Até quando vai durar a Marinamania?

Por Paulo Nogueira, no DCM

O dia começou ruim para Dilma e terminou pior. O primeiro golpe veio com a publicação, na Folha, de um texto de acordo com o qual Dirceu já estaria considerando “iminente” a derrota de Dilma para Marina, a “Lula de saias”.

O artigo, de Fernando Rodrigues, viralizou. Poucas horas depois de publicado, Dirceu desmentiu tudo, pelo blog de Paulo Moreira Leite.

1540362_799156170105799_5141174295574927725_oDirceu está mesmo tão pessimista assim? O jornalista da Folha forçou a mão? Bem, questões como estas acabaram obscurecidas pelo segundo golpe: os números do último Datafolha. Por eles, Marina já alcançou Dilma no primeiro turno. Estão empatadas em 34%, com Aécio semimorto com 15%.

Ruim no primeiro, pior no segundo. Pelo Datafolha, confirmando o Ibope de poucos dias atrás, Marina bate Dilma por 50% a 40%.

É indiscutível que o Brasil vive, nestes dias, uma Marinamania.

Numa eleição que não provocava grande entusiasmo, ela surgiu como um fato novo. Colocou fogo numa disputa morna. Trouxe imprevisibilidade a uma competição tediosamente previsível. Virou uma sensação, por tudo isso.

Curioso notar que toda esta espuma provavelmente não teria ocorrido caso Marina estivesse concorrendo desde o princípio com sua Rede.

Ela seria um nome a mais. Forte, é verdade, mas sem o impacto trazido pela chegada espetacular, no rastro da tragédia de Campos. Para quem gosta de parábolas, ou metáforas, da morte brotou a vida, e com a vida a esperança de renovação.

Marina não faz “nova política”, como demonstram suas alianças, mas quem entre seus principais rivais pode bater nela por isso? A “novidade” de Aécio é um receituário que, na moda nos anos 1980 com Thatcher, o tempo mostrou ser uma calamidade, sobretudo para os mais pobres.

Armínio Fraga, o homem da economia de Aécio, tem a cabeça na década de 80. 

Quanto a Dilma, o máximo que ela pode dizer a Marina, no quesito das alianças estranhas, é: “Eu sou você amanhã”. Há um cansaço, na sociedade, com a política tal como é feita no Brasil.

Quando o PT subiu ao poder, a expectativa era que o modo de fazer política mudaria. Não mudou, ou mudou pouco.

A decepção de muitos com o PT decorre – ao contrário do que dizem os conservadores – não com a corrupção, que na verdade foi combatida como nunca antes nestes últimos anos.

A decepção veio pelo que não foi feito no terreno dos avanços sociais. O PT fez mais neste campo que os governos anteriores, desde Getúlio Vargas, mas menos do que gostariam os que sonham com uma sociedade mais justa.

É uma insatisfação de esquerda, por assim dizer, e não de direita. Os votos que faltam hoje ao PT estão na esquerda, na garotada inconformada que tomou as ruas em junho de 2013, e não na direita. Basta ver o desempenho de Aécio.

Marina representa, para essa gente, não uma certeza de transformações – mas ao menos uma esperança.

Para reverter a Marinamania, Dilma terá que mostrar que é ela, e não Marina, quem poderá fazer, na verdade, a modernização política pela qual anseia a sociedade.

Para obter sucesso nisso, ela terá que encontrar uma resposta para a seguinte questão: por que vocês não fizeram isso nestes doze anos?

8 comentários em “Até quando vai durar a Marinamania?

  1. Muito bom texto… Apenas discordo do aspecto Campos, penso que Marina seria forte de qualquer maneira e teria grande chances de vencer em qualquer cenário.Para mim, o acontecimento decisivo foi as semanas de e junho e julho, se elas não tivessem ocorrido, se a mandatária nacional ao menos tivesse conseguido impor o plebiscito penso que as coisas agora seriam diferentes para ela.

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  2. Agora sim, um texto coerente. Será que o blogueiro está a entrar na onda da Marina?
    Como dizia James Russell Lowell, “só os tolos e os mortos jamais mudam de opinião”.

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  3. Creio que o blogueiro não mudou de opinião, apenas repercute um texto que tenta explicar as tendências eleitorais.
    Depois de quinhentos anos de descaso, com algum avanço social na década de 30, quando GV assumiu o poder por meio de uma revolução armada (aliás a única maneira de mudar alguma coisa naquela época), é impossível a qualquer governo, por melhor e mais bem intencionado que seja, de mudar o país da água para o vinho da noite para o dia.
    É preciso muito e muito tempo até as coisas mudem de verdade. Ainda assim em 12 anos o PT fez o que pode, com as armas que a democracia permite, e é visível a mudança ocorrida no país.
    Quanto a Marina, seu discurso de “novo”, “diferente de tudo o que está aí”, não bate com as pessoas que estão ao seu lado, que financiam e apoiam a sua campanha.
    É esperar para ver.

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  4. Eis aí um texto, o texto. É possível discordar aqui e acolá, mas, no geral, num ponto, no mais importante, ele é irrepreensível. Não faz ataques gratuitos e vis à candidata. Não deixou de mostrar qual é a democrática preferência eleitoral do autor, mas não achincalhou a adversária. E isso é algo relevante, seja lá qual for a intenção ou o motivo que inspirou o autor.

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