Leonardo e a fórmula da NBA

Do blog de Renato Maurício Prado

downloadComo jogador, entre muitas conquistas, Leonardo colecionou títulos mundiais, pela seleção brasileira e pelo São Paulo; brasileiros, pelo Flamengo e também pelo São Paulo e o da Liga dos Campeões da Europa, pelo Milan. Após pendurar as chuteiras, tornou-se o braço direito do presidente rossonero, onde também foi treinador, além de ter dirigido, em seguida, a sua maior rival, a Inter de Milão. Até o meio do ano passado, ele era o principal executivo do Paris Saint Germain, escolhido a dedo pelo sheik Nasser Al-Ghanim Khelaïfi, novo presidente do tradicional clube francês. De passagem pelo Brasil, após assistir à Copa, na Europa, Leonardo analisou a atual situação do futebol brasileiro. E, com razão, defendeu mudanças radicais, conclamando a união de todos os envolvidos no esporte:
– Bom Senso, Romário, cubes, CBF, todos precisam se unir e caminhar juntos para uma grande reformulação. A gente tem que mudar a visão do todo. O Brasil é a sétima economia mundial, o futebol é a nossa grande paixão, mas, apesar de todo esse potencial, o mundo corporativo e o próprio futebol ainda se enxergam como organização social, sem fins lucrativos. Isso limita demais a entrada de qualquer investimento. A visão tem que ser comercial, com fins lucrativos. O sistema do futebol tem que ser outro.

PROFISSIONALIZAÇÃO URGENTE

A CBF tem 100 anos. Como pode ser atual, se funciona da mesma maneira há um século? O que falta nessa engrenagem? Um grupo de executivos que conheça gerenciamento e futebol profundamente e acorde e vá dormir, todos os dias, pensando no desenvolvimento dele. A CBF é muito mais organizadora e controladora do que promotora do campeonato. Não acredito que o Marin e o Del Nero não queiram uma coisa que seja melhor pra eles, para os clubes e para o futebol brasileiro. A Premier League é o maior exemplo de sucesso profissional. Claro que, pelas nossas particularidades, não dá para pura e simplesmente implanta-la aqui. Mas muita coisa pode servir de exemplo. Temos que gerar ideias e riquezas. Nossa estrutura é muito engessada. A hora de mudar é essa. Na Alemanha, foram criados centros federais, trabalho a longo prazo. Existe uma parte do projeto que é comum a todos. Aqui ninguém discute o comum. Todos defendem somente os seus interesses. Eles (os clubes) têm que fazer isso. É preciso um movimento comum, no qual as pessoas convirjam para alguma coisa, que beneficie a todos. Nenhum presidente de clube está feliz.

FORA DO MERCADO
Precisamos criar uma nova estrutura para entrar no mercado. Estamos fora dele. Trabalhando direito, temos condições de fazer um NBA. Quanto custa o Neymar pra ficar aqui? Para o tamanho do negócio que se pode gerar, não é nada. Se, ao menos, fizéssemos um campeonato local forte, não precisaríamos nem competir com a Europa. A NBA não compete com ninguém e é um sucesso no mundo todo. Porque é um produto de altíssima qualidade. O Campeonato Brasileiro não passa em lugar nenhum do mundo. Não dá pra ver nem pela internet. Porque é um produto que não é reconhecido no mercado. Os jogos são desinteressantes, jogam em 70 metros, a tv não consegue nem enquadrar. Parece que há um desânimo, um conformismo. É assim mesmo, é assim que eu vou fazer e viver! E ainda se chama Brasileirão. Esse nome não pode ser internacional, nenhum estrangeiro entende, nem consegue pronunciar direito. Não vende lá fora …

A IMPORTÂNCIA DA BASE

Se a gente não tem uma base boa, ferrou. É como uma equação, erra a primeira soma, errou tudo. Isso acaba influenciando em todo o processo de formação. O menino que entra no Flamengo (e na maioria dos outros clubes), hoje, logo está dizendo “me tira daqui”. Ele quer é jogar na Europa. Eu, no meu tempo, quando entrava na Gávea, me benzia. Aquilo pra mim era um templo. A base hoje em dia tenta revelar jogadores pra vender. Quais são as receitas de um clube de futebol? TV, marketing, estádio e jogador . Na Europa, venda de jogador só contribui com 10% da receita. Aqui é muito mais. E a preocupação passa a ser vender logo a garotada. E se você negocia o jogador muito cedo, ele ainda nem está de fato formado. E muito talento se perde nisso.

NEYMAR

Neymar falou que no Brasil se treina pouco. E ele só descobriu isso aos 22 anos! Será que ele não poderia ser melhor se tivesse descoberto isso aos 18? Se tivesse tido outras opiniões táticas, poderia ser um autêntico 10. Hoje ele é muito mais hábil, jogando com uma linha atrás. Ele tem tempo, ainda pode vir a se tornar um craque completo. Mas poderia já ser. Taticamente estamos muito atrasados. Tiago Silva aprendeu a ser zagueiro na Europa. Antes era um monstro só no físico. Virou o melhor do mundo lá fora. . No Brasil a gente aprende a jogar bola, não a jogar o jogo. Craque de bola é uma coisa. Ter estratégia é outra. A Alemanha hoje em dia tem talento, mas tem também estratégia. Já a Itália ganhou 2006 só na estratégia. Materazzi, imagina, foi o artilheiro do time! Mas isso também é jogo! Só que a gente acha feio. Só que agora está todo mundo muito mais organizado taticamente. E para você conseguir fazer prevalecer o nosso talento, tem que estar organizado, pelo menos como eles. A gente precisa ter a visão do todo e depois colocar o jogador de talento. Aí, sim, vem o Neymar. Ele tem que ser o algo mais, não a base do time.

MOTIVAÇÃO

Aquele negócio de “vamos lá, vamos lá”, não funciona com o europeu. Isso ele rebate na hora: “motivação, não me pede, não, que eu já tenho”! Ele quer conteúdo. Quer saber a função e o que fazer, como se comportar, dentro de campo. Na verdade, os europeus veem o Brasil como o país que resolve no talento. Nunca uma conquista nossa foi atribuída, lá fora, ao treinador. O técnico brasileiro é mais forte em colocar os bons jogadores para fazer o que eles querem e não para armar o time taticamente. E o jogador brasileiro não gosta de discutir tática. É até cultural. A velha história do “dá aqui que eu resolvo”. Se não for um gênio, como Pelé, Maradona, Zico, Romário, não resolve mais, não.Da minha época, o técnico que tive e mais claro mostrava o que queria era o Telê. Ele não era tático. Mas aperfeiçoava a técnica ao máximo! E com a qualidade técnica conseguia superar até a tática. Era um perfeccionista. Naquela época, a técnica fazia a diferença. Mas hoje, com a escola europeia jogando o que está jogando, um time só técnico está morto.

7 x 1

Não quero criticar apenas um jogo. Mas todo mundo sabia que a Alemanha ia pressionar a nossa saída de bola desde o início. Estava escrito. Se fosse um treinador italiano, ia dizer pro David Luiz mandar a bola lá pra frente e todo mundo sair. Os caras são melhores que a gente. Não dava pra jogar normalmente. Não sou contra técnico estrangeiro, mas não acho imprescindível. Mourinho e Guardiola, sim. Não porque são estrangeiros. Mas porque são os melhores.

CLUBES / INVESTIMENTO

Os clubes têm que tomar a iniciativa! Porque sem eles não tem campeonato, não tem seleção, não tem nada. Campeonato sem CBF tem, sem Federação,tem, sem clube, não. Os grandes atores são os clubes. E eles não podem estar tão enfraquecidos. E não adianta só sanear a dívida. Senão mudar o sistema e gerar riqueza, não resolve. Vai dever de novo. Para o campeonato ser forte, os clubes têm que ser fortes. Sem isso, é impossível. Precisamos abrir as portas dos clubes para as riquezas existentes no Brasil ou mesmo para as estrangeiras : o Chelsea é de um russo, o Paris Saint Germain do Qtar, o United, dos americanos a Roma também. As riquezas italianas estão no Milan, na Inter, Juventus a Fiat. O Bayern tem por trás a Mercedes, a Bayern. E nós estamos fora do mercado! Tem que profissionalizar a visão! Se um louco milionário resolve botar toda a riqueza dele no Flamengo, não pode. E o futebol está nas mãos dos empresários… Ora, já estamos penhorados. O cara entra numa falha do sistema. Quando disse, numa entrevista, há algum tempo, que deveriam vender o Flamengo, era a esse tipo de investimento a que me referia. A gente precisa criar uma estrutura para alguém colocar dinheiro. Só que quem botar 200 milhões de euros vai querer o comando e lucro. E terá um grupo de gestores que vai cuidar do investimento. Assim funciona. Mas hoje em dia, nenhuma assembleia de clube aceitaria um investimento como esse. Por política, medo, insegurança. Ora, o Flamengo já está vendido (para os credores de sua divida). E todos os clubes estão mais ou menos na mesma situação. Se alguém fosse dono ia lutar mais pra não perder o próprio patrimônio. Tem descobrir onde está esse dinheiro e botar no futebol. Faturamento de 300 milhões ainda é pouco para resolver os nossos problemas.

Irmão de Campos se move para ser vice de Marina

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Do Brasil 247

O irmão de Eduardo Campos, Antônio Campos, que sempre auxiliou o ex-governador de Pernambuco nos bastidores da política, quer agora assumir a herança política da família Arraes. Segundo informações obtidas por 247, ele se articula para ser vice na chapa de Marina Silva. Assim, a coligação Unidos pelo Brasil teria ainda uma chapa Campos-Marina, mas com inversão de papéis; ela presidente, ele vice.

Ontem, Antônio Campos foi o primeiro a lançar a candidatura de Marina, numa nota pública chamada “Não vamos desistir do Brasil”. “Como filiado ao PSB, membro do Diretório Nacional com direito a voto, neto mais velho vivo de Miguel Arraes, presidente do Instituto Miguel Arraes – IMA e único irmão de Eduardo, que sempre o acompanhou em sua trajetória, externo a minha posição pessoal que Marina Silva deve encabeçar a chapa presidencial da coligação Unidos Pelo Brasil liderada pelo PSB, devendo a coligação, após debate democrático, escolher o seu nome e um vice que una a coligação e some ao debate que o Brasil precisa fazer nesse difícil momento, em busca de dias melhores. Tenho convicção que essa seria a vontade de Eduardo”, disse ele.

Logo depois, Antônio Campos foi repreendido pelo presidente do PSB, Roberto Amaral, que afirmou que o momento “é de luto”. Disse ainda que a decisão se dará por “exclusivo critério” do PSB, um partido que, como todos os outros, é presidencialista em seu processo decisório. Aliado histórico de Lula, Amaral sempre foi refratário à aliança com Marina Silva.

O futuro do PSB é incerto, mas Antônio Campos voltou a defender o nome de Marina Silva. “Pela escolha de Eduardo quando fez a aliança, na ausência dele, Marina assumiria a Presidência. Ela tem densidade política e eleitoral para fazer o debate do Brasil neste momento”, afirmou, em entrevista ao Globo. Segundo seu vice deve ser um quadro do partido que complemente seu perfil.

“Coloco o debate de que o partido precisa definir antes do prazo legal essa questão. E que a morte de Eduardo seja não apenas o luto e o choro, mas também signifique que o Brasil que está tão descrente com a política, com o voto nulo tão forte, desperte”, disse (leia aqui).

Suposta testemunha mente ao vivo na Globo

De Sala de TV
Até que ponto vai a imaginação, o oportunismo, a insensibilidade e o cinismo de uma pessoa? Essa resposta fica ainda mais difícil de ser definida ao analisar o comportamento de uma hipotética testemunha do acidente aéreo que matou o candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, e outros seis ocupantes da aeronave, na quarta-feira (13), em Santos, litoral paulista.
No final da manhã, durante o plantão do ‘Jornal Hoje’, da Globo, o repórter José Roberto Burnier entrevistou um homem que disse ter auxiliado no resgate de feridos. Ele afirmou ainda ter tido acesso aos destroços do jato.
Aparentemente emocionado, contou ter reconhecido o corpo de Eduardo Campos: “Cheguei a abrir o olho dele”, contou, para surpresa do repórter. Burnier o contestou para certificar a informação. O entrevistado, convicto, mais uma vez disse ter reconhecido Eduardo Campos entre os mortos — e ele ainda revelou, para certa comoção do jornalista, ser eleitor do candidato.
Pouco tempo depois, quando os boatos foram abafados por informações oficiais, todos soubemos que nenhuma vítima poderia ser reconhecida visualmente. Devido ao impacto e à explosão, os corpos ficaram dilacerados e carbonizados. Apenas exames de arcada dentária e DNA poderão determinar as identidades. O dentista Fernando Cavalcanti, que atendia Eduardo Campos, viajou do Recife para São Paulo levando radiografias e outros documentos, para ajudar na identificação do corpo do político.
À noite, José Roberto Burnier fez a matéria de abertura do ‘JN’, e estava no link, diretamente de Santos. Foram exibidos os testemunhos de várias pessoas que disseram ter presenciado a tragédia. Mas o homem que, horas antes, dissera ter reconhecido e tocado em Eduardo Campos ao tentar socorrê-lo, não foi mostrado.
O lamentável episódio ocorrido na Globo não é uma exceção. Sempre que acontece uma tragédia com a presença da imprensa surgem oportunistas, sádicos e desequilibrados que aproveitam a situação para aparecer na TV.
José Roberto Burnier não tem culpa de ter sido enganado. Numa transmissão ao vivo, no calor da emoção e com notícias desencontradas, é impossível apurar se o entrevistado diz a verdade, fantasia ou mente descaradamente.
No primeiro momento, aquele depoimento parecia tão real, a dor da suposta testemunha se mostrava tão verdadeira, que seria improvável desconfiar de uma farsa. No fim, foi apenas mais um papagaio de pirata, um urubu midiático, alguém que realizou o desejo de ter 15 segundos de fama tripudiando sobre a tragédia alheia.

O Brasil que dá certo

Na mesma semana em que Artur Ávila Cordeiro de Melo, matemático brasileiro, conquistou a Medalha Fields, o Brasil teve outra conquista na área de ciências exatas, protagonizada por alunos do ensino médio. Cinco estudantes conquistaram a medalha de prata em prova por equipe na 8ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, conquista inédita no país. O evento, que terminou no último domingo, ocorreu na cidade de Suceava, na Romênia. O grupo brasileiro também obteve, nas provas individuais, duas medalhas de bronze e três menções honrosas.

A equipe desembarcou nesta quinta-feira no Brasil, após viagem de 30 horas. “Essa competição tem nível muito elevado, e os alunos brasileiros se destacaram”, disse o coordenador de Educação em Ciências do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), no Rio de Janeiro, Eugênio Reis, que acompanhou os estudantes. Segundo ele, “esses jovens que voltam com a medalha mostram para os demais que isso é uma coisa possível; que basta se dedicar, que se tem chance”.

Ao todo, participaram da Olimpíada 208 estudantes, de 39 países. O Brasil é um dos países que participa da Olimpíada desde a primeira edição. A prova de equipe varia a cada ano, e a elaboração fica a cargo do país que sedia o evento. Na última edição, os grupos tiveram 90 minutos para calcular a trajetória de dois mísseis que deveriam atingir um asteroide, em rota de colisão com a Terra, e salvar o planeta.

Para as contas, puderam usar apenas objetos contidos em uma caixa: réguas, massa de modelar, barbante e papel milimetrado. A medalha de ouro ficou com o Canadá e a de bronze com a Lituânia. A preparação dos estudantes vem desde o ano passado, com a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, voltada para estudantes de escolas públicas e particulares. No ano passado foram 800 mil inscritos em todo o país. Os participantes que se destacaram foram convidados a continuar estudando.

Os selecionados passaram por várias etapas, que incluíram uma prova presencial. Além dos cinco estudantes que participaram da competição internacional, foram escolhidos cinco para participar da competição latino-americana, que será no Uruguai, de 10 a 16 de outubro. Haverá também cinco suplentes. Os finalistas tiveram aulas, participaram de oficinas e de observações astronômicas. (Do Portal Terra)

Pois é… mais um tapa nos arautos da vira-latice nacional.

Maior colecionador de vinis é brasileiro

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Destaque de reportagem do New York Times, o brasileiro José Roberto Alves Freitas comprou um milhão de vinis de um lojista dos Estados Unidos. Mas a principal informação ainda estava por vir. Zeca, como é conhecido o empresário, é dono de uma coleção de 5 milhões de álbuns, entre nacionais e estrangeiros. Ele guarda tudo em dois galpões em São Paulo.

O empresário contratou 16 estagiários e uma gerente para catalogar os discos, em um galpão na Vila Leopoldina. Na entrevista, ele disse que o objetivo é ter uma cópia de todos os vinis já lançados de música brasileira. Além de empresário do ramo de transportes, Zeca Freitas é graduado em Música pela USP e se especializou em trilhas para peças de teatro. (De Território Eldorado)

Os cenários da eleição sem Eduardo Campos

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Por Marcelo Gonzatto, do Zero Hora

A queda do jato em que se encontrava o candidato à presidência Eduardo Campos também tirou do rumo previsto a eleição para o Planalto e criou novos possíveis cenários para a disputa do pleito.

O mais provável é a confirmação da candidata a vice, Marina Silva, como nova cabeça de chapa graças a seu bom retrospecto eleitoral, mas seu nome esbarra em obstáculos como resistências internas do PSB — o que pode levar à busca de candidaturas alternativas.

Oficialmente, os líderes do PSB evitam confirmar prognósticos. Uma das razões para a prudência é respeitar um período mínimo de luto pela perda da principal figura nacional do partido. Outro motivo é que, embora Marina Silva seja uma alternativa com peso político, sua devoção à criação de um partido próprio e a resistência a acordos regionais formulados por Campos a indispõe com quadros do PSB, a exemplo da ala paulista. Em São Paulo, a sigla firmou apoio ao PSDB de Geraldo Alckmin contra a vontade da candidata — que ainda não se manifestou sobre a disputa eleitoral desde a morte de Campos.

— Foi tudo muito recente, então não definimos nada sobre o futuro político. Nem a Marina está pensando nisso ainda — afirma a secretária da Executiva Nacional do PSB Mari Trindade.

Reservadamente, porém, como em uma reunião realizada com líderes nacionais nesta quinta-feira, já são alinhavados os primeiros planos para o futuro do PSB e da eleição presidencial de 2014.

— Será muito difícil que não seja escolhida pela convergência que se criou sobre o nome da Marina — avalia o cientista político e coordenador do curso de Ciências Sociais da Ulbra, Paulo Moura.

A coligação tem 10 dias, a contar de quarta-feira, para apresentar uma nova candidatura. A propaganda eleitoral gratuita deverá começar, na terça-feira, ainda sem uma definição. Confira, a seguir, alguns dos cenários mais prováveis e que fatores pesam contra ou a favor para cada um deles.

1.Candidatura de Marina Silva

A favor: a candidata somou perto de 20 milhões de votos na eleição passada e poderia captar parte do eleitorado de Dilma e de Aécio. Em uma pesquisa Datafolha publicada em abril, somente Marina Silva garantia um segundo turno com Dilma entre cinco cenários avaliados, com 27% dos votos. O irmão de Eduardo, Antônio Campos, já afirmou que gostaria de vê-la candidata. Líderes dos partidos que compõem a coligação e do próprio PSB já defenderam publicamente o nome de Marina, como o deputado federal Júlio Delgado (PSB/MG).

Contra: encontra resistências de empresários e representantes do agronegócio desde sua gestão como ministra do Meio Ambiente (2003 a 2008) do governo Lula. Além disso, é contrária a acordos políticos costurados em Estados como São Paulo (com PSDB) e Rio de Janeiro (com PT), o que exigiria difíceis negociações. Outro fator é que seu projeto político é implantar seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade. Nesse caso, mesmo em caso de sucesso na eleição, o PSB poderia acabar sem um legado político. Por essas razões, encontra resistências internas no PSB, como a do presidente da sigla, Roberto Amaral.

2.Busca de um outro candidato

A favor: escolher outro candidato resolveria dilemas políticos da sigla — como a possibilidade de Marina investir em sua Rede Sustentabilidade após a eleição ou implodir acordos regionais firmados pelo PSB contra a vontade da atual candidata a vice. Os principais nomes da legenda, hoje, são o senador Rodrigo Rollemberg, atual candidato a governador do DF, os deputados federais Beto Albuquerque (RS) e Márcio França (candidato a vice de Alckmin em São Paulo) e Julio Delgado (MG). França evitou apoiar publicamente Marina, com que já tinha pouca afinidade, o que pode ser um indício de que preferiria outro candidato.

Contra: a morte de Eduardo Campos não deixou um segundo nome com destaque nacional que fosse um candidato natural a ocupar sua vaga na eleição. Outras figuras de peso, como Cid e Ciro Gomes, deixaram o partido recentemente. Nesse caso, a probabilidade de o partido conseguir vaga em um eventual segundo turno diminuiria consideravelmente com um nome de seus próprios quadros. Uma alternativa seria Roberto Freire, presidente do PPS e aliado do PSB.

3.Apoio a Dilma Rousseff

A favor: o PSB tem afinidades com o PT — Eduardo Campos e Marina Silva já integraram o governo petista, ela como ministra do Meio Ambiente, ele como ministro de Ciência e Tecnologia de Lula. O presidente nacional da sigla, Roberto Amaral, também já foi ministro de Ciência e Tecnologia de Lula. Cogita-se que ele aceitaria uma recomposição com o PT para apoiar Dilma.

Contra: há uma forte corrente no PSB que defende a candidatura própria a qualquer custo. O presidente do PSB paulista, Marcio França, já declarou que “não há possibilidade” de o partido desistir de apresentar um candidato. A adesão a Dilma significaria abrir mão de se apresentar como uma terceira via alternativa ao PT e ao PSDB.

4.Apoio a Aécio Neves

A favor: o PSB firmou aliança com o PSDB no Estado mais importante do país, São Paulo, e em outros sete Estados. O presidente da legenda em São Paulo, o deputado federal Márcio França, é candidato a vice de Geraldo Alckmin nas eleições estaduais, o que já marca uma aproximação importante.

Contra: o apoio a Aécio é uma possibilidade distante, até o momento. O próprio candidato a vice de Alckmin manifestou publicamente a determinação do PSB apresentar um candidato próprio — com a missão de romper a dualidade entre PT e PSDB no país.

5.Neutralidade na eleição

A favor: seria uma alternativa a uma eventual falta de acordo interno do PSB à indicação do nome de Marina Silva ou à definição de outro candidato.

Contra: esse cenário, até o momento, é pouco provável. A ideia não vem sendo defendida, ao menos abertamente, por líderes do PSB e dos partidos coligados. A tendência é de buscar um nome para concorrer no lugar de Eduardo Campos.

O passado é uma parada…

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Baby Consuelo, Dadi (com camisa e bandeira do Fogão), Galvão, Moraes Moreira (de blusa listrada), Pepeu (sentado, de boné) e Paulinho Boca de Cantor, entre outros músicos, na grande e animada comunidade musical dos Novos Baianos. No interior do Rio. Anos 70.