Brasileiro vencedor do Pulitzer denuncia golpe e Rede Globo durante premiação

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Maurício Lima, primeiro brasileiro a vencer o prêmio Pulitzer de Jornalismo, denunciou na noite dessa quinta-feira, (28), o golpe em curso no Brasil durante a premiação da Overseas Press Club of America (OPC), cerimônia que reúne os 500 maiores líderes da imprensa mundial.

A ação reforça o rechaço da imprensa internacional ao processo de Impeachment, que tenta retirar a presidente democraticamente eleita Dilma Roussef do poder a partir das vias institucionais. Com uma faixa onde se lia “Golpe Nunca Mais” e o uso da marca da Globo, Mauricio quebrou o protocolo e fez uma fala política contra a mídia brasileira:

“Gostaria de expressar meu apoio a liberdade de imprensa e a Democracia, que é exatamente o que não está acontecendo no Brasil nesse momento. Sou contra o Golpe”

Há jornalismo inteligente no Brasil, e ele tem memória: a Rede Globo foi uma das mais entusiasmadas defensoras do golpe de 64 e do sangrento regime que se sucedeu até as Diretas Já, quando o processo democratico foi reestabelecido.

Mauricio Lima pela Democracia

Maurício é hoje um dos mais reconhecidos fotojornalistas em atuação. Ganhou o Prêmio Pulitzer 2016 – dado aos melhores trabalhos jornalísticos e literários do mundo – pela cobertura dos refugiados na Europa e no Oriente Médio, além do World Press Photo e o Picture of The Year America Latina, que o considerou o melhor fotografo em 2015 pela documentação da Ucrânia e dos protestos no Brasil.

Semanas antes da votação do Impeachment no Congresso, Mauricio havia cedido uma entrevista para Mídia NINJA, onde ressalta a importância das mídias livres no país.

O preço da condescendência do Supremo com a farra grotesca do impeachment

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POR CARLOS FERNANDES, no DCM

Não existe almoço grátis.

O Nobel de economia, Milton Friedman, utilizou essa expressão para mostrar que são os impostos cobrados da população que financiam os gastos e investimentos públicos de um governo.

A política brasileira que possui a impressionante habilidade de inverter e subverter toda e qualquer lógica dos mais sólidos fundamentos econômicos, jurídicos e sociais nos mostra que por aqui esse termo tem uma aplicação bem mais abrangente e bem menos republicano, digamos assim.

Vejamos. Do ponto de vista jurídico, não há qualquer argumento plausível que explique o fato do STF ainda não haver, no mínimo, afastado Eduardo Cunha de suas funções enquanto presidente da Câmara dos Deputados.

O estoque de manobras, abusos, afrontas, desrespeitos e intimidações que EC vem promovendo a cada novo dia parece não ter limites. Mesmo assim, a Suprema Corte do país continua na mais inquietante inépcia diante todo um Parlamento afundado em denúncias enquanto conduz mais um golpe na democracia brasileira.

Mas lembremos que não existe almoço grátis. A condescendência do STF com a farra grotesca em torno do impeachment tem o seu preço. Entre os gritos de “sim” justificados por “Deus”, pela “esposa” e pelos “filhos”, formou-se também a maioria necessária na Câmara para aprovar o reajuste salarial do judiciário.

Trata-se de uma das famosas pautas-bomba lançadas pelo nosso bom e velho Cunha para desestabilizar ainda mais as contas públicas. A medida prevê um aumento de 53% a 78% nos vencimentos dos servidores do judiciário e magistrados. Ministros do STF incluídos, naturalmente.

Quanto à responsabilidade fiscal tão defendida oportunamente pelos arautos da ética e da moralidade, nesse caso não vem ao caso. Segundo as previsões do Ministério do Planejamento, o acordo dos cavalheiros, se de fato aprovada, custará aos cofres públicos R$ 5,3 bilhões ainda em 2016 e chegará a R$ 36,2 bilhões até 2019.

Pois é! Poderes independentes e soberanos auxiliados por instituições isentas, técnicas e imparciais são para nações que não admitem que uma quadrilha de ladrões hipócritas subjuguem a Carta Magna e a vontade expressa das urnas. Parece não ser o caso do Brasil.

O pior, porque sempre pode ser pior, é que a conta para a deposição de uma presidente democrática e legitimamente eleita não está sendo cobrada apenas pelo poder judiciário. A digníssima bancada BBB -boi, bala e bíblia – também já apresentam as suas faturas.

Por terem votado em peso a favor do impeachment, a romaria em encontro à Temer já começou. O pastor Silas Malafaia e afins estiveram com o vice-presidente no palácio do Jaburu para orar e abençoar o “eleito” por 1% dos votos. Não sem cobrar o seu dízimo como de costume.

Exigiram a aprovação do Estatuto da Família, o fim do Estatuto do desarmamento com o livre comércio, posse e utilização de armas e como não poderia deixar de faltar, mudanças nas regras de demarcações de terras indígenas. Retrocessos e nada mais.

Já a cúpula do PSDB e DEM também não deixou barato. Para um apoio irrestrito ao governo Temer, exigem que a pauta neoliberal que fez o país se ajoelhar três vezes ao FMI seja seguida à risca. Até o ex-presidente Collor já entregou um “Plano de Reconstrução” ao principal beneficiário do golpe. É realmente um filme de horror.

O preço que todos nós teremos que pagar se Michel Temer assumir realmente a presidência da república será assombroso. Soma-se aos retrocessos econômicos e sociais, o desmantelamento das operações de combate à corrupção. Afinal de contas, estamos falando do PMDB.

Retirar Dilma do lugar que a democracia lhe reservou sob o estupro da Constituição Federal custará um valor que ninguém deveria estar disposto a pagar. Porque, definitivamente, não existe almoço grátis.

Adolfo Pérez Esquivel: “Está muito claro que é um golpe de Estado”

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Presidenta Dilma recebe Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz. (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

O vencedor do prêmio Nobel da Paz em 1980, o ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, se reuniu nesta quinta-feira (28/04) com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. Ele manifestou apoio à mandatária e afirmou que o processo de impeachment contra Dilma se trata de um “golpe de Estado”.

“Está muito claro que o que se está preparando aqui é um golpe de Estado encoberto, o que nós chamamos de um golpe brando”, disse Pérez Esquivel à imprensa após o encontro. “Seria um retrocesso muito grave para o continente. Sou um sobrevivente da época da ditadura [militar na Argentina, 1976-1983], nos custou muito fortalecer as instituições democráticas. Aqui [no Brasil] se está atacando as instituições democráticas”, afirmou.

Pérez Esquivel declarou que foi a Brasília para prestar “solidariedade e apoio para que não se interrompa o processo constitucional do Brasil”. Ele traçou um paralelo entre a atual situação política brasileira e as destituições dos então presidentes hondurenho Manuel Zelaya, em 2009, e paraguaio Fernando Lugo, em 2012. “Agora, a mesma metodologia, que não necessita das Forças Armadas, está sendo utilizada aqui no Brasil”. Segundo Pérez Esquivel, países “que querem mudar as coisas com políticas sociais” se tornam alvo de investidas da oposição a fim de “interromper o processo democrático”.

Pérez Esquivel também fez um pronunciamento no plenário do Senado, onde pediu para “que se respeite a continuidade da Constituição, do direito do povo de viver na democracia”. “[Quero] simplesmente lhes dizer que, neste momento, mais do que os interesses partidários estão os interesses do povo do Brasil e de toda a América Latina”, declarou.

Oposição protesta contra o discurso
Após a fala de Pérez Esquivel, membros da oposição protestaram contra o uso da palavra “golpe” e contra o pronunciamento de um estrangeiro no plenário. O senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) solicitou que o discurso do Nobel da Paz fosse retirado das notas taquigráficas da sessão. Ronaldo Caiado (DEM-GO) afirmou que o discurso “foi premeditado” e se tratou de “uma estratégia” do PT. No Twitter, o senador do DEM disse que “foi dada a palavra [no Senado] a um senhor simpático à política bolivariana”.
Diante das reclamações, Paulo Paim (PT-RS), que presidia a sessão e convidou Pérez Esquivel a se dirigir ao Senado, determinou que a palavra “golpe” fosse excluída dos registros. Paim afirmou que havia concedido o espaço a Pérez Esquivel por “gentileza” e sob a condição de que o argentino não tratasse em detalhes do processo de impeachment.
“Entendo que isso [discurso de Pérez Esquivel] cause urticária naqueles que são oposição. Estão aí pesquisas de opinião de que a população não aceita que o conspirador-mor assuma”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE), líder do governo no Senado, em meio às reclamações, se referindo ao vice-presidente Michel Temer. (Do Opera Mundi)

Papão inicia venda de ingressos para jogo de sábado

A diretoria do Paissandu definiu preços e programação de venda dos ingressos para a partida diante do Independente, no próximo sábado (30), válida pela Copa do Brasil. A venda começará nesta sexta-feira (29). Os bilhetes de arquibancada terão o preço de R$ 20,00 e as cadeiras R$ 40,00. Haverá venda de meia entrada para estudantes, pela internet, a partir desta quinta-feira (28).

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O jogo com o Galo abre uma sequência de três confrontos decisivos para o Papão. Além do Independente, o Papão terá pela frente o Gama-DF na terça-feira (3) pela final da Copa Verde e contra o São Francisco no sábado (7), na decisão do Parazão 2016.

Paissandu x Independente jogam no sábado (30), às 17h, no estádio da Curuzu. O Papão busca garantir vaga na segunda fase do torneio nacional e entra com a vantagem do empate, após vencer por 2 a 1, em Tucuruí. (Foto: MÁRIO QUADROS) 

Veiga para Leão: “Remo é um grande clube”

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Uma ligeira saia justa envolveu na noite desta quarta-feira os técnicos Marcelo Veiga e Emerson Leão. Momentos antes da partida de ontem pela Copa do Brasil entre Remo e Vasco, no Rio, o técnico Marcelo Veiga participou do programa “Bate-Bola”, da ESPN Brasil, transmitido ao vivo de estúdio em São Paulo. Na ocasião, o treinador azulino respondeu perguntas de jornalistas e convidados.

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Em uma das indagações, um dos convidados, o ex-técnico do Santos e da Seleção Brasileira – atualmente sem clube -, Emerson Leão, comentou sobre a situação de Veiga no comando azulino, argumentando que o treinador não estava em um “grande clube” e também não tinha um “grande time”.

Enfático, Veiga retrucou o Leão e falou sobre a força do clube paraense: “O Clube do Remo é um clube grande. É um clube de massa, clube de uma torcida apaixonada”.

A pergunta óbvia: quem é Leão para julgar o Leão? 

Lições de Mujica para o Brasil em crise

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POR KIKO NOGUEIRA, no DCM

Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, deu uma entrevista a blogueiros na manhã do dia 27 no Instituto Barão de Itararé, administrado com sobeja competência por Miroslav Dutra, o homem, o mito. O DCM estava lá.

Mujica decepcionou quem esperava palavras de ordem inflamadas contra o impeachment. Sequer tocou no termo “golpe”.

Dilma foi mencionada de raspão. Perguntado sobre o que faria no lugar dela, respondeu: “Se eu fosse Dilma… Pobre Dilma. Não posso dizer o que eu faria no lugar dela. Tenho medo que não me entenda”.

Ao invés disso, ofereceu uma visão mais profunda e mais sábia do momento por que passa o Brasil. Pode ser resumida no seguinte: “Apesar de nunca termos triunfado completamente, os únicos derrotados são os que deixam de lutar. A derrota é sentir-se impotente.”

Sic transit gloria mundi. A glória do mundo é efêmera. A perda também.

Mujica está olhando para a frente, não para trás. Aos 80 anos, vestido com um moletom azul, ele abriu com um discurso com a voz relativamente baixa e frágil, errando o microfone à sua frente.

Minutos depois, o microfone não era mais necessário. O ex-presidente do Uruguai, atual senador pelo Movimento de Participação Popular, é um apóstolo da política e, portanto, gosta de falar. Sua pregação é sua força.

Enquanto parecemos afundados num pântano de traições, de toma lá dá cá, de um noticiário miserável, numa situação que não terá um desfecho tão cedo, em que a democracia parece desabar, ele traz a noção de transcendência.

“Nunca triunfamos totalmente na vida. Não há um prêmio. O prêmio da vida é viver com uma causa, com sentimento”, diz.

“Como qualquer animal, temos uma cota de egoísmo e outra de solidariedade. Andamos com essa contradição. Se fôssemos perfeitos, se fôssemos deuses, não precisaríamos da política.”

Mas a política não é uma profissão para enriquecer. “É uma paixão. Não quero dizer que não haja interesses. Mas, se a política é expressão da maioria, temos que viver como a maioria, não como a minoria”.

“Tenho, seguramente, um monte de defeitos. Mas tenho autoridade para dizer essas coisas. Vou morrer feliz porque vivo como penso e para o que penso.”

Essa reivindicação foi dos poucos momentos em que usou a primeira pessoa. Ao abordar questões como a legalização do aborto e das drogas no Uruguai, poderia, eventualmente, ter se jactado de ser o autor desses avanços.

O personalismo, que seria natural, não é seu estilo. Explicou que seu país é “pequenininho”, “não é milagroso” e tem uma longa tradição de liberalidade em diversas áreas.

Nos anos 20, reconheceu o voto das mulheres e o divórcio. Foi pioneiro em assegurar os direitos das prostitutas. Por anos, o estado foi produtor de bebida alcoólica para evitar que a população tomasse uma aguardente derivada da madeira, altamente prejudicial à saúde.

“O povo brasileiro não vai perder tudo”, acredita. “A própria direita tem de negociar, de ceder. Não é uma análise simples”.

Para ele, a classe média “vive com medo”, especialmente nas crises. “Se são alemães, a culpa é dos judeus.” Seu assombro com o Brasil se dá por ser tão “hermoso”, mas também com relação ao número de agremiações partidárias.

“Como governar com 30, 40 partidos? É impossível que vocês tenham 30 projetos políticos. Isso não pode dar certo.”

Ele encontrou um conceito para suas atuais preocupações com a América Latina: “humildade estratégica”. Não no sentido de se autoflagelar, mas de aprender com os erros e seguir adiante. “Agora é tempo de lutar”, insiste.

Os uruguaios fizeram sua Lei de Meios. Mas ele não tem ilusões. “A direita tem o monopólio da comunicação. Algum dia eu suponho que vocês reformarão isso.”

Prosseguiu: “As empresas de comunicação são empresas. De que vivem? Vivem do lucro. Quem são os grandes clientes? Obviamente não são de esquerda. Os meios são da direita. É uma consequência e é um problema. Não existe a neutralidade, isso é mentira. No dia em que esses meios estiverem do nosso lado, é porque mudamos de lado”.

Mujica já se definiu como um “Quixote disfarçado de Sancho”. É uma espécie de filósofo rei milongueiro que virou, também, um popstar improvável. Não chega, ainda, a andar com seguranças, mas tem de entrar e sair rapidamente dos locais onde se apresenta para evitar aglomerações e o assédio dos fãs que querem tirar uma selfie com ele.

Fala o óbvio, mas o óbvio é frequentemente o mais difícil de se ver: “Há que ter coragem de voltar a começar, sempre. Aprender com os erros e voltar a começar, tentar fazer o melhor, ter perseverança. Isso vai passar”.