais pobres tenham direito. Incomoda eles, sim, que o nosso povo frequente a mesma praça que eles, o mesmo restaurante, vá no mesmo cinema ou no mesmo teatro. E o que mais incomoda a eles é o pobre querer andar de avião agora. 
Na verdade, eles não aprenderam a dividir os espaços públicos com o povo brasileiro. E vou dizer uma coisa pra vocês, pelo carinho que eu tenho pelo povo do Ceará, porque venho aqui há muito tempo fazer campanha. Eu passei minha vida inteira acreditando que era possível mudar este País. Às vezes eu deitava na cama e perguntava pra Marisa: será que vamos conseguir mudar este País? E eu tinha na minha cabeça uma coisa: eu não posso trair o meu povo.
A solução do nosso País foi encontrada quando nós vimos que o povo não era problema; era a solução desse País. Uma mulher pobre com cem reais faz muito mais por esse povo do que um rico com um bilhão, que pega lá no BNDES. Eles não sabem o benefício que a gente faz quando a gente resolve fazer com que todas as pessoas possam subir um degrau na escala social. Eles pensavam que pobre não gostava de coisa boa. O que incomoda a eles é um presidente nordestino, que não tem diploma superior, ter sido o presidente que mais fez universidade neste País.
A coisa mais sagrada da minha vida foi carregar o orgulho e dizer no mundo inteiro o que a gente fez neste País. 
Quando a gente fez o Bolsa-família, eles diziam que era esmola.
Eles perceberam que a gente tava trazendo doutor pro Nordeste, fazendo pesquisa pro Nordeste.
Eles não admitem que a gente tenha feito em 12 anos mais escola técnica do que eles fizeram em 100 anos. Colocado mais jovens na universidade que eles colocaram num século.
Eu soube que ontem nessa cidade encheram de outdoor contra o Lula. Eu não fico com ódio não. Aos 70 anos eu já tô pensando que o homem tá me chamando. O dinheiro que essas pessoas gastaram com outdoor pra falar mal de mim, deveriam ter vergonha na cara e fazer outdoor dizendo o que eu fiz pelo Nordeste brasileiro e o que eu fiz pelo Ceará. 
Pode pegar a história pra saber se um presidente da República em qualquer momento colocou no Ceará 30% do que eu coloquei em oito anos de mandato.
Se tudo der certo, e a Suprema Corte aprovar, quinta-feira eu estarei assumindo a Casa Civil do governo. E vou dizer por que que eu aceitei, depois de muito tempo. É porque eu tô convencido, acredito nisso como acredito em Deus, que este País tem que mudar, tem que dar a volta por cima, mudar a economia, gerar emprego e renda pra essas pessoas. 
É todo dia se falando em corte neste País. Em crise. Precisamos falar em crescimento, desenvolvimento e investimento neste País.”

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“Volto pra ajudar a companheira Dilma, andar de mãos dadas com ela e com vocês, pra vir aqui inaugurar a Transposição das Águas do Rio São Francisco. 
O nordestino é bom por isso. a gente nasce e se não morre até cinco anos de idade cria um couro tão duro que não tem nada que a gente não possa fazer.
Eu tava pensando que eu ia descansar na minha vida, mas eu não vou deixar, junto com vocês, não vou permitir que haja golpe. E queria fazer aqui nesta praça um apelo aos deputados federais. A melhor maneira de chegar ao poder é disputar eleições, ganhar eleições. Eu sou a experiência disso. Perdi muitas eleições, e quero que eles aprendam isso.
Temer é um constitucionalista, um professor de Direito. Ele sabe que o que estão fazendo é golpe. E sabe que isso vão cobrar é do filho dele, do neto dele amanhã, porque a coisa mais vergonhosa de chegar ao poder é tentar encurtar o mandato de uma mulher com a seriedade e a qualidade da presidente Dilma Rousseff. 
Quero agradecer a vocês. Vim aqui e volto pra São Paulo hoje mesmo, mas se for necessário volto pra cá.
Eu queria que vocês lessem a ideia deles sobre economia. E que os deputados que defendem eles lessem também. Não vai ter mais garantia de dinheiro pra educação e pra saúde e pra políticas sociais, como é hoje, que está garantida na Constituição. A gente não pode diminuir dinheiro pra educação, pra saúde. Eles agora querem que a cada ano o Congresso discuta o que vai pra educação, pra saúde, pra política social. Não querem mais o reajuste anual do salário mínimo. E nós já vivemos isso, gente. Momentos em que o governo não reajustava nem a inflação do salário mínimo. Já vivemos a briga que nós vivemos pra aprovar o salário do professor, que é uma vergonha. Todo mundo fala bem do professor, minha professorinha, mas na hora do salário não querem. Querem que o professor receba um salário que não dá pra dar comida à família.
Querem que este País tenha um retrocesso.
Pelo que eu estou vendo, se depender de vocês eles vão ter que esperar as eleições de 2018 pra disputar o governo deste País. 
Eu só tenho uma coisa nesta vida de compromisso: é com o povo deste País. Eu faz dois anos que tô sendo vítima dos maiores ataques que um ser humano foi vítima. Todo santo dia. Eles já criaram um apartamento pra mim que não é meu, e eu quero convidar todos vocês, no dia que for meu. Eles já inventaram uma chácara que não é minha, e quando ela for minha vocês vão visitar minha chácara. Inventaram até um barco de quatro mil dólares. Parece o Lady Laura. É um verdadeiro iate Eu nem vou em Angra com meu iate, pra não competir com Roberto Carlos. Ou seja, já inventaram de tudo.
Nós vamos garantir a governabilidade da Dilma, porque este País não pode voltar atrás. Nós sabemos como era o Ceará, como era Pernambuco, a Paraíba e o Rio Grande do Norte quando eles estavam no governo.”

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