A fina arte de desequilibrar

Por Gerson Nogueira

bol_sex_120413_15.psO futebol tal como o conhecemos é cada vez mais surpreendente e imprevisível. Se no passado o acaso já conduzia as coisas, em pelo menos 50% dos casos, o equilíbrio reinante hoje entre as equipes permite avaliar que a maioria dos jogos é decidida num descuido qualquer. Ao mesmo tempo, esse nivelamento técnico (por baixo) acaba por ressaltar ainda mais o papel dos jogadores mais qualificados.

Com uma perna só, como bem relatou o jornal El País, o craque Lionel Messi determinou a passagem do Barcelona pelo PSG, anteontem. Até a metade do segundo tempo o confronto era vencido com galhardia pelos franceses, apesar da incansável pressão catalã. A entrada em cena de um talento especial desequilibrou a ordem natural.

Ficou mais uma provado que o craque, mesmo que não esteja em plenas condições, é capaz de mover montanhas. Messi recebeu algumas bolas, manteve-se parado, sem girar as jogadas ou buscar arrancadas. Quando pegou na bola à altura da meia-lua e lançou Villa a sorte do Barça começou a mudar. Daí nasceu o passe recuado para Pedro fuzilar no canto esquerdo de Sirigu.
Falando assim parece simples. E foi. A questão é que simplificar é uma arte. Messi é um artista. Vai daí…
Quando uma parada enrascada é resolvida de maneira tão didática como o duelo do Camp Nou aprendemos que a glória no esporte bretão vai permanecer sempre refém dos talentosos. Felizes os que contam com esses seres privilegiados, como os argentinos hoje em relação a Messi. Como o Brasil nos anos 60 em relação a Pelé e Garrincha.
No rabo da fila das melhores seleções do mundo, amargando um inacreditável (mas justo) 19º lugar, o Brasil precisa desesperadamente encontrar alguém que possa significar o desequilíbrio, estabelecer a dissonância. Não vai ser fácil.
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Copa BR escancara realidade
O Paissandu foi a Boa Vista e arrancou uma vitória tranquila, suficiente para eliminar o segundo jogo. A rigor, podia ter saído de Roraima com um placar mais folgado, embora tenha se deixado pressionar no segundo tempo. No fim das contas, uma vitória que representou a salvação da lavoura para o futebol paraense nesta primeira rodada da Copa do Brasil.
Depois que o Remo perdeu em casa para um descalibrado Flamengo, os outros três representantes paraenses tinham responsabilidades bem distintas. O Paissandu era favoritíssimo contra o São Raimundo e cumpriu seu papel, com autoridade.
O Águia, que havia sido derrotado na primeira partida contra o Nacional, precisava se recuperar no Zinho Oliveira. Ao contrário de outros tempos mais garbosos, o Azulão marabaense sucumbiu ao apenas mediano time manauara, caindo por 2 a 1.
A tragédia, porém, se revelaria em todas as cores no estádio Parque do Bacurau. O Cametá, atual campeão paraense, foi fragorosamente aniquilado pelo Atlético Goianiense, com requintes de crueldade. O placar de 7 a 0 soou como sentença fúnebre do estágio do futebol por aqui.
Pelo andar da carruagem, a situação ainda pode ficar pior.
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Direto do Facebook:

“Eu levo a minha vida com a direção de Deus e depois como se cada dia fosse uma partida de futebol. Quando o time joga de forma equilibrada, tendo uma zaga boa, meio-campo bom e um ataque bom, e não precisa ser um time de estrelas, o que precisa é confiar em Deus e jogar cada partida com muito esforço e sabedoria.”

De Ewerton Coqueiro, dando a receita exata de um torcedor misericordioso. 
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 12)

21 comentários em “A fina arte de desequilibrar

  1. Bem feito no caso do Cametá, todo o castigo é pouco pra time que se vende, tinha que levar era de 20.E ainda este ano eles cairão no paraense.

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  2. Diante de toda essa lambança do parazão e as aprticipações de nossas agremiações na Copa do Brasil, deu pra gente perceber que não é só o nosso nível que tá baixo, o próprio nível do futebol brasileiro está nivelado por baixo.

    Quem diria que o Flamengo e Santos em especial iam permitir aos seus conflitantes o direito de ir conhecer suas cidades, no caso Remo e Flamengo do Piauí respectivamente.

    No caso do nosso Paysandu que não quis ir jogar em Cametá e quando foi lá jogar não jogou muita coisa contra o dono da casa.

    O seu companheiro de série B, Atlético goianiense, foi, enfrentando a aventura como eles descreveram a viajem, deram uma lapiáda daquelas e de quebra ainda trouxeram uns trocadinhos de lá.

    Diante disso, esperamos que o Paysandu possa se reforçar e bem reforçado, pois a Série b não é moleza.

    Quem estiver bem, briga pra subir, mas quem não estiver o fim da fila é o caminho.

    Abreo olho Papão!

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  3. Sobre a retirada da ação do SC, cantei esta pedra aqui, exatamente como está acontecendo. O que é interessante que o senador passa a notícia primeiro para os seus correligionário$$$$.
    Te contar! E disse também que era jogada política e não deu outra.

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    1. Ele é um franco-atirador, amigo Rodrigo. Em baionês, é um presepeiro. Por isso, nunca levei a sério as alegadas razões de direito para paralisar a competição. Queria aparecer, conseguiu e estragou o campeonato.

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  4. Claudio, na minha opinião, Real com 65% e Barça, bem mais apertado, com uns 52%, de chances de irem à final. Sem dúvidas esse Bayern é casca grossa.

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  5. Gerson, Cláudio e demais, me peguei pensando, vendo e revendo o lance do gol do Messi, o quão bonito é vê-lo jogar, fazer aquelas jogadas, os passes, as arrancadas, com a bola sempre colada aos seus pés, o guisa seco e o arremate forte, preciso e indefensável, já
    que vai fora do alcance do goleiro.

    Melhores do mundo:

    1o – Pelé

    2o – Garrincha

    3o – Messi

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  6. O Atlético- GO mostrou como será esta série B. O Paysandú terá que ter um time muito mais qualificado do que o atual para não ter que acabar na série C de 2014.Como acredito no trabalho e na responsabilidade do Vandique e cia terei certeza que o Paysandú irá se reforçar e fazer um excelente campeonato!
    Quanto ao Cametá é o que dá se meter com gente grande!
    O Dragão goiano não tomou conhecimento do peixe reimoso a peia foi humilhante!

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  7. Quanto as ações do Santa Cruz penso ter sido muito prejudicial ao campeonato, a torcida esfriou com esta parada. O Paysandú que vinha na vontade de por fim ao segundo turno e levando logo o título foi muito prejudicado. O leão se beneficiou pois conseguiu se recuperar do jogo da quarta e teve tempo de se ajeitar, se é que o FA tem como ajeitar este time.
    Mas acredito que a lógica se fará presente e o Paysandú sairá vencedor!
    Quanto a Copa do Brasil que estádio de futebol foi esse que o Paysandú foi jogar estava mais para um campo de um clube social de quinta que estádio para um campeonato do tamanha da competição nacional!

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  8. O Bayern é o melhor time europeu na atualidade, ganhou a Bundesliga faltando seis rodadas e perdeu apenas uma partida, é o time ser batido.

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