Muito barulho por nada

Por Gerson Nogueira

Quando um campeonato é inteiramente prejudicado quanto ao interesse do público e à credibilidade dos clubes, itens fundamentais em qualquer tipo de evento, cabe perguntar quem pagará os prejuízos causados pela interrupção. Sim, porque a essa altura não há mais dúvida de que o Parazão foi paralisado por puro capricho politiqueiro.
As bravatas do principal dirigente do Santa Cruz, pronunciadas a partir do dia 25 de março, quando ficou claro que o jogo entre o time de Cuiarana e Paissandu não seria realizado em Cametá, deixavam claro a real intenção por trás dos ruídos midiáticos.
A partir desse dia, o Santa Cruz dedicou-se a sabotar o campeonato. Não apareceu no estádio Jornalista Edgar Proença, configurando-se o W.O. no jogo com o Paissandu. Dias depois, recorreu à Justiça Comum em Salinas, mas não logrou êxito no pedido de liminar, mas horas depois obteve a suspensão do torneio graças à intervenção do Superior Tribunal de Justiça Desportiva.
Tudo sob a alegação de que se julgava prejudicado pelo desmembramento da sétima rodada do returno. O argumento era cabível e até legítimo, mas as motivações não eram de natureza esportiva.
Pela própria estrutura do clube, idealizado como satélite político-eleitoral, era previsível que a furiosa determinação de parar o campeonato era puro factóide. Nos tempos de pelada, lá em Baião, chamava-se a isso de presepada.
Travar um campeonato que já se constituía num dos mais atraentes e lucrativos – graças à dupla Re-Pa – dos últimos tempos foi um ato boçal, de pura irresponsabilidade, próprio de quem caiu de pára-quedas na seara esportiva e não tem qualquer compromisso com o futebol e com a paixão do torcedor.
A justificativa para a súbita desistência dos procedimentos jurídicos seria apenas risível, não fosse simplesmente triste. Alegar preocupações tardias com a torcida é quase um deboche. A torcida já foi achincalhada ao ficar impedida de ver seus times em ação, por razões banais.
Registre-se, porém, que a porteira foi escancarada há alguns anos pela sucessão de regulamentos frouxos, que permitem a qualquer aventureiro criar uma agremiação e disputar as competições oficiais promovidas pela FPF. De nada adianta criticar os presepeiros de plantão. É preciso fechar as brechas abertas para a malandragem. O problema é se há real interesse em fazer isso.
Pobre futebol paraense.
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Domingo é o dia do Re-Pa 
No mais novo impasse surgido quanto às semifinais do returno do Campeonato Paraense, a respeito das datas dos jogos, a FPF pode resolver de maneira simples e justa. Basta aplicar a questão do mérito, sem receio de ferir suscetibilidades. Paissandu e Remo são, para variar, responsáveis pelas grandes arrecadações do ano.
Jogar no sábado ou domingo só faz a diferença no aspecto financeiro. Portanto, não há o que discutir. O Re-Pa tem prioridade e deve ser jogado no domingo, como manda o bom senso. E, obviamente, para Tuna e PFC, o fato de jogar sábado não vai acarretar nenhum prejuízo quanto à bilheteria.

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Bola rolando também na TV
Depois de dois domingos seguidos discutindo as futricas do tapetão, o Bola na Torre (RBATV) volta ao normal e reabre o debate sobre futebol de verdade, como o povo gosta. Guilherme Guerreiro apresenta, com participações de Tomazão e deste escriba baionense. Por volta da meia-noite.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 14)