O ensaio da reabilitação

POR GERSON NOGUEIRA

Foi pouco ainda, mas o resultado magro sobre o Nacional colocou o Remo na semifinal da Copa Verde. Serviu para reconciliar o time com a torcida depois da eliminação no Campeonato Paraense, mas deixou evidentes as limitações técnicas do elenco.

O técnico Marcelo Veiga está há uma semana em Belém e, obviamente, não teve tempo ainda para operar mudanças radicais no time. Talvez por isso mesmo o Remo seguiu repetindo erros infantis de organização, quase nenhuma qualidade no meio-campo e um ataque entregue a jogadas de força no primeiro tempo.

O setor ofensivo só cresceu de rendimento no segundo período, quando Eduardo Ramos passou a ser o responsável pela centralização das jogadas no meio-campo, aproveitando bem os avanços do time amazonense em busca do empate.

A princípio, a escalação de três homens de frente – Welton, Luiz Carlos e Ciro – abriu a perspectiva de um time agressivo, concentrado prioritariamente em atacar. Na prática, porém, o modelo esboçado por Veiga emperrou na ausência de um planejamento tático que permitisse explorar com sabedoria a quantidade de jogadores na linha ofensiva.

Com o passar do tempo, o time não se impunha e nem assustava o visitante, passando a ser pressionado pelas boas manobras do meia-armador Álvaro e dos laterais Osvaldir e Radar, que tinham intensa presença nas ações do ataque nacionalino.

Ante o risco de tomar um gol que poderia atrapalhar os planos de classificação, Veiga recuou Ciro para dar suporte ao lateral esquerdo improvisado Murilo. Essa estranha mudança de posicionamento sacrificou diretamente o lado mais criativo da vanguarda remista.

Artilheiro do time, Ciro viu-se na obrigação de jogar como lateral defensivo, uma excrescência só aceitável em função do pouco conhecimento que Veiga tem do elenco azulino. Ainda assim, imagina-se que um técnico experiente como ele não ignore o fato de que Ciro é essencialmente um jogador talhado para fazer gols, não para evitá-los.

Apesar da absurda troca de papéis, o Remo conseguiu fazer seu gol nos instantes finais da primeira etapa. Na única tentativa de chegar à linha de fundo, Levy cruzou em direção à área e o goleiro Roberto rebateu a bola em Eduardo Ramos, originando o gol azulino, aos 41 minutos.

Foi um alívio para os quase 8 mil azulinos presentes ao Mangueirão, mas não livrou o Remo de sustos até o fim do confronto. Ainda no finalzinho do primeiro tempo, o Naça chegou ao gol, com Tiago Verçosa, mas o árbitro anulou erradamente a jogada, atendendo sinalização do bandeirinha.

Depois do intervalo, Veiga fez algumas alterações, colocando Michel para fechar mais o setor de marcação, sem qualquer resultado prático e lançou Sílvio em substituição a Welton. O problema é que Sílvio, como Ciro, ficou encarregado de recuar para marcar.

Quando as chances surgiam, principalmente em contra-ataques, o ataque vacilava. Como no Re-Pa de domingo, inúmeras oportunidades foram desperdiçadas por Ramos (2), Ciro e Luiz Carlos (2). O Naça também perdeu com Rafael Silva e Tiago, mas o placar final favoreceu o Leão.

Apesar dos pesares, a reabilitação veio e o time segue invicto na Copa Verde, mas Veiga sabe que terá um longo e árduo trabalho pela frente.

7a6a3a60-3bcf-450d-a5cb-4f32ea7e46d2

————————————————-

831d4487-934f-4e88-be47-7926f46b66a8

Celsinho continua a fazer falta

A parada foi mais indigesta do que se imaginava. Com marcação eficiente e agilidade na saída para o ataque, o Rio Branco vendeu caro a derrota pela contagem mínima, ontem, na Curuzu. O gol saiu já na fase do desespero, quando o Papão insistia em chegar com bolas cruzadas sobre a área e nenhuma inspiração na movimentação pelo meio-campo.

Sem seu principal articulador, o meia Celsinho, ainda lesionado, o Papão sofre para estabelecer o jogo pelo meio e acaba travado porque os laterais não apoiam com a frequência necessária. A dependência em relação a ele e Rafael Luz transforma o time num amontoado de jogadores, absolutamente previsível e sem qualidade.

Marquinhos e Bruno Smith, as alternativas encontradas por Dado Cavalcanti para encarar o Rio Branco, não funcionavam na transição, permitindo que o visitante fizesse o jogo que lhe interessava: truncado, com muitas faltas e buscando contragolpes.

Apenas Fabinho Alves aparecia mais pela impetuosidade e a rapidez nas investidas pelos lados. Contra um Rio Branco cauteloso, mas ágil e perigoso nos contragolpes, o time teve que lutar ainda contra a falta de pontaria dos homens de frente.

aa59a3bf-ccc5-4973-a5c6-fee16c645fcb

Papão se posicionou praticamente um jogo todo no campo de defesa acreano, mas sem objetividade. Tinha a posse de bola, mas se atrapalhava o tempo todo. Na etapa final, com John César e Christian nas laterais, o time abriu um pouco o bloqueio do Rio Branco e conseguiu chegar ao gol aos 35 minutos do segundo tempo, através de Fabinho, quando o empate já pintava como resultado mais provável.

Decisão da vaga na capital acreana, na próxima semana, promete ser um teste para cardíacos.

————————————————–

Direto do blog

“Começo a questionar o trabalho de Dado. No ano passado a desculpa foi que pegou o bonde andando. E agora, que ele mesmo montou o plantel e o time é esta coisa horrível em campo e consegue ser pior a cada partida? Até quando? Não sei o que está acontecendo com o time, pois joga pior após cada partida. Pegou uma equipe retrancada que soube como se defender e criou muita dificuldade, mas o time grande é o Paysandu, o time de Série B é o Paysandu e não tem se portado como tal”.

Por Miguel Ângelo Carvalho, angustiado com o rendimento insatisfatório do Papão nas últimas partidas.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 08)

13 comentários em “O ensaio da reabilitação

  1. A Bruxa está solta na curuzu.
    sem seus principais armadores Celsinho, rafael luz, velber, marcelo costa e sem seu unico lateral esquerdo que poderia tambem jogar como meia, o paysandu é obrigado a se virar com bruno smith, marquinho, e até john cesar.
    Aí fica difícil.
    Aliás, diante da ruindade absurda desses tres que sobraram, diria que é impossível ao paysandu jogar bem. nem o guardiola salva.

    Agora o que resta é torcer pela recuperação dos meias pq sem eles o paysandu não vai apresentar nada além do que apresentou ontem, pois o setor de criação inexiste e os volantes capanema e recife são obrigados a armar as jogadas, o que todos sabemos não é a deles.
    O time fica muito previsível e a bola chega sempre quebrada lá na frente dificultando muito o trabalho dos atacantes.

    Pra se ver o tamanho da bronca que nos encontramos no momento, ontem nosso melhor armador foi o capanema.

    O time foi bem montado pelo Dado, e se tivermos a volta dos armadores e do lateral esquerdo o time fica muito forte pra disputa do paraense e da copa verde.

    Já pra serie B mais uns cinco reforços se fazem necessários.

    Nos resta torcer.

    Curtir

  2. Se o Veiga arrumar esse time, organizar o meio de campo deixando mais compacto, onde a bola possa sair da zaga passando de pé em pé e diminuindo a frequência de chutões, o Remo tem tudo para realizar boas partidas.

    Curtir

  3. Não é possível que os médicos do departamento que faz a avaliação antes de contratar o jogador não conseguem detectar que o atleta não tem condições de ser adquirido pelo Paysandú.
    Será que são incompetentes?, os jogadores chegam contundidos e permanecem assim praticamente até ao final de seus contratos sangrando os cofres da instituição.
    É inadmissível que com tantos equipamentos e profissionais ligados ao DM não colocam os atletas bicolores em condições de jogo.
    Acho de muita irresponsabilidade um profissional assinar um documento dando um atleta que vem de histórico de contusões e algumas irreversíveis, como apto para atuar em um campeonato tão duro quanto o paraense.
    Duro no sentido de gramados pesados.

    Curtir

  4. Assisti ontem o Boca Junior pela Libertadores é um outro nível, a entrega é plena, um toque de bola rápido e o melhor não existia bola perdida todos lutando pela posse da pelota até o fim.
    Penso que está mais que na hora de usar os reais que estão disponíveis, se é que estão, para trazer jogadores hermanos de qualidade e que não são caros feito as barcas que aportam pela Curuzu.

    Curtir

  5. A grife “Potita”, em franca expansão, acaba de abrir filial na Curuzú. Os franqueados são Wanderson, Bruno Smith, e o recém estreante come-dorme John César. Os dois últimos têm partes dos nomes “importados” mas o futebol é de peladeiro de várzea. Resta saber qual dos quatros será eleito o “Bola Murcha” do Parazão-2016 ??

    Curtir

  6. Galera bicolor deu nova pêia no sofrenomeno
    Assim como no Re-Pa, nos jogos do meio de semana também

    Não merece nenhum post, caro Gerson?

    Curtir

    1. Amigo Edson, com todo respeito, para públicos que tínhamos há até 10 anos – que nos enchiam de orgulho até fora do Brasil, como testemunhei em 2006 lá na Alemanha -, com média superior a 20 mil pagantes, os números atuais são raquíticos demais para estimular posts a respeito. Regredimos até nisso e os dois grandes rivais (pela incompetência crônica de sempre, incluindo o contrato para jogos televisionados para Belém) têm tudo a ver com isso. Me perdoe, mas não vejo motivo algum para festejar, a não ser essa briguinha tosca entre torcedores de lado a lado, que não mudam absolutamente nada da nossa realidade atual.

      Curtir

  7. “os números atuais são raquíticos demais para estimular posts a respeito” (Nogueira, 2016).

    Os números do rival sempre foram assim, eles ficam empolgados pq só lotam um lado na Cúruzu onde fica atrás do goleiro hahaha

    Curtir

  8. Concordo, amigo Gerson.

    A tv, o st, a violência etc, tem afastado a torcida dos dois lados

    Agora convenhamos, os lota tudo abandonaram miseravelmente o leião

    Curtir

  9. Quando Remo e Paysandú tinham apenas médico e massagista, não eram vistos como SPA’s. Atualmente, com outra gama de profissionais incluídos no que se batizou de “comissão técnica” – fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, fisiologistas, analistas de desempenho, etc., aumenta ano a ano a quantidade de “chinelinhos” nestes clubes.

    Curtir

Deixar mensagem para Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu. Cancelar resposta