Uma visão do jornalismo esportivo na rede e na vida

Por Raphael Zarko

Já imaginou o José Trajano antes de começar o Linha de Passe, na mesa, chamar o Calazans na telinha: “E aí, pai, pra chegar na redação hoje foi pica, hein…”? Difícil, claro. Mas na profissão de jornalistas esportivos, que trabalham com futebol, 95% fala assim o tempo todo. O “pai” é acréscimo meu, que já adotei algumas das expressões, embora me policie um pouco. Mas outras expressões, gírias etc e tal são próprias dessa função – como existem outras para outras editorias de jornalismo e diversas para várias outras profissões. Cada qual com suas piadas internas. No caso do jornalismo esportivo, criadas em redações, em portas de vestiário, pré-temporada, salas de imprensa e por aí vai.

Possivelmente, jornalistas da área de fora do Rio não vão se identificar com as palavras e as frases selecionadas, porque retrata um cenário muito carioca. Para reuní-las contei com a ajuda de quatro jornalistas esportivos do Rio e um leitor que se tornou amigo no Twitter. Ainda ficaram de fora outras características, como imitações. Todo ou quase todo jornalista esportivo carioca imita ou Joel Santana ou Renato Gaúcho. Ou os dois.

Bagaço – Nem tanto a ver com o “bagaço da laranja” da música de Zeca Pagodinho. Como vou dizer isso… é… Alguns profissionais da bola costumam se referir como “bagaço” aquelas mulheres que não são as, digamos, oficiais. E esse boleirismo se alastrou entre os jornalistas esportivos cariocas. É comum ler, ouvir: “Saindo cedo. Negódi bagaço?”

Boleirão – Todo jornalista esportivo lê jornal de trás pra frente, tem time de coração, ouvia rádio na infância para saber as últimas contratações e sonhou em um dia ser jogador de futebol. Mas ouse admirar um jogador e serás logo tachado de boleirão por seus coleguinhas (sim, jornalistas se chamam de coleguinhas). Não há nada mais pejorativo do que ser chamado assim. Isso quer dizer que a proximidade com estrelas do futebol subiu um pouco a sua cabeça. Assessores de imprensa constantemente recebem essa alcunha. Quase sempre com justiça. Jornalistas também.

Diferenciado – Um dos vícios de linguagem do jornalismo esportivo. Esse é um dos raros casos que, imagino eu, foi absorvido para coletivas de jogadores. Eles falam “diferenciado” cada dia mais. E os jornalistas se chamam de diferenciados, dizem que a comida é diferenciada, que a bunda de fulaninha é diferenciada, que a forma do cara teclar é diferenciada, que a canhota com a lapiseira 6.0 é diferenciada, que tudo é diferenciado.

Irrita? – Nada irrita mais do que essa pergunta: “Irrita? Irrita muito?”. Irrita pra caralho!

Juvenil – Uma espécie de nova forma de se referir a um estagiário sem chamá-lo de estagiário. “Foca” em jornalismo é quem está começando. “Juvenil” no jornalismo esportivo é quem está começando. É uma forma carinhosa de menosprezar o “juvena” – olha a abreviação aí!

Negódi – Abreviação de “negócio de”. “Tem negódi de bagaço?” é bem comum.

O futebol é uma grande mentira! – Essa é irmã gêmea do “o jornalismo é uma mentira”, mas mais específica para o futebol. Vale para quando um diretor de clube anuncia uma contratação depois de negar veementemente qualquer outra coisa. Mas também para os casos dos coleguinhas quererem, indireta diretamente, criticar a matéria de outro coleguinha. Segundo a reclamação, o autor pode não exatamente ter inventado a notícia, mas quase isso.

O menino… – Aqui, é uma expressão composta. Um jogador surpreende, seja no campo ou fora dele, e o jornalista esportivo observa: “Tal de menino Jobson tava no pagode ontem”. Pode vir também mais simples, com “menino Edmundo tá brilhando…”.

O jornalismo morreu! – Isso é comum de se ouvir dos mais velhos, que deviam ouvir de outros mais velhos, que deviam ouvir isso de outros mais velhos ainda. Muito importante a variação para “o jornalismo acabou” ou, bem parecido, “o jornalismo esportivo morreu”. Quem puxa geralmente essa são assessores de imprensa e comentaristas. Mas também tem aquele menino que chegou ontem e já manda essa: “Olha isso aqui? Não dá, o jornalismo acabou”. Há casos comuns também dessa expressão vir acompanhada de palavrões, quando o coleguinha copiou a matéria sem dar o crédito (o famoso plágio).

Perguntas com “o amigo sabe”, “o amigo vai”, “o amigo pode” – Se você segue dois jornalistas esportivos no Twitter, já viu muito disso.

Pessoalzinho – Uma variação de bagaço, mas, até onde sei, diz respeito ao mesmo assunto.

Pica – “Pica” é o novo “foda”. As duas palavras são usadas exatamente nas mesmas ocasiões. Mas experimente falar na mesa com familiares que fulano é “pica” e repare os olhares de reprovação. “Foda” se alastrou pela sociedade, enquanto “pica” é utilizada apenas por jornalistas e jogadores. Diego Souza, aliás, inaugurou a comemoração “eu sou pica” no jogo contra o Lanús, pela Libertadores. E você sabe como acabou essa história de Diego Souza, Libertadores… Essa pica entrou pela culatra, digamos assim. A expressão “pica”, porém, é quase uma abreviatura de toda a expressão original que era “a pica tá voando”. Você ouvia um jornalista muito atarefado falando com outro: “E aí, vai sair que horas hoje para aquela resenha com o amigo?”. “Pai, não sei ainda, a pica tá voando aqui no Ninho (do Urubu) (Nome do CT do Flamengo onde a pica sempre tá voando)”.

Referência – Ídolo, gênio, mito, pica (tem seu vocábulo específico logo acima), mestre. São algumas das expressões mais comuns para se elogiar o trabalho ou, simplesmente, puxar o saco de alguém. Normalmente funciona assim: o cara manda muito bem em tal circunstância, aí você vem com o elogio: “O amigo Fulano de Tal é gênio”. Na resposta lance sem pestanejar um: “Você é amigo”, como está explicado mais abaixo. Pronto, seu boleirês jornalístico esportivo está ficando afiado.

Resenha – Você está num site de esportes, então, possivelmente já ouviu falar em “Grande Resenha Facit”, que era a mesa-redonda no fim dos anos 1960 com Armando Nogueira, Nelson Rodrigues, João Saldanha, Luis Mendes e grande elenco. Hoje, qualquer bate-papo, conversa fora é resenha no jornalismo esportivo. A bem da verdade, até onde sei, resenha veio do mundo dos boleiros para o mundo da beira do campo – ou seja, dos repórteres que cobrem futebol. Hoje em dia não é incomum ler “resenha” ou até ouvir a palavra em matérias jornalísticas, principalmente na TV. As resenhas estão invadindo os seus lares também!

Tá sabendo bem, hein… – O básico é quando o cara chega numa coletiva de imprensa, dia seguinte tem jogo importante e ele pergunta “Seedorf já estreou?”, quando o Clarence (aliás, uma nova tendência é se referir aos jogadores pelo primeiro nome – na Argentina é um pouco assim) já fez 5 gols no campeonato etc e tal.

Tamo fudido – Matéria sobre craque da Série B? Tamo fudido. Gandula? Tamo fudido. Estagiário dando furo? Tamo fudido. Imagina na Copa? Tamo fudido. Tamo fudido é com “o” no lugar de “u”? Tamo fudido. Para tudo, um jornalista esportivo tem um tamo fudido na manga.

Tem isso? – No jornalismo, em geral, nos tempos de frenéticos de internet, o título de e-mail é religiosamente usado por editores, editores-chefes para “Temos isso?”. Acredito que 99% das pessoas que trabalham na área já receberam e-mail com isso, que quer dizer: Nosso veículo está por dentro dessa história que o concorrente está “dando” (publicando)? No jornalismo esportivo, não sei como exatamente, o “temos isso” virou “tem isso?”, para os casos de … Para os casos da porra toda. Por exemplo, uma contratação nova, o cara chega de mobilete no clube: “Tem isso é?”.

Uso de reticências – Não importa o assunto, a discussão, o argumento, muito menos o sentido. 95% dos jornalistas esportivos que escrevem no Twitter usam os três pontinhos no final do que querem dizer. Pode ser para rebater, criticar, ironizar (principalmente). Enfim, haja saco…

Você é amigo – Ao receber um elogio, o jornalista elogiado não pode rebater com o que pensou de primeira: “você é um puxa-saco”. Então, convencionou-se assim.

O inferno das reuniões desnecessárias

Por André Lobato – colaboração para a Folha de SP 

É impossível pensar em empresa ou projeto que tenha se tornado realidade sem uma reunião. Por outro lado, muitos entram e saem desses encontros com a sensação de que pouco foi feito. Entre esse grupo estão 38% de 305 executivos brasileiros ouvidos pela consultoria Robert Half, de recursos humanos, em fevereiro e março deste ano. Eles consideram que ao menos metade de suas reuniões são desnecessárias.

Os motivos variam. Falta de preparo de quem as organiza e participa, ausência de figuras-chave, presença de pessoas desnecessárias e falta de foco do time estão entre as principais razões.

Se no quesito insatisfação com as reuniões o Brasil está um pouco acima da média dos 20 países pesquisados (32%), quando se trata de reclamação sobre o planejamento de pauta da reunião, a diferença é patente: 69% aqui, contra 31% nos restantes dos países, em média. Isso significa que faltam definição dos temas, envio antecipado aos participantes do material a ser discutido, liderança para coordenar a reunião e objetividade dos envolvidos para que a discussão necessária se transforme em conclusão.

“Em geral, o brasileiro coloca em discussão o que não estava na pauta, sobrepujando o que foi discutido”, afirma Vicente Ferreira, professor do Coppead-UFRJ (instituto de pós-graduação em administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro). A falta de planejamento nas reuniões pode ser um reflexo da ausência de uma estratégia nas empresas, aponta Fanny Schwarz, executiva da Symnetics, consultoria em estratégia.

Segundo Schwarz, é comum a ausência de definições sobre o papel de cada um na reunião e de sua importância para a execução da estratégia da empresa. Isso leva a usar o tempo do encontro para falar sobre o passado e as razões pelas quais metas foram ou não atingidas. “E não sobre o futuro, o que é preciso ser feito para a execução da estratégia”, completa.

O passado é uma parada…

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Por Toquinho

“Ele me ensinou a cumprir horários, a observar compromissos, a respeitar as pessoas.” Quando comecei a trabalhar com Vinicius, em junho de 1970, ele ainda evitava viajar de avião. Então fomos para a Argentina de navio. Eu sentia uma sensação estranha, não sabia direito o que é que eu ia fazer lá. De repente, estava a bordo de um navio junto com Vinicius de Moraes, um ser humano grandioso de quem eu só conhecia o que ele tinha escrito e cantado por aí.
Houve uma adaptação perfeita entre a gente, porque tudo que Vinicius gostava de fazer eu também gostava: tocar violão, curtir os temas que iam saindo, comer bem, viver a noite ao lado de amigos e mulheres bonitas. Voltei da Argentina com aquela sensação gostosa de ter trabalhado com Vinicius. Ainda não tinha saído nenhuma música nessa primeira viagem. Já no navio eu tinha mostrado a ele um tema que eu estava desenvolvendo. Ele gostou da ideia, ficou curtindo, mas não colocou letra. Isso aconteceria quase dois meses depois. Vinicius estava casado com a baiana Gesse, que arrumou para fazermos três shows no Teatro Castro Alves, em Salvador, nos dias 6, 7 e 8 de setembro.
Esse era o Vinicius. Segundo ele, nossa relação era como um casamento sem sexo. O resto tinha tudo, ciúme e inclusive algumas brigas, claro. No fundo, e o mais importante, um grande amigo que a vida escolheu para morrer quase em meus braços. Sentindo-me, de início, um objeto da blasfêmia da vida, eu admitiria depois como um privilégio ter sido o escolhido para vivenciar as últimas horas do poeta.” 

Faturamento do UFC vai a nocaute em 2014

Uma das boas notícias do final da temporada: a queda vertiginosa nos lucros do UFC no Brasil. De um faturamento de R$ 6 milhões com o “pay per view” em 2013, as vendas desabaram para R$ 3,2 milhões em 2014. Os dados confirmam a queda na audiência da modalidade, que há dois anos despontava como fenômeno na TV brasileira.

A frase do dia

“Nos últimos 12 anos aqui não se esquece dos pobres. Não se discrimina os negros. Não se abandona as mulheres”.

Dilma Rousseff, ao ser empossada para o segundo mandato na presidência do Brasil. 

Leão enfrenta concorrência na luta por reforços

Sem definição quanto à contratação do atacante Flávio Caça Rato, o Remo também enfrenta forte concorrência pelo meia-atacante Júnior Timbó e até pelo goleiro Cézar Luz. Caça-Rato é pretendido pelo CRB, enquanto o América-RN quer Timbó e também demonstra interesse por Leandro Cearense, cuja permanência no Baenão ainda é incerta. O técnico americano é Roberto Fernandes, que em 2014 dirigiu o Remo e efetivou Cearense como titular, apesar do fraco rendimento do jogador na Série D. Já o goleiro Cézar Luz, ex-River, está nos planos do Sampaio Corrêa. Fabiano, que foi titular do Leão durante o Parazão, pode se transferir para o Alecrim-RN. O veterano goleiro está no grupo de jogadores que terá salários reduzidos para renovar com o Remo.