Marlon se apresenta ao Papão

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O lateral-esquerdo Marlon, que disputou a Série B 2014 pelo Vasco, já se apresentou ao Paissandu na manhã deste domingo. Vestiu a camisa de treino e fez alguns exercícios na Curuzu. Marlon se destacou no Remo, mas passou também pela Tuna, atuando inicialmente como volante. Sua apresentação oficial está marcada para esta segunda-feira. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

O jornalismo sem jornalistas

POR SYLVIA D. MORETZSOHN

Jornalistas, ao menos os da velha guarda, costumam cultivar a auto-ironia e arrumam pretexto para rir das situações mais adversas. Foi numa ocasião dessas que, há 40 anos, surgiu a palavra pela qual as ondas de demissões passaram a ser chamadas: “passaralho”, inspirada invenção de Joaquim Campelo, copidesque no antigo Jornal do Brasil, para a avalanche de cortes que se seguiu à saída de Alberto Dines do comando da redação, em 1974.

AB15521Passaralhos ocorrem com razoável e lamentável frequência, mas o que atingiu O Globo na quinta-feira (8/1) foi particularmente chocante. Não só pela quantidade, mas pela qualidade dos atingidos. E, também, pelo momento de transição que o jornal vive, o que lança dúvidas sobre o futuro.

A empresa não divulgou números. Sites especializados citaram 160 demitidos, dos quais cerca de 30 seriam jornalistas, com 20 a 30 anos de casa.

Alguns saíram por acordo. Os demais iam sendo comunicados da dispensa ao chegarem para trabalhar. Instalou-se um clima de especulação que levou muita gente a se precipitar e divulgar informações às vezes falsas nas redes sociais, o que só aumentava a tensão. Mas foi assim que um colunista soube que estava entre os afastados: em férias no exterior, leu no Facebook que sua coluna não seria mais publicada. O e-mail de confirmação só viria depois.

A reviravolta

No início do ano passado, quando anunciou o “novo ritmo da redação”, com a prioridade para o digital, O Globo demitiu alguns jornalistas e fez acordo com outros que manifestaram desejo de sair. Mas contratou mais do que dispensou: foram 12 rescisões e 22 admissões. “Ao longo dos últimos anos, esta é uma redação que aumentou de tamanho”, disse, na época, o editor executivo Pedro Doria. “A gente aumentou em R$ 1 milhão a folha de pagamento da redação. Embora pessoas sêniores tenham saído, pessoas sêniores foram colocadas no lugar.”

Daí a surpresa com a reviravolta. Segundo nota do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro (ver aqui), a empresa justificou-se de maneira vaga, na base dos velhos jargões corporativos: afirmou tratar-se de uma “medida de otimização após a revisão de processos” em que constatou haver “diferentes unidades produzindo o mesmo tipo de trabalho” e a necessidade de “um modelo de convergência”.

A ser verdade, esse quadro apenas revelaria, para dizer o mínimo, uma lamentável falha de planejamento, cujas consequências deveriam recair sobre os responsáveis pelo “modelo de gestão”.

A falta de informações mais objetivas favoreceu as especulações. As demissões seriam medidas preventivas para uma eventual queda de receita publicitária. Ou seriam uma forma de evitar problemas futuros com a Justiça do Trabalho: a empresa vem respondendo a processo por sua prática tradicional de demitir profissionais prestes a completar 60 anos de idade (ver aqui) e assim anteciparia, informalmente, o período da “expulsória”.

Acabar com o jornal?

Uma terceira hipótese seria a perda de terreno do jornal impresso para a edição digital (ver aqui). Isso poderia justificar demissões fora do ambiente da redação, mas não dentro dela: como se sabe, a internet alterou as rotinas e favoreceu a extinção de algumas atividades e a fusão de tarefas, porém ao mesmo tempo abriu novas frentes de trabalho – a criação de editorias de mídias sociais, de vídeo etc.

Os critérios para os cortes foram tempo de casa e nível salarial. A saída de alguns dos mais experientes jornalistas é mais um passo no caminho suicida que vem sendo percorrido há décadas pelas empresas jornalísticas de modo geral. O abandono da tradição de aprendizado no cotidiano, a partir do convívio com os mais velhos, revela suas consequências na flagrante queda de qualidade do produto oferecido ao público.

“É para acabar com o jornal?”, indagavam alguns dos que ficaram, perplexos com o que estavam vendo.

Quem sabe? Cortar pessoal para cortar custos, a velha fórmula de sempre, pode resultar em economia. Mas ninguém faz jornal sem jornalistas.

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Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora deRepórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)

Leão triunfa no primeiro teste com Zé Teodoro

Com a presença de bom público no estádio Evandro Almeida, na manhã deste domingo, o novo Remo fez seu primeiro teste para o Parazão, enfrentando o Bragantino e vencendo por 3 a 1. O jogo-treino foi solicitado pelo técnico Zé Teodoro, preocupado em movimentar o elenco e observar o rendimento dos jogadores. Os gols azulinos foram marcados por Felipe Macena, Dadá e Eduardo Ramos. Joãozinho descontou para a equipe de Bragança.

Umberto Eco e o mau jornalismo

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POR KELLY VELAZQUEZ

O famoso escritor e ensaísta italiano Umberto Eco apresentou nesta semana na Itália seu novo romance, Número zero, uma espécie de manual do mau jornalismo ambientado na redação de um jornal imaginário.

O novo livro do influente intelectual italiano, autor do famoso romance O nome da rosa e de importantes tratados de semiótica, é uma história de ficção ambientada em 1992, um ano particular para a Itália contemporânea, marcado pelos escândalos de corrupção e pela investigação “Mani Pulite” (Mãos limpas), que arrasou com boa parte da classe política da época.

O livro se concentra, sobretudo, nos mistérios não resolvidos que sacudiram nestes anos a Itália, entre eles o protagonizado pela loja maçônica Propaganda 2 do temido Licio Gelli, que queria dar um “golpe branco”. “É o primeiro romance de Eco que fala de uma época tão recente”, reconhece Elisabetta Sgarbi, diretora da editora Bompiani.

Eco descreve a redação imaginária de um jornal, criado naquele ano, para desinformar, difamar adversários, chantagear, manipular, elaborar dossiês e documentação secreta. “Para mim é um manual da comunicação de nossos dias”, sustenta Roberto Saviano, renomado jornalista antimáfia da Itália, que vive sob escolta pelas ameaças de morte que recebe das organizações criminosas.

Em uma conversa entre Eco e Saviano, publicada pela revista L’Espresso, o semiólogo afirma que não quis escrever um “tratado de jornalismo”, mas contar uma história sobre os limites da informação, sobre como funciona uma máquina de denegrir, e não tanto sobre o trabalho de informar. “Escolhi o pior caso. Quis dar uma imagem grotesca do mundo, ainda que o mecanismo da máquina para sujar, de lançar insinuações, já fosse usado durante a Inquisição”, comentou Eco.

Saviano, que considera que as redes sociais multiplicaram esta forma de denegrir gerando verdadeiros monstros, acredita que o magnata das comunicações e ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi marcou o início dessa era, entre boatos e informações, vida e vícios tanto privados quanto públicos. “Escolhi 1992 porque considero que este ano marca o momento de um declínio na história da sociedade italiana”, disse Eco em uma entrevista ao Corriere della Sera.

No livro, o semiólogo se diverte citando frases famosas ou lugares comuns do jornalismo, como “no olho do furacão”, “um duro revés” ou “com a água no pescoço”. “Não é necessário estrangular a avó para perder a credibilidade. É suficiente contar que o juiz usa meias na cor laranja. Por que será?”, contou Eco citando um caso verdadeiro durante uma longa entrevista à RAI.

Graças aos delírios de um redator paranoico, Eco conta fatos concretos, mas reconstruídos a partir de teorias bizarras ou que se entrelaçam estranhamente com outras e que terminam por criar uma nova notícia.

É o caso da loja maçônica P2, do suposto assassinato do papa Luciani (João Paulo I), dos cúmplices das brigadas vermelhas que trabalhavam para os serviços secretos, dos tentáculos da CIA, dos atentados e até de um falso cadáver de Benito Mussolini com o qual conseguiram salvá-lo e enviá-lo à Argentina. Todas são histórias que o leitor não conseguirá determinar se são fatos inventados ou a descrição da realidade, segundo o escritor.

Trata-se do sétimo romance de Eco, que publicou, entre outros, O Cemitério de Praga e O Pêndulo de Foucault.