No caso Cláudio, o piloto mentiu

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Por Ricardo Batista Amaral

Tucano passou 11 dias mentindo e tenta encerrar caso com desculpa esfarrapada

No artigo que publicou na Folha de S. Paulo, o candidato tucano Aécio Neves procura reduzir o escândalo do aeroporto de Cláudio a um “equívoco”: ter utilizado uma pista de pouso sem saber se ela estava homologada pela ANAC.  Gasta o tempo do leitor tentando explicar a disputa judicial pelo valor da desapropriação das terras do tio, como se isso fosse o mais relevante num caso de patrimonialismo escancarado. De quebra, confessa que, “por escrúpulo”, negou à população da paupérrimaMontezuma o direito a uma estrada asfaltada, mas distraidamente deixou asfaltar uma pista de pouso que serve a ele e ao latifúndio de sua família no município. Écomovente, mas voa longe da verdade.

Levando em conta a entrevista do candidato ao Jornal Nacional, as duas notas de sua assessoria e o artigo na Folha, o foco desse caso continua sendo:

Levando em conta a entrevista do candidato ao Jornal Nacional, as duas notas de sua assessoria e o artigo na Folha, o foco desse caso continua sendo:  Aécio Mente.

1) Ele disse que era uma pista de terra que foi reformada. Falso. É só ver o edital para construção econferir a transformação da área pelo Google Earth.Foi feita uma pista novinha, de 14 milhões, sem aproveitar necas da velha.
2) Ele disse que seu governo fez mais de 30 aeroportos no interior. Falso. Ele fez dois: o da Zona da Mata e o de Cláudio. E 8 reformas, de 14 anunciadas.
3) Ele disse que Cláudio é um pólo com mais de 300 indústrias, produzindo para exportar. Falso.Claudio tem hoje  63 fundições de ferro e alumínio. É responsável por 0,002% das exportações do país.
4) Ele disse que a obra foi decidida por critérios técnicos. Quais, numa cidade de 28 mil habitantes, localizada a menos de 70 quilômetros de dois aeroportos regionais?
5) Ele disse que o aeroporto não beneficia a família. Falso, por óbvio. O que é melhor: ter uma fazenda perto ou distante da rodovia? Perto ou distante de um aeroporto? Com um aeroporto dentro (a cerca só isola o aeroporto da rodovia, não da fazenda), melhor ainda, não é? O valor da desapropriação é troco perto da valorização das terras.
6) Ele levou onze dias para admitir o que todos desconfiavam: usou, sim, a pista. O nome mais suave para esse comportamento é dissimulação.

Aproveito para comentar uma pergunta que ronda a cabeça de muita gente.

Por que a Folha publicou a matéria do  Aecioporto?

1) Porque a imprensa brasileira vive sua maior crise de credibilidade desde o êxito da Copa. Atolou-se na pauta da oposição e precisa mostrar alguma independência ao público lesado. O custo-benefício da operação favorece o jornal, que não vai trocar de candidato.
2) Porque a FSP sempre agiu assim: eventualmente bate em um aliado, mas não abre mão de cobrir o PT deforma sistematicamente crítica. Essa é a diferença de tratamento, disfarçada por matérias pontuais para sustentar suposta “isenção”.
3) Porque precisa dizer ao seu  candidato (a quem considera o futuro presidente) que a FSP não é oEstado de Minas: “Tu és nosso, mas não somos tua”. É um chega pra lá preventivo em dona  Andréa Neves. Só quem pode mandar na Folha é o Serra, que por sinal também deve ter sido surpreendido, pois a  pauta veio de Minas.
4) Porque pretendeu fazer uma operação cirúrgica sobre um tema explosivo. Deu manchete no impresso, mas escondeu o caso na home do UOL, que é a verdadeira metralhadora da casa. Manteve o assunto em pauta, mas não foi a Montezuma. O editorial ambivalente de domingo é apenas isso: um editorial ambivalente.

O PT pode esperar por pancadaria brava daqui em diante, mas ficou no direito de reivindicar isonomia: o espaço que a FSP e o Jornal Nacional deram para Aécio Neves se defender é maior do que tudo que já se deu aos petistas acusados de qualquer coisa nos últimos tempos.

11 comentários em “No caso Cláudio, o piloto mentiu

  1. Hoje li o texto de Aécio explicando essa questão do aeródromo. Além da ladainha do mesmo tentando explicar o inexplicável, como quase todos os políticos brasileiros (acho que se aprende isso nas universidades chamadas de assembleias, câmaras, congressos e senados da vida).

    Chamou-me a atenção uma frase do mineiro: “Nasci no ambiente da política e vivi nele toda a minha vida.” – Aecio Neves

    Fundado nesse enunciado do mineiro fico a pensar que tais indivíduos fazem da política sua vida profissional. Enriquecem trabalhando pouco e representado o interesse de poucos. Por isso, os vejo como a escória do Brasil.

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  2. Essa história da Folha denunciar um tucano é parecida com aquela do livro Sonhos Tropicais do Moacyr Scliar, na qual o narrador personagem é um biógrafo do médico sanitarista Osvaldo Cruz e para obter credibilidade, cola aqui e ali, uma crítica de um jornal, uma fofoca de anônimos contrária ao seu objeto de estudo, para logo em seguida, como um advogado, fazer a ampla defesa do seu biografado, tudo encenação.

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